Search results

13,289 records were found.

O autor, Félix de Avelar Brotero, [Botânico], Director do Museu Real e Jardim Botâncio do Paço da Ajuda, agradece ao amigo Conde da Barca, [entretanto falecido em 21 de Junho], a proteção dada ao requerimento enviado e informa-o de que já recebe o ordenado competente após cinco anos de serviço gratuito. Recebeu a notícia de que foram publicadas nas atas da "Sociedade Lineana de Londres", Part. I, Vol. XII, as descrições, da sua autoria, e respetivas estampas de duas novas plantas, a que deu o nome de "Araûjia Scricófera" e "Passiflóra Racemosa", sendo que o nome da primeira é dedicado ao destinatário como forma de lhe prestar um tributo pela proteção que tem dedicado à Ciência Botânica e a quem nela se distingue. Espera poder remeter até final do ano o I Tomo da "Phitographia Lusitana [Selectior]", a qual não tem conseguido publicar por falta de apoios. Recomenda-se ao irmão do destinatário [João António de Araújo de Azevedo], [que se encontra no Brasil].
O autor acusa a receção da carta de 29 do mês anterior, de António de Araújo de Azevedo, juntamente com a do Conde de Palma. Informa que já remeteu a do Conde de Oeynhausen, apesar dos Esquadrões ainda não terem chegado de São Paulo. Tem acompanhado Francisco Joaquim [Moreira de Sá], [primo do destinatário], e família e que todos já estão bem adaptados ao país. Refere-se à chegada de Almeida Lima e dos Linhares; e solicita ao destinatário que faça os últimos esforços a seu favor, visto que alguns dos seus credores têm compromissos com a Fazenda Real. Acusa o envio, neste correio, da informação sobre a pretensão de Maximiano Pires da Costa.
O autor, João José Maria de Brito, refere-se a uma lavra que opõe Almeida Lima, protegido de António de Araújo de Azevedo, [Conselheiro de Estado], e o Padre Jardim. Informa que Francisco Joaquim tem assistido a tudo e alerta para o facto do referido Almeida Lima estar, na verdade a enganar o destinatário. Refere que tanto o autor como o Conde [da Palma] estão arrependidos das recomendações feitas a favor de Inocêncio de Aguiar. Recorda que já passaram nove meses e ainda não foram cumpridas as promessas que o Conde de Aguiar [fez ao autor].
O A., João José Maria de Brito, em resposta à carta de António de Araújo de Azevedo, datada de 19 de Fevereiro, agradece a boa vontade do dest. em se encarregar pessoalmente do negócio do Conde da Palma. Informa que por este correio o referido Conde remete ao Conde de Aguiar um requerimento do A. em que suplica a indemnização pecuniária referente às passagens a Portugal ou, caso esta não seja possível, a propriedade vitalícia do Ofício de segundo tabelião da Vila de Sabará, com benefício de dez anos de sobrevivência a contar da data da Mercê. Revela que esta é a única solução encontrada para poder salvá-lo dos abismos que o serviço lhe causou e livrar-se dos seus credores. Solicita, por isso, ao dest. que o proteja e que faça o Conde de Aguiar desembaraçar o negócio.
Termo de responsabilidade das quantias a pagar, a título de pensão, a José António dos Santos Branco, referente ao período compreendido entre 1 de Junho de 1814 e 1 de Junho de 1815.
"Mappa dos Inventos, que engenhou, e de que fez modélos, José Pedro Bayard Conego na Bazilica de Santa Maria Maior, e Juiz na Nunciatura, e Legacia Apostolica". Compreende as descrições de uma roda de àgua perpétua, um rodízio de vento, carda de cereais, um mergulhador ou búzio; dragão naval (ou embarcação de guerra), um modelo de descaroçar o algodão, alavancas recíprocas, e um modelo que indica o meio de conduzir até ao mar, em barcos, por diques ou canais, as produções da terra.
Termo de responsabilidade das quantias a pagar, a título de pensão, a José António dos Santos Branco, referente ao período compreendido entre 1 de Junho de 1813 e 1 de Junho de 1814.
O autor, Nicolau, [Fidalgo da Casa Real], [Barão de Beduídos em 18..], aproveita a ocasião de ter um portador seguro para escrever ao amigo [António de Araújo de Azevedo]. Fala da reação dos tribunais pela reprimenda que sofreram devido à sua tibieza no tempo dos franceses, deixando os portugueses "no maior abandono e indifrentismo, expostos a grandes disgracas". Refere-se ao último Decreto que o Principe-regente, D. João, deixou assinado recomendando a boa receção aos franceses; informa dos comentários que circulam em Lisboa sobre o Ministro inglês que foi nomeado para a América espanhola para acudir às desordens que por lá grassam. Queixa-se da forma como os militares ingleses estam instalados e o poder que têm. Informa que aguarda pela chegada [do Brasil] de [seu cunhado], [António de] Lemos [Pereira de Lacerda Delgado], [1.º Visconde de Juromenha em 15.12.1817], a qual está marcada para o mês de Março, para saber notícias do [Rio de Janeiro]. Pede ao destinatário que lhe responda às cartas que lhe enviou. Fala da passividade do governo de Lisboa sendo o P[rincipal] S[ousa] aquele que representa tudo e até dá audiências, seguindo "o sistema do seu perfido Irmão". Comenta a vitória de Balestero sobre os franceses. Informa que [a sua esposa], [Maria da] Penha [de Lacerda] também escreverá.
O autor informa o Conde da Barca, que tem a "grande honra de ter a seu cargo todas as Secretarias", que com "a passagem das Pastas" ficaram no poder do destinatário requerimentos que o autor já havia enviado. Tendo incumbido o compadre Marcelino António de Sousa de os procurar, solicita ao destinatário que o acredite e faça em benefício do autor o que lhe parecer de justiça.
O autor informa que com a morte de seu pai, [Francesco Bartolozzi], em 7 de Março passado, a sua mãe, de 78 anos, ficou a viver em circunstâncias muito precárias. Informa, ainda, que seu pai deixou por testamenteiro e herdeiro, de um terço dos seus bens, um seu discípulo chamado Francisco Tomás de Almeida, o qual viveu junto de seu pai nos últimos dias de vida deste. Residindo em Londres, e por isso longe da mãe, Gaetano, tendo em conta a proteção que o destinatário sempre dedicou a seu pai, solicita-lhe que apresente o Memorial incluso a S. A. R. e que seja o defensor da viúva e dos interesses da família de um tão famoso artista.
O autor, Nicolau Xavier de Figueiredo Bulhões Castelo Branco, Fidalgo da Casa Real, solicita ao Príncipe-regente D. João, que lhe dê posse do Prazo Foreiro da Coroa Real sito nas Lezírias das Barrocas da Redinha, termo da vila de Santarém, e de todos os que ali acrescentar com o seu trabalho.
O autor oferece a António de Araújo de Azevedo, [Min. da Marinha e do Ultramar e Conselheiro de Estado no Brasil], doze garrafas de vinho do Brasil produzido na sua Fazenda da Ilha de Itaparica, as quais ser-lhe-ão entregues pelo comandante do "Pandora". Pede-lhe uma apreciação da remessa enviada no ano anterior e tece algumas considerações sobre ambas as colheitas.
O autor, José Pedro Bayard, Cónego na Basílica de Santa Maria [Maior] em Lisboa [e Juiz na Nunciatura e Legacia Apostólica], remete a António de Araújo de Azevedo, [Min. da Marinha e do Ultramar no Brasil], o Mapa dos seus inventos que estiveram expostos na Junta do Comércio em 1806, por ordem do destinatário. Pede que o ofereça a S.A.R., [o Príncipe-regente D. João], e diz que desde 1794 tem empregado grande parte do seu tempo na concepção dos mesmos. Solicita a autorização do destinatário, caso as suas ideias não sejam acolhidas, para poder oferecer os ditos modelos à Sociedade das Artes e instituto de Londres ou a outras nações que premeiem invenções utéis. Se, acaso, forem aceites, o autor manifesta a sua disponibilidade para instruir a pessoa que for indicada para os montar "nesses imensos Estados" [do Brasil], ou, então, caso estejam disponíveis oficiais, materiais e obreiros das Oficinas e Arsenias Reais, os mesmos poderão ir já montados.
O autor, J A Hardwige, descreve, ao amigo Nicolau, o ataque das tropas aliadas a Ciudad Rodrigo.
Remete ao amigo, António de Araújo de Azevedo, um bilhete da sua tia Viscondessa que lhe chegou às mãos por via das criadas que estão no Paço Velho. Pede que o leia e que lhe transmita o que dali pode coligir, porque a única certeza que tem é a de que existe alguma intriga que perturba os seus interesses e o inibe de requerer. Se assim for, gostava de a conhecer para poder justificar-se, algo que não lhe seria custoso. Refere-se à destituição do capelão responsável pela igreja de Nossa Senhora da Atalaia e ao requerimento que este enviou para o Rio de Janeiro em que acusava e difamava o irmão do remetente, José Maria, administrador da referida capela. Informa que o Conde de Aguiar já tomou as primeiras providências com base no referido requerimento. Mostra-se desanimado e ofendido pelo facto de pertencer à família que há mais tempo se encontra no serviço imediato dos soberanos e que apesar das suas provas de fidelidade à Coroa e à Pátria é tratado com indeferentismo. Após já ter enviado um impresso referente à Batalha de Vitória, remete agora uma ordem do dia onde se pode ver o valor dos soldados portugueses e também a última Gazeta. Refere-se à reunião de tropas na Catalunha, o que poderá originar uma nova batalha. Informa que Maria da Penha também escreve agora.
