A Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida], [1750-1839], informa a António de Araújo, Conselheiro de Estado no Rio de Janeiro, das afrontas e perseguições que tem sido alvo em Londres, o que a faz pensar em ir passar o resto dos seus dias em Estocolmo, [São] Petersburgo ou Berlim. Relata todo o sucedido com o seu irmão o Marquês de Alorna e a legião composta por 9.000 homens: desde a saída de Lisboa, passagem por Salamanca, Valladolid, os diferendos com o Marechal Bessieres em Burgos, a ira de Bonaparte por suspeitar que a doença do Marquês era falsa; a deslocação para Bayonna como prisioneiro; as tentativas para escapar; a ida para Grenoble; a destituição do comando; as falsidades das proclamações que lhe são atribuídas e das notícias das gazetas; a guerra aberta com Massena; a estada em Portugal e os motivos da sua proscrição pelos seus conterrâneos; a ida para Madrid; a retoma do comando do exército português; a divisão da Legião [Portuguesa] com dois corpos e destinos diferentes, com Gomes Freire a ir para Glabukow e o marquês para Mohilev; o ataque de Bonaparte a Smolensko onde morreram cruelmente grande parte dos portugueses; a chegada a Conisberga de Gomes Freire, Alorna, Marquês de Loulé, José Tancos, António Caetano da Cunha, Forjaz e mais quatro oficiais; e por fim a morte do marquês. A autora pretende que se conheça toda a verdade para assim poder entrar na posse da casa de que é herdeira. O malvado [Heliodoro Jacinto Carneiro Araújo], [viúvo da sua filha Luísa], veio a Londres, munido de uma assinatura do Príncipe-Regente, celebrar uma cerimónia "injuriosa".
Na última página está o endereço do destinatário no Rio de Janeiro.