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Expressam os seus agradecimentos pelo acolhimento e protecção que lhes foi concedido pelo [conde da Barca]. Informam que Governador, depois de conhecer a opinião do destinatário sbre o estabeleciemnto que os autores pretendem formar, prestou-se a concorrer para o seu sucesso em tudo o que estivesse ao seu alcance. Como Ferrão está prestes a parir para o Rio, encarregue pelos principais habitantes desta vila para tratar da vinda de famílias europeias, os autores informam que desejam ter a preferência nesta matéria. Como lhes foi assegurado que o destinatário foi especialmente encarregue de supervisionar a execução deste negócio, pergunatm se este pedido ainda é possível de se realizar.
A pedido do barão de Müller, encarregado de negócios da Suiça em Viena, recomenda ao compadre conde da Barca, "de quem toda a Europa conhece o zelo pelo Serviço do nosso Augusto Soberano, o primo deste Inácio Manner, que está de partida no seu navio de comércio para essa capital [do Rio de Janeiro]. Pede que proteja este princípio de Comércio entre ambas as regiões.
Felicita o compadre António de Araújo pela agraciação com o título de conde da Barca, notícia recebida pelo benemérito encarregado de negócios em Paris [Francisco José Maria de] Brito, seu conhecido desde os tempos de Coimbra. Esta condecoração surge como o reconhecimento das virtudes, talentos, patriotismo e zelo no serviço Real "como os bons Portuguêses de hum Emisferio reconhecem em V.ª Ex.ª".
Informa que vai experimentando alívios na moléstia que o acometeu e que a mesma não lhe dá esperanças de jamais poder empregar-se em algum trabalho sério e de aplicação. Tem por isso prevenido ao amigo conde da Barca, Ministro da Marinha e do Ultramar, para que S. M. nomeasse outra pessoa para o substituir no lugar das reclamações e que lhe conceda a Graça de autorizar a sua retirada para Lisboa onde pretende acabar em sossego os poucos dias de vida que lhe restam. Em breve ficará por seu sucessor o filho Diogo já acompanhado de um sobrinho com vinte anos. Pede a protecção do destinatário para que o filho José Luís, comerciante, obtenha o cargo de Cônsul Geral em Londres que se encontra vago pela morte no dia 6 do corrente de Joaquim de Andrade. Tarda em saber se Daupiás já recebeu de Brito a Patente de Cônsul. Estando de partida para Lisboa, via Inglaterra, Diogo pediu-lhe para tratar ali de uma máquina a vapor dos acessórios para um moinho de 12 parelhas de pedras de moer grão para instalar no Calvário e da construção de uma ponte levadiça de ferro em Barroca d'Alva, e na Rua Formosa as casas no Chão que ele aforou ao conde das Galveias. Pede notícias por Gameiro ou por barbosa. Na última página está anotado o endereço do conde da Barca no Rio de Janeiro.
Cópia das cartas de A. F. Sampaio e J. Palyart, Administradores em Londres, datada de 11 de Abril de 1815. Resposta de C. Joaquim José de Miranda e Rebelo à precedente; Cópia da nota do Píncipe de Metternich de 20 de Maio de 1815; Resposta de C. Joaquim José de Miranda e Rebelo à precedente; Cópia de diversos parágrafos de despachos em que se anunciava rebelo ter-se ordenado à Administração de Londres a autorização para proceder ao pagamento dos atrasados: Despacho do conde de Linhares de 16 de Janeiro de 1812; Despachos do conde das Galveias de 4 de Abril de 1812; de 28 de Julho de 1812; de 17 de Dezembro de 1812; de 24 de Dezembro de 1812; de 9 de Junho de 1813; despacho do conde das Galveias ao conde do Funchal em 25 de Fevereiro de 1813; Despacho de Luís Pinto de Sousa a D. Lourenço de Lima m 28 de Outubro de 1798 sobre os pensionários Joseph Schermanck, Ludwig Padberg, Franz Schoewitz e Lorenz Dedel antigos criados do Príncipe de Waldeck. Carta do conde do Funchal de 22 de Fevereiro de 1812, confirmando as ordens de S.A.R. para pagar a Rebelo. Resumo da Conta Geral que Rebelo tem por repetidas vezes enviado às Cortes e ao conde do Funchal e à administração de Londres dos valores que lhe são devidos até ao fim de 1814.
Lamenta continuar privado de notícias directas do amigo conde da Barca, ignorando o seu estdo de saúde. Informa que a sua saúde vai melhorando, mas permanece arruinado de pernas e ouvidos o que o incapacita de trabalhos sérios, como já tinha prevenido, a ponto de ser forçado de em Maio se pôr a caminho de Lisboa, via Paris, Londres e Falmouth, se com efeito as melhoras forem progredindo. Daupiás provou em Paris entregando a Francisco José Maria de Brito uma atestação dos três negociantes banqueiros nomeados por todos os credores, que tinha pago a todos os seus credores, mas o autor ainda não soube se já lhe foi entregue a patente de Cônsul Geral. Informa que faleceu em Londres Joaquim Andrade, Cônsul Português, e um dos Louvados nas reclamações de Paris. Assim, informa qe o seu filho José Luís, que detem uma Casa de Comércio em Londres desde 1809, dirigirá um requerimento a S. M. a pedir a nomeação para este cargo. Na última página está anotado o endereço do conde da Barca no Rio de Janeiro.
Informa ao amigo conde da Barca, Ministro e Secretário de Estado, que já em princípios de Agosto escreveu-lhe de Paris a respeito do Cônsul Daupiás, para agradecer as honrosas expressões com que é concebida a mercê do Despacho pelo qual S.A.R. o aderiu à Comissão das Reclamações na Corte de Paris. Refere-se muito rapidamente, em virtude da pressa do correio, à forma ilusória pela qual estão os Governadores do Reino a reger a arrematação do Contrato de Tabaco, que já foi três vezes à Praça. Acusa-os de quererem afastar o seu filho Diogo, que é um dos licitadores, porque as suas condições aniquilam a "corrupção prezente e futura". Diogo remeterá os Autos ao destinatário para que S. M. tenha conhecimentodo que se passa e decida em conformidade. Acaba de receber a carta de Diogo de 14 de Agosto. Votos de saúde e glória ao Soberano e aos sábios ministros do seu Conselho. Na última página está anotado o endereço do conde da Barca no Rio de Janeiro.
De saúde perdida e cheio de desgostos, resolvido a deixar Paris amanhã para ir a Macon buscar algum alívio, agurda pelas ordens de S. M., que Brito lhe comunicará, a respeito da honrosa comissão das reclamaçõesou de outro qualquerobjecto do Real Serviço. Aproveita as poucas horas que lhe restam em Paris para apresentar vários objectos: 1.º aguarda pelas resoluções que se fizerem no Rio de Janeiro a respeito da Companhia das carnes Conservadas no Rio Grande. João Gamble com este estabelecimento irá generalizar o negócio da neve artificial; 2.º informou ao marquês de Marialva da numerosa família de lapidários holandeses de diamantes que pretende passar ao Brasil e dos quais já o conde do Funchal em tempo do seu irmão , já havia feito a tal proposta embora sem conseguir qualquer resposta; 3.º Como um Cônsul não pode estar sem secretário, vice-cônsul ou chanceler, conserva à sua custa J. J. Brandão, sobrinho do Bispo de Évora, que é muito versado em línguas. Como estão em discordância, procurará escrever ao dito prelado. Envia a tradução feita pelo referido Brandão, das instruções que o Governo francês dá aos seus cônsules das quais muitos aspectos servirão ao governo português, sendo que as mesmas detêm muito galicismo na linguagem, e o conde da Barca poderá fazer desaparecer todos os defeitos entregando o documento a José da Silva Lisboa, Secretário da Real Junta do Comércio, ou a outro, para que depois se mande imprimir e sirva de governo aos Cônsules. Defende que não se deve permitir a prática do comércio aos Cônsules Gerais e em troca dar-lhes um ordenado decente. Enviará de macon um trabalho sobre este ponto que será muito útil ao Real Serviço; 4.º o que presentemente se passa em Lisboa a respeito da arrematação do Contrato de Tabaco e das Saboarias, onde o filho Diogo e seus associados, seguindo a lição das "Recordaçoens" do autor, pretendem fazer um grande serviço à real Fazenda, mas encontram grande oposição nas pessoas de quem somente esperava protecção - os Governadores do Reino. Está muito débil de saúde que não pode escrever mais por agora. Amanhã parte para Macon em companhia do filho Henrique.
Lista de despesas da Secretaria de Viena referente ao ano de 1814. Resumo abreviado da conta geral que ultimamente remeteu à secretaria de Estado e que compreende um resultado total do que tem vencido até ao fim do ano de 1814, e do que tem recebido em consequência das ordens de S.A.R. pela Administração de Londres.
O autor, C. Joaquim José de Miranda Rebello, manifesta a sua desolação dizendo que de todas as pessoas a que em tempos devia favores, só lhe resta António de Araújo. Espera que o destinatário tenha conhecimento dos ofícios documentados n.º 10 e 11 que comprovam as suas exposições e súplicas. Lamenta a negação injusta e assente sob falsidades dos Administradores de Londres que não querem pagar-lhe os ordenados, pensões e despesas vencidas da Secretaria contrariando, assim, as ordens de S.A.R.. Pede ao destinatário que interceda junto do soberano a fim de que este faça saber se as suas precedentes ordens devem ser cumpridas ou não, ou se segundo o arbitrío dos administradores os direitos delas podem ser anuladas.
Cópia das cartas de A. F. Sampaio e J. Palyart, Administradores em Londres, datada de 11 de Abril de 1815. Resposta de C. Joaquim José de Miranda e Rebelo à precedente; Cópia da nota do Píncipe de Metternich de 20 de Maio de 1815; Resposta de C. Joaquim José de Miranda e Rebelo à precedente; Cópia de diversos parágrafos de despachos em que se anunciava rebelo ter-se ordenado à Administração de Londres a autorização para proceder ao pagamento dos atrasados: Despacho do conde de Linhares de 16 de Janeiro de 1812; Despachos do conde das Galveias de 4 de Abril de 1812; de 28 de Julho de 1812; de 17 de Dezembro de 1812; de 24 de Dezembro de 1812; de 9 de Junho de 1813; despacho do conde das Galveias ao conde do Funchal em 25 de Fevereiro de 1813; Despacho de Luís Pinto de Sousa a D. Lourenço de Lima m 28 de Outubro de 1798 sobre os pensionários Joseph Schermanck, Ludwig Padberg, Franz Schoewitz e Lorenz Dedel antigos criados do Príncipe de Waldeck. Carta do conde do Funchal de 22 de Fevereiro de 1812, confirmando as ordens de S.A.R. para pagar a Rebelo. Resumo da Conta Geral que Rebelo tem por repetidas vezes enviado às Cortes e ao conde do Funchal e à administração de Londres dos valores que lhe são devidos até ao fim de 1814.
O autor, C. Joaquim José de Miranda Rebello, manifesta a sua desolação dizendo que de todas as pessoas a que em tempos devia favores, só lhe resta António de Araújo. Espera que o destinatário tenha conhecimento dos ofícios documentados n.º 10 e 11 que comprovam as suas exposições e súplicas. Lamenta a negação injusta e assente sob falsidades dos Administradores de Londres que não querem pagar-lhe os ordenados, pensões e despesas vencidas da Secretaria contrariando, assim, as ordens de S.A.R.. Pede ao destinatário que interceda junto do soberano a fim de que este faça saber se as suas precedentes ordens devem ser cumpridas ou não, ou se segundo o arbitrío dos administradores os direitos delas podem ser anuladas.
Agradece ao amigo António de Araújo as duas cartas de 8 de Maio. Agradece particularmente a oficial que satisafzendo os pontos requeridos a respeito do projectado estabelecimento para a preservação das carnes no Rio Grande é concebida em termos muito honrosos à sua pessoa. Informa que logo deu início aos trabalhos em conformidade com o prudente conselho do destinatário e assim deslocar-se-á ao Brasil uma pessoa interessada, inteligente e com prática na matéria para ver o país e escolher o terreno conveniente; fazer um primeiro ensaio em algumas rezes, para sobre os resultados e informações se proceder à aplicação do plano. Espera que o destinatário aprove estas medidas de prudência. Erá necessário consultar o clima da terra, saber quias são e o que é necessário de levar de fora e quais as que se podem encontrar nas imediações do estabelecimento. O mesmo será decidido a respeito dos braços. O referido sujeito é inglês e habitou largos anos em frança e levará umacarta abonatória do autor, e espera que o mesmo poderá ser acompanhado pelo Major Bahon em razão da sua honra probidade e inteligência, além de falar as línguas portuguesa, francesa e inglesa. Nada sabe a respeito do Almirante Dixon. Graças à Divina Providência já nada se opõe a que o neto Daupiás possa exercer o seu lugar de Cônsul Geral e Agente português [em Paris]. Recomenda Barbosa, para o lugar de secretárioem alguma Legação diplomática e que tal como fez Francisco José Maria de Brito fala e escreve francês. Recomenda também António Rebelo de Andrade, sobrinho do autor, a pedido deste, esperando que o destinatário encontre nele préstimo para o empregar em algo. Deseja que o mesmo administrasse a sua grande fazenda do "Repiado", da qual muitos feitores têm-se enriquecido muitos feitores e rendeiros. Junto envia uma folha de impressão da nova prensa de rotação. Para pô-la a funcionar bastam dois rapazes de pouca idade, um para lhe administrar o papel e outro para a retirar. Calcula-se que imprima vinte folhas por minuto. Aguarda impacientemente pela Lista de Despachos de 13 de Maio e nela poder encontrar o nome do destinatário. Em P.s. informa que a pessoa destinada a ir ao Brasil escolher ao terreno, munido de uma procuração do autor, deverá primeiro escolher uma pessoa para o substituir no estabelecimento idêntico que tem. Necessita por isso de mais algum tempo.
Em conformidade com o que preveniu na última carta, remete à consignação de António de Araújo uma caixinha com seis exemplares das suas "Recordaçoens", pedindo-lhe que as faça distribuir em seu nome por Gameiro ou Barbosa Araújo, pelas pessoas que achar conveniente nessa Cidade, em Minas Gerais, na Capitania de São Paulo e na de Rio Grande, de São Pedro, etc. As despesas serão pagas pelo seu correspondente nessa Cidade Manuel Lopes Ferreira. Remete também vinte exemplares ao conde dos Arcos na Baía, vinte a Florêncio José Correia de Melo na Ilha da Madeira, devendo estes últimos serem repartidos com Aires Pinto, Governador dos Açores. Como tem recebido pedidos de Lisboa, tem enviado perto de sessenta exemplares para entregar às pessoas mais notáveis do Governo, tribunais, livrarias públicas e de Comunidades, Academia das Cências, etc. Não enviou exemplares ao filho porque este receava que o contéudo da obra o prejudicasse. Tem recebido inúmeros pedidos mas aguardará pela resposta à licença que enviou há um mês aos Secetários de estado Forjaz e Salter. Entretanto, envia sessenta exemplares para os seus sobrinhos no Portodistribuirem às principais pessoas daquela cidade, Directores da Companhia , Camaristas, Magistrados, etc. e façam o mesmo no Minho, em especial ao Abade de Lóbrigos, em Trás-os-Montes; Lamego e Viseu. Depois continuará pelas outras terras da Beira, Alentejo, Algarve e Estremadura. Dos quinhentos exemplares que imprimiu reservará somente vinte ou trinta para os parentes. Espera que o destinatário aprove esta distribuição, o que para si seria o melhor prémio.
