Este livro tem os termos de abertura e de encerramento lavrados a 13 de março de 1820, pelo Juíz de Fora das vilas de Alhandra e Alverca, Joaquim José Baptista Nogueira. O livro contém 22 fólios (44 páginas) que estão rubricadas e numeradas pelo juíz referido, apresentando mancha de texto apenas até ao fólio 7. Os registos iniciam-se a 10 de novembro de 1820 e finalizam a 22 de agosto de 1826. Surgem como juizes almotacés: António Pedro Palmeiro, José Ferreira Estrela, Manuel dos Santos, o Capitão Manuel Lopes, Manuel de Serres da Silva, Hugulino José Pinheiro Borges e Joaquim António Rodrigues Lusitano. Cristovão Pereira Botto apresenta-se na qualidade de almotacé (escrivão).
Resumo:
Fl. 1: Para além do termo de abertura, existe uma verificação de 14-12-1820, vista em Correição;
Fl. 2-5v:Termos de condenações. Condenação de 03-11-1820, que fez o juiz almotacé António Pedro Palmeiro, sendo sido apresentado um requerimento de Luisa Margarida para ser avaliada, por João da Silva, a perda de uma porção de couve que tinha no seu quintal, devido ao porco de José Maria, marítimo. A avaliação foi feita em 400 réis, e a condenação em 300 réis. Condenação de 02-08-1821, que fez o juiz almotacé, o Capitão Manuel Lopes dos Santos, sendo presente Maria Joaquina, viúva, e moradora no lugar da Coxoa, onde lhe apareceu numa seara, umas poucas de cabras que lhe destruíram parte da dita seara, trazendo as cabras para o curral do Senado. Foi condenado o dono das cabras, José da Silva, lavrador e morador no termo da cidade de Lisboa, condenado em 2.000 réis e custas. Condenação de 02-05-1822, que fez o juiz almotacé Manuel dos Santos, a Manuel de Jesus, carreiro, por trazer uns bois numa terra à solta, por cima da quinta de João de Almeida Sousa, fazendo prejuízo ao dono. O dono não quis nada pelo prejuízo, mas Manuel de Jesus foi condenado em cem réis por cabeça e custas (200 réis). Condenação de 05-06-1822, que fez o juiz almotacé José Ferreira Estrela a Estevão Inácio em 2.500 réis e custas, por este não ter licença, nem bilhete de aferição, relativamente aos géneros que vendia em duas casas suas. Condenação de 13-03-1823, que fez o juiz almotacé Manuel de Jesus da Silva. Estando presente Delfina Rita, casada com Manuel dos Santos, trabalhador, esta tinha um lençol a corar quando vários porcos de diversas pessoas, o fizeram em retalhos, requerendo aos donos dos porcos (Agostinho Bernardes, Maria Joaquina, Joaquina Maria, Maria Rodrigues e Ana Maria Anacleta, mulher de João de Deus), o pagamento dos estragos. Os donos dos porcos foram condenados em 500 réis e custas cada um, por não terem licença para os criar. Condenação de de 08-08-1823, que fez o juiz almotacé Hugulino José Pinheiro Borges, depois de haver corrida no lugar de À-dos-Loucos. Encontrou José Joaquim Cartaxo, moleiro, sem ter aferido as medidas do moinho, sendo este condenado em 600 réis e custas. Gertrudes, viúva e moleira, condenada em 900 réis e custas pelo mesmo motivo e por não ter licença, Manuel Rodrigues, moço moleiro, em 900 réis e custas, pelas mesmas razões, Manuel Rodrigues (o velho), em 300 réis e custas, João Batista, em 200 réis e custas , José Francisco, em 200 réis e custas, Manuel Ribeiro, em 200 réis e custas, Alexandre, trabalhador, em 200 réis e custas, José Brás em 200 réis e custas, por não terem licença para criarem um porco, e ainda, Teodoro Soares em 200 réis e custas , por ter uma cadela solta pelas fazendas, António Nunes «o professor» em 700 réis e custas, por não ter licença para vender vinho, nem ter as medidas aferidas, e por fim, Miguel Francisco moleiro, em 600 réis e custas, por não ter aferido as medidas nem ter licença. Condenação de 10-09-1825, feita no lugar de Subserra, freguesia de São João dos Montes, termo de Alhandra, estando presente o juiz almotacé, o alferes Joaquim da Costa. Este encontrou Manuel Nunes lavrador (de apelido o manquinho), e António Gregório sem licença para criar um porco, condenado o primeiro em 400 réis e custas, e o segundo em 500 réis e custas. José dos Santos trabalhador, e Alexandre Francisco trazia um cão solto cada um, condenando o primeiro em 400 réis mais custas, e o segundo em 300 réis e custas. António Marques foi condenado em 240 réis e mais custas por tirar barro sem licença. A 21-10-1825 foram apresentadas queixas da parte do povo ao juiz almotacé, pois Vicente Ferreira estava a vender sardinhas ao almocreve por menor preço que preço que vendia ao dito povo, indo contra a postura do Senado, condenando-o em 500 réis mais custas;
Fl. 6: Audiência de 11-02-1826, que fez o juiz almotacé Joaquim António Rodrigues Lusitano, mandando vir a juízo Silvério da Costa, marítimo da vila de Alhandra, relativamente à travessia do peixe praticada no dia 10 pela manhã, condenando-o em 500 réis mais custas; Fl. 6v: Termo de corrida de 28-02-1826, que fez o juiz almotacé Joaquim António Lusitano. Este encontrou Francisco da Silva (o coxo), José dos Reis, Joana Teodora (padeira), José Carvalho (ferreiro), José Luís do Nascimento, José Maria Nunes, Manuel dos Santos (aguadeiro), Ana Ralha, João da Costa Cigarra, Inês Maria, por não terem licença, condenando cada um em 500 réis e custas, e ainda Silvestre de Oliveira, pelo mesmo valor, por não ter aferido; Fl. 7: Termo de corrida de 22-08-1826, que fez o juiz almotacé Cristovão da Costa Real, achando tudo em ordem na vila de Alhandra.