Desconhecemos a data de fundação da Confraria do Espírito Santo, sendo no entanto provável que a sua origem esteja directamente associada à igreja e hospital com o mesmo nome.
No que diz respeito ao hospital, e segundo refere Santiago Macias no artigo «Moura na Baixa Idade Média», a primeira menção conhecida a esta instituição surge num testamento de André Vaz, que em 1428 lhe deixa alguns bens, mais concretamente: 2 novilhos, umas casas no arrabalde e camas de roupa.
Em relação à igreja, o padre Luiz de Almeida Cabral, que escreveu a História da Notável Vila de Moura em 1710, refere que a sua fundação é antiquíssima, embora com o orago da Caridade. Segundo o mesmo autor terá sido seu fundador, « na forma em que a vemos», Adão Gonçalves, que voltara rico da Índia, na companhia de João Gramacho, marido de D. Ângela de Moura. Possuímos poucos dados relativos a Adão Gonçalves, sabemos no entanto que em 1563, já havia falecido e que terá sido sepultado no altar - mor da igreja que havia fundado.
Não cremos, como refere o padre Luís de Almeida Cabral, que a igreja mandada edificar por Adão Gonçalves seja a mesma que hoje podemos observar, pois em 1600 a Santa Casa da Misericórdia assina um termo de fiança com João de Morais, para a construção de uma igreja junto ao Hospital do Espírito Santo. Poucos anos antes, em 1596, havia a Misericórdia tomado posse da igreja e hospital que até aí havia sido administrado pela confraria do Espírito Santo. Uma das cláusulas estabelecidas no contrato assinado entre as duas instituições, estabelecia a obrigatoriedade de a Santa Casa manter em bom estado de conservação os dois edifícios. Terá pois nesta data sido construída uma nova igreja, ou pelo menos ampliada a já existente, fundada por Adão Gonçalves, e o edifício que chegou até nós será então obra da Santa Casa da Misericórdia, que a mandou edificar por João de Morais decorria o ano de 1600.
Era à confraria do Espírito Santo, que competia a administração do hospital, pelo menos até 1596, data em que, como mencionámos atrás, este equipamento passou para a administração da Misericórdia local. Também a partir desta data era à Mesa da Misericórdia que competia nomear os oficiais (escrivão e mordomos), para nela servirem pelo período de um ano. Eram ainda nomeados dois hospitaleiros, a quem cabia a administração do Hospital. Estes a troco de «curarem os doentes com muito amor e caridade», recebiam «cinquenta alqueires de trigo e sete alqueires de azeite para as candeias e dez mil réis em dinheiro para lavar a roupa e remendar o fato que for necessário.» Confraria do Espírito Santo (F), Receita e despesa, 1636-1650, f. 7
As receitas da confraria provinham essencialmente de mais de três dezenas de foros que estavam instituídos em diversas propriedades urbanas e rústicas, dos peditórios que efectuavam pela vila e de arrematações de ofertas à confraria (pombos, bolos, folares de ovos, etc.). A confraria possuía ainda um rebanho de vacas, que sendo uma fonte de receita, representava igualmente uma despesa, pois o pastor recebia oito mil réis anuais pelo seu trabalho.
As outras despesas da confraria decorriam essencialmente da organização da festa do Espírito Santo (pagamentos efectuados aos padres, aos artistas e músicos, ao armador que enfeitava o templo para a festa, etc.).
Em 1681, após a construção de um novo hospital da Misericórdia, junto à Igreja desta irmandade, os doentes do Espírito Santo são para lá transferidos e é desactivado o hospital do Espírito Santo.
Nos tempos que se seguiram à mudança, as instalações foram ocupadas por congregações religiosas, primeiro de freiras professas de S. Francisco e posteriormente de Carmelitas.
É possível que com a extinção do hospital, a confraria também tenha perdido as bases que a mantinham activa e tenha acabado por também ela se extinguir. A última referência escrita que possuímos a atestar a sua actividade data de Junho de 1661.
Em 1710 já estaria mesmo extinta, pois o Padre Luiz de Almeida Cabral, afirma que a Igreja teve confraria, com muitos foros e tudo se incorporou na Misericórdia.
História Administrativa elaborada por Octávio Patrício (CMMRA) com recurso à documentação que constitui o Fundo e à seguinte bibliografia:
- CABRAL, Luíz de Almeida - História da Notável Vila de Moura, Câmara Municipal de Moura, Moura, 1991;
- MACIAS, Santiago - Moura na Baixa Idade Média: elementos para um estudo histórico e arqueológico, in «Arqueologia Medieval», nº2, Ed. Afrontamento, pp. 127-157, Porto, 1993