Search results

13,289 records were found.

A autora, Condessa de Oeynhausen, D. Leonor de Almeida, [futura Marquesa de Alorna], informa a António de Araújo que não tem ânimo para partir enquanto não for decidido algo sobre a "minha triste Juliana" que, não obstante de ter enviado uma nova petição ao Conde de Palmela, continua retida em Estocolmo. O Conde do Funchal, que é quem "fora do Reino representa o Soberano", diz que precisa de consultar o Monarca, mas que até agora ainda não o fez. Pede notícias de João Carlos Augusto de Oeynhausen, Governador de Mato Grosso e de seu filho João Ulrico de quem nada sabe desde outubro. A autora tem de ir a Hannover tratar de negócios da família, visto que morreu o seu cunhado e os dois sobrinhos, ficando João como o herdeiro universal. Rejubila com a declaração da Austria contra a França; com a possibilidade da Dinamarca entrar na coalisão, com o entusiasmo germânico que faz abanar Napoleão o "inimigo do mundo". Saluta o exemplo que Potugal deu ao mundo, embora não seja "de nós que se fála". Amontoam-se os documentos de inocência e martírio do seu irmão, o 3.º Marquês de Alorna, falecido em Conisberga, aguardando apenas pela licença do Príncipe para entrar na justificação do que lhe pertence. Remete cópia da carta que recebeu de um homem que estava ao serviço da Rússia e que esteve com o "infeliz [...] quando fasia os maiores esforços para entrar honrosamente no seu Pais". Pretende notícias da saúde do destinatário. Entregue o bilhete junto a quem toca.
A [Condessa de Oeynhausen], [D. Leonor de Almeida], [1750-1839], [futura Marquesa de Alorna], lamenta o silêncio do destinatário e refere que as cartas que outrora escrevia a [António de Araújo] sobre as ciências e as artes tinham sempre resposta. Pergunta se pode contar com o Chevalier que está em Madrid para a sua defesa. Encontra-se em repouso em Londres e como tem perto de si a famosa Mme. [Vigée] Le Brun, [1755-1842], a melhor pintora da Europa, talvez S.A.R. pudesse comprar-lhe um quadro para ornamentar um dos quartos da Princesa. Toda a gente acolhe-a favoravelmente em Inglaterra. Pede uma carta de recomendação a D. Domingos de Sousa [Coutinho], [Embaixador e Londres], [Conde do Funchal em 1808]. Refere-se ao seu afastamento da direção da obra dos ornamentos do novo palácio [de Queluz], não obstante as palavras elogiosas dos intelectuais. Deseja ser reintegrada nas suas funções podendo laborar a partir de Londres. Para isso necessita que o arquiteto Fabri lhe envie uma planta minuciosa do Palácio, que o primeiro pintor [Domingos] Sequeira a informe das obras feitas depois da partida da autora e informações sobre os trabalhos de Foschini. Podem vir dois pintores para Londres para se aperfeiçoarem sob a direção de Mme. Le Brun ou de West.
A autora, Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida], [1750-1839], [futura Marquesa de Alorna], rejubila com a bondade e clemência de S.A.R. que lhe permitirão ir a Lisboa. Comenta as cartas recebidas do Conde de Aguiar, [Min. Do Reino no Brasil], e do Conde das Galveias, [Min. Dos Negócios Estrangeiros e da Guerra]. Preocupada com o filho, [João Ulrico] e com [a filha] Juliana, que deverá chegar a Londres perto da partida da autora para Lisboa. Espera que as representações que Juliana enviou da Rússia, através do Chanceler do Império, já tenham chegado ao Rio de Janeiro, tal como as cópias que a autora remeteu de Londres. Toda a gente gosta do conde de Palmela, [Embaixador em Londres], atribuíndo-lhe o epíteto de "Anjo de Paz" quando o confrontam com os procedimentos do C[onde] do F[unchal], [seu antecessor], que todos os anos "pagame hum tributo de groçarias". Pede perdão pelas últimas cartas que lhe escreveu e sustenta que as mesmas eram ditadas pela aflição. Chegou uma pessoa da Rússia com informações sobre o sucedido nos anos de 1809 e 1810 [com o seu irmão, o 3.º Marquês de Alorna]. Pede que entregue ao seu filho a carta inclusa. Agradece os comentários à sua obra. Quando for possível escreverá "ao nosso S[ilvestre]". Em P.s. diz que a Duquesa de ?C.nha? depois condessa de Unhão conservou as honras de Duquesa. Deseja notícias da saúde de António de Araújo, Conselheiro de Estado, que muito cuidado lhe inspira. Pede para continuar a escrever pela mesma via que é a mais segura. Na última página está anotado o endereço de António de Araújo no Rio de Janeiro.
A Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida], [1750-1839], [futura Marquesa de Alorna], depois da intempestuosa carreira na sua pátria só aspira ao descanso. Deseja a reversibilidade das suas pensões para as duas filhas solteiras [Frederica e Henriqueta] e para o filho [João Ulrico] Conde d'Oeynhausen enquanto viverem. Mais seis mil cruzados por ano para providenciar uma educação liberal para o filho, tal como era desejo de seu pai. Recomenda Carlos Augusto de Oeynhausen, [Governador de Mato Grosso] para a carreira diplomática.
A Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida Portugal], [1750-1839], [depois Marquesa de Alorna], espera que os seus procuradores tenham feito a petição em seu nome a suplicar a supressão dos documentos extraviados que lhe são exigidos para tomar posse da casa. Há mais de um ano que labuta inutilmente para dar as provas necessárias não à justiça mas aos juízes. Participa que os documentos originais foram queimados e os juízes recusaram aqueles que foram apresentados. Há 15 dias recebeu a visita de João António Salter [de Mendonça], [Governador do Reino], [Visconde de Azurara em 18 ], que já tinha solicitado há um ano, tendo o mesmo ficado ciente dos direitos daautora. Como uma das dificuldades era ler títulos antigos, chamou a si esse trabalho de examinar e apontar as principais passagens de 18 documentos que provam os seus direitos. Anexou-os a uma petição e encarregou o letrado Desembargador José António de Barbosa Araújo de formar os artigos de liquidação e continuar na execução. Contudo em nada se funda a sua esperança se do Brasil não vier uma impulsão benigna.
Henry J. de Wallenstein, adido à Embaixada da Rússia em Espanha, transmite à Condessa d'Oeynhausen, D. Leonor de Almeida Portugal, algumas informações sobre o seu irmão, o 3.º Marquês de Alorna, com quem privou. Possui a resposta da Condessa.
Nota sobre morgados. Nota inacabada sobre as pensões que pertencem a D. Leonor de Almeida Portugal, Condessa de Oeynhausen.
D. Leonor de Almeida, [1750-1839], [futura Marquesa de Alorna], informa a António de Araújo, Conselheiro de Estado no Rio de Janeiro, que não tem recebido quaisquer cartas em virtude do paquete precedente ter sido tomado. Aumentam os cuidados em relação ao seu filho [João Ulrico] pois só teve notícias dele em Outubro passado. Comenta as gloriosas notícias que chegam da Rússia. Como a sua saúde deteriora-se cada vez mais teme que [a confirmação régia da sua inocência] não chegue a tempo [do Rio de Janeiro]. Sente-se caluniada e injuriada, mas disposta a fazer o que promteu ao Soberano na carta que lhe dirigiu quando ele navegava para o Brasil. Invoca a humanidade e piedade do Príncipe para a filha [Juliana] que está em São Petersburgo sob o amparo da Imperatriz e do Imperador. Deseja que o filho vá a São Petersburgo acudir às necessidades e desamparo de sua irmã e descobrir as verdades. Critica um livro recém-publicado sobre as nossas colónias, o qual é muito ofensivo e pouco merecido de um aliado tão generoso e fiel. O facto do Embaixador [Conde do Funchal] não querer partir, apesar [Palmela] seu sucessor já aqui estar, provoca "riso e comentos desvantajosos". Enviará cópia de um apólogo sobre esta questão que ultimamente surgiu, para V. Ex.ª se divertir. Pergunta se recebeu a carta enviada no último paquete. Em P.s. remete a gazeta do dia anterior. Tudo vai por José Correia de Paiva. Lamenta a morte de Francisco Rolin, sogro do primeiro. Na última página está o endereço do destinatário no Rio de Janeiro.
