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Fragmento de Carta. Mutilação na diagonal, provavelmente premeditada, impossibilitando a leitura e a compreensão do texto. No entanto, é possível entender alguns dos assuntos que António de Saldanha da Gama comunicava ao [amigo conde da Barca]: escravatura; a expedição ao Rio da Prata para repelir completamente o odioso governo de Espanha; a uma Memória enviada juntamente com um Ofício; tem recebido grande apoio de Lebzeltern; vive isolado mas já habituado devido à sua longa residência em Àfrica e América; à carestia em São Petersburgo; aos ordenados pagos pelas Cortes da Sardenha, Aústria, Holanda e Nápoles pagam aos seus Ministros em São Petersburgo.
Fragmento de carta. A mutilação, talvez premeditada, do documento permite apenas a leitura integral da assinatura, enquanto que do texto apenas se consegue compreender algumas passagens em que se nota que os objectos tratados prender-se-iam com a receção de cartas; a nomeação de um embaixador; com a Ilha da Madeira; referência a José Francisco Braancamp; e outros aspectos ligados à vida na Corte russa.
Fragmento de carta. Mutilada na diagonal, torna impossível a leitura parcial da assinatura e compreensão do texto. Todavia, deduz-se que António de Saldanha da Gama referia-se à marinha mercante portuguesa; à licença que pediu [para se deslocar à Madeira] e que parece ter sido esquecida "de proposito"; ao ordenado atribuído a Luís António na nova comissão de que está encarregue.
Participa que lhe informaram da assinatura do Tratado de Paris pelo conde do Funchal e da expedição de uma Esquadra inglesa [ao Rio de Janeiro] para transportar a Família Real [para Lisboa], o que contraria as instruções que recebeu no Rio de Janeiro. Relembra o seu ofício, enviado por via mercantil, sobre o Príncipe-regente do Reino Unido e ao seu ministério e à opinião geral no que diz respeito à transferência da sede de governo para a Europa. Acredita que S.A.R. não tomará essa decisão antes do término do Congresso [de Viena] e que para tal não necessitará de se socorrer de navios estrangeiros. A expedição do correio para Viena e Paris não lhe permite ser mais extenso, mas aproveita ainda para comunicar da sua defesa do regresso de S.A.R. a Lisboa, perante Mr. Hamilton, 2.º Secretário dos Negócios estrangeiros britânico, enquanto que o conde do Funchal decidiu optar pelo silêncio. Demonstra a sua satisfação pela promoção de ?António? Joaquim dos Reis e muito desejaria que ele o acompanhasse para São Petersburgo. Partirá de Inglaterra por volta do dia 28 do corrente. Lamenta não receber notícias do Brasil, nem do estado de saúde do destinatário Uma vez que estava tão incomodado. Pede que o recomende aos Kieckhoefer, a Manuel Luís e a José Egídio e família.
Comunica que a paz está feita e participa a [António de Araújo] o desejo em comunicar-lhe o meio para salvar a honra de duas pessoas que estão comprometidas pelo efeito da intriga. Pergunta ao destinatário se estima Silvestre, que está muito doente, e espera que ele não mais venha a ter a sua imagem espoliada. Recebeu uma carta da sua pátria ficando a saber que a sua mãe e filhos vivem.
Envolta em mágoas e aflições, diz que nenhuma delas resistirá perante uma linha escrita da mão do bem amado amigo [António de] Araújo. Aguarda com impaciência por notícias visto que a última carta recebida data de 7 de Abril. Acredita, tal como o destinatário, que o tempo e a distância que os separa em nada alterou a amizade e ternura existente, e que nada mais importa a não ser o facto dele ser, hoje, a mesma pessoa, com a alma, o espírito e a amabilidade que lhe conhece. Acredita que existirá oportunidade para um reencontro, tal como acredita que ainda vive na lembrança de Araújo. Só esta certeza poderá fazê-la recuperar a felicidade. Apenas consegue sobreviver graças ao apoio de [Francisco José Maria de Brito], o "Maître de Botanique", que é quem a consola e sustenta a sua coragem para suportar os tormentos, ainda não recebeu o seu soldo e endivida-se para poder viver. Tenha piedade de Marido, [Abraham Cappadoce-Pereira], que vive em desgraça e se não lhe pagam não sabe o que poderá suceder-lhe. A devoção e o zelo dele pelo destinatário não tem limites e não é justo que dele não se lembre. [Joaquim] L[obo da Silveira] já chegou ao seu destino com a mulher e os filhos. [João Paulo] Bez[erra de Seixas] nunca mais respondeu à carta. Refere-se ao jardim.
Justine Pinheiro née de Leidholdt, agradece ao destinatário por lhe ter comunicado, através de Sampaio, que dentro de dias o decreto será assinado por S.A.R.. Satisfeita com o conteúo do mesmo, agradece o reconhecimento do destinatário a respeito do homem honesto que é o seu marido. Refere a esperança em ver, da sua casa, onde tem a mais bela vista do Rio de Janeiro, o barco que lhe dará a possibilidade de receber a sua mãe e filhos. Relembra as cartas que recebeu do destinatário.
A autora, née de Leidholdt, agradece a carta recebida e comunica a mudança de casa para a o Campo de Santa Ana. Relembra os sentimentos de amizade transmitidos por [António de Araújo] em casa de Madame Oferill e, enquanto mulher de Silvestre, testemunha pela amizade que ele dedica ao destinatário e acredita que se os seus permanecem imutáveis encontrará um momento entre as suas ocupações para se deslocar a casa da autora.
Refere que se as notícias que se as notícias que chegam são verdadeiras, o horizonte deve brilhar para o amigo de Araújo. No entanto, sustenta que jamais poderá alegrar-se com a desgraça dos outros. Agora que a tranquilidade é restituída ao destinatário e que a saúde melhora, fazendo com que divida o seu tempo entre as musas e as amizades, o destinatário não poderá deixar de se ocupar dos amigos que estão ausentes. Se dependesse de si, o destinatário não ficaria um ano e meio sem dar notícias, ainda mais quando tem provas que outras pessoas ocupam o imaginação do destinatário. Esta convicção faz com que frequentemente derrame lágrimas de sangue, ainda que conviva frequentemente com a sua rival. Ela viu o seu retrato a ornar todos os quartos da casa da autora. Esta rival foi mãe há pouco tempoe vive, agora, no bonito lacal onde a autora passou bonitos momentos com o destinatário, com o bom Lobo e o ingrato P. Espera que ela não tenha intenção de destruir o belo jardim que tanto tempo levou a construir. Lembra que o "Maitre de Botanique" vive com privações para poder auxiliá-la. A sua alma é nobre e a ele deve a sua existência. Pede ao destinatário que auxilie o marido que vive desgostoso devido a dificuldades financeiras e ao estado de saúde precário. Pede para transmitir ao médico viajante [Vicente Navarro de Andrade], a quem não lhe é permitido escrever agora, os seus votos de estima e que o pequeno "choux" encontra-se bem.
Acusa a receção da carta do amigode Araújo, o que a fez sentir a mais viva alegria. Após um ano e meio de silêncio, com todas as angústias e desespero, é uma dádiva rever a sua letra e as suas expressões de ternura, transmitidas na carta enviada por Navarro. Se o destinatário conhecesse a dimensão da sua alegria não seria tão avarento a escrever-lhe. A saúde do destinatário preocupa-lhe, e agradece ao céu por ele ter um médico amigo [como Manuel Luís Álvares de Carvalho], a quem reconhece como um benfeitor a quem deve mais que a própria vida. O [Abade] Correia [da Serra] já deve vos ter feito chegar a carta onde refere a situação aflitiva em que vive o vosso dedicado amigo [Brito] e os negócios do Marido. Implora por eles, e refere que tem confiança em que a amizade e caridade do destinatário se empenhará de uma forma eficaz em benefício de ambos. Apesar de escrever-lhe frequentemente, nada sabe de L[obo]. Pede por notícias frequentes, o que poderá ser feito or C[orreia]. Despede-se citando versos de Metastasio, poeta preferido do destinatário.
Apesar de não ter mais do que um pequeno momento para escrever a [António de Araújo] e embora um pequeno bilhete não seja suficiente para dizer tudo, dá graças a Deus por, ao menos, conseguir ter a oportunidade de se fazer lembrada e de lhe pedir para que se não esqueça dela. Ironiza com a recente descoberta, esperançada em poder, um dia, utilizar este meio para revê-lo e abracá-lo, para felicitá-lo pela promoção do seu amigo médico e admirar o atelier do destinatário de onde se propagam as artes e as ciências no novo mundo. Se tal fosse possível, aproveitaria, ainda, para conhecer e agradecer ao seu médico [Manuel Luís Alvares de Carvalho], por ter tratado do espírito e saúde do destinatário. Madame de Stäel, com a idade que apresenta, casou com um jovem que perdido de amores rumou com ela para a Turquia. Pede ao destinatário para que se recorde das desgraças do Marido, [Abraham Cappadoce-Pereira], para que, ao menos, lhe escreva umaspalavras de consolação. Vive inquieta porque as cartas que [Joaquim] L[obo] [da Silveira], [Ministro Plenipotenciário em Estocolmo], lhe anunciou ainda não chegaram.
Manifesta a sua alegria por ter recebido uma carta do amigo de Araújo, constatando que ele continua generoso, bom e justo, que permanece digno da estima e do culto que o seu coração lhe dedica. Agradece as diligências desenvolvidas em favor de [Francisco José Maria de Brito], o "Maître de Botanique". Ninguém é mais digno e mais devoto do que ele, que a ampara nas desgraças e consola nos infortúnios. A amizade que ele tem pelo destinatário está para além de qualquer palavra, de qualquer descrição. A autora, implora por protecção para o marido, [Abraham Cappadoce-Pereira], [Cônsul português na Dinamarca], que vive bem desgostoso e cujos males recaem sobre si. Recomenda ao amigo [Domingos] Borges [de Barros], [futuro Visconde da Pedra Branca], pede para dizer a V[icente] N[avarro de Andrade], [Médico], que a sua amizade por ele jamais cessará, que se compadece muito com o seu sofrimento, e que tem visto o "petit choux". Vê frequentemente a sogra de Rolando, que fala de Araújo como deum deus. O "Platonique", [Morgado de Mateus], continua furioso com o dest. e tudo parece que se deve a uma carta em que Araújo dizia mal dele e que lhe foi mostrada pela [sua esposa] o "Vulcain d'Adéle", [Adelaide, Condessa de Flahaut]. Insurge-se contra a pérfida e ingrata conduta de Renh[ardt] que vos deve tudo. Relembra que o honesto Gildemester tinha razão quando advertiu o destinatário sobre este homem indigno.
Envia pelo portador desta o primeiro Tratado assinado em Viena, justificando a sua opinião de que Portugal não foi prejudicado nele, comentando a Convenção que o antecedeu em que foram discutidos pontos como a indemnização que a Inglaterra deve a Portugal pela tomada de Navios portugueses. No Tratado, realça a anulação do Tratado de Aliança de 1810 bem como dos seus artigos secretos; a renovação do artigo do Tratado de Cromwell; a disponibilização das rendas da Ilhas da Madeira e Açores e da ?ursela?, de Pau Brasil e Marfim, acabando-se assim a administração de Londres; em troca das concessões do governo português como a cessão do tráfico de escravatura a norte do equador; a inevitável cessão da Guiana já estipulada no Tratado de Paris. Comenta possibilidade de se anular os tratados de Paris, de Aliança e de Empréstimo e dos artigos secretos de cada um deles. Comenta a negociação que antecedeu a assinatura do Tratado. Comunica que Mr. de Talleyrand propõe que S.A.R. deva elevar o Brasil a Reino, ficando com o título de Reino Unido de Portugal e Brasil, fixando o monarca a sua residência definitiva no Brasil e enviando o seu filho como Vice-Rei para Portugal. Sugere que S. M. se declare sem perda de tempo príncipe-regente do Reino Unido de Portugal e do Brasil, pois seria reconhecido por todas as nações e defenderia por mais algum tempo a união destas duas partes da monarquia e fortificando as relações comerciais de ambos, o que é desejado por todas as potências da Europa. Alerta para a possibilidade de ser parado o pagamneto do Corpo Diplomático português com a provável extinção da administração de Londres, sugerindo em lugar desta os Agentes do Banco do Brasil. Informa da necessidade em manter Gameiro até finais de Abril. Refere-se às negociações com Lord Castelreagh sobre os dois famosos artigos secretos referentes ao corte de madeiras e sobre a admissão de navios de guerra sem número. Refere-se ao facto da anulação do Tratado de Comércio de "infeliz memoria" poder alterar o plano do tratado de Comércio que deve negociar com a Rússia, agurada por isso por novas instruções para poder retomar o que já havia negociado e constava da Convenção que já enviou ao destinatário Como o marquês de Marialva acompanhará o Imperador em finais de Abril, data provável do final do Congresso, o autor demorar-se-à em Viena até finais de Junho, partindo depois para São Petersburgo.
Nota em cifra referente às indemnizações que obtiveram de Castlereagh devido ao apresamento [de navios] à Guiana, à abolição da aliança a troco da abolição imediata pelos portugueses do tráfico de negros a norte da linha [do Equador]. Possui a interpretação autógrafa de Francisco José Maria de Brito.
O autor, António de Saldanha da Gama, remete ao amigo António de Araújo uma notícia cifrada por lhe parecer importante que o destinatário tenha conhecimento do seu conteúdo.
Informa que com a não ratificação do Tratado de Paris por S.A.R. chegou o momento mais crítico das negociações, uma vez que tal procedimento poderá excluir Portugal da Comissão das Potências signatárias do mesmo. Ignora os motivos da repulsa da Inglaterra e remete o amigo [António de Araújo] para os ofícios que tem expedido por forma a tomar conhecimento da posição da França e da Rússia. Refere-se ao artigo 10.º do referido Tratado e à pouca força do autor para exigir da França ou da Inglaterra a indemnização devida pela restituição da Guiana aos primeiros. É desejável que S.A.R. dê a conhecer a sua posição sobre o comércio da escravatura, para que o Reino não seja levado pela torrente. Alerta para o facto de as Cortes vizinhas terem enviado os seus Ministros dos Negócios Estrangeiros, enquanto que a Corte portuguesa não o fez, tornando-se quase impossível competir com Ministros com tão amplos poderes. A responsabilidade dos enviados portugueses é, por este motivo, elevada ainda para mais se tivermos em conta a distância da Corte para o palco das negociações. Lamenta que o resulatdo das negociações possa não agradar a todos, mas era necessário que todos tivessem consciência que "nós temos mais a desfazer do que a fazer".