Relação dos familiares "Mártires" que serviram no Paço [Real].
O autor, [Fidalgo da Casa Real], [1.º Barão de Beduído], pede protcção ao amigo António de Araújo de Azevedo, para obter uma demarcação clara das lezírias que possue junto ao Tejo, assunto sobre o qual Penha o tem mantido informado. Queixa-se de que as àguas do Tejo lhe arruinam as plantações e quando não são elas, são as autoridades que fazem inspeções para encher a "bolsa de dinheiro". Refere-se, ainda, aos favorecimentos a terceiros que acabam por usufruir do trabalho dos legítimos proprietários. Remete uma provisão do Conselho da Fazenda onde o destinatário com a "sua prespicassia" reconhecerá justiça do seu pedido.
Juízo do Tombo da Real Coroa, em Santarém. Sentença cível de reconhecimento, medição e demarcação do prazo de duas lezírias de lima sitas no almoxarifado das Barrocas da Redinha em Santarém, expedida a favor de Nicolau Xavier de Figueiredo Bulhões Castelo Branco.
Relação das plantas contidas em dois caixotes e remetidas para António de Araújo de Azevedo para o Brasil.
O autor acusa a receção das cartas de 23 de Outubro e de 6 de Dezembro de 1811, manifestando a sua frustração pelo facto do amigo António de Araújo de Azevedo, [Conselheiro de Estado no Brasil], se encontrar doente. Remete uma nova petição a favor de seu sobrinho, o Padre José de Avelar Brotero, visto que S.A.R. já havia feito a mercê do Benefício simples da Colegiada de São Nicolau de Lisboa ao Padre José António de Figueiredo, Cónego da Real Capela da Bemposta. Informa que o seu desejo é retirar o seu sobrinho da Congregação do Oratório, para poder instruí-lo em História Natural, para que o mesmo possa auxiliar o autor a sustentar a família. Queixa-se de ter sido jubilado pela Universidade com um dos ordenados mais pequenos, de nunca ter recebido o canonicato e de não receber ordenado para dirigir o Museu Real e o Jardim Botânico da Ajuda, apesar dos seus antecessores, os Doutores [Domingos] Vandelli e Alexandre [Rodrigues Ferreira], ainda hoje receberem um conto de réis. Informa que recebeu boas notícias de Viana dos irmãos do destinatário, [João António e do Abade de Lóbrigos], a quem remeteu um maço de sementes, e sabe que ambos remeteram ao destinatário um requerimento de João dos Santos Correia, fiel do museu da Universidade. Avelar Brotero refere que já havia enviado um primeiro requerimento do referido Fiel, ao Conde de Aguiar a pedido dos Lentes da faculdade de Filosofia. Refere-se à desordem em que se encontram o Museu e o Jardim, ao "Diccionário Botânico" de Lamarck e na "Species Plantarum" de Mr. Wildenow, onde vêm catalogadas grande número de plantas novas originárias da América Meridional. Censura a "Flora Fluminensis" do Padre Frei José [Mariano da Conceição] Veloso, [1742-1811], advogando que a mesma não deveria ser publicada devido ao grande número de lacunas e de enganos o que causaria um grande descrédito à nação. Remete, pelo Navio Imperador, algumas sementes e plantas vivas para o jardim do destinatário. Informa que a tranquilidade aumentou com a tomada de Badajoz pelos exércitos aliados.
O autor, certo na imutabilidade do carácter de António de Araújo de Azevedo, [Min. da Marinha e do Ultramar e Conselheiro de Estado no Rio de Janeiro], solicita-lhe que apresente a S.A.R. o requerimento incluso ou que lhe dê a a direção competente. Considera vítima da impiedade, e o despotismo dos atuais Magistrados que não observaram um decreto que não está derrogado, arruinando, assim, os meios de subsistência de uma casa.
O autor solicita ao Conde da Barca que intervenha em auxílio do seu sobrinho o Sargento-mor José Barros Pimentel, que é vítima do ódio do Ouvidor da Comarca de Sergipe d'El-Rei, José Teixeira da Mata Bacelar, em virtude de ter tomado posse, por procuração, dos bens herdados pelo Tenente Coronel José Joaquim de Argollo e Queiroz, compadre do autor há muitos anos, e que estava impossibilitado de empreender a viagem para o referido efeito. Mais informa, que o referido Ouvidor, que pretende ser reconduzido no cargo, não cumpriu o despcho que lhe foi enviado pelo [8.º] Conde dos Arcos, [Governador da Baía], nem a Provisão do Desembargo do Paço que restituía o Morgadio à posse do referido Tenente Coronel José Joaquim de Argollo e Queiroz.
O autor, Félix de Avelar Brotero, [1744-1828], [Botânico], manifesta ao amigo António de Araújo de Azevedo, [Conselheiro de Estado no Brasil], o seu objetivo de conservar e melhorar o mais possível o Museu Real e o Jardim Botânico da Ajuda, apesar da sua avançada idade e do estado de desordem em que os encontrou. Agradece, novamente, a proteção que o destinatário lhe dispendeu para poder alcançar o despacho de jubilação na Universidade, [obtido em 1811], [onde era Lente da Cadeira de Botânica e Agricultura desde 1791]. Pede que proteja o requerimento do seu sobrinho, o Padre José de Avelar Brotero, que pretende o Benefício da Igreja de São Nicolau de Lisboa, para poder auxiliar o autor no sustento da família, visto que o pequeno ordenado que recebe da Universidade e os serviços gratuitos que presta ao Estado não lhe chegam para tudo. Vivendo-se tranquilamente nesta capital, o autor participa que a Universidade está a ser regida pelo Vice-Reitor, visto que o Reitor, o Bispo-Conde encontra-se no Porto em convalescença. Refere-se ao desejo do corpo académico em ter outro reitor. Relata como João dos Santos Correia, Fiel do Museu de História Natural, salvou o Cartório da Secretaria e Fazenda, a Biblioteca e os restantes estabelecimentos da "unica eschóla da Nação" aquando da passagem de Massena, [em 18??]. O autor acha que o referido Fiel deveria ser remunerado pelos seus feitos, e informa que fez chegar um requerimento do mesmo ao Conde de Aguiar. Sabe que os irmãos do destinatário, o Abade [de Lóbrigos] e João António de Araújo, escrever-lhe-ão para solicitar proteção para este requerimento.
O autor informa que só agora lhe foi possível responder à carta de 28 de Abril passado, pelo facto de ter estado doente durante largos meses. Agradece a atenção que António de Araújo de Azevedo, [Min. da Marinha e do Ultramar e Conselheiro de Estado no Brasil], dedicou ao seu assunto. Diz que, apesar dos grandes dissabores sofridos, o respeito impõe-lhe o silêncio e apela à proteção do destinatário. Termina informando que já começou a elaborar o mapa.
O autor, Samuel Bermet, [administrador da propriedade de Santa Cruz], participa a D. João, Príncipe-regente, uma nova descoberta relacionada com o mar, a qual intitulou de "On the Ebbing and Flowing of the Sea".
O autor, [1727-1815], informa a António de Araújo de Azevedo, [Min. da Marinha e do Ultramar e Conselheiro de Estado], que lhe vai enviar uma prova da gravura em cobre de Espanha, mas que esta não resultou como desejava em virtude de lhe faltar o material necessário como a tinta preta, o papel e o óleo de noz, que já havia solicitado ao [2.º] Marquês de Borba, [Presidente do Erário Régio e Sec. Estado da Fazenda em Lisboa]. Roga ao destinatário que proteja o seu discípulo Francisco Tomás de Almeida que, inclusive, já apresentou algumas provas de gravura da sua autoria. Afirma que ele é merecedor de toda a proteção e que vive em dificuldades.
O autor informa a António de Araújo de Azevedo a sua ida para o Brasil, em 1811, a convite do Conde de Linhares, D. Rodrigo [de Sousa Coutinho], para adminstrar a propriedade de Santa Cruz, cargo que ocupou durante oito meses. Após a morte daquele, manifestou ao Príncipe-Regente D. João a sua intenção de regressar a Inglaterra, tendo no entanto o monarca lhe pedido para ficar, oferecendo-lhe uma terra, a qual ocupou nos últimos três anos. Pretendendo, agora, encetar a viagem para Inglaterra, com passagens em Lisboa e América do Norte, o autor lamenta que não lhe sejam facultados os passaportes necessários enquanto não proceder ao pagamento dos impostos sobre a referida terra, que lhe foram aplicados pelo Intendente da Polícia, os quais não tem meios de pagar e que o impedem de vender a terra a terceira pessoa. Diz que só poderá sair do Brasil quando receber novos fundos de Inglaterra ou se o Intendente retirar o referido imposto. Manifesta o seu desagrado por esta situação, visto que dedicou tantos anos de trabalho àrduo dedicados a S.A.R.. Oferece um trabalho que compôs em honra do Príncipe e que o mesmo Senhor mandou para imprimir.
