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Vista aérea da vila de Sintra.
Hotel Nunes na vila de Sintra.
Vista panorâmica da vila de Sintra.
Vista áerea da vila de Sintra.
Paço dos Ribafria na vila de Sintra.
Lançamento do "Vila do Conde" na Gafanha.
Em Vila Real de Santo António.
Rio Cuito. Vila Nova da Armada
Bairro dos pescadores, em Vila do Conde.
Composto pela gravação audiovisual da entrevista e a respetiva transcrição.
Transcrição Maria do Carmo
Entrevistada: Maria do Carmo (MC)
Entrevistadoras: Maria Ana Bernardo (MAB) e Manuela Oliveira (MO)
Transcrição: Diana Henriques (05/12/2023)
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MO:
Maria do Carmo apresente-se então
MC:
Eu sou a Maria do Carmo, natural de Portel nasci aqui, fiz aqui a minha vida e aqui continuei a viver.
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MC:
Tive uma infância boa. A minha mãe trabalhava numa casa numas famílias ricas, nunca faltou nada na mesa. Nunca passei dificuldades. O meu pai era trabalhador rural e nunca nos faltou nada. Tive uma infância feliz, na casa dos meus pais.
MO:
E estudou
MC:
Fui à escola, fui até à quarta classe, era uma excelente aluna. E houve uma altura em que terminei a quarta classe e os professores, as professoras dessa altura foram falar com os meus pais para eu ir para a quinta e sexta classe, que era o que havia na altura. E o meu pai, tenho esta versão ainda hoje gravada na minha, na minha ideia que o meu pai disse aqui não à nem quinta, nem sexta, o cesto é o da azeitona. Ela vai à azeitona. E eu a sair da escola com onze, doze anos fui à azeitona.
MAB:
Começou a trabalhar?
MC:
Sim, com grande desgosto meu. E comecei a trabalhar.
MAB:
E a partir daí continuou?
MC:
E a partir daí continuei sempre a trabalhar como meu pai. Sempre. A trabalhar no campo.
MAB:
E os seus irmãos?
MC:
O meu irmão mais velho já teve uma vida diferente da minha. Fez a quarta classe, também era muito bom aluno, era afilhado do doutor Galhordas e ele disse o António José vai para Lisboa, vai estudar, vai trabalhar. Foi trabalhar para uma fábrica, havia uma tia minha que vivia em Lisboa e ele foi para casa dessa minha tia. E ele trabalhava na fábrica e à noite ia estudar. O padrinho pagou-lhe os estudos e ele avançou na vida. Infelizmente, já cá não está entre nós. Faleceu de uma doença, dessas doenças graves.
E o meu outro irmão mais novo já foi mais burrinho. Andou sempre no campo, mas não aprendia nada, mas nessa altura se ele tivesse a ideia que eu tinha, o meu irmão teria ido já, já havia, as coisas já eram de outra maneira. A minha mãe já dizia, se ele fosse bom na escola já ele ia estudar, mas ele não. Até a quarta classe ele custou a fazer, ele não aprendia, tinha dificuldades em aprender. E foi assim a nossa vida.
MO:
E lembra-se do 25 de abril?
MC:
Claro que me lembro do 25 de abril. Olhe o 25 de abril foi, eu acho que foi das melhores coisas que houve. Porque antes do 25 de abril eu morava numa rua, que era a rua do Alfoz (?) a seguir ao castelo e há ali um largo que é o largo Miguel Bombarda, onde só viviam ricos. Eram quatro, que viviam lá, era o Manuel da Corte, o Fonseca e os dois Amarais. E lembro-me perfeitamente do meu pai, ir para aquele recinto, aquele largo, ele e mais homens a pedir trabalho à porta desses ditos ricos e eles vinham à porta e tu, tu e tu, saiam para aquele lado. E a maioria ficavam lá, eram escolhidos, aqueles que eles lhes agradavam mais. E então havia muita muita muita miséria.
MAB:
Quando as pessoas não tinham trabalho o que é que faziam?
