MARTINS, José. Filho de Francisco Joaquim Martins e de Maria Eufémia Domingues Barbosa Lobo, lavradores, residentes no lugar do Maninho. Neto paterno de Manuel António Martins e de Maria José Alves Salgado, de esse lugar; neto materno de João José Domingues Barbosa Lobo e de Ana Ferreira Passos, de Bouças. Nasceu em Alvaredo a 22/9/1875 e foi batizado a 24 desse mês e ano. Padrinhos: José Domingues e Rosa Domingues Barbosa Lobo, casados, lavradores, ambos de Preza. // Casou em primeiras núpcias com a cunhada, Maria Emília Pereira Dantas, viúva do seu irmão, professor Manuel Joaquim Martins, que já tinha os seguintes filhos: Claudina Maria, Emília Eufémia (casada com António de Castro, de Alvaredo), José, Ricardo, Manuel e Rosa Rita. Deste 1.º matrimónio nasceu o Carlos (1911-1998). // Enviuvou por volta de 1920, pois nesse ano corriam éditos a citar os filhos da defunta senhora – José e Manuel, menores púberes, ausentes em parte incerta de Lisboa, para assistirem a todos os termos até final de o inventário por óbito de sua mãe, que morara no Padreiro. // Como a sua sobrinha, e enteada, Rosa Rita (nascida em 1896 em Formariz, Paredes de Coura, quando seu pai ali lecionava) enviuvara de António Fernandes, casou em segundas núpcias com o tio e padrasto, conhecido na freguesia, e fora dela, por José Barbosa Martins; em princípio talvez só pelo registo, pois pela igreja parece que casaram apenas a 30/9/1948, e geraram: Nicolau (nasceu 25/3/1921); Henriqueta (nasceu 7/6/1925); Judite (nasceu 11/7/1929); Maria Eufémia (nasceu 13/12/1930). // Em 1913 integrava a lista do Partido Democrático de Melgaço, lista candidata à Câmara Municipal de Melgaço, encabeçada por Hermenegildo José Solheiro. Perderam. // Nesse ano de 1913 apresentou queixa às autoridades contra Pulquéria de Castro Gonçalves e sua filha Maria, por estas terem dito às vizinhas que ele «lhes havia roubado um fole com farinha». // Foi jurado para as causas-crime no 1.º semestre de 1915. // No 2.º semestre desse ano esteve de cama, com a influenza. // Em 1916 fez parte de outra lista (vereador substituto) mas perdeu novamente. // Ainda em 1916, Dezembro, no meio de grande tempestade, caiu um raio sobre a sua casa. // Em 1930, aquando do peditório para angariar donativos para o Hospital, deu 10$00. // Em 1931 informava no seu estabelecimento sobre a venda «na freguesia de Alvaredo, de uma bonita propriedade de pão e vinho, situada junto à estrada nacional, esplêndido local para construir uma moradia.» // Em 1934 os ladrões tentaram assaltar a sua loja. // No natal de 1947 vendeu 120 kg de figos do Algarve e 4 caixas de vinho do Porto. // Em 1949 era o comerciante n.º 79, com loja em Ferreiros; nesse ano de 1949 o Notícias de Melgaço, veicula a notícia de que Manuel, filho do «conhecido e acreditado industrial de alfaiataria, diplomado pela École de Paris, José Eugénio Gonçalves Pereira, acaba de tomar posse da alfaiataria do Sr. José Barbosa Martins, de Alvaredo…» // Em 1950 escreveu-se: «Constou-nos que vai ser instalado na casa do comerciante José Barbosa Martins um posto telefónico, que foi requisitado em Fevereiro, ficando esta localidade bem servida com este melhoramento». // Ainda nesse ano, a 28 de Maio, vai – em companhia da família e de Boaventura Meleiro e esposa, e de Aurélio Rodrigues, entre outros –, a Braga assistir aos festejos nacionalistas. // Também geria uma agência funerária. // Quanto ao melhoramento, ficou em águas de bacalhau. Diz-nos o correspondente: «Falámos há tempos, num número deste jornal, no telefone requisitado pelo comerciante José Barbosa Martins; consta, porém, que esse melhoramento para esta localidade ainda não é já. Porque é que em Prado já lá existe e aqui ainda não?!» // Mas quem espera sempre alcança… Cinco anos não são nada na vida de uma povoação; em 1955 o correspondente do Notícias de Melgaço comentava: «foi com prazer que vimos os empregados dos CTT instalar na casa comercial de José Barbosa Martins o telefone n.º 37, embora particular, ficando esta freguesia servida para qualquer momento de urgência …» // Em 1959 lê-se: «Na noite de 29 para 30 do mês findo de Janeiro alguém furtou do estabelecimento de José Barbosa Martins cinco peças de pano de lençol, dez de riscado, dois ou três cobertores de algodão, dez cortes de fazenda para fato de homem, um pacote de cigarros três-vintes, uma peça de flanela e cerca de 100$00 em dinheiro – ao todo um roubo avaliado em 8.700$00. Aguardamos o resultado dos esforços empregados pela GNR na descoberta destes ladrões, que bem poderão vir a ser o gérmen de qualquer quadrilha.» E mais à frente: «Também no passado dia 25 esteve a beber na loja de Nicolau Martins, no Maninho, Sérgio Santos Esteves, morador em Messegães, e mais dois indivíduos. Mais tarde, quando Sérgio regressava a casa foi assaltado no caminho, soqueado e roubado de 1.990$00, afora vários documentos. Pela Guarda Nacional Republicana foram detidos os assaltantes, que a estas horas já estão na cadeia entregues a juízo.» // A sua esposa faleceu a 13/10/1954 e ele a 27/10/1959; ambos os cônjuges se finaram na freguesia de Alvaredo.