Informa que as cartas de do amigo Manuel Luís, de 24 de Agosto, e a de António de Araújo, de 12 de Setembro, acalmaram a sua inquietação sobre o estado de saúde deste último. Comunica que não escreveu depois de ter saído de Londres, devido à falta de segurança dos correios estrangeiros. Descreve a viagem por mar do Rio de Janeiro até Inglaterra; descreve os trabalhos que empreendeu em Inglaterra, como as conversações para combater a asseção do gabinete inglês que sustentava que S.A.R. tinha pedido dinheiro e o envio de uma esquadra para o seu transporte para Lisboa. Refere-se à sua jornada rumo ao Congresso [de Viena]; comenta as consequências da não ratificação por Portugal do Tratado de Paris e relembra a importância do artigo 10.º; tece comentários sobre o grupo de plenipotenciários portugueses; à pouca vantagem da cessão da Guiana e à indemnização que Portugal tem direito; rejeita a possibilidade de se pedir uma indemnização à Espanha devido à restituição de Olivença; a abolição do tráfico de escravatura e as suas implicações no Tratado de Comércio de 1810; as conversas mantidas com Castelreagh a este respeito; faz uma análise sobre os comportamentos dos Plenipotenciários das potências principais, onde sobressaem os nomes de Metternich da Aústria, os condes de Nesselrode, Razomouski e Stakelberg da Rússia, Lord Castelreagh, Lord Stewart, Lord Catehart e Lord Clancarty da Inglaterra, o Príncipe de Talleyrand, o Duque Dalberg, os condes de Latour du Pin e de ?Noialles? Pela França; o Príncipe de Hardenberg e o Barão de Humboldt pela Prússia; Lovvelheim que representa a Suécia; D. Pedro ?Sobrador?. Comenta a problemática questão da Polónia e a da Saxónia; a questão interna da Alemanha, para a qual foi criada uma comissão específica; outra comissão para a união de Génova à Sardenha; outra para as questões da Toscana, Parma, ?Plasencia?; outra comissão para a livre navegação do Reno e do Scalda. Informa que pela demora do marquês de Marialva achou oportuno entregar as suas credenciais a Sua Majestade Imperial e devendo finalisar a prorrogação do Tratado de Comércio em 7 de Junho, era oportuno fazer alguma coisa para que o comercio do Brasil fosse contemplado. Em P.s. de 14 de Dezembro anuncia a chegada do "nosso Gameiro" tendo recebido, por ele, a carta do destinatário. Em 24 de Dezembro, comunica que Castelreagh recebeu a resposta do governo inglês sobre o Tratado de Comércio de 1810. Lembra que não foi expedida ordem para a administração de Londres para o pagamento dos seus ordenados da Missão da Rússia; lembra Luís António d'Abreu Lima para secretário daquela legação. Em 25 de Dezembro anuncia que Castelreagh rompeu as negociações que havia iniciado com os Plenipotenciários portugueses, pretendendo levar o negócio a Comissão, muito embora Saldanha acredite que ele terá motivos de sobra para se arrepender. Em 28 de Dezembro, trabalha na minuta sobre a Comissão das Etiquetas para depois remetê-la; enviará também uma exposição da sua autoria e de Gameiro sobre a questão da Escravatura. Elogia as intervenções de monsieur de la Harpe a favor dos negócios de Portugal. Em 30 de Dezembro, pede ao destinatário que entregue ao Príncipe da Beira uma caixa com duas rebecas. Em 1 de Janeiro deseja uma ano novo venturoso e informa que a Prússia não quer ceder às suas intenções sobre a Saxónia tomando os negócios uma feição mais hostil. Acaba de receber a notícia de Lord Castelreagh da conclusão do Tratado de paz entre a Inglaterra e os Estados Unidos.
Confessa ao amigo de Araújo que os seus dias são tormentosos, que as dores não cessam. Queixa-se que há um ano e meio que não recebe notícias dele e que este silêncio é terrível para a autora e para o amigo [Francisco José Maria de] Brito que, no entanto, não cessam de lhe escrever mesmo desconhecendo se elas lhe chegam. Vivem em Paris retirados, como se fosse num deserto, e a única sociedade é a de [Abade] Correia [da Serra] mas que vai partir dentro de dois dias. Ele será o portador desta carta e apesar de ficar em Filadélfia disse à autora que poderia escrever de coração aberto pois a carta chegaria ao seu destino sem entraves. Lamenta a saída de Correia de Paris, onde ele, fazendo uso dos seus conhecimentos, honrou o título de vassalo português e ganhou a estima de todas as pessoas das Letras. Brito está deprimido por ver partir aquele que muitas vezes foi o seu conselheiro, e tanto que desejava igualmente partir, mas tal é impossivel por estar há quatro anos sem soldo, desde a ordem que a embaixada recebeu para partir, e ser tratado com uma injustiça revoltante enquanto que a facção de [D. Rodrigo de Sousa Coutinho], o "Ippogrifo", triunfa. Até o "Platonique" [Morgado de Mateus] paga com querelas a amizade e o interesse que Brito dispendeu aos seus negócios, numa postura em tudo idêntica àquela que o seu amigo teve em Londres consigo. Solicita ao destinatário que interceda a favor do Marido que aguarda no seu posto por ordens e que sente muitas dificuldades para viver devido à falta de pagamento. Sem o auxílio de Brito não conseguiria viver. [Vicente] Navarro [de Andrade] e [Domingos] Borges [de Barros] bem podem testemunhar pelos inúmeros serviços que Brito presta a todos os compatriotas, como a Lima cirurgião português que faleceu há pouco tempo; como a [Francisco] Manuel [do Nascimento] que com 80 anos vive na miséria; como a ajuda prestada à família Branco para sair do país, ficando apenas o pai [José António dos Santos Branco]. Pede justiça para Brito, pede para aplicar todo o poder junto do Príncipe em benefício dele. Em P.s. escreverá outra carta que seguirá por Mr. Labenki. Estasegue por Correia, mas teme que o "Ippogrifo" a intercepte. Recebeu carta de Rodrigo Navarro que lhe assegurava não acreditar que pagassem a Brito. Esta é uma injustiça gritante. Oferece a silhoueta de [Marquês de] Marialva. Uma palavra da sua mão será um bálsamo para a sua melhor amiga.
Apesar de ter acabado de escrever uma longa carta para o amigo de Araújo, a qual deverá ser entregue por Mr. Labenki, que parte na mesma fragata que [o Abade] Correia [da Serra], não resite a escrever novamente por este útlimo. Lamenta o silêncio do destinatário que a faz infeliz e aumenta o tormento da sua alma. Vive descansada em relação à saúde do destinatário, mas receia por destinatário devido às notícias que por aqui circularam relativas às falsidades perpetradas pelos inimigos do destinatário. Lamenta que outros recebam cartas e eles [Suzanne e Brito] estejam há um ano e meio sem receber uma palavra, apesar de lhe escrever em todas as ocasiões possíveis. Este silêncio é um mistério e recusa-se a acreditar que António de Araújo tenha deixado de ser o amigo sincero, pleno de honra, de delicadeza. Relembra que o Marido, por ser fiel ao seu posto e ao serviço do Rei, sacrifica a sua vida e que necessita do auxílio do destinatário porque há quatro anos e meio que não recebe o soldo. Pergunta se deixará [Francisco José Maria de] Brito, vosso amigo perfeito, morrer vítima dos inimigos. A amizade que ele tem pelo destinatário acarreta-lhe muitas inimizades. Não existe português tão digno deste nome como Brito que, mesmo na situação em que se encontra, socorre todos os infelizes compatriotas que o procuram, como a família Branco que partiu, ficando apenas o pobre velho [José António dos Santos Branco]; como o pobre [Francisco] Manuel [do Nascimento], [Filinto Elíseo], com 80 anos, vive apenas devido aos cuidados de Brito; a Madame de Aragon. Suzanne encontra com frequência a infeliz Madame de Sousa l'Espagnole. Depois de conviverem em sociedade durante longo tempo é com profundo desgosto que vê [o Abade] Correia [da Serra] partir. As gentes das letras e os sabedores lamentam-no profundamente. Brito desejava acompanhá-lo mas não o pode fazer devido às dívidas contraídas nestes quatro anos em que não recebeu um soldo. Soube há pouco que aqueles que não forem à Inglterra nem ao Brasil não serão pagos. Pede para interceder junto do Príncipe por Brito um dos mais fiéis servidores do Soberano. O "Platonique" é sempre seu inimigo inveterado, o seu ódio e rancor não têm limites. Despede-se com versos [da sua autoria].
Expressa a sua dor, a sua tristeza por escrever ao amigo de Araújo e nunca receber resposta. Mantém viva a esperança de receber uma linha escrita da sua pluma e acredita que esta demora não depende do dest. que nunca perde de vista os amigos dedicados e que vivem desgostosos. Nem mesmo as notícias que raramente e indirectamente recebiam sobre o destinatário chegam. É impossível exprimir o quanto o desgosto os oprime e aumenta a dor. Está segura que a carta que enviou pelo [Abade] Correia [da Serra] chegou às suas mãos e por isso não repete tudo o que aí disse, tal como na outra enviada em mão de Mr. Labenki. A esperança está prestes a terminar e sem a ajuda e bondade do amigo B[rito] tudo será pior. O partida de Correia aumentou as nossas mágoas e a sua companhia é uma verdadeira perda, tal como a sua longa viagem é cruel na idade em que ele se encontra. Espera que o destinatário não a abandone completamente e conserve invioláveis a amizade e os sentimentos que os une.
Como o amigo comum escreve ade Araújo, a autora, não pode resistir a juntar duas palavras à carta, para repetir as expressões de uma amizade que só terá fim com o fim da sua vida. O horizonte parace começar a clarear para o destinatário, porque já não tem de combater o "Ippogrifo" [conde de Linhares], [falecido em 26. 02. 1812 no Rio de Janeiro], e como tal está certa de que surgirão dias mais alegres para o destinatário. Relembra ao destinatário as necessidades do Marido, nem tão pouco a sua situação penosa e cruel. Escreverá, em breve, mais longamente, sobre este assunto, mas assegura que sem o auxílio do dedicado amigo do destinatário [Brito] jamais teria consolação.
Esperava que [João Alberto] Kantzow pudesse enviar-lhe notícias do dest., mas ele não conseguiu obtê-las senão verbalmente. Soube ainda por Lobo que a sua saúde está perfeita, que passa bem, o que lhe causou alegria e descanso à alma que vivia atormentada há tantos meses. Mas, receber estas seguranças pela sua mão, seria um bálsamo para as suas dores. Lamenta não receber uma única linha do amigode Araújo e que este silêncio provoca-lhes uma grande tristeza. Continuará a escrever em todas as ocasiões e por todos os meios possíveis. Relembra as privações e os sofrimentos que o amigo Brito sofre desde há quatro anos, e a promessa do destinatário que o protegeria. A rectidão e afeição de Brito exigem que o destinatário não se esqueça dele. Prometeu também proteger o Marido, mas em ambos os casos as provas de amizade não chegam. Desconhece se as suas cartas chegam ao dest., e suplica-lhe que responda, que lhes dê alegria e tranquilidade. Despede-se citando [Edward] Young. Em 7 de Setembro, referindo que esta carta está escrita há mais de um mês e sem ter meios de a expedir. Ignora se o destinatário já tomou alguma providência em benefício deles. Assegura que o silêncio dele é o pior de todos os males e de todos o mais insuportável. Em nome da amizade, escreva-nos.
Não sabe exprimir o que sentiu ao receber um bilhete assinado pelo amigode Araújo mas escrito por outra mão. Sabe que ele esteve perigosamente doente, mas agradece a Deus que, através dos cuidados de um hábil médico [como Manuel Luís Álvares de Carvalho, conservou-lhe a vida para felicidade da pátria, do soberano e dos amigos. O amigo Brito explicou-lhe o bilhete e dele verificou que os sentimentos permanecem imutáveis. A pobre Antoinette que tinha casado há dez meses com um digno e bravo homem [o Chevalier Bertola], pedreu o amrido devido a uma doença. O excelente Brito, com a sua amizade e seus conselhos, é quem tem prestado apoio à autora nestes momentos e incutido coragem para suportar estes momentos cruéis. É o seu anjo consolador. Agradece ao destinatário por ter feito com que pagassem o soldo a marido, possibilitando-lhe pagar parte dos empréstimos à autora. Viu Lobo com a sua charmosa esposa e lamenta não poder recebê-los como desejava. A nomeação dele para Berlim fê-lo infinitamente feliz, tal como merece ser. S[uzanne] vive deprimida devido ao estado de saúde da amiga íntima a Madame de Sousa de Gracia Real. Endereça os votos de um feliz ano novo e manifesta o seu sentimento de como é glorioso ter a sua amizade.
Apesar de conhecer as dificuldades em receber novidades, lamenta o quão cruel é ver o tempo passar sem receber uma única linha daqueles que ama. Conhece pessoas que recebem notícias do país onde o destinatário se encontra, mas como não inveja a sorte deles, sofre em silêncio pela actividade dos amigos deles e da preguiça do meu. Se o destinatário soubesse a alegria e a felicidade em receber uma carta sua não seria tão àvaro a escrever e não tomaria esta actividade como prazer mas sim por dever. O embaraço aumenta á medida que o tempo avança. Marido está verdadeiramente queixoso e a autora partilha a sua sorte. L[obo] deu a esperança ao marido de que seria pago em breve. O pai de "Rolando" fez o mesmo. O Mestre de Botânica ainda não recebeu nada e é homem e coragem. Se não fosse ele, a autora não sabe como viveria e que contrariedades experimentaria. Vê frequentemente o bom e amável Mr. de M[arialva], a Madame d'Aragon, que adora-vos, e Madame de Souza. Pergunta ao destinatário se viu o Médico [Vicente Navarro de Andrade]. Despede-se com versos [de Metastasio].