O autor, Baltasar de Gouveia Cabral, apresenta a S.A.R., [D. João, Príncipe-Regente], os motivos que levaram António de Gouveia Cabral, Major Graduado do Regimento de Milícias da Covilhã, a requerer a remuneração dos serviços que prestou ao Estado na Guerra da Restauração do Reino.
A autora, Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida], [1750-1839], [depois Marquesa de Alorna], expressa a sua felicidade a António de Araújo pela chegada a Londres de um "homem polido estimavel cavalheiro apreciadôr da dignidade portuguesa" como o Conde de Palmela, [recentemente nomeado para Embaixador]. Todos o vêem como um redentor e até o seu antecessor [o Conde do Funchal] se tem adoçado e civilizado, de tal forma que visitou a autora depois de três anos de "groçarias ou para melhor dizer judiarias". Contudo, continua a recusar-se a deixar o cargo impedindo Palmela de entregar as credenciais. Está inquieta em relação ao filho [João Ulrico] e roga ao destinatário que lhe envie todas as notícias que tem sobre ele. Temendo não voltar a vê-lo, em virtude de ter a saúde arruinada, a autora pede a António de Araújo, Conselheiro de Estado no Brasil, que intervenha para que o filho possa ser transferido para perto da mesma.
Manifesta a sua satisfação por encontrar António de Araújo de Azevedo no Ministério. Solicita instruções ao destinatário visto que há sete anos que não obtém qualquer despacho. Junto remete uma atestação da sua conduta, enquanto administrou a Fábrica de Salitre de Moura, para que o destinatário dela faça o que lhe aprouver. Refere que o Telegrafo Português continua a ser impresso e que é notório o quanto foi útil para reanimar os ânimos "desalentados, nas circunstancias em que nos vimos".
A Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida], [1750-1839], [futura Marquesa de Alorna], aflige-se por não receber notícias de António de Araújo desde Outubro. Apesar de ter anunciado, na última carta, a sua partida de Inglaterra os meios não correspondem à sua determinação, como o destinatário verá pela carta que a autora dirige ao seu filho. Deseja que S.A.R. se digne a aprovar a recomendação do P. de G. para conceder o semestre solicitado. Anuncia que chegou ordem ao Conde de Palmela para permanecer em Londres até que o seu antecessor [o Conde do Funchal] acabe um negócio com Lord Castelreagh. Acusa o [Conde do Funchal], que passa a maior parte do ano em Wording longe dos negócios públicos, de divertir-se a martirizá-la e só espera que ele vá rapidamente para o novo destino, apesar do mesmo se recusar a fazê-lo. As louváveis prestações do exército português face ao até agora invencível "enemigo do Mundo" fazem com que se sinta portuguesa, e sustenta que o facto da Península estar livre de franceses para si é suficiente. Deseja que o Príncipe-Regente a ouça sobre o seu falecido irmão [3.º Marquês de Alorna], [1754-1813], e sobre as perseguições, injustiças e tormentos a que, imerecidamente, está sujeita. Alerta para o número deste mês do "Investigador [Português]" que, cessou subitamente a torrente de lisonjas, e já sugere remédios para alguns dos nossos males. Pede para acusar a receção das duas cartas que remeteu pelo tio do Paiva.
Atesta em favor do desempenho de Luís Sequeira e Oliva e Sousa Cabral, bacharel formado em Leis e Primeiro Tenente do Real Corpo de Engenheiros, enquanto administrou a Fábrica de Salitre daquela localidade. Possui noventa e uma assinaturas e o respetivo reconhecimento notarial, datado de 19 de Maio de 1814.
A Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida], [1750-1839], [futura Marquesa de Alorna], carregada de dor, comunica a António de Araújo, Conselheiro de Estado e Grã-Cruz, o falecimento do "mais fiel e honrado dos hommens", [o seu irmão, D. Pedro de Almeida Portugal, 3.º marquês de Alorna], juntamente com José Tancos e João de Melo, no dia 2 de Janeiro em Konisberg. O mesmo ia ao encontro de Juliana que está em São Petersburgo. Solicita ao destinatário que invoque por si a piedade do Príncipe, para alcançar "o que me pertence" e para que o seu filho seja desmobilizado. Na última página está anotado o endereço de António de Araújo no Rio de Janeiro.
A Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida Portugal], [1750-1839], recomenda os papéis que vão neste navio e que pertencem ao seu afilhado, o filho do pagador das Damas, Tomás José Ribeiro.
A Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida], [1750-1839], informa a António de Araújo, Conselheiro de Estado no Rio de Janeiro, das afrontas e perseguições que tem sido alvo em Londres, o que a faz pensar em ir passar o resto dos seus dias em Estocolmo, [São] Petersburgo ou Berlim. Relata todo o sucedido com o seu irmão o Marquês de Alorna e a legião composta por 9.000 homens: desde a saída de Lisboa, passagem por Salamanca, Valladolid, os diferendos com o Marechal Bessieres em Burgos, a ira de Bonaparte por suspeitar que a doença do Marquês era falsa; a deslocação para Bayonna como prisioneiro; as tentativas para escapar; a ida para Grenoble; a destituição do comando; as falsidades das proclamações que lhe são atribuídas e das notícias das gazetas; a guerra aberta com Massena; a estada em Portugal e os motivos da sua proscrição pelos seus conterrâneos; a ida para Madrid; a retoma do comando do exército português; a divisão da Legião [Portuguesa] com dois corpos e destinos diferentes, com Gomes Freire a ir para Glabukow e o marquês para Mohilev; o ataque de Bonaparte a Smolensko onde morreram cruelmente grande parte dos portugueses; a chegada a Conisberga de Gomes Freire, Alorna, Marquês de Loulé, José Tancos, António Caetano da Cunha, Forjaz e mais quatro oficiais; e por fim a morte do marquês. A autora pretende que se conheça toda a verdade para assim poder entrar na posse da casa de que é herdeira. O malvado [Heliodoro Jacinto Carneiro Araújo], [viúvo da sua filha Luísa], veio a Londres, munido de uma assinatura do Príncipe-Regente, celebrar uma cerimónia "injuriosa". Na última página está o endereço do destinatário no Rio de Janeiro.
D. Leonor de Almeida, [Condessa de Oeynhausen], [1750-1839], [futura Marquesa de Alorna], agradece recebeu com agrado a carta de 8 de Março e diz que, com o cargo [de Conselheiro de Estado] que [António de Araújo] detém, manterá a fé em receber melhores notícias no próximo paquete. Tem de vir uma determinação vigorosa para a desembaraçar deste flagelo, repleto de mentiras e absurdos. Passa as manhãs a ler e reler o livro de Job, e quando lê que "Satanás obteve licença para atormentar por todos os modos aquelle Santo homem, paresse que leio as credenciais do Sobredito [Conde do Funchal] na língua de Camões". Tem tido a tentação de remeter algumas poesias suas, que são o bálsamo com que cura as feridas, e gostaria que as várias obras que tem composto, fiquem como prova de que os seus receios e ocupações inocentes não mereciam uma sorte tão severa. Traduziu Horacio, Thompsom, Wiland, Grai, Goldsmith e outros. As cartas que tem escrito a várias pessoas, incluíndo ao Soberano, continuam sem resposta, ou então extraviam-se. Em 20 de Junho, felicita o dest. pelo facto de S.A.R. ter feito "justiça ao seu talento honra e innocencia". Foi informada por um magistrado que D. D[omingos de Sousa Coutinho] solicitou para a autora um estranho proceder tal como praticou com J. A. Correia. Rejeitam-lhe passaportes para o Brasil e para Lisboa e se esta situação continuar ver-se-à obrigada a refugiar-se em Malta, na Sicília ou na Índia.