Informa ao marquês de Aguiar das razões que o impossibilitam de aproveitar o indulto concedido a todos os deportados pelo real Decreto de 15 de Junho de 1810.Ao contrário do que sugere este Decreto, julga-se digno de soberana remuneração pelos mais de 22 anos de serviço como Deputado na Real Junta do Comércio. Para tal dirigiu um requerimento em Abril do mesmo ano a S.A.R. que, no entanto, à sua chegada ao Rio de Janeiro foi precedido pela calúnia que sugeriu o referido Decreto e do qual reclamou em 13 de Novembro desse mesmo ano, conforme comprova a publicação em fls. 365 das "Recordaçoens", obra que fez diligência para chegar à presença de V.ª Ex.ª. Apesar de não o conhecer pessoalmente , pede protecção para alcançar a referida Graça e certificar a S.A.R. que a sua presença fora dos Domínios portugueses "me hé violenta".
Espera que Gameiro aochegar ao [Rio de Janeiro] tenha informado a António de Araújo a mágoa com que todos os compatriotas em Londres sentiram ao saber da moléstia do destinatário. No entanto, enche-se de regozijo por lhe ter sido sucessivamente anunciado por Lopes Ferreira, por Barbosa Araújo e depois pela Carta de V. Ex.ª de 23 de Agosto do seu feliz restabelecimento. Aconselha o dest. a moderar os seus trabalhos e a qrranjar um colaborador "modelado aos seus princípios, cuja ambição se limite a agradar aoseu Patrono". Importa também uma boa escolha dos oficiais e acertada organização da Secretaria e aplicação de um método de trabalho no cargo "que exige concorrência de talento e mutios conhecimentos diversos adquiridos" se pudesse subir ao primeiro grau , o de Oficial Maior, apenas pela antiguidade como sempre fo praticado pelo nosso governo - causa, em seu entender, da lentidão com que executa as suas operações,porque não cabe a "nenhum Ministro conceber, meditar e escrever ou dictar quanto se necessita obrar". Agradece as amiudadas notícias sobre o estado e progresso das minas de ferro no Brasil e louva o incetivo dos particulares para explorá-las tal como o principiou Eschwege em Minas Gerais. Considera que o ferroé mais precioso neste país do que o próprio ouro; e até o mesmo se pode dizer do chumbo, que Eschwege lá trabalha, conforme o destinatário lhe anunciou. Refere-se às facilidades que devem exisitir para o transporte dos metais: rios navegáveis perto das minas, aquisição de povoação na Europa visto que a ocasião é oportuna; estabelecer o quanto antes uma fundição e fabrico de artilharia para o serviço da marinha e fortalezas. Ignora se o governoestá provido de bons mapas de todo o Brasil, o que não crê, ou de alguma capitania em particular, os quais seriam muito necessário para multiplicar o meio das comunicações. A falta destes em Portugal é a principal causa do atraso da agricultura e artes fabris. Prontifica-se a enviar o mapa em grande escala de toda a América meridional feito por Arrowsmith e que apesar de ser pouco fiável poderá ser útil ao destinatário conforme Gameiro poderá explicar. Espera que em Fevereiro ou Março partirão para o Rio de Janeiro duas pessoas, munidas da sua procuração, para ver e tomar posse do terreno destinado ao estabelecimento da preservação de carnes. Entretanto, trabalham nos preparativos, entre os quais a finalização da educação de seu neto francês de 17 anos, que ali se encontra para se instruir no inglês, geometria e química e que deverá ir para o Rio Grande ocupar um lugar na referida fábrica. Espera que Gameiro tenha dado ao destinatário boas informações sobre o neto Daupiás, afilhado do destinatário, o qual já tem o Hábito de Cristo, que o destinatário lhe patrocinou. Por seu conselho, o mesmo ainda não escreveu a agradecer esta mercê e a Patente de Cônsul. Agradece as lisongeiras expressões a favor das "Recordaçoens" as quais escreveu a seu pedido dos seus filhos, rincipalmente de Diogo. Há oito dias escreveu a Forjaz e a Salter a pedir autorização dos Governadores do reino, para que a obra possa entrar livremente em Portugal e ser distribuída pelo Dr. Abrantes às pessoas que constam do Rol comunicava ainda que já tinha enviado várias exemplares à Corte do Rio de Janeiro e a todos os Ministros e Agentes de S.A.R. nas Cortes Estrangeiras comunicará a resposta dos mesmos. Seguindo o conselho do destinatário remeterá exemplares a Gameiro ou a Barbosa Araújo para os distribuirem a quem V.ª Ex.ª apontar, posto que não pretende que a obra seja comercializada pelos livreiros, razão pela qual só tirou 500 exemplares. Pede protecção para a carta, cuja cópia, envia em anexo ao marquês de Aguiar a respeito do seu requerimento sobre a reparação da mancha que o seu crédito recebeu do teor do real decreto de 15 de Junho de 1810 e da falta de remuneração de mais de 22 anos de servilos como Deputado da Junta do Comércio.
Agradece ao amigo António de Araújo as cartas de 8 de Maio. Agradece particularmente a oficial que satisfazendo os pontos requeridos a respeito do projectado estabelecimento para a preservação das carnes no Rio Grande é concebida em termos muito honrosos à sua pessoa. Informa que logo deu início aos trabalhos em conformidade com o prudente conselho do destinatário e assim deslocar-se-àao Brasil uma pessoa interessada, inteligente e com prática na matéria para ver o país e escolher o terreno conveniente; fazer um primeiro ensaio em algumas rezes, para sobre os resultados e informações se proceder à aplicação do plano. Espera que o destinatário aprove estas medidas de prudência. Erá necessário consultar o clima da terra, saber quias são e o que é necessário de levar de fora e quais as que se podem encontrar nas imediações do estabelecimento. O mesmo será decidido a respeito dos braços. O referido sujeito é inglês e habitou largos anos em França e levará uma carta abonatória do autor, e espera que o mesmo poderá ser acompanhado pelo Major Bahon em razão da sua honra probidade e inteligência, além de falar as línguas portuguesa, francesa e inglesa. Nada sabe a respeito do Almirante Dixon. Graças à Divina Providência já nada se opõe a que o neto Daupiás possa exercer o seu lugar de Cônsul Geral e Agente português [em Paris]. Recomenda Barbosa, para o lugar de secretárioem alguma Legação diplomática e que tal como fez Francisco José Maria de Brito fala e escreve francês. Recomenda também António Rebelo de Andrade, sobrinho do autor, a pedido deste, esperando que o destinatário encontre nele préstimo para o empregar em algo. Deseja que o mesmo administrasse a sua grande fazenda do "Repiado", da qual muitos feitores têm-se enriquecido muitos feitores e rendeiros. Junto envia uma folha de impressão da nova prensa de rotação. Para pô-la a funcionar bastam dois rapazes de pouca idade, um para lhe administrar o papel e outro para a retirar. Calcula-se que imprima vinte folhas por minuto. Aguarda impacientemente pela Lista de Despachos de 13 de Maio e nela poder encontrar o nome do destinatário. Em P.s. informa que a pessoa destinada a ir ao Brasil escolher ao terreno , munido de uma procuração do autor, deverá primeiro escolher uma pessoa para o substituir no estabelecimento idêntico que tem. Necessita por isso de mais algum tempo. Em 4 de Setembro de 1815, R[atto]n informa que Gameiro, ortador desta regressando da sua issão certificará o muito que o autor está agradecido e se interessa na conservação e saúde do destinatário. Exporá algumas ilações que retirou da observação da miniatura do Estabelecimento de preservação da carnes e a Prensa tipográfica que o autor lhe mostrou. Confia na generosidade de Gameiro que certamente fará o autor lembrado ao destinatário, assim como o neto Daupiás que está em Paris. Conhece a necessidade de legislar-se sobre Consuladose adoptar-se a ordenança de Luís XIV em tudo o que parecer conveniente à nossa nação.
O autor, Encarregado de Negócios em Viena, torna a implorar a protecção do compadre António de Araújo para alcançar o despacho que apresentou a S.A.R. por intermédio do marquês de Aguiar. Depois de mais de quinze anos como Encarregado de Negócios, e chegada a hora de sair de Viena, pretende que lhe seja atribuído um novo emprego. Pede a confirmação do cargo de Cônsul Geral em Liorne, com a respectiva patente e carta para ali se apresentar. Pede para ser nomeado Encarregado de Negócios junto do Grã-Duque de Toscana, visto que a Corte portuguesa ainda não nomeou pessoa alguma para este posto, por forma a poder informar do que se passa na Toscana, Parma, Modena e nas possessões austríacas de toda a Itália Setentrional, à excepção do Piemonte. Desejava poder continuar a serviro Soberano, mas a sua provecta idade implica que tal aconteça num clima menos àspero que o de Viena, onde há mais de vinte anos reside com graves implicações para a saúde. Pede que proteja a sua súplica junto do Soberano. Como S.A.R. ordenou que lhe fossem pagos os ordenados em atraso, embora tenha recebido diversas parcelas desde 1812 ainda existem algumas por liquidar, remete a lista de despesas da secretaria, onde estão incluídas as pensões e o ordenado do ano passado, pedindo que seja efectuado o seu pagamento de forma célere pela Administração de Londres como é usual, visto que tem despesas públicas incalculáveis e é notória a carestia de objectos de subsistência.
Espera que o compadre António de Araújo tenha recebido alguma das três cópias da sua carta de 22 de Outubro em que dava conhecimento das suas circunstâncias e súplicas. Com a chegada de D. Joaquim Lobo da Silveira, como Ministro Plenipotenciário ao Congresso e Enviado Extraordinário para cumprimentar este Soberano pelo seu contributo no sucesso da empresa geral da Europa, julga ter terminado a sua comissão de Encarregado de Negócios [interino], após quinze anos de exercício. Recorre a S.A.R. para suplicar a fixação do seu destino. Como há quinze anos o nomeou Cônsul Geral de Portugal em Liorne e mais portos da Toscânia, empregos que nunca viria a exercer. Agora que as circunstâncias ditaram o regresso do Arquiduque à Toscânia. Defende que a existência de tal cargo deveria ser reactivada, tendo em conta que a vasta península transalpina não tem colónias e necessita de todas as produções coloniais, as quais podem ser fornecidas por Portugal. Pretende também ser nomeado para Encarregado de Negócios neste Ducado como em Modena, Parma e nas possessões austríacas em Itália onde não existe ninguém vigilante que possa informar o Ministério das transações comerciais. Pede a confirmação da nomeação por Carta ou por Patente. Suplica a valiosa protecção do destinatário junto de S.A.R.
O autor, Encarregado de Negócios em Viena, torna a implorar a protecção do compadre António de Araújo para alcançar o despacho que apresentou a S.A.R. por intermédio do marquês de Aguiar. Depois de mais de quinze anos como Encarregado de Negócios, e chegada a hora de sair de Viena, pretende que lhe seja atribuído um novo emprego. Pede a confirmação do cargo de Cônsul Geral em Liorne, com a respectiva patente e carta para ali se apresentar. Pede para ser nomeado Encarregado de Negócios junto do Grã-Duque de Toscana, visto que a Corte portuguesa ainda não nomeou pessoa alguma para este posto, por forma a poder informar do que se passa na Toscana, Parma, Modena e nas possessões austríacas de toda a Itália Setentrional, à excepção do Piemonte. Desejava poder continuar a serviro Soberano, mas a sua provecta idade implica que tal aconteça num clima menos àspero que o de Viena, onde há mais de vinte anos reside com graves implicações para a saúde. Pede que proteja a sua súplica junto do Soberano. Como S.A.R. ordenou que lhe fossem pagos os ordenados em atraso, embora tenha recebido diversas parcelas desde 1812 ainda existem algumas por liquidar, remete a lista de despesas da secretaria, onde estão incluídas as pensões e o ordenado do ano passado, pedindo que seja efectuado o seu pagamento de forma célere pela Administração de Londres como é usual, visto que tem despesas públicas incalculáveis e é notória a carestia de objectos de subsistência.
Lista de despesas da Secretaria de Viena referente ao ano de 1814. resumo abreviado da conta geral que ultimamente remeteu à secretaria de Estado e que compreende um resultado total do que tem vencido até ao fim do ano de 1814, e do que tem recebido em consequência das ordens de S.A.R. pela Administração de Londres.
Espera que o compadre António de Araújo tenha recebido alguma das três cópias da sua carta de 22 de Outubro em que dava conhecimento das suas circunstâncias e súplicas. Com a chegada de D. Joaquim Lobo da Silveira, como Ministro Plenipotenciário ao Congresso e Enviado Extraordinário para cumprimentar este Soberano pelo seu contributo no sucesso da empresa geral da Europa, julga ter terminado a sua comissão de Encarregado de Negócios [interino], após quinze anos de exercício. Recorre a S.A.R. para suplicar a fixação do seu destino. Como há quinze anos o nomeou Cônsul Geral de Portugal em Liorne e mais portos da Toscânia, empregos que nunca viria a exercer. Agora que as circunstâncias ditaram o regresso do Arquiduque à Toscânia. Defende que a existência de tal cargo deveria ser reactivada, tendo em conta que a vasta península transalpina não tem colónias e necessita de todas as produções coloniais, as quais podem ser fornecidas por Portugal. Pretende também ser nomeado para Encarregado de Negócios neste Ducado como em Modena, Parma e nas possessões austríacas em Itália onde não existe ninguém vigilante que possa informar o Ministério das transações comerciais. Pede a confirmação da nomeação por Carta ou por Patente. Suplica a valiosa protecção do destinatário junto de S.A.R.
O A., Ambrósio Joaquim dos Reis, informa que remeteu pelo Capitão Tenente António Bernardo de Almeida a carta de 24 de Julho sobre os alambiques e métodos de destilação que se usa na Escócia. Transmite informações de um dos melhores fabricante de alambiques de Edimburgo. Transcreve os preços dos mesmos com capacidade entre os 80 e os 2000 galões. Continuará a informar deste importante objecto. Em 10 de Outubro informa que está a reunir amostras de cachaça e aguardente de cana de diversas partes do Brasil para depois combinar com o Rum e mais bebidas espirituosas que se preparam em Inglaterra. Predispõe-se a ouvir os mercadores deste género sobre os defeitos das nossas produções para depois comunicar os resultados.
Sentença Cível para Tittulo do Illustrissimo e Excelentissimo Marquês de Pombal extraída dos Autos de Inventario de partilha, e de adjudicação amigavel entre a Illustrissima, e Excellentissima Marqueza de Pombal sua mulher e seus filhos, e genro. Processo de Redinha.