MC:
Viviam que era miséria. Levavam os dias ali no largo da agrícola, naquele largo onde é a caixa geral de depósitos à procura de trabalho. Se alguém passava, que lhe propusesse trabalho. Era miséria, miséria. Eu vivi numa rua que era uma rua mesmo só de pobreza, onde só havia, muitos filhos. Nós eramos três, mas havia além casas que havia sete e oito irmãos. Que era mesmo, mesmo, mesmo miséria. A minha mãe tinha uma vizinha, que já faleceram, e essa vizinha, às vezes a minha mãe, trabalhava na casa dos ricos e trazia de lá coisas que lhe davam e diziam vai lá levar à Mariana. E ela ia-lhe levar coisas poucas, um bocadinho de pão, e um bocadinho de azeite e com isso ela fazia uma açordinha de alho para ela e para os filhos. E ela vinha à rua, lembro-me como se fosse hoje e dizia assim, hoje até vejo o sol bem, o que a Maria me veio aqui levar, fiz uma açordinha para mim e para os meus filhos, que nos soube tão bem, à não sei quantos dias que não comíamos.
MAB:
Na casa dos seus pais eles faziam matança?
MC:
Na casa dos meus pais faziam matança sim.
MAB:
E depois dividiam?
MC:
E dividiam sim. Aquilo no final ficava tudo em nada. Era um pratinho com chamavam-lhe na altura um jantar, um jantar de ossos. Com um bocadinho de toucinho, vai lá levar à menina, à vizinha Maria, à vizinha Antónia, à vizinha outra e a rua toda comia aquele jantarinho e a gente comíamos também só uma vez do porco. Era assim mesmo. Depois quando a outra vizinha fazia a matança, dividia por todos.
Havia igualdade entre todos. A vida eram todas iguais, mas havia mais amizades, porque não havia invejas, o que havia na minha casa, havia na outra e na outra. E era assim.
MAB:
E quando começou a ficar mais crescida e depois a pensar em namorar, como é que foi essas, como é que foi essa fase. Como é que era, como é que se relacionavam?
MC:
Olhe a minha fase do namoro foi complicada. Porque eu nas férias já ia a Lisboa, a casa de uma tia minha, a casa onde o meu irmão sempre viveu e estudou lá. E eu ia para casa dessa minha tia e então, conheci lá um rapaz, conheci lá um rapaz e comecei a namorar com ele. Depois vim para cá, por cartas e ia lá só de vez em quando.
MAB:
Por cartas
MC:
Por cartas. E há uma das vezes que o rapaz apareceu cá e eu parece que o estou a ver, que ainda não se usava cá aquelas grandes gabardines e ele já vinha de gabardine, com uma malinha na mão, todo muito finório e veio cá para falar com os meus pais. Foi uma carga de trabalhos, para o deixarem lá entrar, e porque não conheciam. Ele estava em Lisboa a trabalhar, mas era aqui de Viana do Alentejo. Era e é. Que é o marido que ainda hoje tenho. Mas foi muito complicado aquele namoro, a minha mãe porque ele estava em Lisboa e ele deve ter lá outra, e não casa contigo, e depois o que é que dizem aqui. Bem, foi uma confusão, tão grande, tão grande, que só eu sei o que sofri. E ele depois vinha e não ficava lá na minha casa, nem pensar. Ia ficar numa casa de uma tia minha, que também se conheciam, e ia lá ficar. Mas eu já lá não metia um pé na casa da minha tia, porque ele estava lá. Era muito complicado. Namorei assim seis anos. Cartas, ele vinha cá, mas mesmo complicado e a minha mãe sempre a bater o pé, ele deve casar deve, ele tem para lá outra, como ele aí aparece parece um doutor. E afinal namoramos seis anos e depois casámos e olhe ainda somos hoje casados. Era complicado.
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MC:
Portanto, os trabalhadores agrícolas.
MO:
Vai falar então um bocadinho sobre a sua participação política e cívica. Alguma associação ou algumas coisas que
MC:
Sim, eu pertenci à JCP na altura e depois comecei a fazer parte do sindicato dos trabalhadores agrícolas, que era na altura o escritório da reforma agrária, ali no, situado no largo do chafariz, na altura. E fazia parte lá também do sindicato e porque trabalhei depois também na reforma agrária e era lá que nós íamos receber o ordenado, ia receber o meu e o do meu pai. A esse escritório.