Expressa a sua revolta pelos martírios que lhe infligem. Recorda que, há muitos anos, disse ao Príncipe[-Regente] que isto haveria de suceder-lhe. Repete o pedido para o destinatário, [António de Araújo], [Ministro de Estado da Marinha e do Ultramar no Brasil], alcançar-lhe uma licença para ir para o Brasil, porque é evidente que aqui, em Lisboa, não tem direitos nem justiça que lhe dê alívio. A sua desgraça é excessiva, para uma Dama de Honor da Princesa. Até é acusada das "mais perfidas acusassões" quando, por motivos de saúde, não vai à Igreja. Quando chegou a Portugal, [em Julho de 1814], tudo era, aparentemente, a seu favor, mas na realidade os seus negócios estão entregues não aos magistrados, nem aos Governadores do Reino, mas a um solicitador do fisco que é um "reposteiro m[ui]to favorecido do P[rincipal] S[ousa], [Governador do Reino]". Pretende obter licença para ir para o Brasil e expor a S.A.R. o "rigor insultante" com que é tratada. Os Governadores do Reino têm declarado que nunca houve qualquer acusação contra si, mas isso já não lhe basta devido à opinião negativa que o público tem de si. Se o Soberano lêsse esta carta, acudi-la-ia sem demora.
Partilha os seus sofrimentos com [António de Araújo]. Participa que não encontrou no Desembargo do Paço nenhuma decisão a seu favor e consta que o juíz do fisco redobrou o zelo para atormentá-la por todos os modos. Escreverá a Pedro de Mello a narrar tudo o que se passa e pede ao destinatário que se informe junto dele. Acusa o juiz de querer apoderar-se do seu dinheiro e de querer, sob um pretexto falso, vender as casas que a A. arrendou ao Conselho da Fazenda. Nada conseguirá se [da Corte do Rio de Janeiro] não vier o remédio, como um decreto régio, amplo e claro, que abranja tudo porque tudo é Morgado. Refere-se ao sequestro que fizeram a sua casa, ficando os seus bens guardados num depósito, à exceção dos objetos preciosos que roubou um inglês. O Marquês de Borba, [Governador do Reino], anuiu ao seu pedido para que lhe entregassem tudo, mas o juíz do fisco pretende vendê-los para o pagamento de dívidas. Só a leitura e as conversas com as musas a salvam deste espetáculo de horrores. Enviará o Poema em seis cantos sobre a Botânica, a tradução de Claudiano e muitas outras coisas semelhantes para o destinatário ler e "m[ui]to particularmente p[ar]a as corregir". Deseja obter a tutela dos seus netos porque a filha Marquesa de Fronteira está doente. A educação dos netos é o que mais a atormenta. Foi obrigada a despedir o mestre de arquitetura civil e militar para o neto marquês de Fronteira, por dificuldades em pagar os honorários. Recomenda [João] Carlos [Augusto de Oeynhausen], a quem pede para entregar a carta inclusa, e expressa o desejo em vê-lo livre de Mato Grosso. Há muito tempo que não vêm novas do Brasil o que muito aflige os parentes e amigos. Comenta os acontecimentos do mês de Abril. Pretende a anulação do decreto que ordenou a sua ausência juntamente com o marquês de Belas, já defunto.
A Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida Portugal], [1750-1839], remete o resto dos documentos que deveriam acompanhar a petição que Pedro de Mello levou em mão. Só da amizade de António de Araújo, Conselheiro e Ministro de Estado [da Marinha e do Ultramar] no Rio de Janeiro, pode esperar a sua redenção. Agradece a intervenção especial para o decreto régio de 13 de Outubro que transfere o seu filho para o exército de Portugal. Só agora soube os motivos pelos quais deixaram de pagar as pensões, sustentando que tal foi devido a "maldade subalterna" porque todos os decreto de S. M. estão em pleno vigor. Pede uma simplificação de todo este processo bem como o negócio referente a sua Casa porque os meios atuais não chegam para pagar os emolumentos que lhe são exigidos. De "V. Ex.ª espero os alivios que tanto nececito". Pede notícias sobre J[oão] Carlos de Oeynhausen, [Governador de Mato Grosso]. Na última página está o endereço do destinatário no Rio de Janeiro.
Agradece a carta de 15 de Fevereiro. Gostaria que [António de Araújo] participasse como se encontra de saúde depois da moléstia do ano passado. Remete a receita de um elixir que tem feito prodígios e que é o responsável pela sua longevidade. Ainda não sabe se chegou o resultado da sua consulta ao Desembargo do Paço, dizendo que em Lisboa "os misterios [...] excedem m[ui]to a prodencia do segredo". Pedro de Mello participar-lhe-á tudo o que se passa. Acredita que se a sua petição for "reformada" por ambos ficará adequada e o assunto exposto com clareza. Pretende uma licença para se deslocar ao Brasil e fugir assim das desgraças. Remete uma nota relativa aos seus negócios conforme foi solicitado. Comenta os fenómenos da revolução e contra-revolução que só são compreensivéis a quem os viu. Pede o envio de notícias e se por acaso não tiver tempo, autorize [Jacob Frederico] Torlade [Pereira de Azambuja], Oficial da sua Secretaria, a fazê-lo. Agradece a constante bondade e amizade do destinatário.
A Condessa de Oeynhausen, regista as melhoras de saúde. Recomenda o portador da carta, o primo Pedro de Mello, que poderá transmitir a miséria em que vive a autora. Se puder remeterá por ele a petição e os documentos que estão à espera de serem legalizados. Espera pela clemência do Príncipe e equidade dos Ministros. Pede a permanência do seu filho, [João Ulrico], em Lisboa e informa que o Marechal Beresford, [Marquês de Campo Maior], [Comandante em Chefe do Exército português], não põe obstáculo a este assunto. Se puder copiará para enviar as magníficas Odes de Filinto [Elíseo], impressas e traduzidas em França, e em especial a uma "a respeito de huma fraca Poeta". Refere-se à carta que ele lhe escreveu sobre o Poema das "Recreações Botânicas", solicitando notas e animando-a a publicá-lo. Em breve sai de Benfica para Boa morte e solicita ao destinatário que envie a João Diogo, hoje Visconde de Santarém, um aviso para lhe dar uma parelha como é costume fazer a tantos outros. Comenta revolução de ideias em Portugal, notando a diferença extraordinária das gentes. As duas filhas que estão consigo muito têm padecido e só o Príncipe-Regente e a Princesa podem remediar estes males se recordar que sobre elas recaiem os privilégios inerentes aos cargos de Mordomo-mo do Avô Alorna e de Damas de Honor das suas tias e Avó e até de si própria. Remete uma petição, ainda incompleta de documentos porque alguns deles precisam de passar pelo Juízo da Índia que só amanhã reabre. Em P.s. refere o seu desejo em remeter uma "História da Legião Portuguesa em França", recentemente impressa em Londres.
Participa a [António de Araújo], [Min. Da Marinha e do Ultramar no Brasil] que esgotou as forças em procurar no Governo e no Desembargo do Paço indícios de alguma resolução favorável aos seus negócios. Lamenta que nem as leis a amparem nem os privilégios a recomendem, sentindo-se desanimada perante a perseguição que lhe movem. O Governo recusa-se a decidir e os juízes subalternos são de um rigor tal, que parece que se comprazem em fazê-la padecer. Remete três petições para que o destinatário obtenha o despacho junto de S.A.R., as quais "me deffenderão dos insectos". A 4.ª petição é documentada e pretende que lhe sejam restituídos os bens de sua Casa. O Marquês de Borba, [Governador do Reino], com bondade e equidade, encarregou-se de remeter cópias ao destinatário e ao Marquês de Aguiar, [Min. do Reino]. Pede notícias da saúde. Em P.s. autógrafo informa que o navio parte de repente por ordem do Governo e ainda não chegaram os documentos selados e legalizados a respeito das casas, mas está certa de que S.A.R. se recordará dos Avisos. Remeterá os documentos na primeira ocasião.
