DOMINGUES, José Augusto (Cabanal). Filho de Francisco Domingues e de Ana Domingues, moradores em Portelinha. N.p. de Manuel Domingues e de Isabel Domingues; n.m. de Bento Domingues e de Isabel Domingues. Nasceu a 2/4/1882 e foi batizado a 9 desse mês e ano. Padrinhos: José Rocha, casado, e irmã, Maria de Jesus Rocha, solteira, ambos do lugar da vila de Castro. // Lavrador. // Casou na igreja de Fiães a 27/12/1905 com Rosa Maria Alves, de 26 anos de idade, solteira, camponesa, filha de Manuel Bento Alves e de Maria Luísa Domingues, natural do lugar de Alcobaça, Fiães. Testemunhas presentes: António Domingues, solteiro, «clerigo in sacris», e Manuel António Domingues, casado, lavrador, ambos do lugar de Adavelha, Fiães. // Comprou na Corredoura, Prado, a casa (*) que fora do padre Elias de Jesus Marques (nessa casa já lhe nasceu o filho José Augusto, a 30/1/1922) e a Quinta de Cortinhas. // No Jornal de Melgaço n.º 1168, de 28/7/1917 pode ler-se a seguinte declaração: «Eu, José Augusto Domingues, casado, proprietário, da freguesia de Prado, declaro que não me responsabilizo por qualquer dívida contraída por minha mulher, Rosa Alves, residente na mesma freguesia. Melgaço, 24/7/1917.» // E no Jornal de Melgaço n.º 1175, de 15/9/1917, diz-se que o ex-administrador do concelho, Joaquim de Sousa Alves, lhe apreendera 90 quilos de batata que ele transportava de Alcobaça, Fiães, para Prado, onde residia. // Em 1918, já a residir em Prado, foi atingido, mais a esposa, pela pneumónica que grassava no concelho; recolheram ao hospital da Santa Casa da Misericórdia e curaram-se. Em Janeiro de 1919 já estava completamente restabelecido. Foram apresentados como exemplo para outros doentes que não queriam ir para lá. «Nota-se neste concelho uma grande repugnância que não tem nenhuma razão de ser. É a repugnância que muitos doentes sentem em ir para o hospital, e essa repugnância vem de se dizer que lá só dão aos doentes leite e caldo, e alguns quererem presunto no inverno e salada no verão. Ora no hospital, quando dirigido por um bom médico e haja escrupulosos enfermeiros, ao doente só é ministrado o alimento compatível com as forças do seu organismo, mas o necessário para a vida. Por isso, o nosso amigo Cabanal deu um grande exemplo que deve seguir-se: estava ele e sua mulher com a epidemia – e como os filhos são ainda crianças – não podendo, por isso, tratá-los, e ainda como naquele tempo não era fácil encontrar-se uma criada, pois em Prado estava quase tudo doente, depois de bastantes dias estar de cama, resolve ir com sua mulher para o hospital, onde se encontra ainda, mas já livre de perigo. Que este exemplo frutifique!» (JM 1226, de 15/11/1918). // Por causa do que a seguir vou transcrecer, é que ele deve ter fugido para o Brasil. «Beijo maldito – por ver hoje a cicatriz é que me lembro de dar a seguinte notícia: - em tempos apareceu em Prado, junto à Quinta de Cortinhas, um vulto que trajava de homem, mas decerto homem não seria. Houve más-línguas que chegaram a afirmar que era o filho do Bento da Corredoura, mas eu suponho ser falsa tal afirmativa, pois não há memória de que algum homem praticasse tão feia acção. Esse vulto, que decerto era cão vestido de homem, atira-se ao nosso amigo José Augusto Domingues, na ocasião em que este encaminhava a água para a sua quinta, e ferra-lhe os dentes no lábio superior, sendo preciso ir lá o Dr. Moreira e dar-lhe alguns pontos naturais. Maldito beijo!» (Jornal de Melgaço n.º 1281, de 14/3/1920). // No Notícias de Melgaço n.º 230, de 22/4/1934, lê-se: «no dia 14, pelas 20 horas, desapareceu da casa de sua família, na Corredoura, Prado, o menor de 18 anos, filho do antigo negociante José Augusto Domingues (Cabanal), residente no Brasil. Ignoram-se os motivos que deram origem ao desaparecimento desse rapaz que, apesar de ser instantemente procurado, não tem sido possível encontrá-lo. A família Cabanal, como é de calcular, está na maior desolação.» // É curioso que na madrugada do dia 14/11/1936 os gatunos assaltaram-lhe a adega e beberam o vinho que lhes apeteceu! É possível que só estivesse na Corredoura de Prado a mulher e filhos. // A sua esposa faleceu no Brasil a 28/2/1953. // No Notícias de Melgaço n.º 1377, de 30/10/1960, lê-se: «chegaram-nos agora boas notícias do nosso velho amigo (…), há muito residindo em Niteroi, Brasil, em cuja indústria conseguiu marcar lugar de realçado destaque. Como todos os melgacenses saídos deste rincão, também José Augusto Domingues não o esqueceu, embora esteja agora pensando em fazer uma visita à sua terra natal para a freguesia, onde nasceu, lhe guardar os ossos. Felizmente, como o velho “Cabanal” tem os seus puxados 76 anos, se tem defendido bem da grave crise financeira que o Brasil atravessa, e o sabemos de saúde, do Notícias de Melgaço lhe enviamos amigáveis saudações de mistura com votos para que ainda por muitos anos vá gozando no seu lar de Niteroi do amor de seus filhos e dos carinhos de sua neta médica.» Ele morreu nesse país da América do Sul em 1967, famoso, tendo dado «o seu nome ao Grupo Escolar Cidade n.º 2 e a uma rua da cidade (São Gonçalo) que bordejava a residência em que vivia» (VM 1136, de 15/4/2000). // Pai da professora Palmira de Jesus, entre outros. /// (*) Nessa casa morreu, a 4/5/1923, com 80 anos de idade, a sua sogra, Maria Luísa Domingues.