Dispõe apenas de breves momentos para escrever a [António de Araújo] e manifestar o seu desgosto e a sua aflição pelo seu silêncio, muito embora reconheça que as actuais circunstâncias são horrivéis. O vosso amigo "Maître de Botanique", [Francisco José Maria de Brito] ainda não recebeu e a autora inquieta-se porque sem ele o seu futuro permanece incerto. Apesar do seu zelo e dedicação não recebe nada. Marido, [Abraham Cappadoce-Pereira], está encurralado e socorre-se da autora que, por piedade e por dever, ajuda-o. [Joaquim] L[obo da Silveira] disse-lhe que o pequeno T., pai de Rolando, pensa em pagar-lhe. O "petit" B[ezerra] já deve estar em vossa casa, ele é um homem feliz e bondoso. Solicita uma palavra de amizade e para que não se esqueça dos amigos. A autora diz que vive triste e desencorajada porque a situação não é agradável e só uma palavra do destinatário, só o seu auxílio poderá melhorar a sua vida.
Entusiasmada pela oportunidade, escreve ao amigode Araújo para se fazer recordada e para solicitar notícias, apesar de saber que as numerosas ocupações em que ele se encontra que aliadas à dureza do clima obstam a que ele responda com rapidez. Espera ao menos uma palavra para assegurar a sua felicidade. Diz que os inimigos do destinatário estão aterrorizados e curvam a cabeça diante das vossas virtudes por saber vencer as intrigas e as tramas e fazer-se escutar por um Príncipe que, com justiça, sabe reconhecer a sua devoção e afecto. O "Platonique" [Morgado de Mateus], ficou em desespero quando soube a notícia [da nomeação de Araújo para o Ministério da Marinha] e nem aceitou o convite para a festa que ela e Brito deram, no dia 15 deste mês, para festejar a paz e o aniversário do Marquês de Marialva. Participa que todos os grandes senhores estiveram cá, o Condes do Funchal, de Palmela, de Barbacena, [o Duque] de Cadaval, os Marqueses de Abrantes, o "Comte" [D. Lourenço] de Lima. A Marquesa de Mos, como outras damas espanholas que estiveram cativas aqui, também estiveram presentes. A noite foi encantadora. Ergueram um palco no jardim, onde foi representada uma peça em homenagem de Marialva, em que participaram Mr. Briffant, Antoinette, Madame de Sousa a espanhola, o filho de Vicente Navarro e a autora. Emília cantou um hino gratulatório à paz, com versos do Dr. [Vicente] Nolasco [da Cunha] e música de Mr. De Thierry. ?Fala da morte de Josefina?. Pede para não se esquecer de Marido que muito sofre por ainda não ter recebido o soldo. Em P.s. é inconcebível como há sete anos que o "vosso amigo" não recebe o soldo, e mesmo assim vai em socorro dos seus compatriotas. O Conde do F[unchal] nada fez por ele. Proteja-o e faça com que empregue os seus talentos, as suas luzes em benfício do Príncipe.
Comunica ao amigo que se encontra muito inquieta em virtude de lhe ter escrito a falar sobre as complicações de saúde do destinatário. Solicita por notícias que possam aniquilar a sua inquietude. A situação em que se encontra é cada vez mais cruel e sustenta que se não fosse o amigo dede Araújo, [Brito], não saberia como viver. Pede ao destinatário que intervenha para que B[rito] e o Marido recebam o que lhes é devido, para que tudo possa regressar ao normal. Acredita que ainda poderá rever o destinatário e que um momento passado em sua companhia seria o suficiente para a autora esquecer as agruras da vida. Despede-se com versos em italiano [de Metastasio] e com o pedido de não a esquecer.
Informa que o "nosso amigo" [Brito] expede hoje um correio, e a autora expediu a sua menina, conduzindo esta mesma manhã ao altar para casar com um homem honesto que a ama com ternura. Numa carta precedente já comunicou o nome e o posto deste homem. Espera que ela seja feliz e tudo a faz crer que sim. Refere que sem o "vosso amigo", anjo consolador dos infortunios, não saberia qual seria a sua sorte. Ele, com uma delicadeza difícil de igualar, adiantou o dinheiro para a autora fazer o enxoval da filha, a quem dá 3.000 francos por ano. Refere-se ao pagamento de uma dívida do seu marido e ao valor que o banqueiro lhe concede para elucidar d'Araujo do valor com que vive. Pede ao destinatário que interceda para que paguem o que é devido ao Marido. Não a esqueça. Lembra a lembrança para Ant[oinette], sua afilhada.
Expressa o desejo em rever o amigode Araújo. Comenta a chamada do pequeno B[ezerra] e a vida errante que tem, por inerência, a esposa dele, que com esta idade percorre tantos países e experimenta a sociedade caprichosa e melancólica do marido. Pergunta ao destinatário porque razão não vai para o país da princesa [Carlota Joaquina], onde é admirado e estimado, e onde ser-lhe-ia mais fácil obter notícias do destinatário. Informa que o seu amigo [Brito], vive rodeado de embaraços, porque ainda não recebeu o anunciado. O Marido vive, também, encurralado o que causa transtornos à autora. Ele insta a autora a escrever a todo o mundo em seu favor, como a L[obo], a B[ezerra] e ao destinatário. O clima do país onde se encontra desgasta-lhe a saúde e por isso deseja obter um cargo na Sicília, mesmo sem saber se o cargo está vago ou não! Ele vive tão infeliz que não tem a coragem de lhe negar alguma coisa. Como conhece a delicadeza e generosidade, está persuadida de que se este assunto depender do destinatário alguma coisa será feita. Por piedade para com ele e amizade pela autora faça com que lhe paguem. Pede por notíciase depede-se com "Vale et me Ama".
Sentiu uma rara felicidade por ter recebido a carta do amigode Araújo de 12 de Setembro, por [Manuel Rodrigues] Gameiro [Pessoa], tal como foi de uma alegria imensa conhecer alguém que trabalha com o destinatário. Reafirma a sua dedicada amizade que lhe absorve toda a existência. Elogia os trabalhos dede Araújo e recebeu com imensa alegria a notícia da sua nomeação para o Ministério [da Marinha e do Ultramar], testemunhando assim pela amizade e favor que o Soberano lhe concede. Diz que não são estas as lágrimas que lhe fazem mal, mas sim as que verte devido à doença que atormentou o destinatário. Acha que o Soberano deveria conceder-lhe uma licença para restabelecer definitivamente a saúde, que poderá ser afectado pela excesso de trabalho. Deseja tanto revê-lo que até inveja a partida de Mr. Beaurepaire, mas sabe que isto é difícil agora que o Princípe tomou a decisão de se fixar no Brasil. A escolha de Brito foi acertada, são impressionantes os seus inúmeros trabalhos. Pede ao dest. para que interceda a fim de pagarem a Brito o que ainda lhe devem. Implora por auxílio para o infeliz Marido que, também, nada recebe e a autora tem de ir em seu socorro, numa altura em que Antoinette, afilhada do destinatário, pretende casar. Refere-se à questão entre o "Platonique" [Morgado de Mateus] e Brito. Comenta que "Adéle" ofereceu "soirées" todas as semanas para atrair o "Héros Anglais" e por aí governar em vossa casa. O filho dela é o amante declarado daquela que governou, durante algum tempo, o pais que vós amais. Acaba de receber uma carta da mulher do B[ezerra]que deve estar alarmada com o estado do seu marido. Despede-se com versos [talvez da Venality, já reproduzidos na 1.ª carta].
Diz que há quase um mês e meio que começou a sua carta, mas ainda não apareceu a ocasião para remetê-la. Entretanto o amigo do destinatário assegurou-lhe que a faria partir. Comunica que [a filha] Marie-Antoinette[-Isabelle Cappadoce Pereira], tem um homem honesto que, apesar de não ser rico, espera que ele lhe favoreça com felicidade. É um piemontês ao serviço da França, Cavaleiro de Saint Louis e da Legião de Honra. Foi o bom e generoso Brito que me avançou para fazer o enxoval de Antoinette, assim como os extras do casamento. Solicita ao destinatário para que, em nome de Deus, interceda para o Marido ser pago, porque os adiantamentos que sou forçada a fazer-lhe arruinam-me. Pergunta ao destinatário, como padrinho de Antoinette, se enviará uma lembrança pelo seu casamento.
Manifesta a sua alegria pela carta de 16 de Junho, recebida pelo amigo Brito assim que chegou a França. Assustou-se ao ver a letra dede Araújo e só Brito conseguiu tranquilizá-la e encorajá-la a ler a carta. Soube que o destinatário esteve muito doente, mas o céu salvou-lhe a vida para bem dos amigos e para a glória e honra da pátria e do Soberano. Deseja-lhe as melhoras. Relata o reencontro com o bom [Joaquim] Lobo [da Silveira], que continua o mesmo franco e leal amigo. Estimou conhecer a sua esposa [Sofia Amelia Murray] que é doce e muito amável. Recorda os tempos em que passaram juntos e esta longa e cruel ausência em nada alterou o sentimento sagrado que a une ao destinatário. Agradece os favores do destinatário pelo Marido, [Abraham Cappadoce-Pereira]. Ele teve a honra de jantar com o Rei da Dinamarca na sua passagem por Altona e beneficia da amizade de Mr. Rosenkrantz [Ministro Negócios Estrangeiros de Frederico VI]. Informa qu escreveu uma carta ao destinatário no mês de Maio, de Baden onde passou cinco meses. Mas, por uma fatalidade não conseguiu usufruir de nada, porque a sua companhia, Madame de Sousa, Marquesa de Gracia Real adoeceu, de maneira que a auora foi a sua "garde-malade" durante toda a estadia. Participa que Brito partiu para Viena e depois para Paris com Luís XVIII. Lamenta o estado da França, país outrora tão poderoso que outorgou a sua lei ao universo e hoje é humilhado e curva-se perante aqueles que lhe dá ordens dentro da sua própria capital. Eis o efeito da acção de um só homem, do terrível abuso do poder, do despotismo e da perfídia. Passou o Reno em Mayence e o seu pensamento transportou-se para o tempo em que estavam juntos. Comenta o justo castigo do "Platonique" [o Morgado de Mateus], homem de espírito e de talento que se tornou um imbecil, sendo motivo de escárnio de todo o mundo, tal como a sua mulher é o horror da sociedade. A sua perfídia, as intrigas e a ambição desmedida deveriam fazer tremer os ingratos. Refere-se ao casamento de Emília, filha da pobre Cateau, e ao de sua filha Antoinette. A justiça que de Araújo prestou ao excelente [Francisco José Maria de] Brito causou-lhe o maior prazer, tanto mais quando ele vive apenas para ser útil à Pátria e ao Soberano.
A pedido da Princesa de Vaudémont, recomenda a de Araújo, Ministro [da Marinha e do Ultramar], o amigo [Segismundo] Neukomm, professor alemão e pianista de grandes méritos, que pretende estabelecer-se no Brasil. A autora conta responder à carta de 31 de Agosto pelo correio do próximo sábado. Está muito feliz por saber que Araújo já está inteiramente restabelecido. Comunica o falecimento de Mr. Bertola e a doença da pobre Antoinette. Na última página está anotado o endereço: "A Son/ Excellence Monsieur/ D'Araujo Ministre/ D' Etat au Brezil//".
Expressa "neste dia de anno [novo]" os seus desejos de prosperidade a António de Araújo. Partilha os dissabores que sente fruto da falta de meios, que só a conservação da amizade e a protecção do destinatário poderiam suprir. Lamenta a "horrivel distancia" que os separa. Sentiu grande prazer pela carta recebida, mas infelizmente estes gostos são raros. Pede desculpa por recordar as súplicas de um cargo honroso e lucrativo para o pai, mas os seus serviços e a injustiça que lhe prestaram, consignam-lhe esse direito. Diz que a Araújo, "que esta hoje com grande valimento" ser-lhe-à fácil proteger o pai agora que tudo mudou e já não existem as mesmas "couzas" [Ratton já fora ilibado]. Em sua casa, estão a mana Joana e o marido o Marquês de Chardonnay, que todos os dias tem recebido visitas dos parentes da Corte, conta com a protecção desta marquesa e do Rei para ser empregado. Se o marquês obter a patente de oficial com o soldo competente, "serlhe hei" reconhecida. No Sobrescrito: "Ao Illmo. E Exmo. Snr./ Antonio D'Araujo/ Ministro De Estado da/ Marinha/ Rio de Janeiro//".
Implora a S.A.R. o Príncipe-Regente de Portugal, pela sorte do pai que vive no maior desgosto por se negar no desagrado de S.A.R.. Deseja obter de novo a régia protecção e ser empregado em algum cargo de utilidade à pátria, por forma a recuperar a sua honra. As circunstâncias da guerra provocaram ao pai grandes perdas e a autora vive em infelizes circunstâncias, devido à cessação da renda que usufruia o falecido marido, homem de honra que morreu pobre. Deus livrou-nos, enfim, "do flagelo da humanidade" Bonaparte a quem deve as suas maiores infelicidades, incluindo a morte do marido. Defende que com a sua posição, tanto por nascimento como pelo marido, não merece viver privações, sendo que muitas vezes recebe convites para ir à Corte e gasta mais do que pode. Roga pela obtenção de uma mesada como graça especial. António de Araújo, seu antigo amigo, poderá falar-lhe sobre o exposto. Participa, ainda, que a sua irmã mais nova está casada com o Marquês de Chardonnay, membro de uma das famílias mais antigas e distintas de França com ligações à Casa Real. O referido marquês e o irmão estiveram ao serviço de Portugal, sendo bem conhecidos de António de Araújo. Em breve chegam de Londres, sendo que a Marquesa mãe já cá se encontra, tendo inclusivamente sido recebida por S.M.. Luís XVIII, trata-me muito bem e demonstrou muito interesse e encanto por S.A.R.. Apresenta os seus respeitos e submissão à Princesa Carlota a quem oferece os seus préstimos em Paris. Recorda a baronesa do Real Agrado.