MAB:
Como é que a senhora, como é que chegou a fazer parte do sindicato, ou seja, como é que e porque é que se filiou na JCP?
MC:
Porque fiz sempre aquelas ideias, aquelas ideias políticas que ainda hoje as tenho. E tenho dois filhos que ela é política e ele enão tem nada a haver com a política. Já houve aqui um ano, que em eleições em Portel, ela fazia parte da lista do PCP, como faz hoje sempre, como ainda é hoje, e ele fazia parte da do PS. E eu fazia parte com ela, da dela, sempre fui, por isso, cada um tem as suas ideias. E o pai é uma pessoa reservada, não sabemos se ele é da esquerda, se é da direita. É uma pessoa muito reservada. Apertamos, apertamos com ele, mas ele não diz nada. Vocês querem é saber.
MAB:
Portanto essa situação política e essa vontade de participação pública foi sempre uma coisa mais das mulheres cá
MC:
Sim, sim, sim, sim, foi minha e a minha Lúcia também foi. Embora ela já tivesse vindo noutra altura e as coisas já tivessem tudo mais avançado, mas viveu tudo isso comigo. Íamos às manifestações, ela ia comigo
MAB:
Levava-a para as manifestações?
MC:
Sempre, sempre, sempre. Havia qualquer festa do partido comunista ela ia comigo e já ia dizendo versos, que era pequenina e não sei quê. A ler e já fazia sempre parte de tudo. E ainda hoje é. Está na câmara de Évora hoje.
MAB:
E as mulheres aqui na vila começou, notaram que elas começaram a sair mais depois do 25 de abril?
MC:
Sim, sim muito mais.
MAB:
E a participar mais?
MC:
Sim e a participarem mais sim. Apareciam mais em tudo. A irem já a um café, porque se faziam aqueles almoços, por exemplo a gente do partido comunista e depois acabávamos os almoços e já íamos ali beber o café ao, ali a restaurante. Foi diferente, sim. Com mais saídas.
MAB:
E atualmente as mulheres tem muita participação em muita coisa, as mulheres, mesmo as mais idosas, não só as jovens?
MC:
Têm, têm. Mesmo aqui no nosso meio. Em tudo, em tudo. A gente começa aqui já pela Universidade Sénior, as mulheres participam mais, eu também já participei, no teatro, nas histórias, agora como tenho a menina tenho o tempo mais ocupado. E participam muito, muito as mulheres, mais do que os homens.
MAB:
Porque é que acha que é assim?
MC:
Essa parte eu também ainda não sei bem explicar porquê.
MAB:
Mas aquilo que vê é que as mulheres participam mais
MC:
Ainda levei o meu marido, ainda fazíamos parte da tuna, mas só da tuna, que ele disse só da tuna, das outras coisas não vou. E depois lá a professora dizia, não conseguem trazer os maridos, os maridos. Uma dizia, vou trazer o meu. Ninguém lá aparecia, era só a gente. Fazia, vestia. A Maria Cristina vestia-se de homem e fizemos assim teatros, eu de mulher e era assim. E os homens não participavam muito. A gente daqui é mais as mulheres. A mulher é mais pra frentex.
MAB:
No fundo a vida da mulher, talvez tenha mudado mais do que a dos homens?
MC:
Se calhar sim, porque estavam muito fechadas e tiveram uma abertura e nessa abertura, elas foram avançando sempre mais e eles já mais na retaguarda.
MAB:
E os jovens hoje?
MC:
Ora, os jovens hoje têm uma vida totalmente diferente, tudo já mais, tudo já mais liberal.
MAB:
Acha que hoje aqui em Portel faz diferença para a vida que a pessoa, ser homem ou mulher?
MC:
Não, não, não. Não há diferença aqui. Não, a juventude hoje andam todos juntos. Eu vejo pela vida da minha filha, para onde vai um, vai o outro. E é tudo, são, fazem uma vida e um conjunto igual.