Acusa a receção da carta de 3 de Fevereiro. Pelo portador desta, o Capitão Tenente António Bernardo de Almeida, Marques remete os preços dos Alambiques que se usão em Inglaterra e nas "West Indies". Apesar de não ter encontrado em Londres, nem tão pouco em casa de Sir Joseph Banks, o Jornal das Artes, o autor transmite as vantagens da utilização dos alambiques da Escócia, com base nas informações que retirou dos construtores dos mesmos, de negociantes e destiladores de bebidas espirituosas estabelecidos em Londres, e ainda dos "reports" das diferentes comissões do Parlamento [inglês] sobre as destilações dos anos de 1798, 1806 e 1808, cujas fontes possui nas suas colecções. Compara o fabrico de aguardentes no Brasil com a produção de Rum na Jamaica, aconselhando os senhores de engenhos braileiros a ali se deslocarem, sob algum pretexto, para examinar o modo como ali se processa a destilação desta bebida. Refere-se à produção de licores, podendo vir algum mestre de Martinica ou de Guadalupe que também contribuiria para para o melhoramento da produção do açucar no Brasil para posterior exportação para a Alemanha, Holanda e Itália. Aconselha a introduzir melhoramentos nas aguardentes e vinhos dos Açores. É urgente empreender uma revitalização da Companhia dos Vinhos do Alto Douro. Insurge-se contra o Tratado de Comércio Franco com o Brasil "obra infame, indigna de ser escrita por hum Português", o qual pretende abolir a referida Companhia e em seu lugar criar ilusões. Pede para que as cartas que lhe são destinadas sejam enviadas a "Dias Santos" como vêm para Marques.
Informa que remeteu pelo Capitão Tenente António Bernardo de Almeida, a carta de 24 de Julho sobre os alambiques e métodos de destilação aplicados na Escócia. Com esta carta enviou uma outra destinada a Manuel Inácio de Sampaio. Transmite as informações que recebeu de Edimburgo de um dos melhores fabricantes de alambiques daquela cidade. Transcreve os preços dos mesmos com capacidade entre os 80 e os 2000 galões. Continuará a informar deste importante objecto.
Manifesta o seu desconhecimento se António de Araújo recebeu o Decreto e as mercês feitas por D. José I à Casa de Pombal em remuneração pelos serviços prestados pelo Tio Francisco. Remete os seguintes requerimentos pelo Capitão Daniel para que sejam colocados na presença régia: o rquerimento para as confirmações dos despachos da Casa junto com a Sentença de Habilitação nas Justificações do Reino; cópia do Decreto dos Despachos pelos serviços do Tio Francisco; a sobrevivência da Comenda da Casa de redinha para o seu irmão; a representação para obter a licença para se tresladar o cadáver do Avô para o jazigo da Casa de Pombal na Igreja de Nossa Senhora das Mercês. Votos de vigorosa saúde. Em P.s. solicita ao destinatário que entregue a carta em anexo ao Oliveira.
Remete ao amigo António de Araújo a Exposição da causa que opõe a sua família aos Ratton. Fá-lo não com o intuito de se queixar das injustiças, mas para que a mesma seja consultada por mais de dois letrados e também por Ministros a fim de alcançar um parecer sobre se uma causa tão séria deveria ou não ser tornada pública. Refere-se aos requerimentos anteriormente expedidos e aos respectivos despachos.
O Conde da Redinha, José Francisco Xavier Maria de Carvalho e Melo e Daun, solicita a S. A. R. que o habilite como imediato sucessor de seu irmão o [2.º] marquês de Pombal, Henrique José de Carvalho e Melo, confirmando todas as Graças, Mercês e Doações que de Juro e herdade foram concedidas ao [1.º] marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo. Assina o [2.º] conde da Redinha, Sebastião José de Carvalho Melo e Daun, como procurador do requerente. Certidão da Sentença do Juízo das Justificações da Fazenda Real, em que Francisco de Castro Guimarães, Escrivão Proprietário do mesmo, confirma José Francisco Xavier Maria Carvalho e Melo Daun, como legítimo sucessor do seu falecido irmão o [2.º] marquês de Pombal. Datada de Lisboa, 1813. 03. 30.
Autógrafos do conde da Barca. Nota dos Emolumentos que paga o Illmo. E Exmo. Marquez de Pombal à Secretaria de Estado dos Negócios do Brasil. Nota sobre os pagamentos dos direitos sucessórios no encarte de títulos nobiliárquicos. Autógrafos de João António: Cópia das despesas feitas com as cartas de Título do Exmo. Marquez de Pombal e do Conde d'Oeiras, na Secretaria de Estado dos Negócios do Brasil. Questionário sobre os direitos a pagar pela verificação dos títulos de Marquês de Pombal e conde de Oeiras. Apontamentos sobre o saque de verbas. Processo de Redinha.
Pública-forma dos Autos Cíveis de Embargo à Primeira, que opõe o Conde da Redinha a Diogo Ratton, em virtude da acção de despejo movida pelo primeiro sobre o segundo, relativamente ao Palácio e Casas da Rua Formoza.
Treslado do Livro de Registo da Administração da Junta da Fazenda dos Bens e Rendas da Casa do Marquês de Pombal, do Conselho de Sua Majestade e Gentil-Homem da Real Câmara, criada por Decreto de D. Maria I de 22 de Maio de 1793. Processo de Redinha.
Requerimento, precedido de Nota introdutória, em que o Marquês de Pombal, Gentil-Homem da Câmara Real e antigo Presidente do Senado da Câmara de Lisboa, solicita a S.A.R. o remuneração dos serviços prestados desde o reinado de D. José I.
Acusa a receção da carta do conde da Barca de 7 de Abril e informa que só alguns dias depois recebeu do colega Francisco José Maria de Brito, uma cópia do Despacho do marquês de Aguiar que o nomeava para Comissário Juiz. O mesmo colega dizia-lhe que não era altura propícia para remeter-lhe o despacho original, razão pela qual o autor não escreveu de Ofício ao marquês de Aguiar sobre a dita nomeação, guardando total silêncio sobre a mesma. No entanto, de nada serviu visto que o seu nome figurou "nas immundas e infames paginas do jornal indignamente denominado o Português" e que com esta publicação causou graves dissabores a Brito. Contudo, o autor, teve a satisafação de ver que com esta publicação todas as pessoas de bem aperceberam-se que nunca teve o menor contacto com "o insipido e malvado vagabundo revolucionario que publica aquele jornal". Informa que tem estado doente desde há dois meses, facto que o tem impedido de trabalhar apesar de ter estado quinze diasem Cheltenhama tomar àguas ficando pouco melhor, só não permaneceu mais tempo porque teve de regressar logo a Londres para remeter ao visconde de Santarém umas encomendas para o Paço da Ajuda. Aguarda para breve a chegada do conde de Palmela para proceder à entrega do Arquivo da Legação do Congresso que já está completo, e depois partirá imediatamente para Paris para assumir a sua comissão e de onde pretende continuar a enviar as suas opiniões a "hum Ministro que me honra com a sua amisade, e que tem somente em vista o melhor serviço so Soberano e da sua Pátria". Agradece fervorosamente ao destinatário por promover os seus interesses pessoais. Agradece a S.A.R. pela nomeação.
Acusa a receção da carta do conde da Barca de 7 de Abril e informa que só alguns dias depois recebeu do colega Francisco José Maria de Brito, uma cópia do Despacho do marquês de Aguiar que o nomeava para Comissário Juiz. O mesmo colega dizia-lhe que não era altura propícia para remeter-lhe o despacho original, razão pela qual o autor não escreveu de Ofício ao marquês de Aguiar sobre a dita nomeação, guardando total silêncio sobre a mesma. No entanto, de nada serviu visto que o seu nome figurou "nas immundas e infames paginas do jornal indignamente denominado o Português" e que com esta publicação causou graves dissabores a Brito. Contudo, o autor, teve a satisafação de ver que com esta publicação todas as pessoas de bem aperceberam-se que nunca teve o menor contacto com "o insipido e malvado vagabundo revolucionario que publica aquele jornal". Informa que tem estado doente desde há dois meses, facto que o tem impedido de trabalhar apesar de ter estado quinze diasem Cheltenhama tomar àguas ficando pouco melhor, só não permaneceu mais tempo porque teve de regressar logo a Londres para remeter ao visconde de Santarém umas encomendas para o Paço da Ajuda. Aguarda para breve a chegada do conde de Palmela para proceder à entrega do Arquivo da Legação do Congresso que já está completo, e depois partirá imediatamente para Paris para assumir a sua comissão e de onde pretende continuar a enviar as suas opiniões a "hum Ministro que me honra com a sua amisade, e que tem somente em vista o melhor serviço so Soberano e da sua Pátria". Agradece fervorosamente ao destinatário por promover os seus interesses pessoais. Agradece a S.A.R. pela nomeação.
Tendo nas cartas precedentes tratado de objectos unicamente ligados com o Real serviço, nesta ocupa-se de um assunto que diz respeito ao seu interesse pessoal mas que não deixa de ter conexão com a extensão dos trabalhos futuros em que deverá ser empregue. Comenta o ordenado anual que recebe por força do "Decreto cego" de 25 de Junho de 1814, pelo qual foi nomeado Conselheiro e Secretário Geral da Legação ao Congresso; o despacho do marquês de Aguiar de 26 de Junho do mesmo ano em que lhe comunicava a expedição do mesmo decreto, bem como o ordenado e as ajudas de custo, estas não comunicadas ao Erário Régio. Pretende com esta exposição que S.A.R. faça expedir um despacho à legação de Londres onde comunique se o autor deve ficar a receber o mesmo ordenado ou parte dele ou somente o que percebe pela lista da Legação de Londres como Oficial da Secretaria de Estado. Em qualquer destes casos gostaria de continuar a receber pela mesma lista, facto que lhe permitia continuar a receber as suas aplicações. No caso que S.A.R. se digne a aprovar o seu plano para passar à categoria de Conselheuro de Comércio nas missões estrangeiras, ficará provavelmente com o ordenado presente . Confessa que com o acolhimento que o destinatário e o marquês de Aguiar prestaram às suas cartas que expediu de Viena, começou já a alargar as suas colecções para para que esteja apto para futuros trabalhos, como para que as mesmas possam servir de auxílio a quem lhe suceder. Se o plano não for posto em prática, regulará as suas despesas e trabalhos proporcionalmente ao que receber. Coerente com o que escreveu nas primeiras cartas de Viena, expressa novamente o desejo de empregar os poucos anos que lhe restam em trabalhos realmente proveitosos à Monarquia por forma a tirá-la das grandes dificuldades que ainda está envolvida. Defende uma revitalização urgente das relações políticas e comerciais exteriores. Rejeita qualquer cargo diplomático acima de Conselheiro. Pede uma resposta.
Refere-se à receção dos seus ordenados. Pretende que S.A.R. faça expedir um despacho à legação de Londres a indicar se o autor deve receber o seu ordenado ou apenas parte dele, ou que receba pela lista desta legação como Oficial da Secretaria de Estado. Prefere continuar a receber por Londres visto que tal facto permitir-lhe-ia continuar com as suas aplicações. No caso de S.A.R. aprovar o plano que remeteu pelo colega Manuel Rodrigues Gameiro ficará provavelmente com o ordenado que tem e confiado que o destinatário e o marquês de Aguiar acolher as cartas que o autor lhe enviou de Viena, começou já a alargar as despesas das suas colecções para seu uso e também para aqueles que o sucederem. Repete o seu desejo em dedicar os últimos dias de sua vida "em trabalhos realmente proveitozos a Monarquia, e que condusão a tiralla com gloria das grandes difficuldades em que ainda a considero envolvida". Defende a aplicação do seu plano relativo às relações exteriores políticas e comerciais. Rejeita qulquer cargo diplomático acima de Conselheiro, tanto pelo seu estado de saúde como pelos hábitos de vida que tais cargos criam e aos quais sempre foi adverso. Pede uma resposta ao exposto.
Agradece as expressões transmitidas na carta de 16 de Junho passado e renova a sua prontidão para executar os serviços que lhe são solicitados. No entanto, refere que tais trabalhos só poderão ser proveitosos se se puser em execução os planos preparatórios que o autor remeteu pelo colega Manuel Rodrigues Gameiro, relativo à organização de missões estrangeiras, consulados e ao estabelecimento de comunicações rápidas regulares e seguras entre o nosso governo e as referidas missões. São providências indispensáveis para promover os interesses comerciais e políticos. Sem eles de nada servirão os trabalhos produzidos no Congresso e os negócios mais importantes do Estado tornarão a correr à revelia sem a necessária preparação, investigação e debates com pessoas especializadas, ou a serem tratados com descuido dando origem a infelizes acordos como o de 1810. Uma carta do Doutor Manuel Luís a francisco José Maria de Brito, tranquilizou o autor sobre o estado de saúde do destinatário.
Escreve esta para aprofundar os importantes objectos que tratou na sua carta n.º 4, da qual foi portador o colega Manuel Rodrigues Gameiro. Trata dos factos que caracterizam o estado político actual da Europa; das novas combinações políticas que estes podem produzir nas relações entre diferentes potências; bem como das resoluções políticas gerais e seguras que devem ser urgentemente adoptadas para prevenir o futuro. Nos factos salienta: o Directório estabelecido pelas quatro grandes potências aliadas, formado em Viena e aprofundado em Paris; a aproximação entre a França e a Rússia que pode dissolver o referido Directório; as desinteligências entre a Rússia e a Prússia após as últimas negociações de Paris; as queixas do Imerador Alexandre e os reis de Wurtenberg e da Sardenha por terem sido afastados das negociações; os franceses que detestam a Prússia e estão indispostos com a Aústria e a Inglaterra; o aumento da influência da Rússia na Holanda, em detrimento da Inglaterra devido ao casamento do Príncipe de Orange com a Arquiduquesa da Rússia, causando graves consequências no comércio e navegação; que a Inglaterra nada fez por Portugal e não quer concluir as questões de Olivença e da Guiana para manter um pomo de discórdia entre nós, a Espanha e a França; o descontentamento em Espanha sem se poder calcular as consequências dos mesmos; descontentamento em França pelas humilhações e perdas que têm sofrido. Nas combinações políticas futuras salienta a provável aproximação ou mesmo aliança entre a França e a Rússia que, podem facilmente atrair a Holanda e Wurtemberg; a provável liga entre a Rússia, França, Aústria, Suécia e outras que pode vir a ameaçar a segurança da Alemanha ou da Turquia; o prolongamento da paz na Europa pode promover a decadência da marinha inglesa, e no caso de não acontecer, com a sua legislação marítima pode excitar todas as potências e declararem-se suas inimigas; novas revoluções em França que provoquem invasões dos aliados; possibilidade de nova revolução em Espanha. Na adopção de resoluções gerais salienta a necessidade de de nomear Ministros respeitáveis e sisudos para as principais Cortes; a organização do trabalho nas missões diplomáticas que garanta boas relações com outros países e que garanta a continuidade; não formar alianças com as grandes potências, senão a que aliança geral fixada em 8 de Abril em Viena; a aliança com a espanha não pode servir de ruína a Portugal, pois podemos ter de entrar em todas as guerras em que aquela esteja envolvida; devemos ajudar a Espanha a recobrar Buenos Aires em troca de Montevideo e os países adjacentes; empregar toda a contemplação necessária para firmar um novo Tratado de comércio com a Inglaterra; comenta a abolição da escravatura; pensar em efectuar melhoramentos internos em Portugal e no Brasil para aumentar a prosperidade e poder e manter o exército em disciplina respeitável; estabelecer comunicações regulares e seguras entre o Ministério e o governo de Portugal e os agentes diplomáticos portugueses. Em P.s. após ter escrito esta carta tomou conhecimento pelas gazetas da desagradável notícia da revolução na Corunha; e comenta a proclamação do General Porlier.