O autor, [1727-1815], fala do seu estado de saúde aos 87 anos e das limitações que o mesmo lhe impõe para executar os trabalhos que deseja terminar antes de morrer. Refere que entregou a sua obra ao [2.º] Marquês de Borba [Presidente do Erário Régio e Sec. Estado dos Negócios da Fazenda em Portugal], a troco de cem moedas. Pede a António de Araújo de Azevedo, [Min. da Marinha e do Ultramar no Brasil], que proteja o seu discípulo [Francisco Tomás de Almeida], que muito o tem ajudado e cuja mulher o tem amparado na sua doença, para que o Erário Régio aumente a pensão que dele recebe de 100$000 réis para 400$000 réis.
A A, remete ao Conde da Barca, [min. da Marinha e do Ultramar e Conselheiro de estado no Brasil], o requerimento que lhe tinha falado no Teatro, esperando que o dest. cumpra a sua promessa com brevidade.
O autor informa António de Araújo de Azevedo da chegada de outro barco com três mil e duzentos tijolos. Solicita instruções escritas para poder proceder ao desembarque dos mesmos e para onde devem ser remetidos.
A autora apresenta os seus cumprimentos a António de Araújo de Azevedo, desejando que já esteja passando melhor "do defluxo". Remete um papel em anexo, esperando que o destinatário possa servir as pretensões do portador do mesmo.
O autor, em resposta à carta de António de Araújo de Azevedo, informa-o que o fruto não é a araça mas sim a goiaba. De qualquer forma, procurará os arbustos de araça pelas circunvizinhanças da roça do destinatário, para fazer o doce. Diz que arranjará também o soldado e informa que o feitor lhe remeteu um barco com três mil e cem tijolos, mas este foi apresentar-se a Valongo recusando-se a ir à Glória. Contudo, o referido feitor comprometeu-se a ir quando vier a primeira barcada.
A autora, Marquesa de Belas D. Maria, [1769-1832], recomendando segredo, solicita ao Conde da Barca, [Min. da Marinha e do Ultramar e Conselheiro de estado no Brasil], que alcance com a maior brevidade possível a permissão real para que se verifique no seu filho [D. António Maria Castelo Branco Correia e Cunha de Vasconcelos e Sousa], [1785-1834], a vida que possui na tença anual que recebe por ter sido Dama da Rainha [D. Maria I]. Deseja também que o seu filho receba a comenda da Ordem de Avis ou de outra ordem qualquer. Informa que recebeu uma visita de Manuel Luís, o qual lhe comunicou da chegada do destinatário a Santa Cruz.
A Comtesse d' Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida Portugal], [1750-1839], felicita o amigo [António de Azevedo] pela nomeação para Conselheiro de Estado e Presidente da Junta do Comércio, expressando a sua felicidade por ver finalmente um homem que saberá compreender a dimensão e o bem que pode resultar da indústria nacional. Pede que olhe para a sua posição e que a cada dia que passa tem mais necessidade da proteção prometida. Invocando a sua inocência esclarece que não escreve ao Ministro, mas ao velho amigo, ao homem esclarecido. Deseja voltar a exercer o cargo de direção que o príncipe lhe confiou no Palácio [da Ajuda]. Pede ao destinatário para aproveitar todas as ocasiões para colocar aos pés do Príncipe e da Princesa o seu profundo respeito e a lembrança do seu zelo e dedicação, assim como solicitar-lhes a compaixão para as minhas dores. Deseja obter uma defesa mais activa e uma recomendação para o Ministro em Londres [D. Domingos de Sousa Coutinho].
A autora anuncia a António de Araújo que recebeu a sua carta de 18 de Junho de 1810 apenas em Fevereiro de 1811 em virtude da maldade de muita gente contra si. Pede para não voltar a escrever por outra via senão pela que apresenta e que comunique esta dircção ao amigo "Samp...". Informa que escreveu ultimamente "aquelle que ouve a V. Exa.", tendo a sua carta sido acompanhada de outras dignas de atenção. Sente-se ultrajada e lamenta tantos crimes e tantas maldades contra si e espera que um dia se rasgue a máscara das pessoas que as cometem e diz que quando morrer vai para "o Ceo onde não entrão materialistas Atheus nem nenhum d'aquella cambada em que fala São Paulo". Pede proteção para o filho, Francisco de Assis, com quem o destinatário costuma jogar xadrez. O silêncio dele inquieta-a. Pergunta pelo Governador de Mato Grosso [João Carlos Augusto de Oeynhausen], [1776-1838]. Refere-se à bela epistola que lhe escreveu o "Heroe", bem como à sua resposta. Comenta a famosa proscrição [de Setembro de 1810] que arrojou para aqui e para a Ilha Terceira um grupo heterógeneo de indivíduos que eram "conspiradores". A moléstia do Rei tem preocupado toda a gente em Inglaterra e que o Príncipe de Gales assumiu a regência com exclente desempenho e aprovação de seu pai. Elogia as atitudes nobres de Mr. Percival e de Mylord Wellesley e garante que não é com eles que "hum paspalhão amacacado pode fazer fortuna só por que mente e tem credenciais". Entregará a carta a Marques assim que souber onde ele se encontra, visto que presentemente não está em Londres. Pede para entregar a carta em anexo a Carlos. Agradece os favores recebidos. Transcreve três sonetos.
A autora manifesta a constância dos seus sentimentos pelo Conde da Barca, apesar do longo silêncio deste. Anuncia o completo restabelecimento da prima do destinatário D. Mariana [de Arriaga], que após o ataque sofrido, sofreu um novo choque ao saber da morte da Rainha [D. Maria I], [em 20 de Março de 1816, no Rio de Janeiro]. Informa que não pode ficar com ela em Oeiras devido ao facto de ter de prosseguir o seu tratamento nas águas de Sintra. Sabe por outra pessoas que o Conde da Barca tem trabalhado muito mais do que aquilo que deve e manifesta o seu desconsolo por ver que ele a diminui e a desconsidera. Pede-lhe que não se preocupe quando alguém lhe apresentar uma carta sua de recomendação, mas à autora é-lhe impossível negá-las porque conserva o segredo da falta de correspondência que existe entre ambos. Solicita-lhe que escreva à Dona [Mariana de Arriaga], que muito se queixa da sua falta. Recomendações de Nicolau e das filhas.
Em resposta à carta de António de Araújo de Azevedo datada de 20 do corrente mês, o autor, João José Maria de Brito, comenta o Despacho do Conde da Palma para Vice-Rei da Ìndia. Em relação ao seu futuro, refere que só não acompanhará o Conde caso este recuse a sua companhia; visto que ainda não conseguiu recolher dados sobre a pretensão de Joaquim Inácio, disponibiliza-se para ficar encarregue deste negócio. Solicita ao destinatário que se lembre das suas circunstâncias e comunica que já remeteu a carta de Francisco Joaquim.
Refere-se aos procedimentos do "Monstro" Pedro de Mello; nos de Lemos e de [John] Campbell.
O autor, João José Maria de Brito, agradece as cartas de António de Araújo de Azevedo datadas de 11, 17 e 19 do corrente mês. Felicita-o pela nomeação para Ministro de Estado da Marinha [e do Ultramar]. Solicita ao destinatário que advogue junto do trono a favor do Conde [da Palma] e que evite que o mesmo embarque para a Índia, pelo menos, durante este ano; refere-se à carta de 30 de Dezembro passado, a qual poderia servir de fonte sobre o passado e os serviços do mesmo Conde, que em quatro anos tanto fez florescer a indústria da Capitania. Recebeu as cartas do irmão Francisco [José Maria de Brito]; escreveu a Francisco Joaquim dando a boa notícia.
A autora ficou surpresa quando o Marechal [Beresford] lhe entregou as restantes cartas que tinha em seu poder e entre elas figurava uma do Conde da Barca, datada de 2 de Julho. Demosntra a sua satisfação por verificar que o seu carácter permanece inalterável; agradece as expressões de consolo pelo transtorno que a autora tem sentido nos negócios. Diz-se conformada com esta situação, embora já nada possa substituir o desgosto e o transtorno sofridos pelo desprezo e falta de consideração com que S. Majestade trata Nicolau. Mas como está no fim da vida, perdoa tudo e todos e as únicas coisas que lhe preocupam são a boa sorte dos seus filhos e a continuação da "vida de V. Ex.a", a qual sente ameaçada devido à letra da assinatura que até é preciso ter fé para acreditar que a letra é sua. Sabe que o Marechal já se apresentou ao Governo [de Lisboa], mas que ainda não circulam notícias sobre as instruções que ele trouxe do Rio de Janeiro. Recomendações de Nicolau e das filhas. Informa que não tem faltado quem incrimine e que recebeu uma carta muito amável da sua parente.
O autor, João José Maria de Brito, remete uma Memória em que se poderá constatar que os pagamentos dos orfãos de Sabará são efetuados regularmente. À vista desta situação, solicita a António de Araújo de Azevedo, [Min. da Marinha e do Ultramar] que interceda a fim de resolver o negócio, para que o irmão [do autor] Francisco José Maria de Brito não continue a sofrer mais privações.