MAB:
Em termos de costumes, aquela critica que havia, em relação ao comportamento
MC:
Não, isso já não há. Havia no meu tempo, agora no dela, neste tempo agora as raparigas. Eu vejo pela minha, que com o marido fazem uma vida juntos, vão para todo o lado. Às vezes o meu marido critica. Então a Lúcia só gosta é de paródia já vai para a paródia outra vez com ele. Digo, deixa lá a rapariga, eu não fui vai ela.
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MAB:
A vila de Portel tem hoje mais coisas, oferece mais oportunidades às pessoas e condições de vida por comparação com o antes do 25 de abril ou não
MC:
Sim, sim. Antes do 25 de abril pronto, havia muita dificuldade, mas agora presentemente Portel está morto. O nosso Portel está morto. Não há trabalho e não tem nada a ver com o que era Portel e o que foi aqui há uns anos, já depois do 25 de abril.
MAB:
Ou seja, faz uma distinção, entre o que era antes do 25 de abril, o que foi essa.
MC:
Sim, o que foi a seguir e o que está a cair. Portel está a cair, agora nesta, está a cair, já caiu dentro de um buraco. A nossa vila está suja, não há trabalho e as pessoas está tudo refugiado em casa. Não, está tudo triste. Portel, não é Portel. Não é o Portel que a gente conheceu.
MAB:
Mas tem por exemplo condições para acolher as crianças como os jardins de infância,
MC:
Sim sim, isso tem. A escola, o nosso ciclo. Sim, sim. Temos o ciclo, que é um espetáculo, a nossa escola primária, aqui a ATL dos miúdos. Sim, tudo cinco estrelas.
MAB:
Mesmo para as pessoas mais velhas,
MC:
E para as pessoas mais velhas a Universidade Sénior. Este ano não sei como é que vai ser, mas também
MAB:
Existe um lar?
MC:
O lar, sim, um lar sim. Que devia ser maior, pronto, porque apanha aqui também, as pessoas das aldeias e as pessoas que não são de cá, de Évora e de outras terras que vêm, ter aqui. Podia também ser maior, acho que Portel já devia ter estendido mais. Ter um outro lar.
Agora esta creche onde está a minha netinha é uma creche já muito antiga, que precisava já além de, aquilo era um prédio já muito antigo, e aquele senhor, deu aquilo para fazerem uma creche. Aquilo tem as mesmas condições que tinha há 50 anos, está tudo muito velho, tudo muito degradado. Acho que as coisas deviam evoluir mais, com a época em que estamos. E uma vila que já é bastante grande e que faz parte aqui das nossas aldeias que ainda são algumas.
MAB:
Pois, porque é a sede de concelho.
MC:
É sede de concelho e é para aqui que vêm também, muitas crianças.
MO:
De qualquer maneira diga-me uma coisa, em termos do acesso à educação e à cultura e aos serviços de saúde, em relação a antes do 25 de abril há diferença aqui na vila?
MC:
Agora está muito mau. Nesta altura, os nossos serviços se saúde estão péssimos. Não temos médicos, os enfermeiros que aqui estão abalam. Queremos uma consulta, não a temos. Está mesmo muito, muito mau. Já houve uma altura, em que o nosso centro de saúde era um espetáculo, mas agora não. Muito complicado mesmo.
MAB:
As condições de vida das mulheres e da casa, das melhorias da habitação, de eletrodomésticos, se comparado com o antes do 25 de abril
MC:
Está muito melhor.
MAB:
A vida das mulheres hoje está muito mais facilitada?
MC:
Sim, sim. Mais facilitada. Até eu comparando agora a minha vida, a minha casa com a dos meus pais. Nem tem comparação. A minha mãe tinha um fogãozinho pequenino e fazia-se a comida ao lume, era o ferro com carvão. E não, nem havia, ferros de engomar, não havia, máquinas de lavar, frigorifico nem pensar.
MO:
Televisões?
MC:
Também não. Nós íamos ver a televisão à de uma vizinha que tinha, já tinha uma vidazinha melhor, viveu em Lisboa e depois de vir para cá, íamos ver tudo na televisão para casa da vizinha. Já quando a minha mãe teve uma televisão, já eu tinha os meus dezoito anos.
MAB:
Quando a sua mãe teve a primeira televisão.