[D. Leonor de Almeida Portugal], Condessa de Oeynhausen, [e futura Marquesa de Alorna], aproveita a partida do seu sobrinho D. Luís da Câmara para o Brasil, para escrever, ainda que não de mão própria. Fará o seu testamento "fundado em direitos muito grandes" esperando que a justiça de S.A.R. o aprove no futuro. Recomenda os seus sucessores à amizade e bondade de [António de Araújo]. Não lhe é possível enviar agora uma Petição, que já está feita, para representar o mais profundo respeito e vassalagem a S.A.R. pois ainda necessita de legalizar os documentos. Recomenda o portador da carta, que esteve consigo durante três anos em Inglaterra, e que pretende servir a S.A.R.. Pede o envio dos dois Avisos referidos na última carta.
A Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida Portugal], [1750-1839], agradece as notícias consoladoras de António de Araújo, Conselheiro de Estado e Ministro no Rio de Janeiro, Grã-Cruz da Ordem de Cristo. Teve conhecimento de que já estava restabelecido da moléstia e detinha [interinamente] a Pasta dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. Continua a padecer muito devido à constância dos seus perseguidores e está certa de que o destinatário, se puder, prestar-lhe-á o auxílio devido. O General [Carlos Frederico] Lecor vai munido de uma procuração geral, e "melhor que ninguém" sabe o quanto a autora tem sofrido. Informa que a Consulta está no Desembargo do Paço mas sujeita às demoras que o destinatário bem conhece. Remeterá uma tradução de Claudiano que foi elogiada pelo erudito Desembargador António Ribeiro dos Santos [1745-1818]. Lembra o desejo de ver os seus filhos na carreira diplomática. Pretende o lugar de Nápoles ou de São Petersburgo para [João] Carlos [de Oeynhausen] e para o irmão [João Ulrico] o de Cavalheiro de Embaixada junto do primeiro. Espera rever o destinatário, embora comece a desesperar por não receber nenhuma resposta da licença pedida, [para ir ao Brasil]. Na última página está anotado o endereço do destinatário no Rio de Janeiro.
[D. Leonor de Almeida Portugal], Condessa de Oeynhausen, [futura Marquesa de Alorna], acusa a receção de uma carta para o seu filho. Teve o consolo de ver que o destinatário se lembra de si depois de lhe ter escrito cartas em Março e Abril e não ter recebido resposta. Teme o descaminho das cartas porque tem escrito sempre que há uma oportunidade, porque consta que Manuel Caetano Pinto, o intermediário, morreu. Esta segue em mãos de um Padre de São Domingos e vai outra pelo correio. Pede ao destinatário, [Min. da Marinha e do Ultramar no Brasil], para a acudir com um Aviso ou ordem de S.A.R. dirigida à regência para acabar com os embaraços que lhe provocam os juízes subalternos; um Decreto régio que ordena a entrega, com ou sem a apresentação de documentos, de tudo quanto pertence à Casa de Alorna; e outro Aviso Régio para que lhe sejam entregues os netos e com ordem para que o Administrador da Casa, o Desembargador José Guilherme de Miranda, fique às suas ordens, porque caso contrário arruinará a Casa. Pede restrições para o Letrado Pimenta. Há seis meses que tenta, sem sucesso, que estes homens lhe falem para poder prover as urgentíssimas necessidades dos meninos e da sua filha Marquesa [de Fronteira]. Os mesmos não se prestam a nada do que é necessário para a decência e comodidade dos netos e sobretudo para a educação liberal e cristã das crianças, que estavam nas mãos de um clérigo de 87 anos que os moía de pancadas e maus tratos. Apesar de saber bem latim e grego, era incapaz de ensinar devido à tirania e mau modo.
A Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida Portugal], [1750-1839], repete o pedido da carta anterior, recomendando à proteção do destinatário, [António de Araújo de Azevedo], [Min. Da Marinha e do Ultramar, Conselheiro de Estado], o Tenente Francisco de Assis Botelho Torresão, reformado no Regimento de Infantaria n.º 10, que deseja regressar ao serviço [real].
Expressa o seu desconsolo por saber que António de Araújo não passa bem. Depois de tantos anos a padecer as maiores privações e misérias, sabe agora que está privada das pensões que S.A.R. lhe concedeu devido às ações que o "mais insigne dos intrigantes" empreendeu em Londres para fazê-la morrer de desesperação e na miséria. Sentiu muitas dificuldades em Londres, onde os tributos são excessivos, e quando esteve prestes a ser presa, o Ministro [português, Conde do Funchal], não a acudiu nem tentou acalmar os credores, exigiu, antes, a assinatura para papéis que ele próprio ditava. Remete cópia de duas notas que apresentou ao marquês de Olhão sobre os morgados e as pensões. Pede pronto despacho do que tem pedido e que venha o mais rápido possível o pagamento das pensões e atrasados, porque vive em suma dificuldade e o pouco dinheiro com que vivia em Londres ficou retido para que pudesse empreender a viagem para Lisboa. Apela às autênticas promessas que o Soberano fez ao seu marido [o Conde de Oeynhausen], quando este se fixou no serviço de Portugal.
Expressa o seu cuidado pela moléstia grave de que padece António de Araújo, Conselheiro e Ministro de Estado [da Marinha e do Ultramar] no Rio de Janeiro, Grã-Cruz [da Ordem de Cristo]. Não falará nos seus negócios enquanto o destinatário não melhorar. Escreve ao primo Pedro [de Mello] referindo-se aos seus negócios com a recomendação de que ele os comunique ao destinatário. Votos de melhoras. Na última página está anotado o endereço do destinatário.
A Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida Portugal], [1750-1839], acredita que com a vinda de S.A.R. para Lisboa não será difícil a sua redenção. Já se passou um ano e meio sem que possa sair do abismo, da miséria e aflição em que vive. A forma como arruinaram a sua casa fez com se perdessem todos os documentos sendo quase impossível recuperá-los, frustrando assim o seu direito às propriedades. Pede que o Soberano possa acudi-la com um decreto de D. José [I] em que mesmo no caso de perda de documentos, ordene a devolução dos bens que pertencem ao morgado. Pede a [António de Araújo], [Ministro da Marinha e do Ultramar no Brasil], para que alcance de S.A.R. um ato de piedade que a livre de mais delongas porque as suas forças já não aguentam e nem dispõe das elevadas somas de dinheiro que lhe pedem. Pretende um decreto do teor da requerimento incluso.
Manifesta a sua preocupação com a saúde do destinatário. Agradece a [António de Araújo], [Min. da Marinha e do Ultramar], a carta de 3 de Setembro e expressa a alegria por ver a "sua lettra" ainda que trémula. Pedro de Mello está habilitado a transmitir todas as injustiças que têm cometido contra si. A sua saúde começa a enfraquecer. Espera tornar a ver o destinatário. Supõe que a Consulta irá como o destinatário deseja. Pede por notícias.
A Condeça de Oeynhausen, [1750-1839], [futura Marquesa de Alorna], expressa o seu desgosto pela falta de notícias de António de Araújo, Conselheiro e Ministro de Estado [da Marinha e do Ultramar], Grã-Cruz [da Ordem de Cristo]. Vive em suma opressão e a sua esperança, em obter justiça, reside no facto do destinatário ser Ministro. Existem indícios que do Brasil vieram ordens favoráveis, mas o mistério é tal que se o destinatário não a avisar diretamente, ficará muito tempo à espera de saber do resultado. Comenta o miserável estado do mundo em que toda "a gente está assombrada com a grande novid[ad]e [...] loucura, audácia" [de Napoleão]" perseguidôr do genero humano". Deseja obter licença para ir ao Brasil com toda a família. Na última página está anotado o endereço de António de Araújo no Rio de Janeiro.
