ESTEVES, Augusto César (Dr.) Filho de Francisco António Esteves, emigrante no Brasil e proprietário, natural de Chaviães, e de Belarmina Cândida Esteves, proprietária, natural da Vila. Neto paterno de Diogo Manuel Esteves e de Maria Rita Esteves, lavradores, chavianenses; neto materno de Manuel José Esteves “Melgaço” e de Maria Rita Alves, proprietários, moradores em Eiró, Rouças. Nasceu na Rua Nova de Melo a 19/9/1889, na casa que seu pai comprara ao Dr. João Luís de Sousa Palhares, de Prado, e foi batizado a 3 de Outubro desse ano. Padrinhos: José de Jesus Esteves, solteiro, proprietário, morador em SMP, e a avó materna do batizando, viúva. // Ficou órfão de mãe a 17/10/1889. // Aprendeu as primeiras letras com o padre João Nepomuceno Vaz, teve como professor de caligrafia o escrivão de Direito, Miguel Ângelo Barros Ferreira, frequentou em seguida, na cidade de Braga, o Colégio do Espírito Santo, e depois a Universidade. // Foi padrinho de Zoé Augusta Rodrigues, batizada na igreja de Rouças a 14/2/1898; não assinou, por não saber! A madrinha era a sua madrasta. // A 30/8/1904 foi padrinho de Manuel Augusto Esteves, nascido na Fonte da Vila a 28 de Julho desse ano. // A 18/6/1912 fez direito internacional, 5.º ano, 19.ª cadeira; nesse mesmo ano fez exame da 18.ª cadeira, 5.º ano, medicina legal, obtendo 14 valores; em Julho desse ano fez a 13.ª cadeira, direito colonial, 4.º ano, 14.ª cadeira, processo penal, 4.º ano, e 17.ª cadeira, prática extra judicial, 5.º ano; nesse dito ano de 1912, no mês de Julho, concluiu o curso de Ciências Jurídicas, na Universidade de Coimbra. // Nos primeiros dias de Dezembro participou como ator não profissional, juntamente com o Dr. António Augusto Durães e Maker Pinto, na comédia designada “Anedota” . // Foi nomeado notário interino para a comarca de Monção, tomando posse perante o tribunal desse concelho a 10/12/1912, terça-feira; em 1914 passou a ser efetivo; ocupou esse cargo até 19/8/1915. // Ainda em 1912 foi autorizado superiormente a exercer a advocacia. // Fez a sua estreia como advogado no tribunal de Monção, defendendo Manuel Alves (o Fará), acusado de crimes de burla e roubo. // No concurso para notários, realizado em Lisboa nos inícios de 1914, obteve a classificação de 1 MB e 4 BB. // Tomou posse a uma segunda-feira, 2/3/1914, perante o juiz de direito, de notário efetivo em Monção. // Casou a 25/10/1914, na Conservatória do Registo Civil, e a 16 de Dezembro desse ano na igreja católica, com Esmeralda da Ascensão, de 24 anos de idade, filha de Justiniano António Esteves e de Lina Rosa Lourenço. Testemunhas: Justiniano António Esteves e Maria de Nazaré dos Santos Lima. // Em 1915 pediu a exoneração de notário na comarca de Monção, aceitando ser nomeado escrivão de Direito para a comarca de Melgaço. Fez as malas e veio para a terra natal, onde foi Secretário do Tribunal Judicial e Ajudante do Conservador do Registo Predial. // A 3/3/1919 tomou posse como presidente da Comissão Camarária, composta por sete elementos, desempenhando esse cargo até Agosto desse ano. // A 4/8/1919 o seu moinho, denominado o “Grande”, foi pasto de chamas; desconfiava-se que foram mãos criminosas a incendiá-lo. Em 1920 deu-se ali uma tentativa de assalto. // Foi presidente da Assembleia Geral do Grémio da Lavoura e administrador do concelho de Melgaço nos anos de 1922 e 1923. // A 11/1/1928 desempenhava as funções de tesoureiro da SCMM, ascendendo à provedoria a 27/12/1942, lugar que deixou em 1945. // A 30/4/1936 tomou posse do lugar de chefe da Secretaria Judicial do Tribunal de Melgaço, aposentando-se na 1.ª classe em Maio de 1958; antes exercera o cargo de chefe da 2.ª Secção do mesmo tribunal. // Pode, e deve ser, considerado o principal fundador dos Bombeiros Voluntários de Melgaço, de cuja direção foi presidente durante vários anos. Em 1937, em reunião da Assembleia Geral, foi aprovada por unanimidade uma proposta do corpo ativo, elegendo-o seu comandante honorário «pelos relevantes serviços prestados à corporação desde a fundação desta tão útil e benemérita instituição». // // Era republicano convicto. // Polemizou com o padre Júlio Vaz e com o “Mário de Prado”, mas sempre com educação e respeito devidos. // Em Julho de 1948 era presidente da Assembleia Geral dos BVM. Escreveu vários livros sobre Melgaço, que editou à sua custa. Postumamente (1989 e 1991) foi publicada a sua obra “As Minhas Gerações Melgacenses”, e ainda Obras Completas, Volume I, Tomo I e II (2002) com artigos por si publicados no Notícias de Melgaço. // Os seus livros abriram sem quaisquer dúvidas as portas a outros investigadores, e vão tornar possível escrever-se uma história relativamente bem documentada sobre o concelho. // Augusto e Esmeralda faleceram na Vila: a esposa a 4/12/1956 e ele a 26/3/1964; o seu funeral realizou-se no dia seguinte, sexta-feira. // A Câmara Municipal, presidida por Rui Solheiro, deu em Agosto de 2009, a uma rua da Vila, o seu nome.