Pelo Brito que recebeu antes de ontem uma carta de António de Araújo pelo rapaz que trazia despahos, soube que já passava melhor a saúde. Diz que se o destinatário duvidar dos seus sentimentos "seria offenderme", morria de paixão. O seu retrato nunca me deixou. Está certa que o destinatário a protegerá nas infelizes circunstâncias em que se encontra juntamente com o pai. Defende que os seus princípios de honra e dignidade. Com confiança e esperança na bondade e protecção do destinatário remete a carta inclusa para o Príncipe, a qual vai aberta para que a possa ver. Espera que não a desaprove pois "aqui assim se escreve nestes paijses aos monarcas". Ficará eternamente agradecida se o amigo António de Araújo fizer "as partes boas" e depois mande dizer com sinceridade a resposta do mesmo Senhor. Refere que só diz a verdade, mesmo quando o rei Luís XVIII pergunta por S.A.R., homem bom e com afeição "pela nossa Corte". Expressa o desejo em ver que uma das nossas princesas case com o Duque de Berry, prestando-se a ser Dama da mesma. Alerta destinatário para a necessidade de falar neste casamento ao Príncipe antes que outras Cortesse lembrem disso "pois tenho ouvido falar a este respeito". O pai ficou contente por saber que a autora tinha recebido notícias de António de Araújo.
Escreve esta terceira carta depois de ter recebido a do amigo António de Araújo datada de 17 de Setembro. Triste e melancólica a viver numa situação que nunca imaginou, repete os seus cuidados pela saúde do destinatário e diz que a maior prova de amizade que pode prestar-lhe é anunciar por carta que se encontra restabelecido. Terá uma grande mágoa se o não tornar a ver e pergunta sempre por notícias suas quando vê Brito. Em todas as cartas tem feito uma fiel narração da triste situação em que se encontra, pedindo sempre por protecção. Deseja ver o pai empregado, pois vive em situações desagradáveis e não pode socorrer com mais alguma coisa a autora. Transmite o desejo em que o pai tenha uma satisfação do insulto que o obrigou a deixar Portugal. Nada lhe resta do seu marido, pois teve de vender todo o que ficou para pagar as dívidas contraídas durante as guerras de Espanha e da Rússia. Hoje, que faz um ano da morte do marido, recorda que ele era um homem honrado e como tal morreu pobre, não "como hum General Junot". Repete os pedidos das cartas anteriores. Não pode deixar Paris devido aos negócios em curso. Vive desgostosa, mas esconde de todos a forma como vive, "só há aparencias" e os bons moveis. Perdeu 50 mil libras de renda pela morte do marido e dos 3 mil francos de pensão que lhe foram concedidos por Bonaparte ainda não recebeu um real, antevendo que será demoroso, pois tudo está em desordem. Faz um pedido de açucar e de de café por algum navio que venha para França, mas não lhe pede ametistas como "serta senhora" [Suzanne Cappadoce] que está "cadaver, pior, velha e louca". Refere-se à carestia em Paris. Remete esta carta pelo amigo Pedra. Em P.s. já escreveu que a mana Joana está casada com o marquês de Chardonnay, que outrora esteve ao serviço de Portugal, e que ambos estão prestes a chegar a Paris, vindos de Londres. A marquesa velha já cá está. O pai da autora não queria este casamento e opôs-se veemente. Cumprimentos para a Baronesa do Real Agrado e pede-lhe que lhe fale neste casamento.
Como sabe que Brito expede um correio por Gameiro, aproveita a oportunidade para se recordar a António de Araújo e apresentar os votos de feliz saúde. De V.ª Ex.ª depende muito a felicidade da autora e do pai, estando a aguardar por notícias favoráveis. Pelo carácter como o seu, pela antiga amizade e "circonstancias que há entre nós", o destinatário não se esquecerá de satisfazer os repetidos rogos que tem apresentado, e que são inutéis de serem apresentados novamente. O portador desta carta leva outra mais circunstanciada. Durante estes dias tem acompanhado Madame Lobo, tendo este casal sido apresentado por Marialva. Aceitou o convite dos mesmos para jantar e encontrou Marialva, Carvalho e Navarro, tendo inclusivamente brindado ao destinatário. Marialva trata-a com a maior distinção e respeito e está certa que se lhe pedisse alguma coisa ele não recusaria. Lamenta ter ingleses em sua casa, apesar de não os ver, apenas fornece-lhe "luz e roupa branca". Portam-se melhor do que os do mês passado. Deseja receber notícias. Oferece um vidro com sal inglês, muito eficaz para a cabeça, pedindo que aceite como uma pequena lembrança "daquella que há 15 anos tanto o ama". Em P.s. pede para que mande dizer se a pensão pedida ao Príncipe foi aceite.
Pode finalmente escrever sem receio que a carta seja desviada ou retida. Felizmente já se respira sustos maiores já cessaram. Os momentos vividos foram muito tristes enquanto "se não viu o fim a esta grande bulha". Apesar de estar acostumada a estes acontecimentos, confessa que desta vez sentiu medo enquanto o "monstram" não deixou a capital. Agora que Deus livrou-nos do monstro tudo é mais seguro. A ele deve todos os seus desgostos, a perda do marido pelo amor [de Napoelão à Guerra], e se ele não tivesse mandado tropas a Portugal o pai não teria passado pelos desgostos que passou e a casa não estaria na desordem que está. [Napoleão] não se contentou com os milhões que a nossa Corte lhe concedeu, e a única coisa que a consola é saber que ele não tocou "na nossa família real, que Corte nenhuma brilhou como a nossa". Queixa-se da situação que se vive em França país de "gente doida, sem moral nem carácter" e para que tem juízo este não é um país para habitar. Enquanto esteve cá o "mao homem" a autora viajou pelo campo. Desejava ter outro país para viver com a filha. Se pudesse falar com o destinatário muito riria pelo que ela tem visto no mundo. Relata o sucedido à Sousa que recebeu ordem para deixar definitivamente o reino e que a mesma pediu para ir para Portugal. Ela é "conspiradora, intrigante, má", que até tem dó de D. José, bom homem que tem sido martirizado por este degenerado casamento. O filho dela era valido do "mao homem". Soube pelo portador desta carta que a saúde do destinatário estava melhor. Sente-se agoniada pelos "lugamentos dos aliados", onde nenhuma pessoa está isenta. Pede para o destinatário se lembrar de si e do pai. Pergunta porque não escreve. Receia que não tenha conseguido obter-lhe a pensão que tanto deseja. Relata a visita feita à Duquesa de Angouleme e ao Rei. V.ª Ex.ª é meu confessor e depois de meu pai o meu maior amigo. A Brito, que esteve cá ontem, não diz tudo. Marialva, amigo e fidalgo respeitável, acaba de sair daqui depois de converarem sobre assuntos sérios. Os portuguese começam a regressar a Paris. Em P.s. a mana Marquesa e o marido estão em Londres, tendo partido daqui no dia seguinte ao rei ter saído para Gand. O cunhado, com um cargo prometido pelos príncipes, deseja regressar a França e ser empregado junto do Conde de Artois. A marquesa mãe está em St. Malo e regressa em breve.
Participa que devido à moléstia longa e perigosa da filha não pode ser tão extensa como desejava, mas não queria perder a oportunidade para pedir notícias do bom e antigo amigo António de Araújo. Parece que ele se esquece de si, depois da promessa que lhe escreveria. Diz que só tem trabalhos e os maiores desgostos e que uma das maiores fortunas que pode ter é saber se o destinatário passa bem de saúde. Não passa um dia sem se lembrar do destinatário e sempre que pode pergunta ao nosso Brito por notícias. Desconhece se tem recebido as muitas cartas que já escreveu, onde pedia encarecidamente protecção junto do Príncipe para o pai. A posição da família é bem diferente do que quando estavam em Lisboa devido às revoluções, ao sucedido com o pai em Lisboa, às perdas sofridas e à vivência num país onde tudo é tão caro. Pede ajuda pois se não fosse o pai, morreria de fome. Diz que tem sido muito infeliz e merecia mais ventura. Só de V.ª Ex.ª poderei obter mais felicidade. Pediu também ao destinatário que lhe concedesse uma pensão mensal, em remuneração dos serviços do tio António de Lima que morreu numa acção. Viúva, pobre e sem protecção, apenas fala com toda a franqueza e deseja dever ao destinatário uma vivência menos punível. A irmã Marquesa de Chardonnay está hospedada aqui em casa, e o marido é muito estimado na Corte pelo que acredita que ele será empregado. A irmã Lúca ainda não casou e vive com o pai.
Não pode viver sem ter o alívio de escrever a António de Araújo, embora desconheça se as suas cartas lhe "são pezadas". Das tantas cartas que já escreveu, apenas recebeu uma em resposta, começando já a acreditar que o destinatário esquece-se de si. Descontente e desesperada, lembra os seus infortúnios e os que o seu pai, que é muito seu amigo, vive em Londres. Faz o pedido a António de Araújo para ser seu amigo, para os proteger porque caso contrário, cairá em grande desespero. Deseja que o seu pai obtenha uma satisfação, que seja nomeado para um cargo para que possa viver com as filhas. Ficará eternamente reconhecida se o destinatário der esta prova da sua amizade. Não acredita que a sua desgraça não comova o coração do destinatário. Faça por obter do príncipe uma "réparation de honneur" por escrito. A posição em que se encontra é muito difícil, até Brito desconhece a sua real dimensão, e terá de começar a vender alguns dos seus objectos para providenciar a sua subsistência e a da sua filha. Pede ao destinatário que obtenha do príncipe uma pensão para si. Recomendações da irmã e do Marquês de Chardonnay. No Sobrescrito: "A Monsieur/ Monsieur D' Araujo/ Ministro D'Estado/ Da Marinha/ Rio de Janeiro//".
Expressa os seus cuidados pelo estado de saúde de António de Araújo. A carta que dele recebeu causou o maior prazer por ter notícias suas, o que já não acontecia há anos, mas ao mesmo tempo ficou entristecida, pelas notícias da saúde. Apesar da grande distância que os separa e de todas as circunstâncias que a impediram de lhe escrever, nunca deixou "de o amar". Fala no retrato de António de Araújo que está no seu salão. Refere-se ao seu casamento e à conduta muito digna que o marido sempre teve consigo, mas mantém a paixão pelo destinatário a qual não lhe é desconhecida. Diz que se estivesse em Lisboa ia vê-lo, mas ao Brasil não se atreve. Lamenta que o destinatário não acredite nas suas desgraças e no desgosto sofrido quando ele a deixou em Paris. Foi casada cinco anos, mas ao todo apenas viveu dez meses com ele. E as recordações do restante tempo são de inquietudes e angústias por ele estar na guerra. Está sem apelo, sem protector, sem amigos, sem fortuna. Vivendo privações e desgraças, esta é a cruel existência "meu caro Araújo e meu melhor amigo". Mas, nunca abandonou os princípios que devem acompanhar uma mulher bem nascida e bem criada. Pede para não a abandonar e para proteger o pai, para que o faça sair de Londres, para que lhe conceda um emprego, para que lhe seja restituída a honra. Defende que ele nada fez para ser insultado de maneira tão cruel como foi em Lisboa, sofrendo grandes perdas. De nenhuma outra pessoa poderá esperar auxílio. Pede para alcançar do Príncipe uma pensão de 500 francos. Apenas lhe resta o mobiliário de sua casa, porque tudo o resto foi vendido para pagar as dívidas do marido. Suplica por notícias.
Ontem fez uma visita a Brito que tem estado incomodado e soube que ele tinha recebido, na véspera, notícias suas escritas pela mão do "bom medico e amigo Manuel Luis". Aflige-se por não receber uma carta há mais de um ano e queixa-se por nunca ter encarregue Brito de lhe dar notícias, o que dá aparências de total esquecimento. Vive em continuado desgosto por ver que depois da morte do marido, Araújo não lhe deu um prova de amizade e de que se compadece da sua sorte. É a maior injustiça se alguém o indispôs contra ela, porque sempre tem conservado aquela amizade e paixão. Diz que depois que a deixou em Paris nunca mais foi feliz. Desconhece se tem recebido a grande quantidade de cartas que já escreveu e até parece que "escrevo para o outro Mundo". Recorda as expressões de amizade que o destinatário lhe dizia. Toda a sua esperança é em Araújo. Pede auxílio para si e para o pai, que sempre espera do Brasil um resultado feliz a seu respeito. Se não tivesse uma filha de tão tenra idade já tinha partido para o Brasil para o ver. O Duque de Luxemburgo parte para o Brasil nos primeiros dias de Fevereiro e por ele escreverá. Como sabe que ele está encarregue de pedir a Princesa viúva em casamento para o Duque de Berry, pede ao destinatário que se lembre de si para Dama [de Honor]. Está certa que,a se concretizar esta aliança, a Princesa entraria num mundo muito difícil onde talvez não achará amigas verdadeiras. Brito disse que talvez esta nomeação fosse possível. Pelo Duque de Luxemburgo enviará um requerimento sobre este assunto, falará à tia Joana Lucia para apoiar com V.ª Ex.ª esta súplica. Lembra os motivos porque em tempos recusou ser dama da irmã do "Tirano" que foi Rainha de Nápoles. Estimou saber que "o nosso D. Joaquim Lobo vai para Berlin", cargo que ele tanto desejava. Esta vai por Brito.
A autor, Baronne veuve De Beaumont, lamenta a grande distância que a separa de [António de Araújo], e também os acontecimentos que se sucederam, e que impedem de receber notícias da saúde do destinatário. Por vezes recebe novas, mas por via indireta, e tanto dizem que V. Exa. está bem de saúde como dizem o contrário. Também não recebe notícias das irmãs e do pai depois que eles saíram de Lisboa. Informa do falecimento do marido, no dia 13 de Dezembro passado, perante a epidemia que assolou o exército [francês]. A união de ambos é um exemplo, pois foi tratada sempre com grande dignidade e da sua parte vive consolada por nunca lhe ter causado nenhum constrangimento. Todavia, vive agora sem protector e sem fortuna, pois ficou sem direito à pensão que o marido usufruia. Lamenta a conduta do Ministro da Guerra da França que fez-lhe muitas promessas, mas não cumpriu nenhuma, levantando uma aura de indignação entre os amigos da autora. O referido Ministro limitou-se apenas a conceder-lhe uma pensão de 3 mil francos por ano, mas a autora defende que como esposa de General de Divisão esse valor deveria ser de 6 mil francos. Refere a sua condição de portuguesa e de patriota. Elogia a conduta da família Real portuguesa. Comenta um encontro com o Imperador N[apoleão]. Recebeu uma carta do pai há dez dias, a primeira em seis anos, em que este prometia auxílio. Como conhece bem a dedicação do pai ao Príncipe [Regente] e à pátria, não se persuade que ele tenha feito algo para a justiça o atirar para a desgraça. A sua conduta está intata. Predispõe-se a escrever a S.A.R. em favor do pai e pede ao dest. que o proteja, para obter um cargo em Lisboa que lhe conceda meios para viver mais condignamente com as filhas. Partirá dentro de quatro dias com a filha para Londres, onde permanecerá junto do pai e irmãs durante quatro meses, regressando depois a Paris para tratar de negócios relativos à sucessão e às reclamações que apresentou ao governo francês em benefício da filha. Recorda o tempo que passou com o dest. na capital inglesa. Teve a honra de encontrar Monsieur [Conde de Artois] e o Duque de Berry e sustente que apesar das desgraças que tem sofrido, todos a tratam com a maior consideração.Remete o seu endereço em Paris. Recomenda-se à tia Viscondessa do Real Agrado a quem escreveu à pouco tempo.