Persuadido de que o facto de António de Araújo o ter nomeado para o cargo de Conselheiro desta Missão, acarretar-lhe-ia a obrigação de promover o Real Serviço, e particularmente o comércio, seria atraiçoar estes princípios se lhe ocultasse o segguinte facto: acusa Joaquim Lobo de ter negciado um Tratado comercial com a Prússia à revelia dos restantes Plenipotenciários e em claro desrespeito às instruções de S.A.R.. O autor, informa que escusou-se a participar nas sessões com os comissários prussianos e manifesta a sua intenção em manter-se afastado de tal acordo por discordar inteiramente da sua utilidade. Foi o próprio Joaquim Lobo que negociou directamente e fez com que o mesmo Tratado fosse aprovado por Sua Majestade Prussiana, a cujjas sessões assistiu, muito a contra-gosto, Navarro. O resultado desta atitude de Lobo foi o Ofício Reservado dos 1.º e 2.º Plenipotenciários portugueses que se afastaram totalmente desta negociação. Como chegou à sua mão o referido projecto, o autor Julgou do seu dever transmitir ao destinatário, em carta particular, as observações inclusas que a sua memória lhe assegura, pois se estivesse em Londres, junto das suas colecções, muito mais poderia advogar contra este acto.
Agradece as expressões transmitidas na carta de 16 de Junho passado e renova a sua prontidão para executar os serviços que lhe são solicitados. No entanto, refere que tais trabalhos só poderão ser proveitosos se se puser em execução os planos preparatórios que o autor remeteu pelo colega Manuel Rodrigues Gameiro, relativo à organização de missões estrangeiras, consulados e ao estabelecimento de comunicações rápidas regulares e seguras entre o nosso governo e as referidas missões. São providências indispensáveis para promover os interesses comerciais e políticos. Sem eles de nada servirão os trabalhos produzidos no Congresso e os negócios mais importantes do Estado tornarão a correr à revelia sem a necessária preparação, investigação e debates com pessoas especializadas, ou a serem tratados com descuido dando origem a infelizes acordos como o de 1810. uma carta do Doutor Manuel Luís a francisco José Maria de Brito, tranquilizou o autor sobre o estado de saúde do destinatário.
Finalmente deu-se o passo vantajoso de anular os "vergonhozos artigos" do Tratado de Aliança com a Inglaterra de 19 de Fevereiro de 1810, principalmente o Artigo 8.º que impossibilitava-nos de estabelecermos relações comerciais com outras potências. Acredita que se esta anulação for bem gerida, pode colcar Portugal com grande dignidade e independência face à Inglaterra, sem precisarmos das suas esmolas. Contudo, receia que os Artigos 2.º e 4.º ainda dêm que fazer. Manuel Rodrigues Gameiro tem presenciado que o autor tem defendido que o principal objecto da negociação deveria ser as estipulações para que se evite novas presas e discussões futuras. Não teve oportunidade de ler a última redação do Tratado antes de ser aprovada. Muitos destes senhores decidem à pressa e sem ouvir ninguém e que existem aspectos em que o autor deles diverge. O autor trabalha agora para que na Comissão das oito Potências que vai regular o comércio se faça o possível para assegurar as ditas seguranças. A França, única potência que poderia sustentar a tese de Portugal na escravatura, acha-se indecisa na renovação daquele tráfico, por não se ver os navios franceses expostos aos cruzadores inglese, como pelos grandes capitais que requer, como pelo receio em perder Martinica e Guadalupe na primeira guerra ou embaraço com a Inglaterra, como também receiam que o aumento de população negra naquelas ilhas possa dar origem ao mesmo que sucedeu em São Domingos. Com a extinção da dívida de Portugal a Inglaterra é natural que desse a administração de Londres, pede ao destinatário que haja para que Londres continue a ser o centro de pagamento do corpo diplomático por ser a praça mais conveniente nesta altura. Aconselha o Banco do Rio de Janeiro a receber as 48 mil libras esterlinas dos Resíduos da Ilha da Madeira que iam para Londres, ficando o dito banco responsável também pelo pagamento do corpo diplomático, ficando as verbas remanescentes ao dispor do Erário Régio. Lembra que é necessário promover em Londres fundos sobre os excedentes para as despesas de qualquer embarcação de guerra que venha do Rio de Janeiro. Observa que existem pessoas que sem perda de tempo pretendem assinar novos "Tratados ou Tratadas" comerciais som outras nações. Aconselha o dest. a prevenir-se se por acaso chegar-lhe às mãos alguma proposta porque "nem tudo o que luz he oiro". Defende que o principal objecto a tratar presentemente pelo nosso Ministério é o assegurar os interesses comuns de Portugal e Brasil de forma a que ambos "dem vigor e força progressiva hum ao outro". Sem esta segurança todos os Tratados com outras nações serão sempre inseguros e só compliarão a situação política e comercial da Monarquia. Torna a agradecer o envio de Manuel Rodrigues Gameiro que "tem sido de grande utilidade ao Real Serviço".
Comenta a espantosa revolução acontecida em França a favor de Bonaparte. Alerta para os inconvenientes do nosso contingente militar, estipulado pelo Tratado de 8 de Abril passado, e o emprego nos Países Baixos e na Holanda, ficando Portugal sem grande parte da fina-flor da sua tropa e exposto a um possível ataque conjunto da França e da Espanha. Receia que aconteça alguma crise em Espanha, visto que José Bonaparte fugiu da Suiça e encontra-se em Paris, podendo Napoleão enviá-lo a Espanha à frente de um exército francês e de um grande número de espanhóis descontentes que o governo insensato de Fernando VII tem concertado em França. É por isso urgente, que S.A.R. vigie o governo de Portugal e dê ordens para um armamento geral do reino e para que os ministros portugueses nas grnades potências recomendem vivamente para se persuadir principalmente a Grã-Bretanha da imotância de preservar Portugal e a Galiza de serem invadidos. É provável que a guerra da nova coalisão será duradoura porque ou os aliados invadem rapidamente Portugal para manter a ordem ou Bonaparte resiste mais algum tempo. Acha que os Plenipotencários que estão em Viena, como já se acham mandatados para negociar, deveriam ser nomeados para negociar a nova paz geral. Assim, o autor, partiria logo que acabasse o Congresso de Viena para Londres, juntamentecom Gameiro, para pôr o Arquivo da Legação em segurança e depois partir imediatamente para o local onde os primeiros estivessem em negociações. Remete a 2.ª via de uma carta que expediu em Novembro passado pela Corveta "Voador" sobre seu pedido de lhe darem um destino após o final do Congresso. Alerta para a necessidade das comunicações entre as missões estrangeiras se efectuarem de uma forma rápida, regular e segura, sugerindo que se mande alguns oficiais da Secretaria da Marinha a Londres para ficarem encarregues de distribuir os despachos.
Agradece a graça de [António de Araújo] e a outra de S.A.R., mas lamenta a situação em que se encontra a sua família e Silvestre [Pinheiro Ferreira] que, deitado no seu leito sofre, e permanece desonrado. Lamenta que todos os seus trabalhos no Rio sejam inúteis e que nada possa fazer por este homem. Recorda que [António de Araújo] tinha prometido fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para resolver esta situação e que, se não quiser ver Silvestre morrer, deve cumprir a promessa de obrar por ele, ao menos, uma palavra ao conde de Aguiar. Pede-lhe que a instrua do que deve fazer e a que porta deve bater.
Agradece a António de Araújo por ter enviado o Oficial de Secretaria Manuel Rodrigues Gameiro [Pessoa] para o ajudar no trabalho manual da missão. Informa que fez a viagem para Viena na companhia de António de Saldanha da Gama. Elogia as capacidades deste Fidalgo e do marquês de Marialva "qualidades bem próprias para a vida diplomatica". Aconselha a manter Rafael da Cruz Guerreiro na missão de Londres, independentemente de se proceder a mudanças naquela Embaixada. Comenta o artigo secreto do Tratado assinado entre a Espanha e a Inglaterra, em que a primeira após ter prometido a abolição por tempo indeterminado, vem agora impor um prazo de oito anos. Duvida que esta transacção tenha envolvido contrapartidas financeiras, mas receia que esteja relacionada com a expedição espanhola que saiu de Cádis para o Rio de Prata. Receia que aconteça nesta região o mesmo que se passa com Olivença, para existir um pomo de discórdia constante entre as duas nações; e pela mesma razão a Inglaterra há-de procurar evitar que se fixe os limites da Guiana entre Portugal e a França. O estado turbulento e vacilante da Espanha e suas colónias devem fixar a atenção do governo português. Confessa que o Congresso tem durado mais do que esperava e que é impossível calcular o resultado final das negociações. Relega para futuros cartas mais informações sobre os melhoramentos que urge fazer no Brasil.
O autor, Conselheiro e Secretário geral do Congresso de Viena, sabendo que à semelhança de quase todas as pessoas empregadas na Missão portuguesa do Congresso, pode S.A.R. nomeá-lo para outra missão após o final do Congresso. Neste sentido, apresenta ao "patrono" António de Araújo que os seus desejos, na avançada idade em que se encontra e sem mulher nem filhos, passam por dedicar o resto da sua vida aos trabalhos e aplicações a que sempre se dedicou no Real serviço. Propõe que finda esta comissão seja nomeado para Conselherio de Comércio nas missões estrangeiras, encarregando-se de promover oficialmente os trabalhos de rever comparativamente todos os Tratados celebrados entre Portugal e outras nações, confrontando-os com a legislação, para sugerir alterações e melhoramentos permanentes e progressivos; fornecer uma organização entre as missões e consulados portugueses no estrangeiro, para que estes apresentem relatórios anuais a S.A.R. e ao seu Ministério com informações exatas das legislações económicas e comerciais de outras nações; exercer uma rigorosa inspecção sobre estes trabalhos para que não haja lugar à relaxação enquanto se promove nas altas repartições a aplicação útil de tais trabalhos. A execução destas propostas deverão originar grande número de indivíduos habilitados para tais objectos. Se receber esta nomeação a sua residência principal deverá ser em Inglaterra, por esta ser o centro de comércio e possuir grande influência na produção de legislação comercial e financeira. Ocasionalmente poderá efectuar deslocações à França, Holanda e Alemanha para indagar elementos para os referidos trabalhos ou para negociar novos Tratados ou Convenões comerciais. Pretende continuar com o ordenado concedido pelo Decreto de 25 de Junho de 1814 inerente ao cargo de Conselheiro e Secretário Geral da Legação ao Congresso. Se esta proposta não for diferida, regressará a Londres e às funções que então exercia como Oficial da Secretaria de Estado.
O autor, Conselheiro e Secretário geral do Congresso de Viena, sabendo que à semelhança de quase todas as pessoas empregadas na Missão portuguesa do Congresso, pode S.A.R. nomeá-lo para outra missão após o final do Congresso. Neste sentido, apresenta ao "patrono" António de Araújo que os seus desejos, na avançada idade em que se encontra e sem mulher nem filhos, passam por dedicar o resto da sua vida aos trabalhos e aplicações a que sempre se dedicou no Real serviço. Propõe que finda esta comissão seja nomeado para Conselherio de Comércio nas missões estrangeiras, encarregando-se de promover oficialmente os trabalhos de rever comparativamente todos os Tratados celebrados entre Portugal e outras nações, confrontando-os com a legislação, para sugerir alterações e melhoramentos permanentes e progressivos; fornecer uma organização entre as missões e consulados portugueses no estrangeiro, para que estes apresentem relatórios anuais a S.A.R. e ao seu Ministério com informações exatas das legislações económicas e comerciais de outras nações; exercer uma rigorosa inspecção sobre estes trabalhos para que não haja lugar à relaxação enquanto se promove nas altas repartições a aplicação útil de tais trabalhos. A execução destas propostas deverão originar grande número de indivíduos habilitados para tais objectos. Se receber esta nomeação a sua residência principal deverá ser em Inglaterra, por esta ser o centro de comércio e possuir grande influência na produção de legislação comercial e financeira. No caso de ser aceite esta sua proposta, começará já, antes de se transferir para Londres, a trabalhar sobre as nossas relações comerciais com a Alemanha e com a Itália. Pretende continuar com o ordenado concedido pelo Decreto de 25 de Junho de 1814 inerente ao cargo de Conselheiro e Secretário Geral da Legação ao Congresso. Se esta proposta não for diferida, regressará a Londres e às funções que então exercia como Oficial da Secretaria de Estado. Em P.s. de 22 de Novembro, informa que remete uma carta em anexo ao marquês de Aguiar, Ministro dos Negócios Estrangeiros, a este respeito. A mesma carta vai com selo volante para que António de Araújo dela faça o que entender. Pede a intervenção do destinatário Para nunca mais ser nomeado para Secretário de outra missão porque quem exercita tal cargo é obrigado a escrever muito e por vezes recai sobre si a penosa tarefa de sancionar com a sua letra opiniões de outros que às vezes são contrárias às suas.
Como António de Araújo já deverá ter conhecimento de que os Plenipotenciários portugueses já foram admitidos ao Congresso e que as primeiras sessões já tiveram lugar. Limita-se a fazer algumas reflexões sobre o prospecto das negociações em gerale quais aquelas que lhe parecem dever ser as operações futuras para remediar erros passados e promover a monarquia lusa. As quatro grandes potências, Rússia, Prússia, aústria e Alemanha, "conciliabulo ou conclave das verdadeiras negociações", estão ocupadas a ajustar entre si os seus próprios interesses, não se interessando no Congresso em favor das outras potências. Pretendem excluir a França com base num artigo secreto do Tratado de Paris. A frança chama a si a missão de proteger os fracos que as outras nações pretendem despojar das ditas partilhas. Interesse das grandes potências em dissolver o Congresso o mais rápido possível para regularizar as suas finanças através da dissolução dos grandes exércitos que conservam. Prevê que não se entendam nas partilhas ficando os territórios tal e qual já estão determinados. Aconselha a que a legação portuguesa imprima no Congresso uma reforma das relações políticas e comerciais com as grandes potências, nomeadamente com a Rússia e a Aústria, desencadeando um processo que permitiria a Portugal demarcar-se da independência inglesa. Sendo que os ministros portugueses enviados ao Congresso são os que estão destinados a residirem na Rússia, Aústria, Inglaterra, deverão nessas residências prosseguir com as negociações iniciadas no Congresso. Refere-se às restituições e aquisições territoriais a que Portugal tem direito. Aconselha a preservar a independência financeira da Coroa portuguesa, substituíndo os ruinosos subsídios e empréstimos estrangeirs por sábias reformas em vários ramos da administração interna e externa para aumentar as rendas do Estado. Defende uma judiciosa e activa direcção das nossas relações exteriores; fomentar a indústria, comércio e navegações nacionais. Remeterá em anexo de uma outra carta um plano de trabalhos sobre estes assuntos contendo três pontos essenciais: 1.º Crítica ao Tratado de 1810 com a Grã-Bretanha, que foi tão lesivo a Portugal e para evitar futuras situações semelhantes, propõe o envio regular de informações e observações sobre as potências com quem Portugalvier a negociar contratos; 2.º organização das missões estrangeiras e consulados e sua sincronização como Ministério; 3.º promover uma inspecção sobre as diversas repartições públicas e evitar que façam somente trabalho de rotina ou de expediente.