A autora manifesta a sua impossibilidade em deixar de escrever ao Conde da Barca porque tem receio de estar a cometer uma injustiça, apesar da tirania e ingratidão com que ele a trata há mais de um ano. Acredita que esta falta de correspondência tem uma causa que lhe é desconhecida. Contudo, com a chegada das princesas a Espanha e que anunciaram o regresso do Marechal [Beresford] a Lisboa talvez consiga saber alguma sobre o destinatário. Lamenta ainda não ter notícias do destinatário por Maria do Carmo Aranha. Refere-se ao completo restabelecimento de Mariana de Arriaga, prima do destinatário, após oito anos de sofrimento, e que agora está a tentar resistir às investidas dos sobrinhos que pretendem ser beneficiados no testamento. Demonstra a sua tristeza pelo facto de o Marechal [Beresford] ter chegado no dia 19 e trouxe-lhe várias cartas e nenhuma era do Conde da Barca.
Deseja uma rápida recuperação ao [Conde da Barca]. Lembra que os requerimentos que lhe enviou não têm conhecido nenhuma evolução e desconfia mesmo que eles não tenham sido entregues. De qualquer forma, solicita ao destinatário que concorra para que o autor seja despachado, com preferência para a Secretaria [da Marinha e do Ultramar], invocando junto de S.A.R. tanto os serviços que tem prestado como os do irmão Francisco [José Maria de Brito].
A autora acusa a receção da carta de 26 de Agosto, onde pode constatar as melhoras na saúde do Conde da Barca, único facto capaz de animá-la. Aguarda com ansiedade pela confirmação do regresso de S.A.R. a Portugal, conforme os boatos que circulam. Renova os agradecimentos pelas diligências que o destinatároio empreendeu em Santa Cruz a favor do seu negócio, mas que já não espera por um feliz desfecho do mesmo. Já sabia, através de uma carta da irmã Francisca, que o Marquês de Aguiar opunha-se a este Despacho por não querer dar o exemplo de atribuir títulos pedidos por açafatas. Lamenta que os serviços da mãe de Nicolau não sejam suficientes para que esta receba o título de Visconde, e não compreende porque razão S.A.R. e Aguiar o tinham prometido a Viscondessa do real Agrado. Não se atreve a voltar a pedir ao destinatário que torne a interceder para que não se comprometa, mas que leia o parágrafo ao seu colega [Aguiar] para que ele entenda os prejuízos que está a causar aos filhos de Nicolau. Informa que a tia Viscondessa está ressentida com a carta que a autora lhe escreveu. Agradece o empenho no despacho de Piedade; lamenta não receber notícias do filho António nem de Sebastião Pinto, estando mesmo arrependida em tê-lo deixado partir. Refere-se à Dona [Mariana de Arriaga] que rasgou o testamento que havia feito em favor da sobrinha, e que fez outro em que a autora se recusou a figurar por ter receio de sofrer represálias, tornando o desconhecido António de Vasconcelos seu herdeiro universal. Em Ps. envia recomendações das filhas e pede que entregue as duas cartas ao filho e ao sobrinho. Recomendações de Nicolau.
A autora agradece a carta do Conde da Barca datada de 15 de Julho, que recebeu através do Barão de Quintela. Informa que o Marechal General [Beresford] fez-lhes uma visita, onde lhes deu boas notícias do Conde da Barca e onde conversaram sobre tudo o que aconteceu enquanto ele esteve ausente no [Rio de Janeiro], de onde veio muito agradecido a El-rei e aos seus Ministros. A autora sabe que ele não está bem com Sebastião Pinto, mas não lhe perguntou a causa para não se sentir compelida a dar-lhe razão. Diz que não devia escrever este tipo de coisas porque "há em sua caza" quem lê as suas cartas e que tem sofrido muito com as maldades que daqui resultam. Comenta o novo regimento militar. Espera que o Rei [D. João VI], ainda premeie Nicolau pelos seus serviços e assim afaste as desconfianças de que ele está no desagrado real. Informa que recebeu uma carta da tia [Viscondessa] do Real Agrado, mas que dela já nada espera devidos aos seus despropósitos perante o Rei. Pede ao dest. que entregue a carta inclusa ao filho António que está em Santa Catarina, assim que tiver portador seguro. Permanecerá em Sintra mais algum tempo.
A autora aproveita a partida de um paquete inglês para manifestar a satisfação que teve quando o irmão do Conde da Barca lhe segurou que ele registava grandes melhoras. Refere-se às intrigas que envolveram o Marechal devido ao seu novo Regimento Militar; relata os abusos que a Dona [Mariana de Arriaga] sofreu dos seus parentes enquanto esteve incapacitada, o que fê-la rasgar o testamento. Espera que o navio que acaba de chegar do Rio traga boas notícias. Recomendações de Nicolau, das filhas e de Monsenhor. Informa que Sarmento partirá para o Rio de Janeiro até 20 deste mês.
A autora procura por notícias do Conde da Barca e reitera os seus sentimentos de constante amizade. Está muito feliz por ter tomado conhecimento por Francisco António, [Abade de Lóbrigos e irmão do destinatário] que o destinatário continua a restabelecer-se. Estimou saber dos despachos dos irmãos do Conde da Barca e que estes são também um reconhecimento dos trabalhos que o destinatário tem prestado a S.A.R. Refere-se às maldades que Dona [Mariana de Arriaga] tem sofrido dos seus parentes e lamenta não poder valer-lhe. Pede proteção para a carta de Eustáquio, de quem anteriormente já tinha enviado um requerimento e um retrato do Conde da Barca feito a pena. Manifesta a sua esperança em voltar a ver o destinatário e que todos aguardam pelo regresso da família real. Cumprimentos de Nicolau e de toda a família.
B. D'Urban, relata à amiga [Maria da] Penha [de França Pereira de Lacerda], [baronesa de Beduído em 1818], as ocorrências na Batalha de ?Sacé?. Pensa que, com os felizes acontecimentos da guerra do norte, talvez esteja para breve o advento da tranquilidade permanente para a Europa. Participa que António encontra-se bem e que o próprio autor o recomendou a um oficial do seu Estado Maior. Breves comentários sobre o país em que se encontra. Em P.s. recomenda-se a Madame de Lemos [Maria da Luz Willoughby da Silveira, futura Viscondessa de Juromenha] e ao amigo Nicolau [Xavier de Figueiredo Bulhões Catelo Branco], [marido da destinatária].
A Condessa d'Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida], [1750-1839], [futura Marquesa de Alorna], Dama de Honor da Princesa, informa que recebeu com a carta de 3 de fevereiro de 1812, uma outra de 1810. Só agora sabe do destino que as suas cartas levam, mas nada tem a recear. Refere-se às manobras dos seus inimigos, agentes de [Heliodoro Jacinto de Araújo Carneiro] "audaciozo e imbecil aprendis de medicina", que se prestam ao crime contra a sua inocência e desamparo, e que esperou um ano e meio para encontrar um momento em que a "inexperiência loucura mocidade de hua filha [...] dessem a mão ao maior absurdo". Colérica, pergunta porque razão o Príncipe e a Princesa não a protegem. Até ao Príncipe de Gales, hoje regente, o Duque de S[ussex] passou um retrato desrespeitoso da autora aconselhando-o a não acudi-la, e que o "novo conde [do Funchal]" cometeu a atrocidade de a abandonar. Remete uma relação exata do sucedido para ser presente ao Príncipe. Sente-se insultada por terem casado a filha [Luísa de Oeynhausen] "à inglesa" com o consentimento do E[mbaixador], com a cumplicidade do negociante António Martins Pedra e com a autoridade do Duque [de Sussex]. Aponta a cumplicidade de Carneiro com o Embaixador, sendo que as invectivas de um contra o outro não passam de jogo aparente. Idêntica situação se passa com Hipólito Costa, redator do "Correio Braziliense", de quem descobriram bilhetes trocados entre ambos. Avisa ao amigo [António de Araújo] de que este "mau homem" também é seu inimigo. Depois do desastre mudou o seu nome de Heliodor Carneiro de Araújo para "C[hevalier] d'Alvelos". Pergunta pelo filho [João Ulrico] e por [João] Carlos [Augusto de Oeynhausen], [Governador de Mato Grosso].
A autora, Maria da Penha, refere que o atraso na saída deste paquete de Lisboa, deve-se a uma manobra de alguns que "quizerão" que primeiro saísse um Brigue com o Conde da Ribeira que leva ofícios sobre a paz geral, para a qual este "Poltrão" em nada cooperou e que só falta mesmo enfeitarem-no com as ordens militares que lhe faltam. Avisa que pelo Capitão do Navio remete encomenda para as suas parentes e uma lata com raízes para o destinatário. Fala sobre o parente de [António de Araújo de Azevedo], o Coronel Sebastião Pinto que se dirige agora para o Brasil, levando muitas novidades, e de quem o Marechal [Beresford] tem muita predileção, referindo que o mesmo daria um bom chefe do exército português, se por acaso quisessem manter este corpo no estado de disciplina em que se encontra. Elogia o desempenho de Beresford à frente do exército português e à amizade que o mesmo nutre pela nação portuguesa. Aguarda pela chegada dos portugueses que estavam em França, à excepção do [3.º Marquês de] Alorna [que morreu em Conisberga em 2 de janeiro de 1813]. Defende a inocência do tio e espera que ao mesmo seja restituído o cargo que ocupava antes de servir com os franceses. Pede ao amigo António de Araújo de Azevedo que regresse a Lisboa, trazendo consigo o bom Manuel Luís, e deixe as secretarias [de Estado] para os "Pavoens". Recomendações de Nicolau e de Monsenhor.