MC:
A primeira televisão, sim. Aquilo era uma novidade grande. A gente estava sempre.
MAB:
Máquinas de lavar a roupa
MC:
Isso já foi muito mais tarde. Se calhar já quando eu casei ou estava para casara, quando a minha mãe comprou uma máquina de lavar roupa. Pois era tudo muito diferente. Muito, muito.
MAB:
Nesse aspeto a vida tem melhorado
MC:
A vida tem melhorado. Há outras coisas que que não, mas a vida melhorou, melhorou.
MAB:
O quotidiano, a vida das mulheres está mais facilitada
MC:
Sim, a vida das mulheres está mais facilitada. As mulheres iam para aqueles, aí para os rios lavar à mão. Iam de manhã à noite. Eu lembro-me perfeitamente da minha mãe ir e levar um bocado de pão e laranja. Era a comida. Que era o que havia. E a gente se ia mais o meu irmão, comíamos o pão todo e as laranjas, que era o que havia, quando ela ia para comer já não havia nenhum. Aquilo também era pouco. Isto quando eramos pequenos. Sim, lembro-me de irmos ali para um barranco.
MO:
E agora a Maria do Carmo vai lavar roupa?
MC:
Vai, vai. A Maria do Carmo agora vai lavar é a máquina de lavar, é a máquina de secar, pois. E temos isso tudo e é ferrinho para engomar, ali já com vapor, pois claro. Mas há outras coisas que podiam estar melhor e não estão.
MAB:
Por exemplo, o que é que a senhora achava que devia estra melhor e não está?
MC:
Olhe haver mais empregos para a juventude, para que o meu filho, até em Portel digo, os arredores, para que o meu filho e outros jovens como ele, não tivessem acabado os estudos e tivessem de abalar para o estrangeiro. O meu já lá está há nove anos, no Dubai, agora veio cá só para casar, com a miúda, com a Sarinha. E como ele, muitos mais.
MAB:
Ou seja, acha que muita juventude teve de sair, teve de sair?
MC:
Sim, sim, sim, muitos, muitos. A minha Lúcia não abalou porque ficou por aqui, a escola e não sei quê, casou com um rapazito que trabalha na câmara, pronto ficou por aqui. Mas muitos, muitos tiveram que sair. Sair e ir para o estrangeiro. Temos muita juventude nossa, que a gente conhece aqui de Portel, que a gente é fulano já está à não sei quantos, na Alemanha, na Suíça. Muita gente foi embora. Deviam estar cá no nosso Portugal. Mas são coisas que não estão na nossa mão.
MAB:
E a senhora quando ia fazer as campanhas como é que se organizavam? Como é que faziam? Iam para fora de Portel, era aqui, como é que faziam?
MC:
Quando é as campanhas organizamos todas, somos sempre o mesmo grupo e vamos apanhando alguma de alguma rua. E corremos aqui Portel e as nossas aldeias. Sim, e colaboram mais as mulheres que os homens.
MAB:
E quem é que conduz são os homens ou as mulheres?
MC:
Levamos sempre um condutor.
MAB:
É um homem?
MC:
Sim, sim.
MAB:
Ainda não são as mulheres?
MC:
Não, mas às vezes também vão a conduzir. Também vai a conduzir. Sim, às vezes vão a conduzir.
MAB:
A senhora tirou a carta?
MC:
Não, nunca tirei a carta. Porque o meu pai também por causa da falta de, do dinheirinho. Pois. Depois foi passando e foi passando. E depois vieram os filhos e fiquei por ali. Hoje tenho pena de não a ter tirado. Tenho carro, ela tem carta, a Lúcia tem carta, o Diniz tem carta, o pai tem carta e a minha ficou na gaveta.
MAB:
A prioridade foram eles
MC:
Exatamente, pois. Depois eles a estudar e tudo, eram os mestrados, muito dinheiro e claro essas coisas, havia outras prioridades e eu fui ficando para trás. Mas hoje já tenho pena, porque é que não fui, mas naquela altura, não podia, depois era os rapazes, um porque estava na universidade, outro porque estava a entrar e pronto. Tenho chauffeur particular.
DH:
Lembra-se como soube das notícias do 25 de abril ou o que fez no dia do 25 de abril?