Confiando na amizade de António de Araújo, espera que as cartas que lhe tem dirigido não sejam indiferentes. Escreveu três de Paris e outras tantas de Londres, e deseja que a resposta seja enviada para a capital francesa. Tem procurado sempre por notícias e lamenta tudo o que desagradável lhe aconteceu. Mas, estima saber que está Ministro e "que lhe fizem-se justiça" contrariando os inimigos e invejosos. Refere que veio a Londres para ver o pai, que vive desgostoso pela punição de que foi alvo. Só de V.ª Ex.ª é que ele espera justiça. Invoca os serviços prestados pelo pai e pelo tio António de Lima, para solicitar a protecção do destinatário tendo em vista a obtenção a remuneração algumas terras a título de comenda, o Foro de Fidalgo Cavaleiro ou um título que depois possa recair sobre nós três. Pede ao dest. que mostre a amizade, porque depois da morte do marido depende do pai, visto que não lhe resta fortuna e Bonaparte apenas lhe concedeu uma pensão de 3 mil francos. Regressa a Paris no dia 11 para tratar de negócios da sucessão e por lá aguardará o destino do pai. Oferece os seus préstimos para algo que o destinatário deseje obter em Paris. Remete esta carta por [António Martins] Pedra [& Filho & Cia.], e pede que a rasgue depois de ler. O retrato do destinatário que tem em Londres faz saudades, espera não morrer sem o voltar a ver.
Relembra os momentos agradáveis passados em Londrs na companhia de António de Araújo. Desejava reencontrá-lo em Londres e expressar pessoalmente as suas felicitações pela nomeação [em 24. 12. 1814] para o cargo de Ministro da Marinha [e do Ultramar]. Espera que o destinatário a conserve na sua lembrança e que, por ser "quem he", possa beneficiar o pai, que necessita dos amigos mais do que nunca. Relata a viagem desde Paris e o reencontro com o pai e irmãs. O seu desgosto é grande por ver que o pai vive "acabrunhado com disgostos" por ser muito maltratado pelo governo de Lisboa. Toda a esperança de ele poder regressar à Pátria e recuperar a honra funda-se na amizade com o destinatário, única pessoa que poderá contribuir para que ele seja empregue e um cargo honroso e recuperar as perdas sofridas. Com o fim do "Tirano", responsável pela longa guerra e pela morte do marido, espera ver António de Araújo restituído à Lisboa. Manifesta o seu desjo em ir a Lisboa, mas não sem que antes façam justiça ao pai, que inclusivamente já escreveu a S.A.R.. Solicita ao destinatário que lhe escreva para Paris, para onde regressará no dia 6 do próximo mês a fim de tratar de negócios da sua casa e interesses da filha. Em Paris goza de muita estima e consideração, em muito devido aos talentos do falecido marido. Encontrou na sala de visitas do pai, juntamente com os retratos da família, o de António de Araújo, feito por [Domenico] Pelegrini e diz que ainda tem outrs dois em Paris. Em P.s. recomenda-se à tia Joana, Baronesa [do Real Agrado] a quem escreveu antes de sair de Paris.
Recomenda o memorial pertencente ao Sargento-mor João Pereira Barreto e a outros da Praça de cacheo, em que pedem para serem ouvidos, antes de alguém se pronunciar contra eles. Imploram que lhes seja concedido passaportes para passarem ao Mranhão com os seus escravos.
Esperava que, depois das oito cartas escritas, receberia alguma resposta de António de Araújo pelo brigue que chegou a Londres no dia 15 e que inclusivamente trouxe despachos para diferentes pessoas. Recebeu a triste notícia por [Francisco José Maria de] Brito que o destinatário esteve durante 46 dias muito doente de moléstia perigosa e que estava fraquíssimo, "acabado e com as pernas inchadas". Pede ao destinatário que não se mate com trabalho e se o Brasil não lhe favorece a saúde que regresse a Lisboa. Apesar da grande distância que os separa os seus sentimentos permanecem imutáveis. Sente-se muito infeliz com todos os infortúnios que a atingem: desde a viuvez até às mil privações impostas pela pobreza. Brito conhece a sua situação. Lamenta que tudo o que lhe ficou por morte do marido tenha sido para pagar as dívidas, mas a sua conduta providencia-lhe a honra e a justiça com que é tratada. Espera poder rever o dest. antes de morrer. Aflige-se muito com o desgosto do pai e não sabe o que lhes pode acontecer se António de Araújo não acudir e reparar a injúria com que lhe arruinaram a vida e fizeram com que abandonasse a casa "daquelle modo". Como depende do pai, qualquer benefício que o destinatário lhe proporcionar será também o da autora. Sugere um cargo honroso e oneroso como a nomeação para Ministro para alguma parte. Recorda que não casou "por paixão nem amores, [Araújo] bem o sabe, fui infeliz", e pede àquele "por quem só tive paixão neste Mundo" não a abandone. Informa que escreveu duas cartas de Londres para o Príncipe-Regente a pedir pelo pai, mas não sabe se chegaram ao destinatário. Sente muito que o destinatário esteja desgostoso por um dos seus irmãos ter feito um mau casamento. No sobrescrito: "Ao Ilmo. E Exmo. Snr./ Antonio d'Araujo/ Ministro d'Estado da Marinha/ Brazil//".
Mantem a esperança em receber resposta do amigo António de Araújo às cartas escritas desde há três meses. Durante a viagem a Londres, onde foi visitar o pai e as irmãs, escreveu três cartas. Não esconde que o seu coração preza muito a amizade do destinatário e que confia que no cargo em que se encontra não deixará de proteger o pai e de fazer com que S.A.R. lhe preste justiça e repare a sua honra, através da atribuição de um cargo ?honorável?. Vós não ignorais as grandes perdas que ele sofreu devido aos acontecimentos no nosso país que o obrigaram a abandonar a casa e de se expatriar. A autora confidencia a Araújo, que considera o seu melhor amigo, que não vive feliz e que é com a força do seu carácter que suporta tudo o que tem sucedido depois da morte do marido. Desejava ver o destinatário pessoalmente, mas a grande distância que os aparta faz com que o destino de ambos esteja já traçado. Depois do regresso de Londres tem se ocupado bastante com os negócios que sobrevieram depois da morte do marido. Teve a honra de ser apresentada ao Rei Luís XVIII e à Duquesa de Angôuleme depois de vir de Londres. O Rei é bastante amável e conversaram bastante, tendo ele falado com encanto de Portugal e perguntado se o Príncipe [Regente] regressaria a Portugal. Informa que o "nosso bom compatriota" o Marquês de Marialva, que é seu padrinho, esteve doente de gota, mas já melhora. O mesmo goza aqui da mais alta estima e consideração sendo a sua conduta elogiada por todos. Vê-lo-iam como Embaixador em Paris, com grande prazer. Espera poder vir a ser dama da Duquesa de Angouleme. Expressa o seu desejo de viver tranquila e longe do grande mundo, dedicando-se apenas à sua filha. Madame de Talleyrand, de quem recebe muita afeição, pede por notícias. Em P.s. transcreve o seu endereço em Paris. Sugere que escreva por Londres através de [António Martins] Pedra [& Filho & Cia.],por quem manda esta.
Diz que para sua maior infelicidade e desgraça desconhece se António de Araújo recebe as cartas que lhe escreveu desde há um ano. Desde esse tempo, em que morreu o marido, ficou sem protector, sem fortuna, vivendo apenas de uma pensão de 200 francos que lhe é concedida pelo pai e de outra de três mil francos que recebe do governo daqui. As dificuldades e privações são muitas e o desgosto é grande, mas a sua conduta tem sido sempre louvável. Pede ao destinatário que conceda um cargo ao pai e um decreto particular que lhe conceda a autorização para regressar à Pátria e recuperar do insulto que foi a causa de grandes perdas e desordens na sua casa. A sentença que foi aplicada ao pai, impediu-o de entrar na lista dos que poderam regressar a Portugal. Lamenta que António de Araújo nunca mais lhe tenha escrito e acusa o Paiva de não lhe entregar aquela que o destinatário havia escrito. O desaforo de Paiva é grande. Por isso, pede para quando escrever para a autora ou para o pai que o faça através de Pedra em Londres que é "nosso amigo e homem honrado". Pede ao destinatário que não a abandone e que se lembre que "eu poderia ter sido feliz se V. Ex.ª quisesse". Manifesta o seu cuidado pela saúde do destinatário. Em P.s. indica o seu endereço em Paris. Tem a estampa do retrato do destinatário no salão. Informa que aqui [em França] tido está em sossego, mas o governo está pobre. No Sobrescrito: "Ao Illmo. Exmo. Snr/ Antonio D' Araujo/ Ministro D'Estado da/ Marinha/ Rio de Janeiro//".
Manifesta os seus cuidados em relação ao estado de saúde de António de Araújo, pois as últimas notícias que recebeu não são boas. Soube por [Francisco José Maria de] Brito que V.ª Ex.ª vive muito melancólico e abatido. Refere-se, ainda, aos meios parcos que possui para viver, ao desejo em rever o destinatário e à antiga amizade que os une. Se o destinatário regressar a Lisboa com o Príncipe nada a impedirá de o ir ver, sendo que depois retirar-se-á para uma das quintas ou para França. Lamenta que com a perda do marido, tenha perdido também a melhor sociedade, vivendo em solidão e sem protector. Lamenta a indiferença com que o pai é tratado depois da saída de Lisboa, ficando a sua casa está em desordem e com imensas perdas. Com tudo isto, tem vivido na dependência do pai e muito infeliz, apesar de gozar da consideração e de respeito daqueles que a conhecem. Como sabe que o destinatário "pode agora muito" toda a sua esperança reside na obtenção da sua protecção para que o pai seja, o mais rápido possível, nomeado Ministro para alguma parte. Solicita o envio de otícias por Pedra em Londres, que ele encarregar-se-à de as remeter para Paris. Brito agora está feliz [com a nomeação para Encarregado de Negócios interino de Marialva]. Pede resposta às mais de dez cartas que já escreveu. Em P.s. Marialva, "meo padrinho", parte para o Congresso [de Viena], e ninguém melhor do que ele poderia desempenhar a Embaixada. Há poucos dias recebeu a sua visita. Pergunta se o destinatário ainda tem o mobiliário que tinha em Lisboa e que fora escolhido por si em Paris. Recebeu uma carta do pai que diz estar bem de saúde, mas triste por não receber nenhuma carta do destinatário nem saber se o Príncipe recebeu as duas que foram enviadas. Pede notícias da tia Lúcia e primas e da tia Joana, [Viscondessa do Real Agrado]. No Sobrescrito: "Ao Illmo. E Exmo./ Snr. Antonio de Araujo/ Ministro D estado da/ Marinha/ Brazil//".
Apesar de desde um ano até esta parte ter escrito mais de doze cartas, ignora se o António de Araújo tem recebido algumas delas ou se tem lembrado da triste situação em que sencontra com o pai e irmãs. Manifesta o seu gosto em receber ao menos uma carta em que lhe assegurasse a antiga amizade e a certeza de que ajudará a restituir o pai à sua honra e pátria. Depois de todos os infortunios políticos o pai começa a vender o que tem para sustentar as três filhas. Protecção para um cargo que não seja desonroso. A autora vive infeliz depois da morte do marido, onde os acontecimentos da guerra da Rússia, provocaram o ataque de uma crise epidémica dentro do exército francês. Felizmente que "aquelle que era a cauza de tantos e tão grandes malles" já não tem poder. Não foi apenas a vida que o seu marido perdeu na guerra, perdeu dinheiro na retirada de Moscovo, sem nunca ter recebido qualquer justificação, deixado dívidas que foram pagas com a venda dos únicos bens que legou à autora. Dele nada resta, estando reduzida a uma pensão de 3 mil francos que lhe foram concedidos pelo Imperador por ser viúva de General de Divisão. Apesar das privações e aflições, diz-se "soberba na disgraça". Necessita de protecção do destinatário para que o Príncipe lhe conceda uma pensão de 3 a 4 mil francos por ano, à vista do seu estatuto de "senhora portuguesa e do meo nascimento e rang". Recorda que em tempos passados recusou "muitos bons partidos pelo amor que lhe tinha", e que por isso não deve abandoná-la. "Sei que pode muito, que esta em grande valimento". Expõe o caso do pai que teve uma sentença quando saiu da cadeia e que por isso necessitade um decreto particular para poder regressar à Pátria. Ele é um homem honrado e seu amigo, vive a cada dia mais arruinado devido à carestia em Londres e tudo o que possui em Portugal está na mão de estranhos. Em P.s. roga encarecidamente por notícias, por uma prova da amizade. Recorda, a pedido dos próprios, os pedidos do cunhado Marquês de Chardonnay, e irmãoque pretendem obter de S.A.R. os brevets dos postos que detinham em Portugal. No Sobrescrito: "Ao Illmo. E Exmo./ Snr. Antonio D'Araujo/ Ministre D'Etat de la/ Marine/ Rio de Janeiro//".