Conjunto de cartas trocadas entre a Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida Portugal], [1750-1839], Dama de Honor da Princesa Carlota Joaquina e o Embaixador, tendo como intermediário o Padre Fryar, sobre o infeliz acontecimento que a envolveu contra o Duque de Sussex. Resposta do Embaixador português em Londres, [Conde do Funchal].
A autora, Maria da Penha, felicita o amigo [António de] Araújo [de Azevedo] pela sua nomeação para o Ministério [da Marinha e do Ultramar], [ocorrida em 11 de Fevereiro de 1814], notícia que tomou conhecimento quando foi aos festejos do aniversário do Príncipe-regente D. João, no dia 13 [de Março] no Teatro São Carlos. Faz votos para que S.A. conheça a partir de agora o quanto é vantajoso seguir um "Conselheiro tão digno". Em P.s. informa que estará presente na festa que D. Pascoal dará em honra do Rei Fernando [VII], [de Espanha].
A autora, mesmo sabendo que [António de Araújo de Azevedo] receberá uma carta de recomendação a favor do sobrinho João Infante de Lacerda, solicita-lhe que o ajude a alcançar alguma remuneração pelos seus serviços. Refere que se como não bastasse a situação de indigência em que o mesmo se encontra, casou com "huma espese de fera" que se revoltou contra ele e que só o envolve em dramas infernais. Aproveitando o atraso deste paquete, a autora enviará outra carta.
D. Domingos António de Sousa Couttinho, [Embaixador português em Londres], [Conde do Funchal em 18 ], em resposta à carta que [Condessa de Oeynhausen], [D. Leonor de Almeida Portugal], [1750-1839], lhe dirigiu, transmite a sua impossibilidade em pagar-lhe as pensões. Como a ordem é de carácter geral, não pode ter atenção aos direitos de cada indivíduo. Expõe os motivos pelos quais pede segredo sobre esta resolução e que apenas comunique com a Corte e com Inácio Palyart de quem remete carta inclusa.
A autora, que está em Colares, juntamente com toda a família e com duas filhas da [irmã] Piedade, para desfrutar do excelente clima e àguas locais, sentindo muito a falta do amigo [António de Araújo de Azevedo], "o rapas de Bellem". Refere-se ao boato da paz geral, considerando que esta seria indispensável para o regresso de S.A.R. a Lisboa, e à opinião do secretário da Legação inglesa em Lisboa, que acha que S.A.R. tomaria a decisão correta se nomeasse Araújo como Governador do Brasil. Pede ao destinatário se acaso lhe apresentarem esta proposta que a recuse e empreenda o regresso a Portugal e quem "fes o mal que o remedeiie". Soube que Lord Strangford, [Ministro da Inglaterra no Rio de Janeiro], partiu para Londres com autorização para tratar do regresso de [D. João], facto que irritou Stuart. Expõe a conversa que manteve com o mesmo Stuart sobre os bens do [2.º] Marquês de Pombal e aconselha o destinatário a não se comprometer "com esta gente". Acaba de chegar o Almirante Martime Casamaior com notícias sobre a tomada da praça de San Sebastian. Se chegarem a tempo, remeterá Gazetas oficiais e algumas cartas particulares sobre este assunto. Agradece as felicitações pela honra que S.A.R. fez à sua tia, mas lamenta que ela não lha transmita pessoalmente. Lamenta, ainda, a distância que os separa, o envelhecimento e as cartas que o destinatário lhe escreve por mãos alheias, as quais lhe dão uma ideia de inação do destinatário. Recomendações de Nicolau, das filhas e de Monsenhor.
Fragmento de carta de 1811. 07. 25, em que se refere à receção pouco amigável do Embaixador português em Londres, D. Domingos de Sousa Coutinho]às novidades e o lamento da autora, Leonor de Almeida Portugal, [Condessa de Oeynhausen], em se encontrar proscrita por ele. Proposta de petição, datada de 23 de Julho de 1811, em que a autora, solicita ao Príncipe-Regente que remedei com a brevidade possível a aflitiva situação em que se encontra, porque o pagamento das suas suas pensões foi suspenso pelo referido Embaixador. Em 26 de Julho, informa que acabam de chegar notícias do Continente. Comunica a prisão do rei da Suécia assim que desembarcou, pedindo os "agressores" instruções a Paris para saber o que deveriam fazer com ele. Blake não tomou Sevilha e dirigiu-se para Cádiz; Lord Wellington e os aliados estão em Arronches e Elvas enquanto que a guarda avançada está em Campo Maior. Ainda tem em seu poder a carta de António de Araújo para Marquês por desconhecer o paradeiro dele em Inglaterra.
Informações sobre o desaparecimento de um escravo.
A autora, Maria da Penha, acusa a receção da carta do amigo António de Araújo de Azevedo datada de 17 de Janeiro, a quem diz que o facto de lhe omitir o seu estado de saúde e de não escrever a carta com a sua própria mão, fá-la pensar que o destinatário se encontra no mesmo estado de inação que a "Dona" [Mariana de Arriaga]. Queixa-se que já nada importa ao destinatário a não serem "as flores e Botânicas do seu Jardim" tal como ela só se importa com o "jogo". Recomenda-se ao amigo "Manuel Luís", mas não fica admirada se ele ficar indiferente aos seus sentimentos. Refere-se à carta que recebeu da tia Viscondessa do Real Agrado. Pede ao destinatário que fuja do "pestilento clima" e abandone os "malvados intrigantes" e volte a Portugal, assim que houver segurança. Já viu a extensa lista de Despachos do dia 17 de Dezembro, mas que nem a quer analisar. Agradece o auxílio prestado no negócio da [sua irmã], [Maria da] Piedade, a quem já comunicou o recado, bem como a Guadalupe. Informa que [o seu marido] Nicolau escreve agora e que a autora em breve também o fará para contar a conquista de Badajoz, que segundo sabe será tomada hoje.
H. Harwige, agradece a Madame de Lemos, Maria da Luz Willoughby da Silveira, a carta do dia 31 e justifica o seu silêncio com a ausência temporária de Salamanca. Informa que o Marechal Beresford, [Marquês de Campo Maior], [Comandante em Chefe do Exército Português], já está restabelecido, não havendo motivos para o receio da destinatária. Pensa que Beresford poderá voltar à atividade no mês de outubro. Descreve a preparação para a campanha de Salamanca, as movimentações de Lord Wellington, a Graham e Hill, e, ainda, à passagem do Douro de Marmont. Comenta a influência de Trancoso no comando. O dia 22 está próximo e deve-se decidir em breve se se toma Salmanca e liberta a Espanha ou se se retira para Portugal. No dia seguinte as tropas estarão em Madrid, supondo que tal acontecerá sem oposição.
A autora, Maria da Penha, agradece a carta de 2 de Julho exprime a sua felicidade pelo facto do amigo António de Araújo de Azevedo já se encontra melhor do seus olhos. Pede-lhe que deixe de fazer o papel de "Procurador dos desgrasados" e que concretize a sua intenção de se recolher a outro local durante o verão, afastando-se do Rio de Janeiro. Informa que o "imbecil" do filho da amiga Pessanha, após ter desertado, foi escoltado até ao seu Regimento e que de nada valeu as súplicas da mãe junto do Marechal [Beresford]. Refere-se ao recado que o destinatário enviou ao seu marido [Nicolau Xavier Bulhões de Castelo Branco]. Tem sido procurada por muita gente que lhe questiona se o destinatário tem assumido todas as pastas [Ministeriais] que estão a vagar por morte dos seus titulares. Espera que tal não aconteça porque seria impossível para [António de Araújo] conseguir alterar as circunstâncias actuais. Comenta a substituição do Conde do Funchal, [Embaixador em Londres], por Freire; fala da sua ida a Sintra onde se encontrou com Navarro, da convalescença do Marechal-general e do excelente trabalho que tem feito no exército português; refere-se a Manuel Luís; e aos dotes vocais de Carlota, [filha da autora]. Remete dois requerimentos, um de João de Lemos e o outro de pessoa não identificada.
A autora, Maria da Penha, tendo tomado conhecimento da partida do navio neste momento, será mais extensa na próxima carta para a qual terá portadores seguros. Refere-se ao seu estado de saúde e revela que tomou conhecimento, por uns, que [António de Araújo de Azevedo] só não recebeu o título de Conde da Barca devido à pronta intervenção do Conde de Linhares junto de S.A.R., convencendo-o que este Despacho não seria do agrado do Ministro de Inglaterra [no Rio de Janeiro], [Lord Strangford]; e por outros, que ao destinatário foi-lhe ordenado que saísse da Corte devido à forma como reagiu a esta situação. A autora acredita na primeira informação, mas não na segunda e, de qualquer forma, felicita-o pelo justo merecimento da graça. Insurge-se contra a forma pela qual foi outorgado o Viscondado de Santarém a uma pessoa que se moldou a Junot, e que este título tem escandalizado mais do que aqueles que têm sido dados no Brasil. Informa que Lobato escapou da forca devido à proteção da Condessa da Ega. Sente que a sua família, apesar da fidelidade e dos trabalhos prestados ao Soberano, é injustiçada por algumas pessoas que rodeiam o Príncipe e que a sua vontade era dizer-lhes "quatro verdades" na presença do mesmo Senhor.