MC:
Olhe do 25 de abril morávamos num monte, o meu pai guardava gado num monte. Que era o Monte de Valcabras e lembro-me do meu pai chegar a dizer.
Casal Vilas Boas. Freguesia: Remelhe, Santa Marinha.
Existências: Nº 1 - Nº 5, Nº 8 (1909) • Assuntos: Anarquismo .
Comunicação apresentada ao IV Colóquio Portuense de Arqueologia - 1965. Porto. Separata de "Actas do IV Colóquio Portuense de Arqueologia (Lucerna, Vol. V - 1966). • Assuntos: Arqueologia .
Quatro contas, as duas primeiras em cópia, com indicação da data, produto vendido, quantidade, preço e valor total da venda, com indicação de pagamento às Ferrarias em 1829.
Registo dos depósitos efetuados na Pagadoria para garantia de contratos por ajuste participativo e arrematação.
Peças parciais do projecto do lanço da Caniceira a Batão, na extensão de 5.531,30 m: memória descritiva e cadernos de encargos, perfis transversais.
Projecto do lanço de Novegilde a Marrancos na extensão de 5.934,20 m. Peças desenhadas: planta parcelar e perfis transversais.
Projecto do lanço da Cimalha à Mesquita, na extensão de 4.000 m. Peças escritas: memória descritiva e caderno de encargos, medições, série de preços e orçamento. Peças desenhadas: planta geral, planta parcelar, perfil longitudinal, perfis transversais e obras de arte. Parecer da Junta Consultiva de Obras Públicas e Minas e outra documentação relacionada com a aprovação do projecto e a construção do lanço, designadamente um requerimento, de Julho de 1909, da Câmara Municipal de Monchique pedindo a sua construção.
Projecto do lanço de Larim a Prado, na extensão de 4.080,66 m. Peças escritas: memória descritiva e caderno de encargos, medições, série de preços, orçamento. Parecer do Conselho das Obras públicas.
Projecto do lanço de Codes aos Andreus, na extensão de 9.370,10 m. Peças escritas e desenhadas.
Processo de recepção da empreitada instruído com o auto de recepção, informação dos serviços e parecer do Conselho das Obras Públicas.
Trata-se de expediente trocado entre a Direcção Geral de Obras Públicas e a Direcção das Obras Públicas do Distrito da Guarda sobre a suspensão dos trabalhos da empreitada por incapacidade do empreiteiro.
Processo referente à recepção provisória da empreitada de grande reparação da EN78 entre os Km111,350 ao Km111,550 instruído com o auto de recepção e abertura das propostas, o contrato, o relatório, o auto de notícia e o auto de consignação, a conta corrente e a conta final e o auto de recepção provisória.
Processo referente à recepção provisória da empreitada de grande reparação do pavimento da EN78 entre os Km110,750 ao Km110,950 instruído com o auto de recepção e abertura das propostas, o contrato, o relatório, o auto de notícia e o auto de consignação, a conta corrente e a conta final e o auto de recepção provisória.
Processo referente à recepção provisória da empreitada de grande reparação do pavimento da EN78 entre os Km130,450 ao Km130,740 instruído com o auto de recepção e abertura das propostas, o contrato, o relatório, o auto de notícia e o auto de consignação, a conta corrente e a conta final e o auto de recepção provisória.
Processo referente à recepção provisória da empreitada de grande reparação do pavimento da EN78 entre os Km111,150 ao Km111,350 instruído com o auto de recepção e abertura das propostas, o contrato, o relatório, o auto de notícia e o auto de consignação, a conta corrente e a conta final e o auto de recepção provisória.
Processo referente à recepção provisória da empreitada de grande reparação do pavimento da EN78 entre os Km129,814 ao Km130,044 instruído com o auto de recepção e abertura das propostas, o relatório, o auto de consignação, a conta corrente e a conta final e o auto de recepção provisória.
Processo referente à recepção provisória da empreitada de grande reparação da EN78 entre os Km126,602 ao Km126,747 instruído com o contrato, o relatório, o auto de consignação, a conta corrente e a conta final e o auto de recepção provisória.