Apesar da doença no braço direito contraída no dia de anos de S. M. [Luís XVIII], não quer deixar de escrever a agradecer a alegria pela receção da carta que António de Araújo lhe escreveu em 16 de Setembro, em que manifestava todo o interesse nas suas infelicidades. Agora tem a certeza de que o amigo não a abandona neste momento em que mais necessita da amizade e protecção para o seu bem e do pai. Implora para que não se esqueça do pai, que crê que tanto o destinatário como o Príncipe farão cessar todos os desgostos, concedendo-lhe as graças que a autora tem solicitado nas mais de doze cartas que já escreveu a António de Araújo. Expressa a sua dor pelas más notícias sobre a saúde do destinatário e pede por notícias frequentes. Sente-se lisonjeada pela reacção de S.A.R. pela sua carta que António de Araújo lhe leu. Recomenda-se à memória do Príncipe, manifestando o desejo de ainda ver o Príncipe e a Princesa Carlota. Informa que foi bem recebida na audiência particular pelo Rei de França e que o mesmo lhe promteu muito, mas "Há pouquissimo dinheiro". Não tem mais que a pensão de 3 mil francos, mas dela ainda nem recebeu um único real. Vive, entretanto, com o pouco que o pai lhe pode dar. Informa do casamento da irmã Joana com o Marquês de Chardonnay, antigo protegido do destinatário que já esteve ao serviço de Portugal e membro de uma das famílias mais antigas de França. A Marquesa mãe fala com entusiasmo do destinatário. Informa que eles vêm todos para Paris e ficarão alguns dias em sua casa. A família da autora não está muito contente com este casamento, não em razão da pessoa, porque é fidalgo, mas porque tem pouco seu. Até o pai não consentiu este casamento porque não queria mais casamentos com franceses, e não se prestou a nada. Foi casamento de inclinação. Os Chardonnay, que dizem ser parentes da Casa Real, gozam aqui de muita reputação e vêm requerer um cargo. Em Paris está tudo em sossego. O padrinho, Marquês de Marialva está em Viena. Vê muitas vezes Brito e Madame Cappadoce. Pede ao destinatário para não enviar mais cartas para o pai por via do Paiva velho que não lhas entrega. Comunicou as notícias de Araújo ao pai. Pede ao dest. que alcance um decreto particular para que ele seja restituído à pátria e obtenha um cargo oneroso. Pergunta pela bela biblioteca do destinatário.
"Venality a Satire. Venalis Populus Venalis Curia Patrum, Retros".
Auguste Frederique, Duc de Sussex, aproveita a partida do admiral Beresford para escrever duas palavras e assegurar os seus sentimentos de amizade a [António de Araújo]. Refere-se a Lord Stranford, e ao complô entre este e os Sousa Coutinho; a Mr. Canning, a [Cipriano Ribeiro] Freire, ao Conde de Palmela, ao Marquês de Funchal, ao marechal Beresford, mais conhecido como Marquês de Campo Maior. Comenta a carta que o Príncipe-Regente [D. João] escreveu ao regente inglês, irmão do autor, e que nunca chegou às mãos deste; ao caso de D. Lourenço de Lima, à partida de [António de] Saldanha [da Gama] para o Congresso [de Viena]; à Dinastia dos Bourbons, ao Imperador da Rússia, ao rei das Duas Sicílias, à partida de Lord Holland para Itália. Recomenda-se ao amigo Manuel Luís. Em P.s. informa da partida de Sir Sidney Smith para o continente. Tece comentários sobre o Principal Sousa.
Acede com prontidão e alegria ao convite para escrever ao querido amigo Antóniode Araújo, para fazer-se lembrada e pedir notícias sobre o seu estado de saúde. Fala continuamante do destinatário ao amigo Brito, que tem sido o anjo consolador dos infelizes e cuja bondade protege-a das privações. Vive reconhecida pela ajuda dele e venera-o por isso, tal como os sentimentos pelo destinatário são imutáveis. Os seus talentos e a sua devoção à pátria e ao príncipe são conhecidas de todos, mas a bondade e a sensibilidade da alma só está ao alcance dos amigos. Agradece as instâncias do destinatário para pagarem a Marido que, inclusivamente, já começou a devolver-lhe o dinheiro emprestado. A autora vê [Joaquim] L[obo da Silveira] com frequência e constata que ele permanece o mesmo amigo franco e leal. A mulher dele [Sofia Amelia Murray] que é charmosa, doce e instruída. Cita versos [de Goldsmith em homenagem] à felicidade deles, o que para L[obo] é uma justa recompensa pela sua conduta. Refere-se à França como um país de "gironettes", esperando que a sabedoria e a bondade do rei [Luís XVIII] consiga cicatrizar as feridas sofridas e reparar os infortúnios que tem sucedido ao país.
Conjunto de 11 cartas, traduzidas para o português, e trocadas entre Lord Robert Steph Fitzgerald e o Príncipe Augusto Frederico, Duque de Sussex, sobre os útlimos acontecimentos [do Campo de Ourique]. Referências [1] ao desagradável efeito produzido na Corte [de Lisboa] sobre a participação ativa e ostensiva de Sussex nos mesmos que provocou o desagrado do Príncipe-regente [D. João] pela intromissão deste nos negócios interiores do reino e a consequente participação ao rei [de Inglaterra] e proibição daquele ir à Corte; [2] a defesa de Sussex referindo que apenas emprestou uma sege a Gomes Freire [de Andrade] e que em nada se intrometeu e justificando a carta escrita ao Príncipe-regente; [3] o Ministro [plenipotenciário inglês] comunica a Sussex a posição tomada pelos Ministros portugueses nesta situação, sugerindo que Gomes Freire [de Andrade] foi o principal Agente de Sussex [nos motins], bem como o efeito desastroso da carta de Sussex ao Príncipe-regente; [4] O Príncipe ao ministro: expressa a sua indignação por ter sido insultado pelos ministros do Príncipe-regente "D. João de Almeida, e ainda mais particularmente de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, o qual por motivo de suas próprias intrigas sugerio esta suspeita contra a minha conduta", exigindo de ambos a restituição da sua honra, dando um prazo ao Ministro inglês para conseguir uma audiência com S.A.R.; [5] Do ministro pedindo ao Principe para se conservar no Palácio das Necessidades e não tomar qualquer decisão precipitada enquanto não se concluir este negócio e manifestando o seu desconhecimento da acusação que o príncipe referiu na carta precedente e da impossibilidade em pedir um audiência ao Príncipe-regente para tratar deste negócio; [6] Do príncipe informando da sua retirada do Palácio das Necessidades e acusando os ministros do Príncipe-regente de abusarem do nome do seu Soberano e lamentando o facto do Ministro francês ter tomado conhecimento deste incidente; [7] Do ministro inglês informando da audiência com o Almeida e pedindo-lhe que aguarde por uma resposta antes de sair do Palácio; [8]Do ministro inglês ao Príncipe Augusto Frederico informando que Almeida estará esta noite na posse de toda a correspondência com a promessa de a apresentar ao Príncipe-Regente; [9] Do principe aceitando a sugestão de Lord Robert Fitzgerald para se manter no Palácio até que a documentação seja apresentada a S.A.R., o que terá lugar no dia seguinte; [10] O ministro inglês informando que o Príncipe-Regente deseja ver pessoalmente o Príncipe Augusto Frederico; [11] Do Príncipe aceitando não escrever para Inglaterra sobre as desgostosas cenas que experimentou mediante a certeza de que os ministros portugueses também o não fazem. Aguarda pela chegada de S.A.R. de Mafra para poder ser recebido.
Informa ao amigode Araújo que o seu bilhete de 29 de Agosto apenas chegou a Paris no dia 25 de Novembro. Alegra-se por ver que a assinatura do destinatário já está melhor do que as anteriores e espera poder receber uma carta totalmente escrita da sua mão. Refere-se à amizade perfeita que os une, não obstante a distância que os separa. Diz-se incapaz de ler uma obra sem se recordar do amigo e de qual seria sua expressão. Comenta o ?anti-Romantismo? do Visconde de Segur, e em especial a sua última obra, a crítica das obras de Schlegel, de Sismonde de Sismondi e de Madame de Stael. Coomo pode ver mantem-se ao corrente das novidades literárias, mas tudo graças à bondade do vosso amigo Brito. Elogia os talentos de Brito e sua extrema devoção ao Soberano e ade Araújo, mas diz que ele trabalha tanto que teme pela sua saúde. Alerta, por isso, para a necessidade de ele ter um secretário capaz. Graceja com o facto de Mr. de Talleyrand ser ultra-realista, mais do que o próprio rei. Madame de Stael casou a sua filha com o Duque de Broglie. Ficou lisonjeada com a carta que o Duque do Luxemburgo, entretanto regressado a Paris, lhe entregou e confessa a imutabilidade dos seus sentimentos pelo destinatário. Refere-se a Madame de Beaumont, antes Barreto. Agradece antecipadamente o que puder enviar a Antoinette. V. endereço.
Expressa a sua inveja por aqueles que partem para o Brasil, onde poderão usufruir da companhia do amigode Araújo. As saudades são imensas até ao ponto de dar a própria vida para o rever, mas como tal é impossível escreve uma carta sentindo-se feliz se a mesma ocupar alguns dos momentos do destinatário. Recomenda o portador da carta que vai tornar-se o cozinheiro do destinatário e elogia os seus atributos. Por ele saberá a vida que a autora leva. A sua situação continua penosa e sem o amigo B[rito] ainda o seria mais, e felizmente que ele não deixará Paris. Neste momento, B[rito] encontra-se envolto em mil trabalhos devido à partida do Marquês [de Marialva] para Viena, de maneira que seria útil se ele tivesse um secretário que o auxiliasse nos trabalhos [da legação], nem que seja para copiar os despachos. Refere-se à chegada da princesa Leopoldina de Aústria que vai enriquecer a Corte do Rio de Janeiro e ao quarto casamento do pai da princesa, o Imperador da Aústria. Comenta o estado da França, sustentando que os franceses não sabem ser felizes, porque não cessam de se queixar independentemente da bondade e sapiência do rei que soube conciliar todos os partidos. Parece que se esquecem de tudo o que passaram sob o ceptro de ferro de Bonaparte e procuram criar divisões de opinião para despertar ódios. Até os mais fiéos seguidores de Napoleão são os que bradam mais forte contra o próprio Napoleão os versos de Durval. Recorda os tempos em que liam juntos versos de Metastasio quando estavam em Horstendaal. Desejava enviar alguma lembrança deste país mas não lhe é possivel. [Versos]. Chegam muitas cartas do Brasil, mas nenhuma dede Araújo. [Versos:] "Conservate fedele [...]".
Auguste Frederique, Duc de Sussez, assegura ao amigo comendador [António de Araújo], [Min. Dos Neg. Estrangeiros em Lisboa], que já há muito tempo que pretendia escrever-lhe dando notícias para testemunhar os seus sentimentos de profunda estima e amizade. Recomenda-lhe o negócio relativo aos artistas que estavam destinados ao seu estabelecimento em Lisboa, mas que neste não lhe são de qualquer utilidade. Refere-se particularmente a Muller, que pretendia partir, mas foi retido contra a sua vontade. Recomenda-se a S.A.R. e pede ao destinatário que lhe apresente a continuidade dos seus sentimentos e reconhecimento.
Recebeu uma carta do amigode Araújo escrita por outra mão, o que lhe causou suma tristeza. Lamenta a doença do destinatário mas dá graças a Deus por ter escutado as preces dos amigos e lhe ter conservado a vida. Elogia Manuel Luís [Alvares de Carvalho], de quem apenas sabe o nome, por ter conservado uma existência tão útil à pátria. Desejava conhecê-lo e agradecer-lhe pessoalmente pelo êxito. Os artistas que chegaram ao Brasil falam de A[raújo], nas suas cartas, como um divino benfeitor, pela forma como foram recebidos e acolhidos numa região tão longínqua. Acaba de ver Mr. Lonniero que, inclusivamente lhe trouxe uma carta de Madame Bezerra, com quem falou sobre a grandeza, nobreza e energia do carácter do dest., tão útil aos seus compatriotas, estimado do Soberano, e cujas luzes e talentos fazem florir as artes e as ciências onde elas eram inteiramente ignoradas. Marido disse-lhe que Mr. e Madame de Rosenkrantz falaram-lhe muito do destinatário, tal como Mr. Chubert e Mr. ?Horstendaal?, que faz lembrar-se do destinatário. Madame Bezerra disse que o Ministro da Holanda, Mr. Mollerus, não está feliz no seu cargo. Refere-se a Madame de Sousa, a espanhola, e a Madame de Aragon. Sem o auxílio de Brito teria passado muito mal. Agradece tudo o que o destinatário fez por Marido e espera que ele aproveite bem o cargo, apesar da sua saúde não ser a melhor fruto do clima detestável que enfrenta. O Marquês de Marialva ficou satisfeito de continuar aqui. O marido da amiga do Conde de Anadia está agora no grande palco, mas lembra-se do quanto ele a importunou em Berlim. Encontra às vezes Madame Patterson que frequenta por vezes a "Belle et Bonne" de Voltaire. Antoinette começa a estar mais tranquila. Recomenda a obra "Paul's Letters to his Kingsfolk", que está bem escrita e é imparcial o que é raro.
Rejubila por ter tido conhecimento das melhoras da saúde do amigode Araújo que já se encontra novamente entregue às suas ocupações, ainda que tenha conservado uma fraqueza de nervos. A falta de cartas escritas pela própria mão é um verdadeiro sofrimento e só entende o conteúdo das cartas por intermédio de um intérprete. Cita versos de [Alexandre] Pope. Suprime a falta de notícias com os retratos do destinatário que tem expostos por toda a casa, enganando as distâncias que os separam. Participa que agora que a Europa está em paz, muitas pessoas desejam ir para o Brasil e [Francisco José Maria de] Brito a muito custo consegue atender aos inúmeros pedidos que lhe chegam. Desejava poder encetar esta viagem para rever o destinatário por uma última vez mas este é um desejo impossível e diz que o seu destino é igual ao da dama que Pombal deixou em Inglaterra como o destinatário lhe contava. Cita versos de Lucain. Agradece os favores prestados a Marido, que muito sofreu, e que sem Brito, o anjo da caridade, a sorte de ambos teria sido terrível. Brito honra-a com amizade porque sabe que em tempos fora amiga, em todo o sentido da expressão, do destinatário. Refere-se à morte do marido de Antoinette depois de dez meses de casamento. Agora ela vive em casa da autora, de maneira que tem de dividir o tempo entre ela e Madame de Sousa de Gracia Real que está doente. Comenta que a Adéle do "Platonique", [Morgado de Mateus], depois de dizer horrores de Brito, ousou fazer-lhe uma visita, mas este felizmente, não estava em casa. O filho de Madame de Gouverné, uma das tuas "bellas" e presentemente embaixadora na Holanda, morreu em duelo. Em P.s. recorda-se a Madame Bezerra.