Espera que António de Araújo já tenha recebido o "Memorandum" sobre a escravatura que o autor compôs a pedido do marquês do Funchal, para o caso de ele vir ao Congresso. Remete em anexo: uma memória traduzida e impressa em Paris, sobre o mesmo assunto e a tradução das petições dos negociantes da Baía também feita naquela cidade; um "memorandum", pedido pelos Plenipotenciários, indicando as claúsulas que se devem inserir em qualquer concessãoque S.A.R. queira fazer à Inglaterra em matéria de comércio de escravos; passagens e documentos notáveis dos "reports" da instituição africana de Londres que provam que os ingleses pretendem com a abolição organizar uma pirataria sistemática; uma memória pedida pelos mesmos Plenipotenciários para demonstrar que S.A.R. tem o direito e meios para anular o Tratado de Comércio de 1810, o qual acha que deverá ser anulado na sua totalidade sem se adoptar meios termos por forma a acabar com o monopólio que a Inglaterra tem sobre o nosso comércio. Expõe as condições que defende para a concepção e ratificação de Tratados. Refere-se à prorrogaçãoe ampliação temporária das relações comerciais entre a Rússia e Portugal em vez de se avançar imediatamente para um Tratado formal de longo prazo. Os ministros de todas as grandes potências em Viena estão desejosos de estabelecer relações comerciais com o Brasil. Defende novamente a criação do cargo de Conselheiro de Comércio nas legações estrangeiras, que já propôs na carta de 21 de Novembro.
Oferece uma cópia do "Memorandum" contendo os argumentos e propostas mais essenciais sobre o comércio de escravos, que lhe foi pedido pelo Embaixador. Informa que a última carta que recebeu de António de Araújo foi a de 9 de Agosto, o que lhe causa alguma confusão apesar da perda de alguns paquetes. Informa que a "doença da Espanha passou de febre inflamatória a podre" e muito embora não tenha consequências para Portugal é bem ossível que influa nas colónias espanholas, devendo estar atento ao que se passa no Brasil. Chegou o tempo das partilhas entre as grandes potências. Já cmeçaram as conferências entre os comissários ingleses e americanos, embora lhe pareça que não vão concluir a paz em breve e que a guerra poderá estender-se a outras potências. Luís XVIII recebeu o Ministro americano que Napoleão se tinha negado. Os corsários americanos estão a atacar em gende força os navios ingleses, em razão do bloqueio aos seus portos, e também todos os navios que saiam de portos ingleses, tendo já causado grandes transtornos à navegação portuguesa.
"Lembranças sobre a questão de abolir o comércio de escravos nas costas de África". Possui cinco apêndices em inglês: Discurso de Lord Greenville, publicado no "Morning Chronicle" em 28 de Junho de 1814; Sétima Resolução do "Meeting" publicada no "Morning Chronicle" de 18 de Junho de 1814; Procedimentos da Associação para a promoção da descoberta do interior de África, impressa em 1791.; Discurso de Lord Liverpool publicado no "Morning Chronicle" de 28 de Junho de 1814; Discurso de Lord Castlereagh publicado no "Morning Chronicle" em 28 de Junho de 1814.
Acusa a receção da carta de António de Araújo de 2 de Julho pela mão de António de Saldanha [da Gama], assim como o despacho com que S. A. R. honrou o autor. Agradece a promoção do seu despacho. Todavia, preferia ficar com a mercê dos 500 $ réis, a qual também deve ao destinatário, continuando a empregar-se em objectos de comércio e economia política do que ver-se agora envolvido "no labirinto ou chaos dos nossos negocios políticos deixados por tanto tempo à revelia". Diz que quando aconselhou a nomeação de pessoas de saber e experimentadas para acompanhar os ministros portugueses em missões exteriores, nunca lhe passou pela cabeça que fosse um dos escolhidos. Concorda com o destinatário quando lhe diz ter chegado o momento de "alcançar mos a independencia". Os ministros das grandes potências já estão em Viena e se eles estão a tratar com frieza das partilhas da Alemanha, Polónia, Itália, muito receia o autor Que podem fazer o mesmo com outros territórios sobre os quais não tenham instruções. Louva o sacrifício pessoal de António de Araújo para estar ao serviço de S.A.R., sendo este o maior estímulo que podia receber. O novo emprego obriga-o a expôr uma circunstância , enquanto foi Oficial da Secretaria de Estado e apesar de ter direito à insígnia da Ordem de Cristo, nunca pediu tal mercê, mas com o novo emprego desejaria usar a decoração ou do Hábito de Cristo ou de Torre e Espada.
"Passagens Notáveis dos "Reports" da Instituição Africana de Londres com alguma observações".
Lamenta a morte do conde das Galveias. Diz que tem em seu poder as últimas 61 páginas escritas por ele e das quais está a retirar um extracto e a acrescentar algumas observaçõesessenciais sobre cada um dos oito pontos. Estimou ver que um dos pontos defendia que a navegação entre possessões portuguesas deve ser feita unicamente por navios nacionais, apesar de saber que ter chegado a Lisboa navios ingleses vindos do Rio e da Baía. Defende o uso imediato desta proibição para não aniquilar a navegação portuguesa. Pela gazeta inclusa verá o que se vai passar nas negociações entre a França e os aliados a respeito do comércio da escravatura. Defende a aplicação de Mr. Wilberforce de que o governo português só deve cooperar em tal medida quando a Corte já estiver instalada na Europa, em virtude do estado de exaltação em que se encontram os povos do Brasil, devido à rapina e violência que sofrem os seus navios. As Convenções Preliminares entre a França e os aliados foi assinada por Talleyrand, quem o autor presume ficará com os Negócios Estrangeiros, por opção do próprio Luís XVIII. Alguns Marechais de França estão desgostosos com a mudança porque ficaram subordinados ao novo governo. Os prisioneiros que os aliados vão restituindo são bonapartistas, devendo à imitação de Bonaparte e após a paz de Amiens, serem empregados numa expedição a São Domingos. A grande maioria em França apoia os Bourbns. Tem recebido notícias de Madrid até 13 de Abril: Fernando VII foi recebido com entusiasmo em Saragoça acompanhado por Palafox e partiu depois para Valência e dali para Madrid. O Infante D. António seguiu directamente de Saragoça para Madrid.
Informa que remeteu por este Paquete duas números da gazeta "Morning Chronicle" onde o destinatário Poderá ver a aniquilação de Bonaparte e a restituição dos Bourbons. Comenta a nova Constuição francesa, publicada em outras gazetas posteriores às primeiras. Os soberanos aliados estão em Paris e presenceiam a estas negociações com "200 mil baionetas Vítoriozas" e é natural que não lhes agrade verem Luís XVIII entregue aos assassinos de seu irmão, do Senado, dos marechais e exército de Bonaparte; mas que desejando o sossego de França e a paz da Europa façam empregar o Direito Canónico de Frederico II. Talleyrand é o primeiro grande móvel do que se passa em França e depois de dar o primeiro passo em favor dos Bourbons deverá preparar "uma espece de 18 Tructidor" para os colegas que desonrem o corpo. O irmão de Talleyrand foi a Londres apresentar a Constituição a Luís XVIII e convidá-lo a regressar a França. Fernando VII, de Espanha, e o Infante D. António já chegaram a Girona, sendo que o Infante D. Carlos foi posto em liberdade para seguir-lhe o trajecto. Lord Castelreagh estava em Paris, ao que se presume a ultimar uma convenção preliminar para a suspensão das actividades marítimas. Fala-se que se expediram 25 mil ingleses de Bordéus para a América do Norte para fomentar a separação das províncias do Norte das do Sul. Parece que o Duque do Infantado vai como Embaixador a Paris e só Portugal é que não se dignou de mandar cumprimentar os soberanos aliados pela feliz restauração da Europa, quando já passou um ano da batalha de Moscovo. Depois de tão grandes proezas dos portugueses que contribuiram para o actual estado da Europa, parece que a "Monarquia Portuguêsa fosse no Mundo da Lua!!!". Em P.s. viu num ofício de D. Miguel Pereira Forjaz que se esperam dois navios em Lisboa, vindos do Rio de Janeiro, com Despachos. No caso de se ter expedido a ordem para o A. Receber os emolumentos, pede ao destinatário que faça expedir a 2.ª via e que os faça pagar tal como o fazem a Rafael da Cruz Guerreiro. Remete à cautela uma gazeta de ontem com a nova Constituição francesa.
Informa que depois de ter expedido as cartas de 10 e 18 de Abril, chegou um paquete do Rio sem qualquer carta de António de Araújo, o que o leva a crer que nos dois paquetes de Outubro e Novembro vinham cartas participando a solução do negócio que o autor tinha proposto, bem como os despachos que o Embaixador estava a aguardar. Como recebeu um despacho do marquês de Aguiar, ministro dos Negócios estrangeiros, expediu-lhe uma carta, cuja cópia remte em anexo, apresentando as suas propostas para continuar a proceder à preservação das suas colecções. Felicita o destinatário por estar Ministro da Marinha e do Ultramar e espera que ponha "em execução os planos que a sua reconehcida inteligência e patriotismo lhe dictarem sobre tão importantes objectos". Redobrará os esforços para que os seus trabalhos e aplicações possam ser utéis aos planos do destinatário para a marinha mercante e marinha de guerra. Alerta para os papéis públicos que publicaram a Convenção Preliminardos aliados com a França, que será em poucos dias, seguido de um Tratado de Paz definitivo, contendo as partilhas, ficando os detalhes para serem regulados um Congresso. Está ansioso para ver que destino terá Nápoles, e que segundo ouvir poderá ficar para Murat; Beauharnois terá também um estabelecimento na Alemanha. Refere-se à batalha de Toulosa que ocorreu devido ao atraso docorreio de Madrid, ignorando-se quem foi o responsável por tal manobra. Nos mesmos papéis sairam a notificação do ministério inglês para o bloqueio dos portos da Noruega. Diversas opiniões sobre se está ou não para breve a pacificação com os Estados Unidos, apesar de se estarem a preparar para transportar dez mil homens de Lord Wellington para prosseguir a guerra.
O autor, Cônsul Geral de Portugal em São Petersburgo e Negociante de vinhos, expõe a António de Araújo as graves dificuldades em que se encontra a sua casa comercial devido à ausência de fundos. Solicita a protecção do destinatário para a mesma, e sustenta que agora que o mesmo vai viver para junto do Trono do Príncipe-Regente poderá ajudar a salvar o único estabelecimento comercial português no império russo. Caso não consiga os ditos fundos, solicita-lhe que inste junto do monarca para lhe alcançar a nomeação para outro local em que a carestia de vida seja menos significativa. Informa que já alertou o Ministério e a Companhia dos Vinhos do Alto Douro para esta situação, mas não obteve resposta. Informa que o seu sócio Joaquim José Gonçalves acompanhará o dest. nesta sua viagem para Lisboa, podendo expôr todo o sucedido. Pede protecção para receber os ordenados em atraso, que apesar da carta de D. João de Almeida de Melo e Castro não foram desbloqueados. Refere-se ao falecido Barão José Celestino Velho
Relembra a primeira vez que teve a honra de conhecer [António de Araújo] foi em casa de Madame Ofarill e recorda que foi graças ao talento dele e à forma como falava deste país que vieram para a América. Refere-se à carta recebida de Madame Zélie, da Holanada, e à discórdia e à intriga que está instalada à sua volta. Embora saiba que é aspirar a muito, convida o destinatário para se deslocar a sua casa onde se propõe a falar sobre o assunto.
Solicita ao Chevalier uma audiência para falar de uma carta que recebeu de França há já alguns dias. Toma a liberdade de enviar algumas cartas para seguirem com os despachos que vão para o Embaixador em França.
Escreve ao Chevalier sobre o comendador de Drucom, cavaleiro professo da ordem de Malta, que não tem outros herdeiros senão esta Ordem e os seus credores. A autora e o conde de Gestas estão encarregues das dívidasdo referido Drucom. Em P.s. refere-se ao restabelecmento do rei de França.
Justine Pinheiro née de Leidholdt, desculpa-se por enviar uma segunda carta, insistindo no convite para tomar chá. Diz que está disposta a fazer tudo o que está ao seu alcance para acabar com esta situação e, portanto, pretende comunicar, pessoalmente, o meio que encontrou para restablecer o negócio, estando segura de que a situação não permanecerá idêntica se este meio for aplicado. Se o desejo do destinatário for, verdadeiramente, o da paz, está certa de que ele aceitará o convite para esta noite.
Participa a [António de Araújo] que acredita ter encontrado o meio de proceder. O Marquês de P., quem estima e considera, não lhe recusou a oportunidade de participar ao destinatário em que circunstâncias se encontra o negócio. Como a empresa é grande a autora receia naufragar e confia o seu rumo nas mãos da Providência e nos sentimentos de [António de Araújo]. Em P.s. comunica que recebeu uma carta de Madame Durand que a encarrgea de apresentar as suas respeitosas homenagens.
Acusa a receção da carta de 11 de Dezembro, tendo na altura já recebido um despacho do conde das Galveias com data de 16 de Agosto em que este acusava a receção de várias cartas e de duas memórias, que eram dirigidas ao conde de Linhares. Felicita o destinatário pelas proezas que os russos têm alcançado, as quais poedem mudar a face da Europa, assegurando a liberdade da Alemanha e a independência de todas as potências europeias. Refere-se à formação de um contingente de 70 mil homens, proveninetes da Legião alemã e do exército russo, que será comandado por Bernardotte. A Aústria, apesar do seu parentesco com Bonaparte, já mostrou que não tem intenção de unir-se-lhe, em virtude da oferta dos aliados que permitirá a Viena recuperar os seus direitos em Itália, na Illiria e na Alemanha. Entretanto, o Senado francês votou a favor de um exército de 530 mil homens para servir a "ainda verde e mesquinha dymnastia" bonapartina, o que o autor duvida seja possível alcançar devido ao trauma dos holandeses, italianos e franceses que viram 600 mil dos seus amigos e parentes serem sacrificados às mãos da ambição de Bonaparte, e até os erros crassos cometidos na Península [Ibérica] e na Rússia são reconhecidos pelos seus partidaristas. Assim, as fileiras dos aliados aumentam, prevendo-se grandes transtornos a Napoleão. Lamenta que nestas circunstâncias Portugal esteja sem Ministro acreditados por S.A.R., na Rússia e em Viena para negociar futuras alianças comerciais e matrimoniais. Informa ao destinatário dos rumores que circulam sobre as potências que pretendem fazer Tratados de Comércio com Portugal, aconselhando o destinatário, enquanto Conselheiro de Estado, que impeça a prossecução destas práticas que poderão levar à destruição e ruína total do comércio e marinha portuguesa. Acha que se deve seguir a máxima de João de Wix que estando uma nação em fraqueza ou em dependência de outros não deve fazer tratados desta natureza, deve antes olhar estas propostas com receio porque em vez "de Tratados são Tratadas como [...] lhe chamava o honrado e patriótico Ministro Martinho de Mello". Alerta ainda para a indefinição da fixação da Corte e o adiamento da paz geral poderão influir nestas questões. Exemplifica com o Tratado firmado com a Grã-Bretanha e principalmente com o caso da Companhia do Porto, onde a Inglaterra compeliu Portugal a obrar contra os seus próprios interesses, acabndo assim com a reciprocidade que deve existir nestes acordos. Pede protecção para o requerimento do seu irmão Simão José de Azevedo, em que este pedia a propriedade do Ofício de meirinho do Conselho da Fazenda. Em P.s. indica o endereço para o qual deve remeter a correspondência.