A Condessa de Oeynhausen, pergunta a António de Araújo, Ministro e Conselheiro de Estado [da Marinha e do Ultramar] no Rio de Janeiro, quando é que terá o gosto de receber notícias. Padece muito por ter quase a certeza que as cartas que escreve raramente chegam ao seu destino. Compara a sua situação à fábula de "Sisipho" porque quando apresenta as provas de uma indubitável inocência sofre um novo abalo, e sustenta que, por mais clara que seja a inteligência no Brasil, "as trevas opacas que nos rodeão aqui, tudo anulão tudo retardão". Alerta para o "Correio Braziliense", talvez o de Março, em que saiu uma carta onde o "malevolo" pretende captar a benevolência do destinatário para inflingir novos golpes. Insurge-se contra a "pena Jacobinica" deste sócio que apenas "finge amôr da ordem e da Patria". À excepção do Marquês de Borba, [Governador do Reino], todos estão "enfermos" e por isso impossibilitados de despachar e trabalhar. Repete o pedido da licença para ir para o Brasil, do despacho da petição junta para poder educar os netos de uma maneira liberal e cristã. Refuta a acusação contra si que vai para o Rio de Janeiro e que parece ter a mesma origem que todas as outras. O costume [da Corte] em acreditar falsidades atormenta-a e só a presença do destinatário no Rio de Janeiro a faz descansar. Pelo navio que está a partir remeterá mais documentos. Na última página está anotado o endereço do destinatário no Rio de Janeiro.
O autor, antigo Juiz de Fora da Vila da Barca e atual Juiz de Fora da Vila de Valença do Minho, em virtude de não ter sido nomeado para o lugar de Provedor, superintendente das Alfândegas ou Corregedor da Comarca de Viana, solicita autorização régia para se deslocar à Corte [do Rio de Janeiro].
O A., José António de Faria e Carvalho, solicita a S. A.R., [D. João, Príncipe-Regente], a mercê de ser despachado Corregedor da Comarca de Viana do Minho, dispensado de dar residência e com predicamento de Primeiro Banco.
O autor requer a graça de lhe declarar ter feito "Correição Ordinaria" no cargo de Juiz de Fora de Valença. Possui emendas autógrafas de João António de Araújo de Azevedo.
O autor felicita António de Araújo de Azevedo pela Mercê do título de Conde da Barca.
O autor, José António de Faria e Carvalho, acusa a receção da carta de António de Araújo de Azevedo datada de 18 de Março. Agradece a recondução no cargo de Juiz de Fora da Barca. Refere-se às obras [da Fábrica de Fiação] da Quinta da Prova, às lutas contra os invasores franceses e ao desejado regresso de S.A.R.. Informa que há três meses que anda em comissões extraordinárias encarregado pelos generais, percorrendo Guimarães, Ponte do Lima, Celorico, Valença e Arcos. Refere-se aos esforços do General Miller, Encarregado do Governo de Armas da Província, e ao Marechal Comandante em Chefe, para o manterem como Juiz de Fora dos Arcos.
O autor, [médico], acusa a receção da carta do Conde [da Barca], [datada de 8 de Abril], pela mão de Joaquim Luís da Cruz. Lamenta as moléstias que o destinatário tem sofrido e "que tanto enfraquecerao o systema nervoso". Aconselha-o a procurar restabelecer a saúde. Refere-se ao reconhecimento de Portugal Unido como grande potência aliada às maiores Casas da Europa, ao qual o destinatário não esteve "certamente passivo". Lembra o tempo que passaram juntos; descreve as festas do casamento dos príncipes de Orange. Não escreve nada sobre a "nossa Mad[ame] S[uzanne Cély Cappadoce] filha e marido" por estar persuadido que [Francisco Maria de] Brito, [Secretário da Legação em Paris], se encarrega disso.
Informação sobre as experimentações efetuadas pelos professores de Saúde, sobre o uso medicinal da água inglesa da composição de João Ladislau, Boticário da Baía.
Solicita a António de Araújo de Azevedo que mande analisar a porção de ópio que veio de Goa e tem causado alguma incerteza nos boticários, por não saberem se o é ou se está misturado com extratos amargos.
Comunica ao Conde da Barca, [Min. da Marinha e do Ultramar no Rio de Janeiro], que desde 4 de Junho, data do último Ofício, tem prosseguido os trabalhos do banco e da amarração de navios no recife de Pernambuco.
Aconselhado pelo irmão Rodrigo [Navarro de Andrade], recorre a António de Araújo de Azevedo, [Min. da Marinha e do Ultramar no Rio de Janeiro], para obter a nomeação para Chanceler da Relação da Baía, cargo que está a vagar.
D. José Manuel da Câmara, solicita ao amigo António de Araújo de Azevedo que o recomende para o cargo de Governador da ilha da Madeira em substituição de Florêncio José Correia de Melo que já requereu a sua substituição.
Seguindo o conselho de D. Maria da Penha, pede a intervenção de António de Araújo [de Azevedo], [Min. da Marinha e do Ultramar e Conselheiro de Estado no Brasil], junto de S.A.R. para obter uma autorização que lhe permita casar com D. Maria Brígida, filha de D. Maria da Piedade de Lacerda. Refere-se ao General Lemos, [Visconde da Juromenha em 17.12.1815], tio de D. Maria Brígida, e aos serviços que o mesmo prestou no comando do seu regimento.
Informa da demora na publicação dos regulamentos que foram expedidos do Rio de Janeiro, no que o Principal Sousa foi indiscreto como lhe é habitual. Refere-se ao descontentamento dos militares devido à falta de pagamento, ao estado das finanças públicas e à organização do exército. Critica o facto do Marquês de Borba ser simultaneamente Chefe do Erário e Membro da Regência do Governo de Lisboa.
Remete uma cópia da informação que apresentou ao Príncipe-Regente [D. João], sobre a Água inglesa. Pergunta a António de Araújo de Azevedo se deve proceder à encomenda.
António Maria Calvet, [Cônsul Geral de Portugal em Trieste, em Lisboa sob licença de serviço], agradece as expressões que o Conde da Barca, [Min. da Marinha e do Ultramar] no Rio de Janeiro, lhe transmitiu na carta de 1 de Fevereiro de 1816. Pede ao destinatário que intervenha junto de El-Rei [D. João VI], a fim de lhe alcançar o consulado português em Nápoles, que se encontra vago, conforme requer no Memorial incluso. Solicita que o nomeie Oficial de Secretaria assim que houver vaga. Refere-se aos serviços prestados em Trieste onde alcançou resultados muito positivos para o comércio português e salvou o Arquivo Ministerial, que havia sido deixado ao abandono, das garras de [Joaquim] Murat [Rei de Nápoles durante o domínio francês ocorrido entre 1808 e 1815], conforme pode comprovar o encarregado de negócios em Nápoles, João Pedro Guinn.
Solicita ao amigo [Conde da Barca, Min. da Marinha e do Ultramar], que proteja o requerimento de João Pedro Miguéis, secretário da Comissão enviada a Madrid [para felicitar o retorno de Fernando VII ao trono espanhol], que pretende ser nomeado oficial de Secretaria.
Marquês de Castelo Melhor informa da sua chegada a Lisboa no dia 13 do corrente mês, após ter cumprido a Comissão de que foi encarregue pelo governo português para ir a Madrid, [felicitar Fernando VII pelo deu regresso à capital espanhola]. Pede ao [António de Araújo de Azevedo, Min. da Marinha e do Ultramar no Brasil], que beije por si a mão de S.A.R. em agradecimento pela concessão de tão grande honra. Solicita autorização para usar a decoração de Grã-Cruz da Ordem de Carlos III que recebeu das mãos do Rei Católico. Em P.s. refere que estranhou o clima de Espanha.
O autor felicita o chevalier [António de Araújo de Azevedo], Conselheiro de Estado, pela nomeação para Ministro e Secretário de Estado da Marinha [e do Ultramar].
Solicita ao amigo [Conde da Barca, Min. da Marinha e do Ultramar], que proteja o requerimento de João Pedro Miguéis, secretário da Comissão enviada a Madrid [para felicitar o retorno de Fernando VII ao trono espanhol], que pretende ser nomeado oficial de Secretaria.
Pedro Gomes Ferrão Castelo Branco, tendo sido incumbido pelo Governador da Capitania, [o 8.º Conde dos Arcos], de formar uma Livraria Pública, convida António de Araújo a aumentar com o seu "respeitavel Nome a Lista dos nossos subscritores". Informa que a Livraria tem perto de três mil volumes sendo uns por empréstimo e outros doados, possuindo ainda verbas que permitem encomendar outros tantos à Europa.