A autora, Maria da Penha, remete uma carta que era dirigida a outra pessoa, e que versa sobre a Batalha de Salamanca e pede ao amigo António de Araújo de Azevedo que seja cauteloso a lê-la, mas que dela faça um manejo útil. Refere que o autor daquela carta [Hardwige] é um militar de grande talento a quem todos os generais escutam com atenção e respeitam pela família a que pertence. Queixa-se do Almoxarife da Casa do Cadaval que se recusou a ceder-lhe a Casa da Bela Vista e lamenta ter envolvido o destinatário neste assunto. Pede-lhe, por isso, que se ainda não falou com a Duquesa de Cadaval que não o faça. Refere-se à possibilidade de o destinatário ser agraciado com o título de Conde da Barca nos despachos do próximo dia 13 de Maio. Fala da família; do redator do Correio Braziliense, a quem não perdoa os ataques disferidos contra o destinatário, que passou de "brejeiro" a "galante". Pede que o Conde de Aguiar se lembre do velho Azevedo o qual foi condenado por um crime imaginário. Solicita o envio de notícias.
A autora refere que apesar de já ter escrito em dezembro e janeiro, é obrigada a voltar a fazê-lo devido a incidentes recentes que envolvem o irmão Lemos, nomeadamente na ligação deste com o Marchal [Beresford], o qual solicitou autorização para se deslocar ao Rio de Janeiro para apresentar as suas justificações ao Príncipe-Regente e a António de Araújo de Azevedo. Solicita, por isso, ao destinatário que o encaminhe e o advirta do que deve dizer para evitar uma intervenção dos governadores, caso contrário a sua desgraça aumentará. Solicita também que interceda junto de S.A.R. a fim de que John Campbell, amigo da família e Coronel do Regimento de Cavalaria N.º 4, possa casar com Maria Brígida, filha da sua irmã Piedade, que delegou a aceitação desta união no Príncipe-Regente pelo facto do pretendente ser Protestante. Lembra a pretensão da irmã Piedade, relativa à Fábrica dos Povos, cujo requerimento será entregue por Pedro de Mello. Refere que João de Sousa só compromete o destinatário, conforme Lemos lhe poderá precisar; e diz que se o Príncipe não retorna a sua família terá de abandonar Lisboa para evitar a ruína. Recomendações de Nicolau.
Maria da Penha Pereira de Lacerda roga a piedade do destinatário em favor de "hum desgrasado" apesar da graça que ele pede ser de difícil concessão devido à multiplicidade de homens que estão empregados nestes lugares. Pede que a Providência se compadeça das circunstâncias da família deste e que lhe disponha os meios para garantir a subsistência da mesma.
Solicita ao amigo António de Araújo de Azevedo que apresente as suas desculpas às parentes e a Maria do Carmo devido ao facto de não lhes ter escrito por este navio. Refere-se aos milagres do "Homem da Tizoirinha" o que faz com que ele mereça os conceitos de todos aqueles que têm cabeça e luzes. Remete uma carta do primo Azevedo cuja situação é desgraçada, que não tendo meios para sustentar os cinco filhos, prefere primeiro ver a honra do pai restabelecida. Remeterá um requerimento do marido de Maria José de Saldanha e Castro, em que este solicita a S.A.R. um alvará de aprovação do casamento de ambos, por forma a evitar que esta continue a sofrer com os abusos da família dele.
A autora comenta o ataque de nervos que [António de Araújo de Azevedo] sofreu e que comunicou na carta de 24 de Maio. Comenta o desprezo demonstrado pelos Governadores do Reino à chegada dos primeiros regimentos do exército português, o que contrastou com a receção feita ao Duque da Vitória [Lord Wellington] e a outros "Papeloens". Refere-se aos auxílios que o Governo de Lisboa presta a Sodré para este ir imediatamente ao Rio de Janeiro e ainda antes do Marechal [Beresfrod] empreender a mesma viagem para apresentar a S.A.R. os serviços prestados pelo exército português; nas acusações que o Lord proferiu publicamente contra o mesmo Sodré, baseadas nos rumores que indicavam a roubalheira com que construiu fortuna e por ter usado indevidamente da proteção que recebia. Pede ao destinatário que desista de lhe alimentar esperanças quanto à sua pretensão, uma vez que sabe que já está fora de questão há muito tempo. Agradece o chá e entregará o café à "Dona" [Mariana de Arriaga]. Comunica a morte de José Manuel. Carlota responde ao recado referindo que está muito triste por não receber carta há anos, à exceção do bilhete a pedir flores e no qual se reconhece "o pouco dezejo que tem devir para cá". Em Ps. autógrafo, "Nicolao" envia graças a S.A.R., ao amigo António de Araújo de Azevedo e a todo o público.
Maria da Penha desconfia que [António de Araújo de Azevedo] não lhe escreve devido ao débil estado de saúde em que se encontra, o qual poderá ser o resultado dos inúmeros trablhos que o destinatário tem à sua responsabilidade, consequência de um patriotismo "que mais nimguem tem". Refere-se às razões que levaram o Marechal Beresford até ao Rio de Janeiro; aos excelentes trabalhos prestados na reorganização do exército português e que não são reconhecidos pelo governo de Lisboa; à Regência de Lisboa que recebeu os soldados portugueses com o maior desprezo, provocando um amotinamento dos mesmos que queriam ver concretizadas as regalias a que têm direito. Acusa D. Miguel Pereira Forjaz de ser um impostor e de, conjuntamente com o seu protegido, o engenheiro João Crisóstomo, ter arruinado o Colégio Militar, razão pela qual a autora retirou de lá os seus filhos. Comenta a sua ida a Lisboa para ser madrinha de casamento da sobrinha Carmo com o sobrinho dos Guiões referindo que mal terminou a festa regressou à Bela Vista, não esperando pela festa que o Senado ofereceu à oficialidade do Exército. Confessa que não conseguiria assistir a uma festa onde se gastou tanto dinheiro, estando os obsequiados com pagamentos em atraso e as respetivas famílias com fome. Recomendações de Nicolau. Informa que o sobrescrito da carta vai com outra letra para que não haja tentação de a abrirem.
A autora recomenda o portador da carta, António Teles, que acompanhou o seu pai, o Marquês de Penalva na sua peregrinação a França e que agora vai ao Rio de Janeiro beijar a mão de S.A.R. em nome de seu pai. Diz não ter arrependimento por não ter assistido ao sumptuoso jantar que o Senado ofereceu aos Militares portugueses, acontecimento que relatará o portador da carta. Em Ps. de 2 de Dezembro, lamenta que o seu tio Azevedo morreu sem que tenha sido reconhecido pelos serviços prestados. Recebeu a carta que António de araújo de Azevedo lhe escreveu com sua própria mão, e onde pode constatar as melhoras do mesmo. Informa que responderá à mesma com mais vagar. Informa da chegada de um figurão inglês, Canning, nomeado para a Embaixada de Lisboa, mas que ainda não desembarcou por falta de casa. Em Ps. de 20 de Dezembro, refere que o Embaixador Canning ainda não se apresentou ao governo e que tal se deve, segundo rumores, a um ataque de "gota". Contudo, pensa que tal não é mais do que uma manobra para poder analisar bem a situação e depois agir. Ficou muito contente por saber que o dito embaixador tem conferenciado muito com o Marechal Beresford e que ambos são da opinião que o ministro António de Araújo de Azevedo é o único que pode segurar a dignidade da nação.
A autora comenta a partida de oficiais do exército português para o Rio de Janeiro, onde vão instruir o exército local. Acha que a nomeação do Marquês de Alegrete para General em Chefe deste corpo é uma "cena comica", devido à sua manifesta falta de conhecimentos práticos de guerra. Lamenta que o destinatário esteja novamente envolvido nesta confusão "que tanto repugnava". Fala da indisposição dos Governadores do Reino contra os ingleses; da forma desprezível com que D. Miguel Pereira Forjaz trata os oficiais da sua secretaria e das farsas com que sustenta as maldades dos outros. Alerta António de Araújo de Azevedo para não se iludir novamente com Sodré, que muito tem desonrado o seu protetor, o Duque da Vitória, elaborando um plano para assumir o comando do Exército. Defende que o corpo militar português deveria ser comandado pelo Marechal [Beresford] que, apesar de ser vítima de injustiças, foi quem o disciplinou; revolta-se contra aqueles que querem expulsar a oficialidade inglesa do exército assim que se julgaram livres [do jugo francês]. Remete cópias intactas de ofícios do Marquês de Campo Maior que provam tudo o que a autora diz e adverte o destinatário para a possibilidade de estes mesmos ofícios chegarem às mãos do Marquês de Aguiar com alguma parte importante subtraída ou até mesmo não serem enviados. Refere-se ao receio com que a regência aguarda pela chegada do novo Embaixador [inglês]. Lamenta que [o seu irmão] Lemos, apesar dos trabalhos prestados, seja vítima deste governo [de Lisboa]. Adverte o destinatário para o "ranxo de Fidalguinhos" que vão ao Rio de Janeiro, instruídos pelos governadores, buscar prémios que pertencem aos que ficam. É necessário consultar o Marechal antes de os despachar para se não cometerem injustiças novamente. Informa dos rumores que circulam contra o destinatário e o envolvem em toda a intriga.