Acusa a receção da carta de 20 de Maio. Lourenço Rodrigues de Sá, Agente da Companhia do Porto em Londres, remeteu, ainda antes de se saber da morte do conde de Linhares, cópias de duas Memórias da autoria de Ambrósio Joaquim dos Reis a favor da dita Companhia, pedindo a proteção de António de Araújo para a mesma, visto que enquanto foi Ministro em Portugal sempre protegeu a dita Companhia das maquinações que os negociantes ingleses se insurgiam para extingui-la. Como sabe que o conde das Galveias corre perigo de vida, pede ao destinatário que as leia e proteja a dita Companhia. Informa que as mesmas memórias não causaram qualquer impressão a Linhares como esperava "graças provavelmente às preocupações que lhe tinhão inspirado o author da infame obra do commercio franco do Brazil". O Governo de Lisboa recebeu muito bem as ditas memórias, tendo até um dos Governadores lhe remetido uma carta para se fazer publicar no "Investigador Português", e que foi publicada nos dias 11 ou 12. Informa de um "meeting" de 8 ou 10 pessoas lideradas por James Warre para pedir à Câmara dos Comuns a execução de alguns pontos do Tratado de Comércio de 1810 e particularmente a extinção da Companhia [dos Vinhos do Alto Douro]. Fala da apatia dos agentes da Companhia em Londres perante a apresentação de Canning da referida petição no Parlamento inglês e que só o zeloso Lourenço Rodrigues de Sá agiu. Pelo Navio "Hanna" remete um exemplar da tradução da sua carta com a circular dos correpondentes. Refere-se à Memória sobre os meios de corrigir os abusos introduzidos na administração da Companhia do Porto, com algumas observações sobre o Tratado de Comércio entre S.A.R. e S.M.B., a qual foi escrita com o fim particular de impedir os danos que nos poderia causar a falsa e injusta aplicação de reciprocidade. Remeteu também as obras "Shipmaster's assistant steel Tables of Customs etc." que contem alguns príncipios aplicáveis ao Brasil. Informa do endereço para onde deve enviar a resposta. Sente muito pela saúde do destinatário não ser a melhor.
Comunica os resultados dos exames efectuados, pelo hidrómetro de Clarke, as três qualidades de aguardentes do Brasil que os capitães dos navios traziam para o seu gasto. Elogia o Rum da Jamaica, de Tobago e das Ilhas de "West Indies", os quais são de maior força que os do Brasil sendo por isso os preferidos dos negociantes importadores. Comenta o efeito no comércio causado pela destruição dos vinhos em Portugal pela guerra e passagem das tropas aliadas e inimigas. Aponta medidas para revitalizar a produção de aguardentes e bebidas espirituosas do Brasil para fazer face ao Rum da Jamaica e de Tobago. Comenta a pouca saída que o açucar e o algodão do Brasil têm vindo a registar em virtude do tirânico sistema continental de Bonaparte. Deseja informações sobre os processos de fabrico destes produtos, sem que se omita alguma explanação, para depois poder comunicar as alterações a efectuar-se para obter o melhoramento dos mesmos. Pede ao destinatário Que remete as cartas à Casa de Brás Carneiro Leão e que este as remeta ao cunhado António Martins Pedra.
Informa que a última carta que recebeu de António de Araújo foi a de 9 de Agosto, na qual lhe dava esperanças em que o conde das Galveias promoveria a justa pretensão sobre o recebimento dos emolumentos ou de um valor equivalente. Como pelos paquetes de Setembro, Outubro e Novembro, chegados dessa Corte, nada recebeu, roga ao destinatário que se por acaso lhe tenha sido concedida esta mercê, que remeta a confirmação da mesma por três paquetes sucessivos. Seja ela na forma recebida por Teodoro José Pinheiro, que recebe em lisboa, ou como a Rafael da Cruz Guerreiro que recebe os 5oo $ réis na Lista da Secretaria de Londres. Pela fragata "Hermes" recebeu a desagradável notícia do falecimento do conde das Galveias. Pede ao destinatário que interceda junto domarquês de Aguiar ou de quem tomar a Pasta dos Negócios Estrangeiros, se por acaso Galveias não chegou a diferir esta pretensão. Num P.s. de 18 de Abril, o destinatário verá pela carta e boletim anexo do estado em que a Europa se encontra, e logo reconhecerá a grande utilidade das colecções que o autor Tem constutído e pretende continuar caso receba tal mercê.
Informa ao conde da Barca que dirigiu na última embarcação uma carta referente às suas pretensões. Vivendo na incerteza, repete as suas súplicas sobre o seu requerimento para o cargo de Conselheiro Honorário da Fazenda. Comunica que pensa pedir a demissão do cargo de Desembargador visto que por esta categoria, o seu requerimento quando fosse à consulta ao Desembargo, poderia servetado devidoà sua pouca antiguidade naquele orgão. A alternativa será fazer uso do estatuto de lente o que seria algo perigoso, visto a estes "privilégios que o Desembargo abomina, e a que sempre obsta" de uma forma incoerente. Reforça a ideia de que não requer nada que não lhe pertença e manifesta a sua vontade em deixar a vida pública caso a seja recusada a sua pretensão. Relembra que foi o Duque de Lafões quem pediu ao conde da Barca que protegesse o autor.
Acusa novamente a receção das cartas de 25 de Julho e de 9 de Agosto passados. Pelos paquetes de 17 de Setembro e de 17 de Outubro, não recebeu qualquer missiva, receando que neste último se tivesse perdido a resolução da sua pretensão sobre os emolumentos da Secretaria. Como os paquetes precedentes que saíram de Inglaterra forma tomados, o autor repete que Rafael da Cruz Guerreiro recebe 500 $ réis pela lista da Secretaria de Londres e que Teodoro José Pinheiro recebe os mesmos emolumentos em Lisboa. Pretende usufruir destas regalias por forma a continuar as suas colecções e ter uma casa em Londres que as conserve em bom estado. Pede uma resposta por vários paquetes devido aos inúmeros perigos que assolam os mares. Alerta para os papéis públicos recentes em que vem o discurso que Bonaparte abriu o Copro Legislativo em 19 de Dezembro e para a declaração dos aliados publicada no dia 1 de dezembro em Frankfurt, parecendo que ambos convergem para as negociações da paz. A neutralidade da Suiça pode estar por dias, visto que estes podem querer recuperar os territórios usurpados pela França. Refere-se aos esforços militares da França para evitar a todo o custo uma invasão e não deixar de ser curioso o facto de em todos os dicursos que se acham nas gazetas francesas não se encontrar qualquer referência ao "grande exercito francez" como outrora. Alerta para a nota dos ministros austríacos ao "Laudamman" da Suiça sobre a entrada das tropas aliadas neste território; a ordem do dia e proclamação do Príncipe de Schwartemberg ao mesmo respeito, em que um dos ministros que a assina é Mr. Lebzeltern, que dizem ser o braço direito de Metternich. Lord Castelreagh partiu para o Quartel General dos Aliados, talvez pouco satisfeito com a declaração publicada no dia 1 de Dezmbro pelos aliados. Estes estão cada vez mais fortes e não param a sua marcha enquanto que os franceses estão cansados de guerra e de Napoleão que na Península [Ibérica], Moscovo, e Leipzig sacrificou um número imenso de soldados, eclipsando a sua glória militar. Não se admira se em pouco tempo os mesmos franceses restituírem os Bourbons. Refere-se às batalhas em que Wellington derrotou Soult, tendo o exército português ganho grande notoriedade sendo por este motivo necessário começar a promover a Oficiais superiores as tropas portuguesas que estão esquecidas neste ponto, à excepção de Lecor. A Dinamarca assinou armistício e em poucos dias deverá juntar-se aos aliados. As Cortes e regência de Espanha já estão em Madrid. Além de Castelreagh, estão da parte da Inglaterra no Quartel General, Lord Aberdeen junto do Imperador da Aústria, Lord Cathcart junto do Imperador da Rússia e Sir Charles Stuart junto do rei da Prússia. A Espanha tem Bardaxi e Petersburgo, Pizarro com o Rei da Prússia no Quartel General; o Rei da Sardenha tem o conde de Maistre em Petersburgo e o Cavalheiro Balbi no Quartel General. Lamenta que só Portugal não tenha nenhum Enviado junto àqueles soberanos.
O autor, Membro da Sociedade das Ciências, Belas-Letras e Artes de Bordéus, da Sociedade Filomática e fundador do Museu de Instrução Pública, aproveitando a paz que vigora na Europa, certo da protecção que o destinatário concede às artes, lembra a promessa que este lhe fez, na presença do Chevallier Raba?, Cônsul Geral de Portugal, aquando da sua passagem por Bordéus em que lhe prometia enviar alguns objectos de História Natural. Como o destinatário presentemente vive no Brasil, que pela sua posição é extraordinariamente favorável às pesquisas daquela ciência, solicita-lhe o envio de minerais, moluscos , aves e insectos para a colecção do seu museu. Declara o destinatário protector do seu museu.
Alerta para os recentes papéis públicos que confirmam a sua suposição em que o exército Austro-Bávaro, comandado pelo General Wrede, marchou para o Reno onde se deu a Batalha de Hanau. Confirmam também a entrada dos aliados na Holanda, tendo so seguidores da Casa de Orange feito a revolução sem que os franceses conseguissem cortar os diques para inundar o país conforme premeditavam. Com a proclamação do Soberano dos Países Baixos Livres, pouco falta para que a Holanda se ache completamente livre. A Suiça declarou a sua neutralidade, embora o autor julgue que não perderão a oportunidade de se unirem aos aliados para para recuperar territórios como Vallais. Tumultos em Brugges, Bruxelas e Anvers, sendo possível que também se registem no Brabante austríaco. A navegação do Weser está livre, a Alemanha livre dos franceses à excepção de algumas praças fortes. Bernadotte atacou Davoust no Elbo, obrigando este a retirar-se para Hamburgo. A Dinamarca apresentou proposta de negociação a Bernadotte que a recusou. Dissolução da Confederação do Reno e organização do "Landwehr" e do "Landsturm", tendo os príncipes que a compunham solicitado ao Imperador austríaco que se declarasse seu chefe, convite que o próprio declinou. Refere-se ao Tratado assinado entre a Aústria e o Rei de Wurtenberg, o príncipe de Metternich. Acha estranho que a Aústria e a Espanha não tenham nomeado Ministros para ambas as Cortes e que o Ministério inglês ainda não tenha apresentado no Parlamento o Tratado de Aliança com a Aústria. Todos os Soberanos e Generais em Chefe estão em Frankfurt, crê-se que a concertar a passagem do Reno e a entrada em França pela Suiça. Os franceses concentram-se em Anvers. Os austríacos estam em Bergamo na Itália; Veneza acha-se bloqueada e em Milão as autoridades preparam-se para decampar. Em Espanha o Quartel General foi instalado em São João da Luz; as novas Cortes e Regência já estão em Madrid; o exército espanhol está desorganizado, fazendo com que Wellington só possa contar com o auxílio do português. Avança com diversos cenários para as negociações de paz entre a França, a Inglaterra e a Holanda, referindo-se a temas como a a restituição das colónias francesas, o estabelecimento dos limites deste país, a restituição do Cabo da Boa Esperança aos holandeses. Acha que é possível que se faça a paz continental, mas a França e a Inglaterra devem continuar em guerra. Refere-se, ainda, à guerra entre a Inglaterra e os estados Unidos da América pelos direitos marítimos. Aconselha a que Portugal tenha negociadores hábeis para tratar com as outras potência em qualquer cenário possível, mas que não faça uso de procuradores estrangeiros. Alerta para o facto de a França querer a Guiana e a Inglaterra não hesistar em devolve-la. Os domínios portugueses estão a ser alvo de muita cobiça pelas potências aliadas, sendo esta a altura indicada para se formar novas e proveitosas relações comerciais. É necessário transpor o "muro" que separa Portugal das potências continentais e preservar a integridade e independência da Monarquia. Sugere que se procure estar sempre cautelosos e em paz com a Inglaterra, mas que se estreite as alianças com outros países europeus, facto que requer um corpo diplomático activo, inteligente, enérgico e trabalhador. Defende a residência do poder supremo na Europa, escolhendo-se governadores experimentados e patrióticos para os principais portos do Brasil.
Encontrando-se distante da Corte e sem relação com ela, recorre à protecção de António de Araújo para expôr o estado do Real Arquivo. Informa que há muito tempo que o mesmo anda em grandes estados interinos, desde a morte de José de Seabra, e sem que se atenda à qualidade das pessoas que são nomeadas para um cargo de tão grande importância. Participa que o Arquivo tem sido alvo de roubos. Dfende que a instituição deveria ser dirigida por alguém com prática de arquivos ao contrário do que até hoje se tem praticado onde "Fidalgos, e mechanicos, Frades, Clerigos, Militares, Ministros Superiores, e athe Corregedores do Civel da Ci[da]de tem sido Proprietarios deste cargo". Assim, atendendo à grande quantidade de trabalho atrasado, oferece-se para o pôr em dia.
Acusa a receção das cartas de 11 de Julho e de 9 de Agosto, e agradece a prontidão [de António de Araújo] nas respostas e o intersse em tudo o que lhe diz respeito. Comenta as razões do adiamento das viagens que deveria fazer à Alemanha e Holanda. Informa que ao contrário do que anteriormente se praticava os Oficiais da Secretaria dos Negócios Estrangeiros empregados em missões exteriores, já recebem os emolumentos conforme se constata pela situação de Rafael da Cruz Guerreiro e Teodoro José Pinheiro. Soube por este último que os Oficiais dos Negócios do Reino recebem sempre os emolumentos, pede por isso ao destinatário e ao conde das Galveias que lhe atribuam os 500 $ réis, pela lista da Secetaria de londres, como o fazem a Guerreiro, pois pretende manter e aumentar as suas colecções. Invoca os longos anos de trabalho nas missões de Turim, Paris e Londres. Verá pelas gazetas que Pamplonacapitulou, presumindo-se que Wellington passe agora à Catalunha para expulsar Suchet e assim poder entrar nas praças de Figueiras, Girona, Morvideo, Denia e no forte de ?Mongui? em Barcelona. Lord William Bentink partiu apressado para a Sicília devido à "inoculação forçada da constituição inglesa" fazem nos povos locais. As Cortes ordinárias em Espanha transferiram-se para a Ilha de Leão e dali para Madrid em virtude do surto de febre amarela que ali surgiu. Napoleão retirou-se por Weisenfeheerfurt, após o seu exército ter sido destroçado nas vizinhanças de Leipzig. Parece que se confirma que o exército Austro-bávaro, comandado pelo General Wrede, marchará para o baixo Reno de maneira a que o Bonaparte pode ainda não estar a salvo. Já forma apresentados no parlamento [inglês] os tratados assinados pela Inglaterra com a Rússia e a Prússia, anunciando-se outro com a Aústria, este ainda não ratificado. Comunicaram-lhe que estas potências acordaram em convocar imediatamente um Congresso, para o qual convidaram Ministros de todas as potências aliadas, com o fim de estabelecer o equilíbrio da Europa. Comenta as deliberações das outras três potências que pretendem reduzir o número de principados para formar potênvias intermédias, mas não sabe se farão o mesmo em Itália. Informa dos negociadores que a Inglaterra, Espanha, Sardenha têm em São Petersburgo e no Quartel General, e alerta para a necessidade de Portugal nomear algum. A Baviera restituiu o Tirol à Aústria. Informa das derrotas de Beauharnais, fazendo com que a Aústria ganhe terreno em Itália. Presume que Bonaparte vai escapar e soube por uma pessoa vinda do Quartel General que Bonaparte escreveu ao seu sogro, o Imperador da Aústria, a propor o fim da guerra, optando pelas propostas do Congresso de Praga. Informa que Paris está em grande confusão. A qualquer momento a Dinamarca pode juntar-se aos aliados. Remeteu um maço por Manuel Caetano Pinto.