D. Maria Anna de Souza Castello Branco pede a António de Araújo de Azevedo, [Conselheiro de Estado no Brasil] que proteja o seu requerimento em que pede 5.500 cruzados que o Erário [Régio] devia ao primo Ricardo, visto que é a sua herdeira universal, viúva e pobre. Informa que veio passar uns dias com a prima do destinatário, [D. Mariana de Arriaga], a qual recomenda-se ao destinatário. Recomendações a Manuel Luís.
Marquês de Castelo Melhor informa da sua chegada a Lisboa no dia 13 do corrente mês, após ter cumprido a Comissão de que foi encarregue pelo governo português para ir a Madrid, [felicitar Fernando VII pelo deu regresso à capital espanhola]. Pede ao amigo [António de Araújo de Azevedo, Ministro da Marinha e do Ultramar no Brasil], que beije por si a mão de S.A.R. em agradecimento pela concessão de tão grande honra. Solicita autorização para usar a decoração de Grã-Cruz da Ordem de Carlos III que recebeu das mãos do Rei Católico. Em P.s. refere que padeceu muito com os trabalhos militares e que estranhou o clima de Espanha.
Pedro Gomes Ferrão Castelo Branco acusa a receção da carta de 24 de Janeiro de 1813 e agradece a subscrição mandada fazer por António de Araújo de Azevedo na Livraria Pública da Baía. Informa que ainda não esteve com o amigo Domingos Borges [de Barros, futuro Visconde da Pedra Branca em 1826], devido ao facto de este se encontrar ausente. Remete o Plano primeiro da Livraria, o Discurso de abertura e o Catálogo impresso dos livros. Em breve enviará o suplemento.
O autor, Bento Alexandre de Brito e Souza Castro Marim, Tenente Coronel de Milícias do Regimento da Vila dos Arcos, informa que era sua intenção ir cumprimentar pessoalmente o primo António de Araújo de Azevedo, [Min. dos Negócios Estrangeiros e da Guerra em Lisboa], mas que tal acabou por ser impossível. Pede proteção para obter o posto de Coronel de um dos Regimentos de Cavalaria Miliciana que S.A.R. pretende mandar erigir em Arcos [de Valdevez]. Solicita-lhe que comunique a sua decisão para que, em caso de aprovação, possa formalizar o requerimento documentado.
O autor, valendo-se da proteção de António de Araújo de Azevedo, [Min. da Marinha e do Ultramar], solicita-lhe que apresente o requerimento incluso ao Marquês de Aguiar e caso o mesmo não seja aceite que o devolva.
O autor, Cônsul Geral de Portugal em Trieste em licença de viagem a Lisboa, solicita ao Conde da Barca que proteja o seu requerimento, que envia em anexo, visto que a sua casa de comércio em Trieste foi sequestrada pelos invasores e a sua família em Lisboa ficou desamparada após o falecimento dos seus irmãos, Francisco Manuel e o Cónego Carlos Manuel. Invoca os serviços prestados em Trieste, os quais podem ser comprovados nos ofícios que recebeu do governo e entre os quais se pode encontrar um ofício do Conde da Barca, datado de 25 de Fevereiro de 1805.
O autor, Cônsul Geral em Trieste em Lisboa sob licença de serviço, solicita a D. João VI, um prolongamento da sua licença e a nomeação para Cônsul Geral e Agente de Negócios de Portuga] em todo o Reino de Nápoles com o competente aumento de ordenado e distinção de oficial de secretaria efetivo. Invoca os serviços que prestou em Trieste, onde transformou o comércio favorável a Portugal e refere que Nápoles é susceptível de alcançar melhores resultados.
Felicita o primo pela graça de elevação a Conde da Barca, [ocorrida pelo despacho de 17 de Dezembro de 1815]. Diz que se o tio António Luís, [pai do destinatário], fosse vivo, atestaria o que o autor sempre lhe disse de que "tu avias de ser ministro de Estado, Conde, e outro Marques do Pombal". Refere-se à sua família e envia recomendações ao primo João [António de Araújo de Azevedo], [que na altura já se encontrava no Brasil]. Em Ps. refere-se ao caso de Tomás Malheiro e informa que António Fernando lhe passará informações mais precisas sobre este assunto.
Agradece ao primo [António de Araújo de Azevedo] as expressões que lhe dirigiu em carta de Francisco Pereira [Peixoto Ferraz Sarmento] e informa que ficou preocupado com o estado de saúde do mesmo. Manifesta desejo em voltar a ver o destinatário e comenta a teimosia de Napoleão, achando que talvez a guerra não acabe durante a "m[inh]a vida". Pede proteção para a família e para o requerimento incluso, o qual é de um seu criado que muito bem o tem servido. Refere-se à ingratidão de Tomás Malheiro.
O autor, José António de Faria e Carvalho, felicita António de Araújo de Azevedo pela elevação a Grã Cruz da Ordem de Cristo, [em 17 de Março de 1810].
A autora, [esposa de José António dos Santos Branco, Secetario da Embaixada portuguesa em Paris], solicita ao Chevallier [António de Araújo de Azevedo, Min. da Marinha e do Ultramar], que intervenha junto de S.A.R. a fim de alcançar proteção para cinco orfãos franceses que perderam o direito à herança devido à Revolução Francesa. Pede proteção para a sua família visto que o seu marido tem 73 anos e está doente.
O autor, Thomé Barboza de Figueiredo de Almeida Cardoso, [1755-1820], sentindo-se honrado e protegido, agradece ao Conde da Barca por ter apadrinhado na Real presença a nomeação do seu filho para Secretário da legação em Paris, onde servirá sob as ordens e proteção do amigo [Francisco José Maria de Brito].
O autor,Tomé Barbosa de Figueiredo de Almeida Cardoso, [1755-1820], manifesta o seu contentamento por ter tomado conhecimento, através do amigo [Francisco José Maria de] Brito, [?Secretário da Legação em Paris?], que o Conde da Barca recuperava já a sua saúde. Lembra os dois requerimentos enviados com a carta de 7 de Dezembro do ano passado.
O autor informa o amigo Conde da Barca que tomou conhecimento por uma Gazeta chegada ontem de Madrid, que o Rei Infante, [Fernando VII] casou com [a Infanta portuguesa D. Maria Isabel de Bragança], em 22 de Fevereiro e que a nova Rainha e a sua irmã, [D. Maria Francisca] usam, já hoje, os retratos dos maridos ao peito.
O autor, médico da Real Câmara, Físico-Mor e Director dos Estudos Médicos e Cirúrgicos da Corte e Estado do Brasil], comenta as condições que a Sala Grande possui para receber as sessões da Academia, assim ache por bem a S.A.. "desencantar os Estatutos". Compara o efeito moral do terramoto de [17]55 com a Guerra que agora se iniciou e sugere que esta é uma ocasião apropriada para se empreender obras mais avultadas, ressuscitando as Letras, as Artes, Agricultura, o Comércio e a Marinha, e assim imortalizar o nome do Príncipe-regente como o [Marquês de] Pombal imortalizou o do Magânimo [D. José I]. Refere que Sebastião Pinto encontra-se no Rio e que tanto ele como os restantes militares, estando cobertos de glória, merecem receber demonstrações de estima do Soberano.
O vigário José Pereira de Carvalho remete pelo capitão do Navio Boa Fé, uma lata lacrada que contém papéis de importância, os quais poderão ser levantados por António de Araújo de Azevedo, mediante a apresentação do conhecimento incluso.
A autora, [esposa de José António dos Santos Branco, Secretário da legação portuguesa em Paris], solicita a proteção do Chevallier [António de Araújo de Azevedo], para o requerimento do seu marido que foi acompanhado de comprovativos dos trabalhos e sacrifícios passados no seu serviço.
D. Francisca Joana de Lacerda Castelo Branco, a pedido de uma pessoa da sua estima, solicita a [António de Araújo de Azevedo] que mande soltar Luís José, marinheiro de uma Sumaca mercante, que foi preso e levado a bordo da Nau Progiganga.