Maria da Penha exprime o seu desconsolo por não receber cartas do amigo [António de Araújo de Azevedo], embora saiba, por um navio que acaba de chegar, que o mesmo se encontra bem e que acompanhou S.A.R. para Santa Cruz. Fala sobre as discordâncias entre [António de Araújo de Azevedo] e o Embaixador de Inglaterra. Informa que chegou às Caldas muito doente, mas que já se encontra melhor e preparada para seguir o plano do médico. Segue, por isso, para Sintra onde tomará as águas férrias, e dali para Lisboa e depois para a Bela Vista. Como este navio partirá até ao fim do mês, e não sabe se conseguirá escrever às suas parentes, solicita ao destinatário que lhes explique o motivo da falta das suas cartas. Cumprimentos da família.
Maria da Penha, apesar de já ter escrito das Caldas por este mesmo navio, volta a fazê-lo para agradecer a carta de 13 de Março que António de Araújo de Azevedo lhe escreveu de sua própria mão, prestando-lhe assim uma prova da grande amizade que por ela nutre e aliviando-a em relação ao seu estado de saúde. Apenas lamenta que nada lhe diga sobre o regresso a Portugal. Informa que as cartas endereçadas para as duas "Personagens Britanicas" serão guardadas até que lhe dê ordem para queimá-las visto que ambos já não se encontram em Lisboa. Refere que Casamayor já dá o justo valor a [António de Araújo de Azevedo], após ter conversado com o Almirante Sidney Smith. Aguarda pela indispensável anulação do Tratado [de 1810] assinado por D. Rodrigo de Sousa Coutinho, [na altura Ministro dos Negócios Estrangeiros], esperando que o destinatário o consiga tornar mais vantajoso para a nação, promovendo a reconciliação com os ingleses anulando, assim, as intrigas promovidas pelos Sousas. Remete uma carta do Marechal Teixeira que é vítima de intrigas no Colégio Militar, o qual está cada vez pior. Pede ao destinatário que leia o bilhete incluso do General D' Urban. Comunica a sua partida para Sintra.
A autora recomenda ao amigo [António de Araújo de Azevedo], Ministro da Marinha e do Ultramar no Rio de Janeiro, o portador da carta, José Máximo Coelho Falcão, que vai ao Rio de Janeiro tratar de assuntos pessoais que dependem inteiramente do destinatário. Informa parte nessa madrugada para Sintra onde passará o resto do verão para recuperar a saúde. Informa da surpresa que o General D' Urban lhe preparou ao fazer chegar o filho António no dia anterior ao do seu regimento, facto que causou uma imensa alegria a toda a família. Solicita ao destinatário que leia este parágrafo às parentes da autora e que lhes apresente as suas desculpas por não lhes escrever neste momento.
A autora manifesta a sua desilusão ao amigo Conde da Barca por dele não receber notícias e anuncia a sua vontade em acabar com a correspondência que lhe envia. Conformar-se-á com a perda de um amigo, embora o julgasse ser fora do vulgar. Já pensou que as suas cartas podem se ter extraviado, mas há quem lhe garanta que o destinatario atingiu um ponto de indiferença por tudo e por todos. Solicita ao destinatário que não se incomode com os pedidos que lhe dirigiu na última carta. Remete um papel que foi traduzido do inglês pelo Dr. ?"Barieta"?, o qual também está muito zangado por não receber carta sua.
Acusa a chegada de cinco navios da Corte [do Rio de Janeiro] e que em nenhum deles recebeu uma carta do amigo [Conde da Barca], situação indesculpável e que muito a faz desconfiar. No entanto, a sua irmã Carmo recebeu uma carta de Carmo Aranha, onde tomaram conhecimento que o destinatário passa bem e também da lamentável cena que a tia [Viscondessa do Real Agrado] fez no dia de anos da Rainha [D. Maria I]. Demonstra-se muito abatida e desiludida e escreve-lhe para o informar que prescinde dos seus ofícios para não aumentar os seus desgostos. Desiste da pretensão em ser Viscondessa, a qual não era por vaidade mas para poder assegurar o futuro dos seus filhos, mas acredita que tanto Carmo como o Conde da Barca tudo farão para lhes assegurar a subsistência. Pretende um aumento da renda que Nicolau aufere da Comenda da Ordem de Cristo, em pagamento dos serviços prestados a S.A.R.. Informa o destinatário do agravamento da sua doença; lamenta não receber notícias do seu filho e que está arrependida de o ter deixado partir. Recomenda-se a Sebastião Pinto, a quem muito estima, o qual não tem respondido às suas cartas. Recomendações de Nicolau. Carlota escreve também.
A autora lamenta à amiga Carmo que, apesar de chegarem muitos navios, nunca mais recebeu uma carta sua, nem das parentes, nem mesmo do filho. Informa que após a chegada do irmão António [de Lemos] ao Rio de Janeiro, só recebeu uma carta do amigo Conde da Barca. Manifesta o seu padecimento por não saber com precisão o estado de saúde deste e que ele até já nem responde às suas cartas, factos que a fazem pensar que ou está muito doente ou então "transtornado de caracter". Agradece à destinatária os confortos que lhe dirigiu pela irmã Carmo. Comenta as cartas que recebeu das parentes, dizendo que lhe despertaram sentimentos opostos, uma de compaixão e outra de cólera e desprezo. Responde-lhes com algumas verdades que lhes serão amargas. Sente-se consolada em poder desabafar com a destinatária; refere-se à carta que deve entregar ao Conde da Barca. Pede-lhe que fale com ele para ambos decidirem o que fazer do seu requerimento. Refere-se que o seu estado de saúde tem piorado e que já não tem esperanças em viver muito mais tempo. Recomendações do marido e das filhas.
A autora informa que com a partida da Expedição para o Rio de Janeiro surge a ocasião de existirem muitos portadores seguros para as cartas, mas que também não faltam "perseguidores" que lhe solicitam constantemente cartas de recomendação para apresentar a [António de Araújo de Azevedo]. Diz que a todos tem conseguido escapar argumentando que o destinatário se encontra muito doente, à exceção do afilhado de D. Mariana Teles que lhe apresentará uma carta mas que nada vale. Solicita ao destinatário que queime todas as cartas que não puder ler para que não passem pelas mãos daqueles "que tem trahido a boa fé de V. Ex.a". Refere-se a uma carta que recebeu do General D' Urban, escrita pelo Marquês de Campo Maior, em que o primeiro elogia [António de Araújo de Azevedo] e em que remetia duas gazetas contendo as promoções do exército, onde a autora reparou que o seu filho João foi preterido por engano do chefe do seu regimento. Informa que Nicolau também escreve e que se sente muito desolado por ter incomodado o destinatário e depois saber que não tinha direito a um bocado de areia.
Maria da Penha felicita o amigo António de Araújo de Azevedo pela elevação a Conde da Barca. Lamenta o aparente desprezo ou indiferença que demonstram por Nicolau. Refere-se à sua doença, razão pela qual não escreve às suas prentes do Rio de Janeiro. Nicolau Xavier de Figueiredo Castelo Branco felicita o amigo Conde da Barca pelo merecido despacho e diz que tudo o que S.A.R. outorgar ao destinatário são marcas de justiça e de gratidão.
Confessa a António de Araújo de Azevedo que se sente muito confusa com as cartas que dele recebe, porque sendo muito lacónicas fá-la pensar que ele não recebeu as suas precedentes. Ficou entusiasmada pela chegada de Sebastião Pinto e pelas notícias que ele trazia do destinatário. Elogia o trabalho do Marechal [Beresford] à frente do exército e comenta as intrigas que têm comprometido o prosseguimento deste trabalho, fazendo com que o mesmo Marechal tenha decidido a ir junto de S.A.R. buscar instruções. Solicita ao destinatário que o guie, pois os inimigos dele são os inimigos de S.A.R.. Diz que da casa de D. M. F. se comenta que [António de Araújo de Azevedo] escreveu-lhe a agradecer o comportamento que tem mantido com os ingleses, mas que não acredita neste rumor porque sabe da opinião do destinatário. revolta-se contra aqueles que cada dia mais o comprometem com a nação inglesa fazendo circular rumores que é "francês". Revolta-se contra a presença do Conde do Funchal, "traidor imfame e dezobediente", em Londres com prejuízo para Freire e para a nação portuguesa; comenta a forma como os governadores do reino os chefes e muitos oficiais do exército contra o Marechal, fomentando a insubordinação na expedição que vai para o Rio de Janeiro. Acha que a maior desgraça do destinatário foi ter voltado para o Ministério. Sebastião Pinto regressa mais cedo devido às intrigas, em especial de D.M.F.. Em Lisboa correm rumores que Manuel Luís protege certos indignos. Pede proteção para o seu filho que é o portador desta carta. Lamenta a pouca sorte de seu irmão [Lemos]. Informa que daqui a uns dias parte para Sintra. Em Ps. de 25 de Julho, informa da segunda suspensão do Plano do Marechal para o exército, efetuada pelos governadores, a qual provocará muitos prejuízos ao corpo militar. Informa da viagem de José Anselmo Correia para o Rio e classifica-o como espião de D. M. F.. Remete um requerimento do médico de Oeiras e outro de um dos rapazes que "V. Ex.a" mandou aprender com o Sarmento "dos bilhetes falsos", o qual foi enganado com falsas promessas de que entraria para o Colégio Militar.