Expõe ao [conde da Barca], única pessoa que tem nesse continente, para expôr o seu negócio. Informa que, tendo 28 anos de serviço e tendo criado de novo a cadeira de Diplomática, requereu a S. M. o cargo de Conselheiro da Fazenda, alegando o Alvará Régio de 1 de Dezembro de 1814, que prometia nomear para o posto de efectivos todos os lentes que possuisem dezoito anos de serviço. O seu requerimento veio à consulta ao Desembargo do Paço, tendo ficado surpreendidoquando lhe comunicaram que ainda não possuia antiguidade suficiente de tribunal. Esperando uma resolução desfavorável, pede a protecção do destinatário para o novo requerimento que dirigiu a S. M. declarando que pedia o despacho unicamente na qualidade de lente. Justifica este pedido com o facto do Desembargo ser sempre zeloso contra as prerrogativas dos lentes.
O autor, Ambrósio Joaquim dos Reis, informa ao marquês de Aguiar que recebeu por António de Saldanha da Gama o despacho de 26 de Junho de 1814 com os decretos relativos à sua nomeação para Conselheiro e Secretário Geral da Legação ao futuro Congresso. Pede ao destinatário que beije por si a mão do Príncipe-Regente por tão alta honra e mercê. Confessa que não estava preparado para assumir tal responsabilidade em razão do seu atual estado de saúde, e que só pensava em passar o resto dos seus dias a Portugal ou a outro local de clima temperado. Pede antecipadamente desculpas por quaisquer falhas que possa involuntariamente cometer.
O autor, Ambrósio Joaquim dos Reis, informa ao marquês de Aguiar que recebeu por António de Saldanha da Gama o despacho de 26 de Junho de 1814 com os decretos relativos à sua nomeação para Conselheiro e Secretário Geral da Legação ao futuro Congresso. Pede ao destinatário que beije por si a mão de S.A.R. por tão alta honra e mercê. Confessa que não estava preparado para assumir tal responsabilidade, em razão da sua precária saúde, e que só pensava em passar o resto dos seus dias em Portugal ou em outro local de clima temperado. Pede antecipadamente desculpas por quaisquer faltas que possa involutariamente cometer.
Participa ao marquês de Aguiar que já se encontra em Paris, aguardando apenas pela intimação que o autoriza a entrar no exercício do cargo que lhe está destinado.
"Prospecto do Tratado Provisional de Comércio com a Prússia".
"Providências essenciais para estabelecer uma correspondência pronta, regular e segura entre o nosso Ministério e as Missões diplomáticas portuguesas".
Memória, pedida pelos Plenipotenciários portugueses acreditados no Congresso de Viena, contendo as claúsulas que se devem inserir em qualquer concessão que S.A.R. queira fazer à Inglaterra em matéria de comércio de escravos.
Comenta as repercussões do Tratado de 1815 no Brasil; refere-se ao aproveitamento de emigração europeia, referindo como exemplo os 400 suiços, na sua maioria capitalistas, que vão para os E.U.A., continuam a aparecer publicações contra o "Registry Bill" e a Instituição Africana, esperando-se que os debates no Parlamento [inglês] sejam tremendos. Comenta as disposições do governo britânico para conter as revoltas dos negros das "West Indies", mais particularmente na Jamaica. As colónias inglesas da América do Norte estão em desacordo com a metrópole devido à religião. Os Estados Unidos pretendem unir a si o Canadá; a Irlanda encontra-se em estado de fermentação. Concluiu-se o Tratado entre o rei da Sardenha e o Dey de Argel, com mediação da Inglaterra; assinatura de um Tratado entre a espanha e a Holanda. Estimou as nomeações de Navarro para Viena e a de José Correia da Serra [para os Estados Unidos]. Refere-se à aplicação do seu plano relativo às comunicações entre o Ministério e as missões diplomáticas.
Leu com muito gosto nos jornais portugueses o discurso que a Câmara do Rio de Janeiro fez ao Soberano em agradecimento pela elevação do Brasil a Reino Unido ao de Portugal e Algarves; e com dobrado gosto a resposta que Sua Majestade deu à mesma Câmara, anuindo à súplica de se elevar um monumento à memória de tão grande benefício. O autor, aconselha que tal monumento se materialize na edificação de um Palácio para a residência real no interior do Brasil, onde se possa prever a fundação de uma cidade que possa ser a capital do Brasil e a qual deveria adoptar um nome análogo ao do Soberano que a fundar. Tal estabelecimento traria grandes vantagens comerciais e da comunicação interna, facilidade na defesa do país "fugindo ao Rio de Janeiro onde o calor impossibilita toda a actividade e energia dos trabalhos". Louva a oferta de subscrição que o corpo de comércio do Rio de Janeiro subscreveu para a fundação de estabeleciementos de educação pública. Aconselha a abertura de estabelecimentos mais utéis à cidade e outras capitanias como escola prática de minas, onde se pudesse leccionar matérias como a aritmética, a geometria, a química, a mecânica e mais ciências naturais aplicadas às artes; estabelecimento de sociedades económicas nas diversas capitanias. Critica a ideia de fundar uma Universidade no Brasil, sustentando que no estado actual da Monarquia uma basta, porque outra "Fabrica de bachareis e letrados" aumentaria a "turba miserrima" destes e roubaria braços à lavoura e às artes e produziria um grande número de "semidoutos ociosos e falladores, de poetas de agoa doce, de propagadores de ideias liberais e dos direitos do homem", gerando grandes problemas num país como o Braisl onde a maior parte da povoação é composta de escravos e de gente de cor. Seria fatal para o Brasil e para toda a monarquia pois cortaria o quase único fio de ligação entre a metrópole e o novo reino.
Remete um papel que lhe foi endereçado por António de Saldanha da Gama. O conde de Palmela já chegou a Londres, estando o autor a proceder à entrega das cópias do Arquivo do Congresso [de Viena], visto que grande parte dos originais foram pedidos por Francisco José Maria de Brito e pelo marquês de Marialva. Ainda não recebeu a comunicação oficial da sua nomeação, mas partirá em breve para Paris.
Participa ao conde da Barca que tendo entregue ao conde de Palmela o Arquivo da Legação ao Congresso [de Viena], concluiu todas as comissões de que estava encarregue em Londres. Assim, transferiu-se para Paris onde está pronto para entrar sem perda de tempo nas funções que lhe estão destinadas. O colega e amigo [Francisco José Maria de] Brito tem-no tratado com toda a franqueza e abertura. Felicita o dest. Pelo bom êxito da negociação do colega Navarro e manifesta a sua aprovação pela aliança matrimonial com a Augusta Casa de Aústria. Refere que o "proveito deste novo favor do Ceo" depende em muito do Agente Diplomático que S.A.R. nomear daqui em diante para aquela Corte. Expressa os votos de que este consórcio produza os resultados de grande satisfação para os habitantes das "duas principaes partes integrantes da Monarquia tão separadas huma da outra", preservando assim a integridade, tranquilidade, prosperidade e independência da monarquia lusa.
Agradece ao amigo [Antonio de Araujo] a carta de 12 de Janeiro onde lhe comunicava do restabelecimento da sua saúde. Saldanha informa que continua a passar sem grave incómodo e que a sua esposa escreverá em breve. O Congresso chegou ao fim e em dois ou três dias assinar-se-á o Tratado Geral. Era impossível para a delegação portuguesa fazer mais, visto que o Tratado de Paris condicionou em muito a sua prestação, tendo contribuído para o efeito a pouca consideração que as outras potências demonstraram por Portugal. Refere-se às divergências entre os membros da delegação portuguesa, que quase culminaram num escândalo, e que vão documentados nos ofícios que acabam de ser expedidos. Manifesta as razões da sua oposição à assinatura do Tratado e à votande em não integrar, o futuro, comissões em que estejam presentes indivíduos que têm acções e pensamentos diametralmente opostos ao seu. Como o marquês de Marialva acompanhará o Imperador, Saldanha informa que parte para São Petersbrugo, via ?Baaden? onde se demorará um mês e aguardará pelas instruções do destinatário. Gameiro tem trabalhado muito e sobre ele escreverá com mais vagar. Remete duas cartas de Miranda, compadre do destinatário, e uma do "nosso amigo [conde de] Pahlen", recentemente nomeado para Munique.
Nota em Cifra. Contém, em anexo, a descodificação da Cifra, onde são referidos as negociações encetadas com a França relativas à Guiana; às disposições do Tratado Geral relativamente ao tráfico [negreiro]; ao facto da espanha ainda não ter acedido ao Tratado de Aliança; ao reforço de Cayenna; e à remoção de Vitor Hughes.
Fragmento de carta. A mutilação, talvez premeditada, deste documento obsta à compreensão do texto. Contudo é possível apurar-se a assinatura do autor e ligeiras informações que surgem descontextualizadas devido aos rasgos.
Não deixa escapar a ocasião para se fazer lembrada ao amigo e repetir o quanto o seu silêncio a entristece e faz lastimar. Passam-se dias, meses, anos sem que chegue qualquer alívio para a nossa situação. Partilha os seus desgostos e sofrimentos. O Marido vive desesperado, e a autora tem de se submeter a mil privações para o socorrer, ainda mais agora que o bom Brito não pode prestar-lhe mais ajudas. Clama por justiça para este, que é o vosso melhor amigo, o mais devoto e zelozo em tudo o que diz respeito ao destinatário e aos seus; e por piedade para com o desafortunado Marido cuja conduta deve ser aplaudida. Ele apenas sofre por ser dedicado ao seu dever e ao seu mestre.Toda a sua esperança reside no interesse que o destinatário possa manifestar em favor dele. Sofre com o afastamento de d'Aarújo, com a falta de notícias e que faz com que os seus embaraços sejam a cada dia mais dificéis de suportar. Pede, ao menos, uma palavra de amizade e de lembrança para adoçar os tormentos. Pede para dizer ao médico [Vicente Navarro de Andrade], que o destinatário certamente viu, que não pode escrever hoje, mas que se recomenda e que aguarda com impaciência por notícias dele. Participa que deixou a casa de Bacq e informa do novo endereço, em Saint Germain, para onde deve escrever.
Justifica a falta de cartas. Participa que finalizou a sua longa viagem muito embora não tenha servido de nada a sua pressa em terminá-la conforme pode ser comprovado pelos ofícios expedidos. Infelizmente verificou-se o que o autor tinha profetizado quando ainda estava em Viena, sendo que todos os seus cuidados voltam-se agora para o comércio português em geral e em particular com a Rússia, que este ano atingiu elevados nivéis, parecendo dar ndícios de se desenvolver mais para o futuro. Informa que Lopes e Cunha formou uma casa portuguesa em São Petersburgo, Möller também aqui esteve em diligências com os seus correspondentes, e da Ilha da Madeira têm vindo algumas cargas. Todos os negociantes que ali se acham depositam as suas esperanças no destinatário e todos concordam com o autor de que é necessário proibir os navios possam importar géneros que não sejam da sua própria nação, por forma a estimular a navegação portuguesa, e que só aos portugueses seja lícito importar géneros de todas as nações, factor que deverá ser unido ao sistema de Direito de Porto, o que em poucos anos pode reerguer a marinha mercante, verdadeiro sustentáculo da marinha de guerra, único meio de se conservar o Brasil. Inúmeras pessoas têm perguntado pelo estado de saúde do destinatário, como a duquesa de Serra Capriola, a Princesa [Nathalie] Kourakin e a condessa de Litta - que apelidam o dest. de "la Fleur des Commandeurs". Tece comentários sobre a cidade. Foi apresentada à Imperatriz-mãe poucos dias após a sua chegada tal como a Grã-Duquesa Anna. Viveu em grande sobressalto pelo estado de saúde do destinatário, mas ontem Navarro comunicou-lhe que o mesmo já se encontrava em convalescença. Lamenta não receber notícias desse país desde Janeiro, e até o doutor Manuel Luís parece ter-se esquecido de si. Pede para que as cartas que lhe são dirigidas sejam enviadas para Londres ao cuidade de António Martins Pedra. Não tem grandes comentários a fazer sobre o infeliz estado em que a Europa actualmente se encontra, os quais só se pode encontrar em Paris. A cidade de ?Kanan? Foi quase toda devorada por um incêndio premeditado. Recebeu a tempo a decisão sobre a Sociedade de Jesus, cujos membros começaram aqui a manejar todos os meios possíveis para um ataque formal ao nosso governo. Informa da existência de um forte opositor ao comércio com Portugal, e que é liderado por Mr. de Gouriek, hoem teimoso e de poucos príncipios, prevendo que terá um àrduo trabalho para o convencer. Comenta a forma como os prisioneiros portugueses de 1812 foram aqui tratados, sugerindo que S.M. faça conhecer ao Imperador o seu reconhecimento, sendo esta a altura propícia; e que se deveria fazer o mesmo com o Príncipe de Korsakoff, ministro da Guerra, que fez os mais fortes esforços para que a tropa portuguesa fosse bem tratada, tendo inclusivé conseguido que os outros ministros tivessem mais consideração pelos negócios de Portugal. Sugere que se mande publicar alguns artigos sobre o Brasil em algumas gazetas alemães. Em P.s. relembra os negócios de Luís António de Abreu Lima.
Lamenta estar há quase um ano sem notícias do amigo de Araújo. Apesar de ser um tempo longo e difícil para aqueles que sofrem, não o acusa de silêncio, porque sabe que a crueldade actual embaraça a comunicação entre amigos, privando-a da única consolação que lhe resta. Não cessa de escrever, mas desconhce se as suas cartas chegam às mãos. Como Lobo participa que depois de 17 de Julho não recebeu qualquer notícia do destinatário, a inquietude aumenta, tornando a situação mais penosa e insuportável e sem fim à vista. Uma só palavra do destinatário, em que lhe assegurasse a boa saúde e amizade, mudaria a sua fortuna. Cita Goldsmith e refere que jamais esquecer-se-à do último adeus do destinatário, que por ser muito cruel não acredita que seja eterno. Vive desanimada e com muitos embaraços devido às desgraças do Marido, sendo obrigada a ir em seu socorro. Apenas pode disfrutar da amizade e ajuda do bom Brito, que também vive em dificuldades porque não recebe um soldo há três anos e meio. Ambos vivem muito retirados, sem sair, sem ver qualquer pessoa, à excepção daqueles que se queixam como nós e sobretudo "Madame Sousa l' Espagnole" que, também, passa por muitas agruras. À vista da conduta, lealdade e méritos do Marido, implora ao destinatário para que se esforce para que lhe paguem. Relembra a amizade e a bondade do amigo Brito para solicitar que se interesse por ele. A autora sabe que se o destinatário conhecer os tormentos por que passam, tratará de os adoçar. Em P.s. participa que Madame d'Aragon fala de vós como um Deus. Pergunta se recebeu as cartas por Vicente Navarro e se escreveu por Pinheiro Ferreira]. Refere-se ao "Docteur" [Pinto]. Assina "vale, ama, scribe".