Transportadas desde a mina, em Estancia de Capané, até Porto Alegre. Relação feita por Vicente Venceslau Gomes de Carvalho.
O autor, [cirurgião-mor], justifica o atraso no envio da encomenda de pirites e amostras de barro que António de Araújo de Azevedo lhe havia solicitado. Junto envia relação dos custos da mesma.
Abraham Capadose Pereira, Cônsul Geral do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves na Dinamarca, agradece ao Conde da Barca todos os favores e proteção concedidos e prontifica-se a promover os interesses do governo que tem a honra de servir. Diz que jamais esquecerá o tempo em que passou na companhia do destinatário. Informa da reunião que manteve com o rei da Dinamarca, o qual lhe comunicou o desejo em renovar as relações de amizade e comércio com o Brasil, para onde enviou Mr. Jeger como Encarregado de Negócios e Cônsul Geral da Dinamarca. Refere-se à recomendação que Mr. Blucher fez de si a Mr. de Rosenkrantz, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, o qual o destinatário bem conhece. Informa que já esteve em Elseneur para se inteirar do seu Consulado. Refere-se ao "bom e amado amigo Brito" a quem muito deve juntamente com Sélly. Felicita o destinatário pela graça de Conde da Barca.
Pede a proteção de [António de Araújo de Azevedo] para que o seu requerimento não tarde muito a ir a despacho, visto que se encontra muito doente e não tem meios para se curar. Acusa a receção da carta datada de 4 de Fevereiro e agradece o contínuo interesse que o destinatário tem manifestado por si.
O Marquês de Campo Maior, [1768-1854], [Marechal General Comandante em Chefe do Exército Português], informa, a nível particular, o Conde da Barca, [Min. da Marinha e do Ultramar], da sua chegada a Lisboa após uma viagem de setenta e sete dias. Refere-se à má estadia no Rio de Janeiro e à receção que lá lhe fizeram. Alude às más relações que mantém com D. Miguel Pereira Forjaz [Secretário dos Negócios Estrangeiros e da Guerra em Lisboa].
Outorga os plenos poderes para em seu lugar assinar na Chancelaria Mor do reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, o Auto de Juramento como Consul Geral na Dinamarca. Possui o reconhecimento da assinatura do outorgante pelo consulado de França na Dinamarca e o respetivo carimbo e pelo Consul Geral Britânico na Dinamarca e o respetivo selo de lacre.
Refere-se ao estado do exército português e aos preparativos militares que se deviam fazer para resistir e rechaçar a qualquer ataque vindo de Espanha e que os Governadores do Reino não lhe permitiram empreender. Fala sobre as suas relações com os Governadores, os quais considera incapazes de olharem extensa e liberalmente para qualquer questão política. Lembra os serviços que prestou a Portugal e assevera que, por esta razão, é tão português como aqueles que o criticam. Refere-se à expedição ao Rio da Prata e à repercussões desta na Corte de Madrid.
Pede o almoxarifado de Torres Novas com os privilégios e direitos com que o possuía a Casa de Aveiro, conforme lhe fora prometido no Rio de Janeiro. Lembra, ainda, a promessa que fizeram de lhe dar a casa do pátio do Saldanha que pertencia ao Conde da Ega. Refere-se à reorganização da Repartição dos Hospitais, defendendo a nomeação do Dr. Bernando José Abrantes e Castro para Físico-Mor, em substituição do atual José Carlos Barreto, que é um homem sem talento.
O Marquês de Campo Maior, [1768-1854], [Marechal General Comandante em Chefe do Exército Português desde 1809], agradece a carta que o amigo Conde da Barca lhe dirigiu em 2 de Dezembro. Fala na animosidade dos Governadores do Reino para consigo, os quais não o consultaram antes de mandar executar os novos regulamentos militares, que eram em parte da sua autoria. Refere-se às relações tensas com a Espanha e ao possível ataque contra Portugal; fala no estado do exército português, dos arsenais, fortalezas e situação financeira do reino. Informa que a Espanha pediu à Inglaterra para que obrigassem Beresford a abandonar Portugal.
O Marquês de Campo Maior, [1768-1854], [Marechal General Comandante em Chefe do Exército português desde 1809], refere-se à campanha de Montevideo e a uma possível invasão de Portugal pela Espanha. Informa o Conde da Barca, [Min. da Marinha e do Ultramar no Brasil], dos preparativos militares espanhóis, sugerindo que Portugal também os deveria fazer. Tece considerações acerca do exército, da organização e defesa do país, das finanças públicas e do orçamento militar. Acusa a regência do Reino de indiferença perante as sua sugestões. Lamenta não receber notícias, nem particulares nem oficiais, do Rio de Janeiro desde que de lá voltou. Informa que escreveu ao Marquês de Aguiar, [Min. do Reino no Brasil], sobre as pensões que lhe pertenciam no almoxarifado de Torres Novas.
Tomé Barbosa de Figueiredo de Almeida Cardoso, [1755-1820], agradece ao Conde da Barca a carta de 5 de Agosto de 1816 e expressa os seus votos para que o mesmo se encontre restabelecido. Solicita proteção ao destinatário para dois requerimentos seus: um onde pede a remuneração dos seus serviços [de Oficial intérprete da Secretaria de estado dos Negócios Estrangeiros] que prestou ao longo de 27 anos; e o outro onde solicita um emprego para o seu filho.
Sobrescrito endereçado ao Conde da Barca, Conselheiro de estado e Ministro e Secretário de Estado dos Negócios ultramarinos e da Marinha, no Rio de Janeiro. Lacrado com as armas do remetente.
Apontamento sobre a carta em anexo.
O autor, Bernardo José de Abrantes e Castro, [1771-1833, fundador e redator do Investigador Português em Londres], pede a [António de Araújo de Azevedo] que apresente ao Conde de Aguiar, [Min. do Reino], a Representação e a "infame" carta inclusas. Pede a S.A.R. que o proteja das acusações e calúnias proferidas pelo Padre josé Agostinho [de Macedo], pelo Dr. Lança e pelos frades da Graça contra si e que já atingiram a sua família em Lisboa e em especial o sogro [José Bento de Araújo] que muito ajudou o estado quando o Conde de Linhares era Presidente do Erário Régio, [entre 1801 e 1803]. Informa que estas acusações tiveram origem na análise que publicou sobre o poema "Gama, ou Gamelada" [de José Agostinho de Macedo]. Refuta as acusações dos mesmos sobre o Estabelecimento do Hospital da Graça, dizendo que este não foi da sua autoria pois só foi reintegrado no cargo de Inspetor [de todos os Hospitais Militares] em 2 de Janeiro de 1808. Cofirma a versão do Dr. Halliday e defende que a Repartição dos Hospitais Militares está a ser roubada em 300 contos de réis por ano. Informa que o Conde de Linhares lhe escreveu a dizer que a substituição do autor no cargo de Inspetor foi injusta. O autor pergunta a António de Araújo porque razão não é então readmitido no cargo de Físico-Mor visto que o cargo está vago.
Agradece os elogios que António de Araújo fez ao Jornal na sua carta de 9 de Agosto. Alerta para os n.º XXV, XXVI e XXVII, XXVIII e XXIX do Jornal. Informa das postura do Correio Braziliense e dos seus colaboradores, o Dr. Heliodoro [Jacinto de Araújo Carneiro] e Teodoro José Pinheiro, que pretendem ver o Investigador suspenso. Pede ao destinatário o favor de falar com o Conde de Aguiar e com o Conde das Galveias sobre a ida do autor para Lisboa de onde poderá dirigir o jornal. Enviará no próximo paquete a carta do Conde do Funchal e cópia da certidão dos médicos sobre o estado de saúde da sua mulher. Recomendações a Manuel Luís.