Trata-se de um conjunto de estimativas de encargos e de pedidos de autorização de dispêndio de verbas por administração directa para aquisição de material para a realização de obras de reparação na EN78.
Processo de rescisão do contrato da empreitada de grande reparação entre os Km57,870 e Km58,670 e os Km59,010 e Km59.250 instruído com a aprovação processo do concurso, o parecer de adjudicação, o termo de adjudicação, o contrato, a participação, por parte da Direcção das Obras Públicas do Distrito de Faro, da recusa do empreiteiro em assinar o auto de consignação e a respectiva rescisão.
Colecção de 19 autos de licitação de tarefas de pavimentação de diversos lanços da EN78, nota da existência de um único adjudicatário, informação da DIvisão de Estradas e despacho de autorização de construção do pavimento.
Trata-se de um conjunto de estimativas de encargos e de pedidos de autorização de dispêndio de verbas por administração directa para a realização de obras de reparação na EN78.
Projecto do lanço do Tanque de Sarnadelo constituído por memória, medições, série de preços, orçamento e desenhos.
Projecto. Peças escritas do lanço de Nevogilde a Marrancos na extensão de 5.934,20 m constituídas por descrição do traçado e dos principais trabalhos a executar, medições, mapa de expropriações, série de preços e orçamento.
Documentação referente às alterações ao traçado no percurso da estrada contratada com a Companhia de Viação Portuense - contrato adicional, notas e informações sobre o seu articulado, orçamentação de encargos, relatório do estado dos trabalhos, memorandos da Compª sobre as alterações propostas, orçamentos comparativos; informações e pareceres da Direcção de Obras Públicas.
Orçamento de grande reparação a executar na ER76, na extensão de 28.069,41 m.
Peças desenhadas do projecto do lanço de Gandarela à ponte de Mondim de Basto - perfis transversais da variante de Fermil na extensão de 13.547,42 m.
Projecto do lanço de Monchique às Cimalhas, na extensão de 7.733,96 m. Peças escritas: memória descritiva e caderno de encargos, medições e série de preços. Peças desenhadas: planta geral, planta paecelar, perfil longitudinal, perfis transversais e obras de arte. Orçamento do troço compreendido entre Monchique e o perfil 13.
Pareceres da Junta Consultiva de Obras Públicas e Minas relativos ao projecto de reparação da avenida ocidental da ponte do Varosa. Informação da Direcção das Obras Públicas do Distrito de Viseu sobre os estragos causados pelos temporais, relatório de inspecção ao estado da ponte, projecto de reparação e pareceres da Junta.
Processo para a arrematação, em concurso público, da empreitada da construção de uma ponte sobre o rio Fraga constituído pelo anúncio, condições de execução, orçamento, cálculos, propostas de concorrentes e respectivo termo de recepção. Pareceres do Conselho Superior de Obras Públicas, termo de adjudicação dos trabalhos, auto de recepção provisória, inquérito administrativo e auto de recepção definitivo.
Projecto de de reforma do pavimento actual a macadam para paralelipípedo entre o Km1.750 e o Km3.100 na extensão de 1.350 m instruído com memória descritiva e desenhos. Orçamento do projecto de grande reparação da faixa empedrada; representação da Câmara Municipal do Porto que pede a reparação das ruas do Bonfim e de São Roque da Lameira e notas e informações sobre o seu estado de degradação. Parecer do Conselho Superior de Obras Públicas e Minas e despacho de aprovação.
Projecto do lanço da Ponte de Mondim de Basto a Paradança, na extensão de 7.046,00 m. Peças escritas: memória, medições, série de preços. Peças desenhadas: planta, planta parcelar, perfil longitudinal, perfis transversais, obras de arte.
Projecto do lanço da Cruz do Sarnado à Portela do Velão, na extensão de 8.583,58 m. peças escritas: memória, medições, série de preços, orçamento. Peças desenhadas: planta, planta parcelar, perfil longitudinal, perfis transversais, obras de arte. Pareceres da Junta Consultiva de Obras Públicas e Minas sobre o reconhecimento da ER35 e o projecto do lanço e outra documentação relacionada com a aprovação de ambos os estudos.