A Madame de Talleyrand apresenta os seus cumprimentos ao conde de Lima e remete uma carta para o amigo Chevallier d'Araujo. Convida o Embaixador de Portugal para jantar nesse mesmo dia. Refere-se à vinda de Portugal, no primeiro correio, dos dois ornamentos que pretende. Em anexo possui uma nota sobre a comissão para Madame Talleyrand.
La P[rinc]esse de Talleyrand, oferece duas obras ao Conde [da Barca]. Cumprimentos de Mr. De Talleyrand e expressa o desejo de ambos de voltar a ver o destinatário de regresso à Europa.
Aproveitando o facto do Conde de Lima estar prestes a expedir correio para Portugal, manifesta ao Chevalier [d' Araujo] os seus sentimentos de amizade. Lamenta que as ocupações do destinatário não lhe permita fazer uma pequena viagem a Paris. Pede por notícias e informa qeu todos os dias tem o prazer de ver Mr. De Lima. Mr. De Talleyrand encarrega-a de apresentar os seus cumprimentos.
Talleyrand Princesse de Benevent, agradece as demonstrações de amizade do destinatário. Pela primeira ocasião receberá uma chávena com o monograma. Agradece os Topázios. Cumprimentos de Mr. De Talleyrand.
Talleyrand Princesse de Benevent apresenta os seus cumprimentos, juntamente com Mr. De Talleyrand. Refere-se aos encontros que mantêm frequentemente com Mr. Lima. Elogia o talento admirável com que Madame Catalani encantou Paris.
Talleyrand Princesse de Bénevent, recomenda-se à lembrança do amigo [António de Araújo] e pede o envio de notícias. O glorioso papel que o destinatário detém na sua pátria consola-os da sua ausência. Mr. Herman que remeterá esta carta poderá assegurar até que ponto o destinatário é aqui recordado, especialmente nas Relações Exteriores. Elogia novo Cônsul e ele participará ao destinatário o acolhimento que a incomparável Catalni recebeu entre eles. Tem conversado frequentemente com ela e com Mr. Lima, e foi ela que a encarregou de escrever esta carta. Em P.s. pergunta se o destinatário recebeu a carta que lhe remeteu ultimamente por M. de Brancas. O seu amigo Talleyrand passa bem apesar da multiplicidade de ocupações. Fala frequentemente de V. Exa..
Talleyrand Princesse de Benevent, aproveitando a ocasião que Mr. De Lima lhe oferece, remete uma chávena com o monograma da mesma, pequena marca da sua amizade e sincera afeição. Refere-se ao ornamento em Topázio que o destinatário lhe anunciou. Mr. De Talleyrand envia os seus cumprimentos.
"Elegy poem Ovid. BIII Elm. Translated by Sir Brook Boothby".
A Baronne De Beaumont, aproveita a partida do Duque de Luxemburgo para se recordar a António de Araújo. Ele é um fidalgo muito amável e honesto,muito amigo de V.ª Ex.ª, e dará mais notícias a meu respeito. Continua atormentada pelo estado de saúde do destinatário e costuma indagar, aqui e em Londres, se chegou algum paquete com notícias, mas nunca teve a fortuna de receber uma carta, mas apenas de saber que utlimamente anda muito debilitado e que não pode escrever de sua mão. Os seus sentimentos permanecem imutáveis e lamenta não o poder ver nem saber se tem recebido as imensas cartas que lhe tem escrito. Pede-lhe que escreva por Manuel Luís. As cartas vão quase sempre por Brito, outras por Pedra em Londres, outras pelo pai e até escreveu a Manuel Luís. Espera por uma resposta aquando do regresso do Duque de Luxemburgo, que leva uma petição do pai da autora. Toma esta iniciativa por saber que Luxemburgo tem grande influência junto do Príncipe. Pede ao destinatário que proteja com ele esta petição. Como disse na última carta, prepara-se para fazer diligências para ser admitida como dama da Princeza que vai casar com o Duque de Berry. Aqui não há outra mulher portuguesa senão a filha do Conde da Ega, mas que não será escolhida devido à conduta do pai perante o Príncipe, e até nem vai à Corte. Só o "tirano" Napoleão lhe dava uma pensão por ter servido a sua causa. O rei e os príncipes trataram-na com bondade na audiênca particular que lhe concederam, tendo o soberano falado com amizade e afeição do Príncipe [Regente]. Pode V.ª Ex.ª falar com a tia Joana Lúcia sobre o desejo de ser dama da Princesa, pois escreve-lhe também pelo Duque.
Como soube há poucos minutos que Brito expede um correio a Londres e que escreve a V.ª Ex.ª, não quer perder a ocasião de transmitir a sua satisfação por ter notícias de António de Araújo, apesar de não serem as melhores a nível de saúde e ainda se encontrar muito trémulo das mãos. Nada a demove que a moléstia é causada pelo clima e muito deseja de o ver "d'ahi para fora". Assegura que se a filha não fosse tão pequena e de saúde tão delicada, já teria partido para o ir ver. Talvez o faça daqui a dois anos. O pai e o cunhado escreveram há pouco tempo ao destinatário e todos se preocupam pelo seu estado de saúde. O Duque de Luxemburgo dará mais notícias suas. Ele virá aqui amanhã à noite para tomar chá e para uma partida de "Whist" e estarão outras pessoas para uma soirée em homenagem ao mesmo fidalgo.Espera que que o casamento do Duqe de Berry com uma das nossas rincesas se concretize. Ontem recebeu uma visita do marquês de Marialva e ele fala sempre com muito sentimento de V.ª Ex.ª e rende "justiça ao seo merecimento". Recorda a situação do pai. No Sobrescrito: "Ao Illmo. Exmo./ Snr. Antonio d'Araujo/ Ministro D'Estado/ Rio de Janeiro//".
Nada lhe causa tanto gosto como as ocasiões para escrever ao Conde da Barca. O mês passado escreveu duas, um pouco extensas, e como teme importuná-lo, esta será mais lacónica. A autora e o pia vivem uma situação "acabrunhada e infeliz" pelo que necessitam da sua ajuda. A situação dos seus negócios é triste, vive com uma pensão de 3 mil francos que é mal paga. O pai não a pode ajudar devido às perdas provocadas pelos acontecimentos políticos. Apela à amizade e honra do destinatário para que com o Duque de Luxemburgo façam alguma coisa. Diz que se não fossem os negócios da sucessão, eu não têm sido nada vantajosos, já se tinha retirado de Paris. Lamenta a sorte cruel que a acompanha e o factyo de o destinatário ainda não ter dado uma prova de amizade que tem estado à espera há tanto tempo. Parte para a casa de campo que era do seu marido, a 28 léguas de Paris, para ir buscar os pertences, pois a casa foi vendida para pagar as dívidas. Estará apenas um mês ausente. No sobrescrito: "AO Illmo. E Exmo. Snr./ Conde Da Barca/ Rio de Janeiro//".
Deseja um rápido restabelecimento ao Conde da Barca depois de tantos anos tão incomodado. Espere que não ignore os sentimentos que lhe presta há tanto tempo e que não são nem por interesse nem por lisonja. Vive triste por não ver nunhuma notícia a respeito do pai, que vive muito descontente. Aguardam com impaciência pelos resultados dos requerimentos e da justificação que levou o Duque de Luxemburgo. Refere-se ao pedido do pai para o destinatário instruir este duque. Seria uma grande desgraça se o destinatário não o fizesse. Confessa que já não pode ver sofrer o pobre pai e não percebe porque nada se decide. Se soubesse o que iria passar jamais tinha deixado a Pátria e a família. Ninguém melhor do que Brito sabe o que a autora tem passado. Vive apenas com uma pensão de 3 mil cruzados mas que não é paga regularmente. È com grande mágoa que vê que o destinatário não tem demonstrado uma digna amizade, nem por lhe escrever uma carta. Há poucos dias recebeu uma carta da tia viscondessa do Real Agrado que confessava a sua admiração pelo facto do dest. não ter feito nada em favor do pai. Pede ao destinatário que ordene ao Brito para devolver à autora o retrato do destinatário em miniatura que lhe tinha oferecido em Londres. Diz que não o quis ter em casa quando casou por discrição. Pede para destruir as cartas porque não pretende que ninguém saiba dos particulares. A irmã marquesa teve o segundo filho e vive em casa do pai. Pede para acusar a receção do anel e do sal inglês. Em P.s. lacra esta carta de preto porque a Corte está de luto pela morte do Rei de Wurtemberg.
Acedendo ao convite de Brito para desejar ao conde da Barca "felizes anos" e votos de feliz restabelecimento. Ontem esteve na Corte, cumprindo o "dever de dia de Anno Bom", e estavam o Rei, os Príncipes e a Duquesa de Angouleme a receber. O rei dedicou-lhe atenção em público o que é muito lisonjeiro. Na última carta comunicava que estava sentida pelo facto do Duque de Luxemburgo nada ter alcançado a respeito de seu pai, e que o mesmo lhe tinha comunicado que o destinatário demonstrava grande interesse neste negócio. Sabendo isto, conjectura que o destinatário nada pode fazer para vencer a intriga ou as circunstâncias. Lamenta muito que o Duque não tenha trazido nada para o bem do pai e que este continue a viver em grande despesa em Londres de onde "não pode sahir e hir para Lisboa". Tem planeado partir para aí este ano "na bella estação" acompanhada do cunhado Marquês de Chardonnay, embora passe antes por Londres para deixar a filha aos cuidados do pai. Parte para implorar junto de S.A.R., ficará hospedada em casa da tia Viscondessa do real Agrado. Tem toda a esperança de não morrer sem que antes possa reencontrar o destinatário. No sobrescrito: "A Monsieur/ Monsieur Le Comte da Barca/ Rio de Janeiro//".
Augusto Frederico, [Duque de Sussex], escreve ao primo e amigo principe-regente [D. João] relatando os acontecimentos da noite anterior [no Campo de Ourique]. Apesar de não ser agradável, justifica a sua sinceridade e apenas pretende informá-lo das diferentes disposições para que [D. João] possa dar as suas determinações o mais prontamente possível, uma vez que está em causa a a popularidade do Príncipe-Regente. Refere-se à coragem, ao espírito e à prudência do general Gomes Freire [de Andrade] na defesa da ordem pública e dos interesses de S.A.R. e à certeza de que o conde de Novion e o seu Ajudante, e o corpo de Polícia trabalham para os jacobinos, que estão ativos.
Apesar do Duque de Luxemburgo ter na sua posse uma carta para o amigo António de Araújo, escreve esta para expressar os sentimentos e os cuidados que a saúde do destinatário lhe inspiram. Sabe que o pai escreveu ao destinatário pedindo o patrocínio para a petição e dando parte das démarches que a autora fez junto do Duque de Luxemburgo para que este proteja a súplica junto do Príncipe-regente. Persuadida na bondade do coração do destinatário, roga por uma prova da antiga amizade que os une. À vista dos serviços do tio António de Lima, o pai poderia ser nomeado para o cargo de Deputado Vitalício da Companhia do Porto e agente em Londres. Só o destinatário poderá interceder a favor da sua família e pede-lhe que aproveite a recomendação do Duque de Luxemburgo para apoiar o pai. Conversou com o mesmo duque sobre a possibilidade de ser dama da Princesa e também com o Marquês de Marialva que lhe aconselhou a ter alguém no Brasil que intercedesse a seu favor. Espera poder contar com o apoio do destinatário. Pede por instruções. Espera que não a dsampare, pois apenas pretende garantir meios de subsistência para a filha. Relata a soirée que promoveu em homenagem ao Duque de Luxemburgo em que estiveram 16 pessoas, incluindo brito e Cappadoce. Segunda-feira passada foi à Corte tendo sido muito bem recebida com bondade por toda a família real. Madame Sousa, de quem era muito amiga, morreu há quatro dias. Lamenta os reflexos do clima desse "disgraçado Payz" na saúde do destinatário. Em P.s. felicita o destinatário pelo seu aniversário. Teve uma audiência particular com Luís XVIII, o que é uma honra pois ele "as concede raras vezes", tendo resultado o pagamento imediato da pensão de 3 mil francos que já estava atrasada há um ano. No dia de ano novo irá fazer a Corte à Duquesa e aos Príncipes. Como o estado de saúde do dest. não lhe permite escrever, autorize Manuel Luís a dar notícias. Lembra que seria bom que viesse daí uma insinuação para o Encarregado de Negócios a respeito de ser dama da Princesa. Refere-se ao seu desconhecimento sobre o processo de nomeação na Corte portuguesa. Pede para entregar a inclusa à Tia Joana.
Persuadida que António de Araújo não duvida dos seus sentimentos de amizade, felicita-o pelo título de Conde da Barca. Há muito tempo que estava à espera desta distinção. Desejos que recupere inteiramente a saúde. As últimas notícias que vieram daí foram de satisfação porque soube que o dest. está muitíssimo melhor de saúde e que se ocupava da casa de campo. Como o nosso Brito expede um correio com despachos, por Londres, renova os seus sentimentos. O seu maior desejo é não morrer sem tornar a ver o destinatário. Escreveu pelo Duque de Luxemburgo, cuja partida tem sido adiada, mas o mesmo disse-lhe que partirá nos primeiros dias de Março. Tem escrito muitas outras cartas, mas não sabe se as recebe. Espera que não se esqueça de si nem do pai. A filha, que passa com pouca saúde, em breve faz quatro anos no dia 24 do mês que vem. No Sobrescrito: "Ao Illmo. E Exmo. Snr./ Antonio D' Araujo/ Conde da Barca/ Rio de Janeiro//".