O autor, Bernardo José de Abrantes e Castro, [1771-1833, fundador e redator do Investigador Português em Londres], lamenta não receber notícias de António de Araújo de Azevedo e só se sente tranquilo sabendo da residência de Manuel Luís [Álvares de Carvalho], no Rio de Janeiro. Informa que se deslocou a Lisboa após ter sido absolvido da condenação [de maçon e jacobino pelo tribunal da Santa Inquisição em 1809], tendo visitado os Governadores do Reino, o amigo José Bento de Araújo, de quem fala na "Memória [sobre a conduta do Dr. Bernardo José de Abrantes e Castro, desde a retirada de S.A.R. para a América, publicado em Londres em 1810]. Informa que pediu a filha deste em casamento, e que só voltou a Londres para solicitar ao Embaixador [Conde do Funchal], a dispensa do jornal, mas acha que não existe ninguém para o substituir. Sugere que o Jornal seja transferido para Lisboa, e S.A.R. pouparia mais dinheiro e os caluniadores ignorantes deixariam de considerá-lo como revolucionário e partidário de Napoleão. Lamenta que Rodrigo Navarro [de Andrade] tenha sido transferido de São Petersburgo para a Sardenha e não para Cádiz. Abrantes e Catro sustenta que as suas profecias políticas estão a ser concretizadas e que esta é uma época de liberdades na Europa, visto que com as derrotas da França na Espanha e na Rússia, Napoleão cairá ou será forçado à paz.
O autor, Médico Honorário da Real Câmara, redator do Investigador Português, deseja as melhoras ao destinatário. Fala da sua carta de 15 de Dezembro onde informou o Conde da Barca das intrigas que [D. Miguel Pereira Forjaz] procurou representar a S.A.R. contra si. Diz que por este ter aceite o convite do Marechal Beresford passou a ser considerado por D. Miguel e pelo Principal Sousa como partidário inglês. Diz que já provou uma vez que não está ligado aos franceses e que poderá fazê-lo novamente para mostrar que não é partidário dos ingleses. Informa que o Marechal Beresford está desgostíssimo pela oposição que D. Miguel lhe fez e que coloca a hipótese de se retirar para Inglaterra e que se assim for S.M. poderá "contar com a perda o seu brilhante exercito".
O autor, redator do Investigador Português em Londres, felicita António de Araújo de Azevedo pelas vitórias dos aliados contra os franceses. Transcreve o mapa das perdas das tropas francesas em três dias de batalhas. Elogia o papel de Bernardotte na liderança das tropas suecas. Remete algumas gazetas onde se podem ver detalhes das ações militares.
Nota biográfica relativa ao bacharel José António de Faria e Carvalho, Juiz de Fora de Valença, Juiz Conservador da Fábrica [de Fiação] da Prova e Juiz Privativo e do Tombo da casa de António de Araújo de Azevedo e que pretende ser Corregedor da Comarca de Viana.
O autor, Médico Honorário da Real Câmara, redator do Investigador Português em Londres, informa que soube pelas cartas de Maler e dos manos, João e Vicente Navarro, que o Conde da Barca já se encontrava melhor da doença. Informa que o Oficial da Secretaria de Estado dos Negocios estrangeiros e da Guerra que publicou as intrigas que o autor referiu nas últimas cartas, é Teodoro José Pinheiro. Informa que continuam as desordens entre D. Miguel, "que he o Governo", e o Marechal [Beresford].
Comunica a António de Araújo de Azevedo que Napoleão refugiou-se em S. Cloud com as suas tropas no dia 9 do corrente mês. Pede proteção para a petição do Reverendo Félix ferreira de Vasconcelos, que será entregue ao Conde de Aguiar por Pedro Francisco Xavier de Brito. Informa que no fim de dezembro partirá para Lisboa, devido à sáude da sua mulher, e que o Conde do Funchal escreverá ao Conde das Galveias a este respeito. Pede o envio da correspondência para Lisboa. Em P.s. informa que está a imprimir as fábulas de La Fontaine traduzidas por Francisco Manuel do Nascimento, [Filinto Elíseo], em dois volumes e que o lucro será remetido posteriormente para o tradutor.
O autor apresenta-se ao destinatário como sendo natural de Valadares, Comarca de Valença, da Casa do Solar do Paço Velho, de Vila Boa, sendo possível que haja laços de parentesco entre ambos. Informa que remeteu pelo Capitão Francisco Antunes e por um escravo dois cavalos esperando que "se lhes não servirem para a sua montada sirvam para os seus criádos". Oferece os seus bens e préstimos da sua família para o serviço real.
Informa que ainda não recebeu resposta às últimas cartas enviadas. Pede a proteção do Conde da Barca, Ministro da Marinha e do Ultramar e Conselheiro de Estado no Brasil, para o portador da carta, o Alferes André de Medeiros Braga, que pretende ser Ajudante de Milícias da Vila de Caeté, ainda que seja com limitado soldo. Oferece dois dos seus filhos para o serviço do destinatário. Na última página está anotado o endereço do destinatário no Brasil.
Felicita António de Araújo de Azevedo pelas melhoras da sua saúde, notícias que recebeu pelo coronel João José Maria de Brito.
Refere-se à última carta que enviou a desejar as melhoras a António de Araújo de Azevedo. Solicita ao destinatário [Min. da Marinha e do Ultramar] que proteja o requerimento incluso em que o Padre João da Costa Faria pede o benefício da vigararia de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto. Informa que este requerimento já foi apresentado à Mesa da Consciência e Ordens, por intermédio do tio do autor [o 2.º Marquês de Aguiar], mas que ficou sem resultado.
O autor, [médico, fundador e redator do Investigador Português] acusa a receção da carta de 28 de Março. Repete o desejo em mudar-se para Lisboa devido ao estado de saúde da sua esposa, podendo continuar a trabalhar dali para o Jornal. Comenta o impacto que o Jornal vai ganhando junto dos ingleses e a obrigação de mostrar-lhes a dependência que têm de Portugal, a qual começou com o Tratado de 1810. Chama a atenção para o n. XXVI do Jornal. Remete uma folha onde o destinatário poderá ver a situação dos negócios da Espanha.
O autor acusa a receção da carta de 27 de Maio. Pede a aprovação de António de Araújo de Azevedo para a sua pretensão de regressar a Lisboa onde poderá dirigir o Jornal ficando em Londres um hábil colaborador, devido ao estado de saúde da sua mulher. Diz que pode mesmo nem esperar pela resolução de S.A.R. visto que a doença se pode tornar irreversível. Informa que o Conde do Funchal decidiu não viajar para o Rio de Janeiro enquanto não se resolverem as dúvidas entre as duas Cortes. Comenta os Tratados de Comércio, Aliança e Amizade assinados entre ambas as Cortes. Refere-se ao n.º XXVI do Investigador Português. Informa que o General Moreau chegou a Gotemburgo e que segundo se diz vai comandar as tropas suecas, prussianas e russas; que expirou o armistício no dia 10, devendo a Suécia reiniciar as ofensivas; e que o imperador da Aústria deve unir-se aos aliados. Refere-se ao artigo que o Desembargador Vicente publicou no Correio [Braziliense].
Pede a proteção de António de Araújo de Azevedo para o portador da carta, um oficial do exército português que foi obrigado a ir para França, mas que não incorporou o exército de Massena que invadiu Portugal, tendo antes desertado para a Rússia e que agora pretende ir para o Rio de Janeiro visto que em Lisboa trata-se mais "de afastar vassallos, do que os grangear".
Informa das vitórias dos exércitos aliados comandados por Lord Wellington sob os franceses e diz que antes do final de Julho a Península estará inteiramente livre destes. Remete um exemplar em inglês da representação que os negociantes da Baía fizeram contra a violência dos ingleses e a análise que o autor fez à obra de J. A. sobre os Açores. Refere as vantagens em trabalhar para o Jornal em Lisboa visto que existem duas pessoas, o Dr. Miguel Caetano de Castro e o Dr. João Bernardo, capazes de o substituir. Informa que aguardam pela chegada do Abade Correia da Serra a qualquer momento. Pergunta ao destinatário se deve ou não replicar a carta do Desembargador Vicente José Ferreira Cardoso, que o Correio Braziliense está a preparar.