Projecto do lanço do Alto da Maganha a Macieira, na extensão de 5.377,53 m. Peças escritas: memória descritiva e caderno de encargos, medições, série de preços e orçamento. Peças desenhadas: planta, planta geral , perfil longitudinal, perfis transversais, obras de arte. Parecer da Junta Consultiva de Obras Públicas e Minas.
Projecto do lanço da Trofa ao Alto da Maganha, na extensão de 4.313,80 m. Peças escritas: memória descritiva e caderno de encargos, medições, série de preços e orçamento. Peças desenhadas: planta, perfil longitudinal, perfis transversais, obras de arte.
Projecto do lanço entre Lamego e o caminho de Sande na extensão de 5.331,70 m constituído por peças escritas - memória descritiva, medições, série de preços e orçamento - e peças desenhadas - perfil longitudinal, perfis transversais da ponte sobre o rio Coura e aquedutos. Parecer da Junta Consultiva de Obras Públicas e Minas sustentado em informação da Direcção das Obras Públicas do Distrito de Viseu e com despacho de aprovação; representação da Câmara Municipal de Mesão Frio solicitando o termo da obra e expediente geral sobre o projecto e a construção do lanço.
Peças desenhadas, informações e expediente sobre a pretensão da Câmara Municipal de Portimão de instalar uma conduta de água entre os Km44,752 e Km49,782 da EN78.
Trata-se de expediente trocado entre a Direcção Geral de Obras Públicas e Minas/JAE e a Direcção Distrital de Faro sobre matérias relacionadas com a EN78, designadamente as seguintes: reparações em pontes, dívidas de empreiteiros a terceiros, pedidos de autorização de despesas, aquisições de materiais e abertura de concursos para a arrematação de empreitadas.
Pontos de trabalho, recibos e resumo geral de despesas.
Representação da Câmara Municipal de Guimarães sobre a alteração do traçado acordado com a Companhia, parecer concordante do Governo Civil e orçamentos comprovativos de que os encargos para a Companhia de Viação não aumentam com as alterações propostas. Definição de portagens na estrada de Braga - em Leça, Trofa e Arnoso; impossibilidade de conservar nas referidas portagens a guarda militar conforme foi solicitado pela Compª para auxiliar na cobrança.
Original: Bilhete-postal ilustrado. 1697
Bilhete-postal ilustrado
Bilhete-postal ilustrado
Bilhete-postal ilustrado
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Fotografia
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Primeiro outorgante: Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.
Segundo outorgante: Valentim António Cerdeira.
Primeiro outorgante: Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.
Segundo outorgante: Emílio Barbosa, representante da Sociedade Técnica de Hidráulica - Cimianto.
Primeiro outorgante: Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis
Segundo outorgante: Diamantino Ferreira Marques.
Primeiro outorgante: Luís Ferreira da Costa.
Segundo outorgante: Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.
Primeiro outorgante e seguinte: Maria Clementina Miranda de Araújo e Albuquerque e Amélia Dias Miranda de Albuquerque.
Segundo outorgante: Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.
Primeiro outorgante: João Marques da Fonseca.
Segundo outorgante: Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.
Assuntos: Concessão de terrenos para jazigos e sepulturas perpétuas 226.
Primeiro outorgante: Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.
Segundo outorgante e seguinte: Rui Manuel Biltes Garcia Lopes e António Pereira da Silva Mota, representantes da Cooperativa de Estudos de Arquitetura, Planeamento e Engenharia.
Primeiro outorgante e seguintes: Manuel Moreira do Couto, Urgel dos Santos Resende Couto e Maria de La-Salette Resende Couto.
Segundo outorgante: Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.
Primeiro outorgante e seguinte: Maria José Nogueiro Aurélio Resende dos Santos e Bruno Emanuel Aurélio Resende dos Santos.
Segundo outorgante: Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.
Primeiro outorgante: Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.
Segundo outorgante: Rufino Joaquim Pereira representante da empresa Pesquisadora de Águas Ideal de Travanca do Mondego Limitada.
Os bombeiros voluntários de Gaia solicitam à Junta Paroquial de S. João Evangelista a cedência do salão paroquial do Torne, por não terem instalações próprias para as suas reuniões.