A Baronesa de Beaumont, demonstra a satisfação pela carta de 27 de Abril, recebida ontem, foi mais agradável do que o recado, pouco delicado e incoveniente, mandado por Brito àcerca dos invejosos que se opõe à justiça que é devida ao pai. Pede circunspecção e que lhe transmita o que quiser, mas por carta fechada. Apesar de tudo, nunca se persuadiu que o dest. fosse indiferente aos seus sofrimentos e aos de seu pai. O pai tem sofrido muito pela amizade que tem pelo destinatário, "acabrunharão-no, maltratarão-no", mas "lutando em hum labirinto de disgostos". Beaumont diz-se a vítima mais infeliz por ter casado com um militar pobre cuja carreira e sistema de guerra não lhe dava solidez nem segurança para o futuro. Refere-se às circunstâncias que a levaram recusar outros partidos mais vantajosos e a aceitar esta união. Mas, tudo saiu ao contrário do que esperava. Recorda que o destinatário lhe dizia que a vida entre ambos "havia de acabar em comedia ou em tragedia". A distância que os separa impede o reecontro. Assume o seu desgosto por ver a trémula assinatura do destinatário e por perceber que não pode escrever como antigamente. Pede para não se esquecer de si nem do pai porque "he divida que nos paga". No Sobrescrito: "Ao Illmo. E Exmo. Snr./ Antonio De Araujo De Azevedo/ Conde da Barca etc etc etc/ Rio de Janeiro//":
Respondeu há três dias, por via de Londres, à carta do amigo Conde da Barca de 27 de Abril. Sente infinitamente pelo destinatário ainda não estar restabelecido e por ver a assinatura. Ninguém lhe tira da cabeça que foi o clima desse país que o pôs nesse estado. Pela carta referida, demonstrou o quanto foi sensível pela continuação da amizade de Barca e por ter dito que está a aguardar uma boa ocasião a respeito do pai. Espera que não os abandone pois necessitam mito da protecção. Recorda os tempos que passaram juntos. Desconhecia que o Britomandava correio, porque senão tinha entregue esta. Relata a festas em que esteve presente juntamente com a Princesa de Wagrame. Sente muito a morte da "nossa Rainha [D. Maria I], e também pela tia Joana, açafata da rainha, mas sabe que não são infelizes pois teve honras de grande e recebe uma pensão. Escreve à tia Viscondessa de quem é muito amiga. O Duque de Luxemburgo levou um requerimento do pai com a promessa de que o iria proteger. A altura é adequada para o destinatário, em conjunto com ele, interceder junto de S.A.R. para que despache os dserviços do tio Brigadeiro. Oferece um anel em ouro com um camafeu que foi-lhe oferecido por uma rainha.
Nota relativa ao estabelecimento de uma Companhia ou Sociedade de Exploração de Minas.
Lamenta não poder escrevra António de Araújo sem ter de lhe requerer alguma coisa. Pede ao destinatário que informe o conde de Aguiar de que, ao contrário do que falsamente lhe disse o Câmara, o Mestre fundidor Schonewolf e o minerio alemão estão a trabalhar em pleno em Vila Rica. Informa que se o conde de Aguiar levar avante a ordem que expediu para o conde de Palma, em que transferia ambos os homens para as fábricas do Câmara, todos os trabalhos que o autor principiou pararão visto que ainda não existem pessoas ensinadas para aqueles trabalhos. Lembra a Carta Régia de 1 de Agosto de 1811 em que foi nomeado para dirigir a fábrica de ferro de Congonhas e que o conde de Aguiar "certam[en]te ignora", e que sem o auxílio dos referidos homens não o poderá fazer. Diz que o Câmara, que sempre desprezou a ajuda dos estrangeiros, talvez mereça agora uma risada. Acha que S.A.R. lucraria mais se transferisse a fábrica de ferro do Câmara para outro local mais apropriado, podendo esta e as suas produzirem ferro de sobra para as capitnais de Minas, Goiás e Matogrosso. Lembra o seu irmão. Diz que viu o alambique do destinatário no segundo tomo do Patriota.
Informa que a carta enviada por António de Araújo em 13 de Abril causou-lhe alguma inquietação por ver que ele padecia novamente com o calor do Rio de Janeiro. Aconselha-o a deslocar-se a Vila Rica para aproveitar o clima. Lamenta que as tentativas do Câmara sempre tiveram sucesso, e o fundidor Schonewolf tivesse partido imediatamente após a receção do Aviso do conde de Aguiar, apesar das suas tentativas para impedir este desfecho. Informa que assim não poderá proceder às fundições e lamenta que o conde de Aguiar não saiba diferenciar as características e um fundidor e de um mineiro. O mesmo Aviso dizia que S.A.R. não pode sancionar o seu projecto por ser demasiado prematuro, necessitando de obter mais dados. Implora ao destinatário para interceder junto de Napion e tirar-lhe a ideia de chamar o autor para o Rio de Janeiro para lente de Mineralogia. Prefere demitir-se do Serviço Real do que aceitar este emprego. Pede que interceda também junto do conde de Aguiar, que já procura outro mineiro para dirigir a Mina do Abaité, e que lhe assegure que o autor nunca aceitará o emprego, e que para além de Varnhagen e Feldner, já ocupados, não existe mais ninguém no Barsil capaz de dirigir os trabalhos da mina. Agradece a intenção do destinatário em empregar o irmão do autor Informa que finalmente descobriu a mina de Crómio perto de Congonhas do Campo.
Descreve o mapa ou roteiro do Rio de Janeiro até ao Tijuco, que foi levantado pelo seu irmão segundo as medições geométricas e observações astronómicas que o autor fez no ano passado. Refere-se aos meios mais adequados paraproceder à abertura de estradas em mato virgem. Diz que dará algumas instruções ao Feldner. Sabe que Manuel Jacinto não está contente com o Plano do autor sobre a mina de chumbo, defendendo que era prematuro e que desconhecia os lucros que a mina poderia produzir. Pede ao destinatário que se acaso o conde de Aguiar tocar neste assunto que lhe responda que será necessário organizar o estabelecimento conforme o plano do autor e só depois depois trabalhar com as fundições em grande. Principiou as fundições de ferro no dia de anos da Rainha, tendo obtido ferro da melhor qualidade. Refere-se ao processo de fundição, quantidades produzidas e despesas efectuadas. Diz que a falta de mestres não lhe permite trabalhar com os quatro fornos suecos, mas que em breve vencerá este obstáculo dada a quantidade de aprendizes que tem o seu dispor. Manifesta a sua perplexidade pelas promessas do director sueco, as quais sobe por Varnhagen. Pede ao destinatário que pergunte a Kieckhoefer se está interessado em comprar chumbo da mina do Abaité. Confidencia que a mina pode vender o produto a mil réis por arroba.
Pede a António de Araújo que fale ao conde de Aguiar sobre o Plano de Administração da Mina do Abaité, que o autor lhe remeteu há quase 4 meses e que a única resposta que obteve foi a de que iria ser examinado para ver se convinha. Defende que esta situação pode provocar um atraso no início de actividade e consequentemente um grande prejuízo à Real Fazenda. Pede igualmente que o destinatário faça todos os esforços para o seu irmão ser admitido. Lamenta as queixas que o Câmara apresentou de si no Rio de Janeiro. Refere-se aos incidentes que o Câmara sofreu nas suas duas fundições e que fizeram com que regressasse para o Tijuco com a família.
Participa a António de Araújo que concluiu os Engenhos de lavagem do ouro faltando apenas a conclusão do "Azude" para levantar as àguas do Ribeirão até ao canal que conduzirá até à roda. Espera que as grandes despesas que tem feito sejam mais tarde recompensadas com o lucro e com o perdão do pagamento do Quinto do Ouro no primeiro ano e com o pagamento do dízimo nos seguintes, conforme o destinatário já lhe deu esperanças. Informa que todos os mineiros têm manifestado interesse no seu engenhos enviando emissários pelo que está esperançado em que os engenhos se profilerem e que deêm início a uma nova época de exploração das minas de ouro. Sente que o destinatário ainda padeça da moléstia e deseja melhoras.
Contrato celebrado entre a Corte de Portugal e o Barão de Eschwege para a prestação de serviços nas minas do Brasil durante dez anos sucessivos. Assinado por Correia Henriques, Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário da Corte de Portugal em Berlim, e por Guilherme B[arão] de Eschwege.
Participa a António de Araújo o novo método de aumentar a extracção de ouro nas praias do Ouro Preto de Vila Rica. Pede ao destinatário que o livre das ordens do ministério em que lhe mandam principiar as fundições de chumbo na galena do Abaité com os fundidores e ensaiadores de Ouro de Vila Rica e Sabará. Queixa-se do Desembargador Provedor da Fazenda dessa Capitania que o quer tomar debaixo da sua fiscalização sob o pretexto de zelo no Real serviço. Diz que estas divergências já existem há algum tempo e pede ao destinatário que interceda junto do desembargador Mosqueira, que protege o dito Desembargador Provedor da Fazenda, para que possa desempenhar as suas funções em paz. Lemba o envio dos dois mapas petrográficos. Em P.s. envia um requerimento do alemão que está com o Câmara pedindo ao dest, que concorra para o seu despacho, porque todas as representaçõesque são enviadas directamente ao marquês de Aguiar não têm resposta.
Solicita ao destinatário [não identificado], uma vez que acha que o Plano do autor a respeito das minas é demasiado complexo, que forme uma Sociedade para proporcionar-lhe as condições necessárias para proceder a uma execução mais simplificada do mesmo. Diz que enquanto o destinatário toma todas as providências, que poderão levar alguns meses, o autor dirigir-se-à para a mina de Abaité, por forma a prosseguir os trabalhos e para depois estar livre para "abraçar pos Projectos de V.ª Ex.ª q[ue] me poderão ser communicados por scrito no mez de Outubro", altura em que regressará a Vila Rica.
Participa a sua chegada da mina de Galena do Abaité. Informa que enconrou os trabalhos muito atrasados devido à falta de um mestre mineiro e de mão-de-obra. Espera recuperar os 3.000 cruzados que investiu e atingir lucros superiores àqueles que investiram 100.000. No próximo ano espera fazer as fundições do mineral explorado, se acaso S.A.R. voltar a enviar o Mestre fundidor que o Câmara soube retirar-lhe. Tem sido informado pelo Mestre fundidor dos problemas que o Câmara tem sentido para fundir e sustenta que tal se deve à imperfeição dos maquinismos dos foles construídos "contra totas as regras de mechanica". Remete um requerimento seu, esperando que seja despachado com a maior brevidade para poder principiar "esta coisa util". Remeteu um exemplar do mesmo ao marquês de Aguiar. Pede ao destinatário que lhe envie os dois mapas Petrográficos, que ficaram no Arquivo para serem copiados, para poder combinar com as observações que tem efectuado. Freireiss recomenda-se. Informa que ele está a desenhar e a descrever o levantamento de pássaros e borboletas que efectuou na sua viagem ao sertão.
Informa da chegada dos seis escravos, que António de Araújolhe enviou e que deverão servir de fundo de acções para as minas que abrirá no futuro, mas que entretanto trabalharão por conta do autor. Demonstra a sua satisfação por saber que o destinatário está a tratar da vinda de gente da Alemanha, mas alerta para a necessidade de empregar assim que chegarem, para que não aconteça como aos espingardeiros que ainda não têm fábrica e sofrem as consequências. Para evitar esta situação e caso se pretenda que estes Alemães trabalhem nas minas de ouro desta capitania diz que necessita urgentemente de um Aviso Régio que o autorize a examinar várias minas para saber quais serão compradas e quais deverã ser consideradas devolutas para poder principiar os trabalhos. Informa que recebeu uma carta do seu irmão em que lhe comunicava que o Príncipe de Neuwied ainda se demorará até ao mês de Abril e que adoptará o nome de Barão de Braunsberg nas suas viagens. Espera poder participar os resultados do engenho que estabeleceu na praia do Ouro Preto de Vila Rica, mas que está impaciente em relação ao desfecho dos seus requerimentos a este respeito. Recebeu a carta de António de Araújo de 29 de Abril e muito se afligiu por saber do seu inconstante estado de saúde.
Pede a S.A.R. para servir mais dois anos na Capitania de Minas Gerais nos trabalhos mineralógicos e metalúrgicos, com o soldo e vencimentos actuais bem como a liberdade de requerer os adiantamentos militares em atenção aos serviços prestados na Restauração de Portugal, e que ao fim de dois anos lhe sejam pagas as despesas relativas ao seu regresso à sua pátria, bem como o adiantamento da soma da pensão vitalícia a que tem direito ou o equivalente a vinte anos, tempo fundado na probabilidade de vida do suplicante.
O autor, Professo na Ordem de Cristo, Coronel de milícias, atesta em como recorrendo ao uso do engenho sugerido pelo tenente-Coronel de Engenheiros Guilherme Barão de Eschwege, e com o trabalho de dois escravos, conseguiu retirar em pouco mais de dois dias uma quantidade de mineral que fazendo uso do método tradicional seria necessário empregar trinta praças durante uma semana.
Transporta, por ordem de João Paulo Antunes, onze fardos com vinte e quatro cadeiras e um canapé para entregar no Rio de Janeiro ao Conselheiro de Estado e Comendador da Ordem de Cristo, António de Araújo de Azevedo.
Apresenta o requerimento incluso relaionado com os trabalhos montanísticos para que o conde da Barca o tome debaixo da sua protecção. Informa do andamento dos seus trabalhos e de que algumas pessoas de Vila Rica formaram uma Sociedade paraconstruir outro engenho de lavagem do ouro o qual já está em funcionamento. O autor, espera que estes engenhos proliferem e que em poucos anos façam reflorescer os rendimentos dos direitos do ouro.
Em resposta à carta que António de Araújo lhe dirigiu em 13 de Dezembro, comunica a impossibilidade em enviar a cal e a madeira encomendadas. Pede ao destinatário que pergunte a [Carlos António] Napion ou ao Inspetor do Arsenal Real do Exército, se ainda precisam das vigas que encomendaram. Espera que o destinatário já esteja recomposto da indisposição sentida durante a viagem.
O autor, Guilherme, Barão de Eschwege, como procurador do Mestre Mineiro Jorge Mosebach, que esteve no Serviço Real durante quase dez anos e que entretanto regressou à Pátria por motivos de saúde, solicita a S.A.R. o pagamento de quinhentos mil réis referentes ao transporte de regresso à Pátria e as gratificações de trabalho constantes do seu contrato de trabalho.