Fazendo uso de todas as oportunidades para se fazer lembrada a António de Araújo. Recebeu cartas do bom amigo Lobo, mas ainda não chegou aquela que o destinatário enviou para o Doutor Pinto. Remeteu uma ao destinatário pelo ?irmão do amante? de Pinheiro [Ferreira] em que comunica a sua triste posição e os múltiplos embaraços com que se defronta, recebendo apenas o auxílio do bom e generoso B[rito], apesar de também se encontrar em dificuldades económicas. Como o destinatário diz que aprova a conduta de Brito, e que lhe rende justiça, tal como o Superior está encantado com ele, deveria ajudá-lo. O Marido, [Abraham Cappadoce-Pereira], [cônsul português na Dinamarca], vive uma situação desesperada, em virtude de nada receber desde há quatro anos. Apesar do destinatário lhe ter comunicado que se tinha hipotecado para defender os interesses de ambos, e de a autora acreditar nesta promessa e na sua palavra, como a mais sagrada, a verdade é que o tempo passa, sendo bem penoso para quem aguarda. Suplica-lhe para que não negligencie os amigos que, prestaram provas irrefutáveis de um sentimento sem limites, e necessitam, agora, da sua bondade, generosidade e protecção. Despede-se com um sentimento penoso, e certa de que uma palavra, uma carta do destinatário poderá fazer desaparecer estas nuvens tenebrosas que sobre eles se abatem. Em P.s. pede para escrever-lhe por via do Doutor Pinto.
Participa ao amigo de Araújo o seu desgosto pela partida do portador da carta, que muito sofreu aqui e experimentou todo o género de privações com uma constância de sentimentos e firmeza. Em muito agradece as atenções e os cuidados que ele lhe prestou durante a sua doença. Os seus talentos e o seu saber e o seu carácter honesto poderão ser de grande utilidade ao destinatário. Recorda os tempos passados, a profunda amizade e lamenta o imenso espaço que os separa e que faz com que ela seja esquecida porde Araújo. [Cita versos de Goldsmith]. Pede-lhe que demonstre que não é apenas a glória que ocupa os seus tempos, mas também os sentimentos de amizade e contradiga aqueles que dizem que se tornou apático sobre esse céu flamejante e já não olha para os amigos fiéis. Foi com um prazer incomensurável que soube da nova graça que o Soberano lhe concedeu. Refere que escreveu inúmeras vezes, mas desconhece se as cartas chegaram ao seu destino. Pede para, doravante, endereça-las a [D. Joaquim] Lobo [da Silveira] ou ao pai do portador desta, esquecendo a via do Dr. que tem sido negligente. Refere-se às dificuldades sentidas por Marido no cargo que o destinatário lhe concedeu [quando era Ministro Negócios Estrangeiros em Portugal] e que elas recaem sempre sobre si, ao ponto que se não tivesse a ajuda do generoso "Maître de Botanique" [Francisco José Maria de Brito], não saberia qual seria o seu futuro. Este também vive em dificuldades e já há três anos sem receber um soldo e uma carta do dest. o que muito o aflige. Até o "Platonique" reconhece a extrema dedicação e os riscos que [Brito] corre em nome da sua amizade por de Araújo, o seu mestre. Mesmo assim vive socorrendo os seus compatriotas e acredita que o seu dever é permanecer aqui. Oferece um pequeno alfinete, pedindo ao destinatário que o use como lembrança da sincera amizade. Desejava enviar algumas obras novas, mas deixa esta tarfea para Brito. O filho de Louis, afilhado do destinatário, está aqui. Pede para lhe dizer se P. está com o destinatário. [versos da Venality]. Ao fechar esta carta, recebeu com imensa satisfação a do destinatário datada de 9 de Junho. Aguardará a outra que falará sobre o destino de Marido. Já não aspira a rever o destinatário mas unicamente a que o seu coração conserve a amizade. Pede ajuda para os seus verdadeiros amigos e alerta para aqueles que o dizem ser, poderão sê-lo mas do "Ippogrife". Oferece uma nova estampa e espera que o dest. como amante das belas artes a coloque no seu gabinete.
Repete os rogos ao amigo [António de Araújo] para que Luís António receba algum ordenado a título de Secretário da Legação em São Petersburgo ou então para que seja considerado como Oficial em Comissão.
Fragmento de carta onde só se consegue apurar a assinatura do A. e algumas informações isoladas e incompreensivéis.
Justifica o lapso de tempo que esteve sem escrever com o facto da pouca segurança que existe no transporte de cartas. Há muito tempo tempo que não recebe cartas do destinatário nem de outra pessoa do Rio de Janeiro. Comenta o rumo dos negócios após a chegada da notícia do desembarque de Napoleão Bonaparte em França, notícia que inquietou excessivamente toda a gente, por ter sido um acto premeditado e de antemão preparado. Os gabinetes em Viena acordaram que a Europa não pode viver em sossego coma existência política do mesmo e por isso assinaram por unanimidade uma Declaração, que segue em anexo, que tinha por objectivo animar o Partido do Rei e combater o partido revolucionário, mas que falhou o seu objectivo visto que Napoleão chegou a Paris mais rápido que esta. Como consequência a Rússia, Aústria, Inglaterra e Prússia assinaram no dia 25 de Março um Tratado de Aliança ofensiva e defensiva, convidando as outras potências a juntarem-se, o que "parece haver sido sabiamente previsto por V.ª Ex.ª nas instrucções ostensivas que fes", achando-se o gabinete português em condições de aceder ao Tratado, cuja cópia remete em anexo. Traça diversas perspectivas da guerra e as suas consequências para Portugal. É necessário que o dest. autorize Ministros para as subsequentes convenções. Necessidade em nomear-se a tempo Plenipotenciários, devidamente instruídos para qualquer eventualidade, para figurar nas negociações de paz. Aniuncia a aproximação do final do Congresso e comenta os assuntos que ainda estão em discussão. Lamenta o facto de Brito ter atrasdao por dois meses a expedição dos despachos. Questiona-se pelo seu futuro após o final do Congresso sabendo que o Imperador Russo vai comandar o exército, e indo o Marquês de Marialva a acompanhá-lo, o que fará o autor em São Petersburgo e quais serão as suas tarefas. Na impossibilidade de negociar um novo tratado de comércio com os russos, negociou uma prorrogação do antigo, mandando para Lisboa uma cópia para ser publicada. Perdeu o seu trem que estava no Havre de Grace para ser transportado para São Petersburgo. Comenta a posição de Portugal no Congresso face às grandes potências. Informa que as tropas marcham de toda a parte, comandados pelo Duque de Wellington, pelo Prícipe Blucher, pelo Príncipe de Schartzenberg, pelo General Frimmont. Anuncia a chegada de Monteron, antigo amigo e companheiro de Talleyrand, incumbido de alguma missão. Lamenta as conspirações contra os Bourbons, perpetradas por pessoas da sua confiança, prevendo que os mesmos não voltarão a ter o sufrágio da nação, sendo uma opinião corrente a de será o ramo de Orleães a ocupar o trono francês. Tece comentários sobre o duque de Orleães. Pede ao destinatário que comece a tratar dos presentes para todos os Plenipotenciários que assinarem o Tratado. Pede que beije por si a mão do Príncipe Regente e do Príncipe da Beira. Faz-se lembrado à marquesa de Belas e ao colega José Egídio. Em P.s. de 13 de Abril, diz que a Europa está muito velha e em comparação com a América em desvantagem porque esta oferece mais quietação. Louva os inúmeros serviços de Gameiro, mas informa que o mesmo mutio tem sofrido. Pede ao destinatário Para não voltar a ser empregue em companhias porque repugnaria fazer o papel de acusador. Em um dos ofícios enviou a cópia de uma resposta dada ao célebre ofício do conde do Funchal pedindo a aprovação do destinatário para a mesma.
Agradece as expressões cordiais que o amigo [conde da Barca] lhe transmitiu na carta de 25 de Novembro, sobre os seus trabalhos do Congresso e sobre a Memória sobre Àfrica onde viveu quatro anos. Aguarda por notícias do restabelecimento de saúde do destinatário. Informa que tem desenvolvido todos os esforços no sentido de acelarar os nossos negócios, mas até agora o resultado é nulo. Critica a postura do soberano russo, que não confia em nenhum dos seus ministros e que estes são, em parte, os grandes responsáveirs pelo degradante estado da política russa. Lamenta ter sido nomeado para uma Corte onde retira poucos frutos do seu trabalho. A Princesa Kourakin está de partida para Itália, talvez para desafogar as mágoas que lhe tem causado a nora, uma das vítimas do fanatismo dos jesuítas. Saldanha cada dia se convence mais do préstimo do General Bettencourt, de quem já falou na última carta, e sugere que os seus inventos e máquinas sejam aplicados no Brasil onde poderão ter uma grande utilidade. Pede ao destinatário que lhe comunique se pretende empregar este General em algum trabalho visto que o autor Mantém com ele uma relação privilegiada.
Manifesta o seu agrado por ter tomado conhecimento do restabelecimento contínuo da saúde do amigo [conde da Barca]. Informa que muito tem sofrido com o frio rigoroso que aqui se faz sentir e ainda mais com as poucas condições que a sua actual casa detém. Queixa-se que não se fazem negócios, o que em parte se deve à influência do "Bichaço"; que ainda ninguém foi nomeado para esta repartição, nem parce que tal suceda num futuro próximo; que escreve aos encarregados da correspondência mas que não recebe qualquer resposta e por isso desconhece o caminho pelo qual deva tentar. Comenta a nova Tarifa que veio regular o sistema comercial da Rússia. Neste momento escreve um ofício sobre uma máquina de limpar a areia dos portos, que aqui se usa com grande proveito, e que poderia ser de grande utilidade nos portos de Pernambuco, Maranhão e do Pará; aobre um torno para perfurar as espingardas, e sobre uma nova maneira de construir os fornos de fundição com menor perda de tempo e de metais. Aconselha ao envio de alguns jovens de préstimo para se instruirem na construção de pontes e calçadas num instituto que ali acaba de ser criado. Lamenta que o doutor Manuel Luís o tenha abandonado. Realizou-se o casamento da Grã-Duquesa catarina, e em poucos dias realizar-se-à o da Grã-duquesa Ana, enquanto que o do Grã-Duque Nicolau será no Verão. As atenções do governo local estão centradas quase exclusivamente no aumento do exército o que tem causado graves problemas devido à grande despesa que acarreta. Aguarda pela chegada de Gameiro bem como pelas notícias do resultado final de todas as negociações.
Fragmento de carta. As mutilações premeditadas de que foi alvo não permitem a leitura do texto nem a leitura integral da assinatura. No entanto é possível recopilar alguma informação. Deduz-se que António de Saldanha da Gama referia-se a assuntos relacionados com o seu cargo [de Ministro Plenipotenciário na Corte Russa]; deduz-se que falaria sobre a partida de um Embaixador Extraordinário; sobre Luís António; ao projecto do Acto de navegação do reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve que remeteu a Ambrósio Joaquim dos Reis; o torno de perfurar as espingardas; sobre a distinção honorífica recebida pelo conde de Pahlen; à licença peque pediu para poder deslocar-se à Madeira; sobre a construção de pontes de ferro que se tem construído em São Petersburgo e poderão ser aplicadas nas Capitanias do Brasil.
Agradece a carta de 27 de Abril, o que em si representa uma prova de amizade, bem como as informações sobre o estado de saúde do destinatário. Repete os agradecimentos pela conservação do ordenado do Conselho da Fazenda. Como tem muito tempo disponível, uma vez que não frequenta as sociedades, tem-se dedicado grande tempo a pensar o estado da monarquia lusa. Perante o estatuto de potência marítima bem como o facto das possessões lusas se encontrarem dispersas, considera urgente promover a navegação nacional, começando pela marinha mercante que deverá ser o sustentáculo da marinha de guerra, ainda antes de cessar o tráfico de escravatura, porque depois disto ser-no-à mais difícil competir com as nações estrangeiras. Por isso, elaborou um acto de navegação, com 11 artigos, o qual remeteu a Ambrósio Joaquim dos Reis para que ele fizesse algumas observações e o remetesse a V.a Ex.a.. Informa que a Inglaterra continua com firmeza e tenacidade a lutar pelo projecto da abolição da escravatura, tendo pedido recenetemente ao Embaixador russo em Londres, algumas instruções a este propósito para que se forme uma comissão para fazer cessar o tráfico, a qual deverá ganhar contornos de "cruzada" contra as nações que continue a praticá-lo. Considerando que aquelas potências que não têm interesse directo neste tema poderão alinhar com a Inglaterra, sugere que se use da liberdade de imprensa e a multiplicidade de gazetas que se oferece em Londres para defender a nossa posição, tendo inclusivamente já comunicado com Freire e com Reis para que fizessem as diligências necessárias. Comunica que Mr. de Casamaior, antigo encarregado de negócios em Portugal, encontra-se em São Petersburgo como Secretário da Legação Britânica mas deseja ser nomeado para o Brasil. Critica o grande papel, que o mesmo tem escrito, sobre o estado do Reino Unido de Portugal, sugerindo a consevação da união e a vinda de S.A.R. para a Europa e a criação de uma regência no Brasil, a permanência de uma esquadra briânica no Rio para manter a ordem, entre outras particularidades. Remeterá em breve uma cópia deste escrito visto que o autor prometeu de lhe mostrar o referido plano antes de o remeter a Mr. Canning para ser debatido pelo Gabinete londrino. O imperador [russo] está de partida para Varsóvia; a mania militar continua. Está de tal forma desgostoso pelo facto de esta Corte ainda não ter tomado o luto pela morte da Rainha [D. Maria I], que ver-se-à na obrigação de fazer algumas observações duras. Comenta a conduta deste governo para com os Estados Unidos, receando um mau fim para para os negócios de ambos. Agradece a atenção disponibilizada a Luís António de Abreu e Lima, rogando para oque o destinatário promova o seu despacho, uma vez que o mesmo tem conhecido merecimento e poderá ser útil ao serviço real. Informa que o tem aplicado no estudo das máquinas de vapor, tão necessárias ao Brasil, passando depois às pontes de ferro, seguindo-se todas as máquinas e manufacturas que existem nesta cidade e vizinhança. Enviará para Lisboa o trono para os canos de espingarda, "invenção utilissima, para dali ser remetido para o Brasil. Roga ao destinatário que lhe envie o quanto antes a comuincação oficial da dispensa que solicitou a S.A.R. para poder deslocar-se à Madeira tratar de assuntos pessoais. Aguarda a chegada do conde de Pahlen, que veio com liença de Munique e encontra-se agora em Riga. Em P.s. informa da chegada do referido conde que muito se recomenda ao destinatário.
Fragmento de Carta. Mutilada, talvez premeditadamente, é possível compreender alguns assuntos que A[ntónio] de Saldanha da Gama comunica ao amigo conde da Barca, Ministro da Marinha e do Ultramar e Conselheiro de Estado no Rio de Janeiro: os ofícios enviados; o "Bichasso"; as transações comerciais; os Jesuítas; a Arquiduquesa Leopoldina; se D. Miguel Pereira [Forjaz] já teria enviado para a Corte do Rio de Janeiro o torno para as espingardas; aguarda pela decisão de Sua Majestade para então enviar os restantes inventos; a união do reino do Brasil a Portugal.