A autora diz que muitas vezes escreve-lhe a recomendar indivíduos que talvez não mereçam, mas sabe que o destinatário já a conhece e que sabe quando as suas frase são forçadas. Contudo, não deixa de ser gratificante para si dar-lhe a conhecer pessoas de merecimento e por isso, roga ao amigo [António de Araújo de Azevedo] que proteja o memorial incluso. Informa que existe muita ansiedade pela chegada de notícias [dos despachos do] dia 13 de Maio. Refere-se às virtudes que [a sua filha] Carlota apresenta no Canto. Recomendações de Nicolau e das filhas.
Recomenda à proteção de António de Araújo de Azevedo, Ministro da Marinha [e do Ultramar], o portador da carta, João Francisco de Brito Villar, filho de joão Rodrigues Vilar, Desembargador e Administrador da Quinta Real dos "Bixos".
Refere-se à chegada de Sebastião Pinto e à carta que António de Araújo de Azevedo enviou por ele. Aconselha o destinatário a conservar a sua saúde para seu próprio bem e para bem do Estado; elogia os trabalhos deste, os quais têm convencido todos os incrédulos; refere-se à expedição do exército que S.A.R. preparou, apesar das dúvidas que alguns políticos manifestaram em que o mesmo Senhor queira retirar tropas de Portugal. Defende a opinião de S.A.R., que em primeiro lugar está a defesa das nossas posses nas Américas e só depois então é que devemos atender as solicitações das nações aliadas. Acredita que tudo melhorará a partir de agora, visto que o Governo [de Lisboa] já tomou conhecimento da forte base de apoio que sustenta o Marechal [Beresford] à frente do exército. Refere-se ao plano engendrado por D. M[iguel Pereira Forjaz] e restante Governo [de Lisboa] para depor o referido Marechal, tendo mesmo envolvido o inocente Sebastião Pinto. Informa dos ataques que Francisco Inácio tem disferido às autoridades militares; pede notícias sobre a "Restituição de Loubo" para poder defender o destinatário das acusações que lhe são feitas. Recebeu carta de Palmeirim, onde este lhe dizia que tinha falado com António de Araújo de Azevedo e lhe comunicava a nomeação de um dos filhos da autora para Ajudante de Ordens. Anuiu ao pedido de Sebastião Pinto e o seu filho assumirá o cargo de Ajudante de Ordens. Solicita ao destinatário que transmita estas novidades às parentes da autora. Apresenta as suas desculpas pela imprudência em tê-lo envolvido na sua pretensão das Lezírias e informa que Nicolau escrever-lhe-á sobre este assunto, enviando a pública forma da setença do Tombo e de uma Provisão. Pede ao destinatário que interceda junto do Marquês de Aguiar sobre a justiça desta graça. Em Ps. de 20 de Junho refere-se ao atraso desta carta e ao receio que o governo [de Lisboa] tem em que cheguem ao Rio de Janeiro as verdades; fala das tentativas para promover intrigas entre o Marechal e os generais americanos; do apoio que este tem dado a Sebastião Pinto. Pede ao destinatário que tenha cuidado com "o tal Amigo e com outros". Acusa a receção de uma carta do destinatário, em que lhe fala sobre o despacho de Nicolau. Informa que comprou uma casa em Sintra.
Como se demora o navio, remete carta e cópia do Aviso de Maria José de Saldanha [e Castro], de quem se compadece pela forma como é tratada pelos familiares do marido. Supõe que o seu irmão [Lemos] já tenha chegado [ao Rio de Janeiro] e diz que a segurança deste é estar António de Araújo de Azevedo no Ministério [da Marinha e do Ultramar] porque assim existe um canal seguro para fazer chegar as intrigas que obstam ao bem do Estado. Comenta o destino dado ao [Conde do] Funchal. Lamenta não poder separar da correspondência particular que lhe escreve os seus negócios, e que esta situação só se deve à falta de empenho das parentes que tem no Rio. Solicita ao destinatário que tome partido da sua família e que a ajude a alcançar do Príncipe a mercê das Lezírias das Barrocas da Redinha, que segundo sabe também são pedidas por outras pessoas.
Informa que continua a aguardar pela chegada do Brigue que o amigo [António de Araújo de Azevedo] lhe referiu na carta de 13 de Novembro de 1814. Comenta a lista de despachos do dia de anos de S. Majestade, a qual causou o amigo [António de Araújo de Azevedo] grande desprazer entre os heróis portugueses devido às injustiças nela contidas. Lamenta que Nicolau Xavier, que se encontra nas "Lezírias de Barrocas" a remediar os estragos, não tenha sido contemplado, continuando assim a ver os seus serviços sem serem remunerados, . Felicita o destinatário pelo seu despacho e exprime a sua felicidade por Manuel Luís também ter sido contemplado. Informa que este Brigue parte com notícias espantosas sobre o "Leão" e os últimos acontecimentos verificados no exército português. Refere-se à sua pretensão em receber a mercê das Lezírias, a qual viria suprir os estragos causado pelo Tejo noutro sítio. Em Ps. de 8 de Abril, não entende porque razão o comandante deste navio recusou receber as cartas devido a ordens superiores. Aproveita, então, para reafirmar a importância de receberem a união dos acrescidos, [as Lezíria], porque assim poderão assegurar o futuro dos filhos. Solicita ao destinatário que interceda junto do Príncipe-Regente, por forma a tornar desnecessário o envio de requerimento a Lisboa para consulta, visto que ali pretendem outorgar estas terras a outras pessoas por razões que a autora desconhece. Espera poder fazer esta surpresa a Nicolau. Pede a António de Araújo de Azevedo que congregue esforços com a tia [Viscondessa do] Real Agrado para tentarem alcançar esta graça.
Pelo qual ordena que pelos rendimentos das ilhas se pague à Condessa de Oeynhausen, D. Leonor de Almeida Portugal, Dama de Honor da Princesa [Carlota Joaquina] as pensões que lhe foram concedidas pela ordem emanada do Brasil em 1808 como as que, por três decretos antecentes, recebia até ao fim do ano de 1805 e parte de 1806 do Erário Régio de Lisboa. Ordena ainda que José Sebastião de França, morador em Turnham Green, fique encarregue de receber as ditas pensões e entregá-las à dita condessa. No caso de a dita condessa falecer as pensões deverão continuar a pagar às suas filhas donzelas enquanto não sair ordem régia em contrário.
Tabela de despesas indispensáveis para a sobrevivência [da Condessa de Oeynhausen, D. Leonor de Almeida].
A Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida], [1750-1839], [futura Marquesa de Alorna], Dama de Honor da Princesa, agradece a carta recebida e o facto de [António de Araújo] ver a verdade e a justiça nas ações da autora. Elogia Mr. B. e família sustentando que não há via mais segura que esta para expedir correio. Agradece a notícia de que [seu filho] João [Ulrico] estava em São Paulo prestes a regressar a Minas, porque desde Novembro de 1811 que nada sabia dele. Seria conveniente que ele viesse para junto da autora porque, lamentavelmente, todos os dias inventam notícias sobre ele. Não acredita em nada nem em ninguém a não ser em "V. Ex.ª". D. Domingos de Sousa Coutinho, que está sem vontade "de despir a purpura", recusou-se a receber as filhas da autora que iam acompanhadas de Madame B. "mólher de hum Ministro". Queixa-se da miséria e da perseguição de que é alvo e pede para alançar junto do Príncipe um decreto de teor semelhante à nota inclusa. Não entende a revogação das pensões a que tem direito. O seu intento é viver em Lisboa de onde foi expulsa apesar de ter recebido duas cartas oficiais que ressalvavam que não havia outra razão para o fazer que não o seu próprio arbítrio. Refere-se à sua proposta para ser paga pelos rendimentos das ilhas o que não afetaria os Erários do Brasil e de Lisboa. Recorda as promessas de S.S. M.M. ao Conde de Oeynhausen quando se fixou no serviço de Portugal. P.s. de 14 e 15 de Janeiro, o conde de Palmela, [nomeado para Embaixador] chegou a Londres. Pergunta se recebeu os livros. O livreiro fechou e com ele foi-se toda a edição que já tinha sido paga.
A Condessa d' Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida], [1750-1839], [futura Marquesa de Alorna], agradece a carta de [António de Araújo], datada de 20 de Maio, que "respira aquella honra, sencibilidade e amizade que sempre lhe conheci". Lamenta que as suas notícias tivessem agravado o delicado estado de saúde do destinatário. O falecimento da filha [Luísa] faz com que fique insensível aos insultos e perseguições que lhe movem. Pela resposta de Lord Strangford, [Ministro Britânico no Rio de Janeiro], à recomendação dos ministros ingleses Bathurst e Lord Sidmouth, deixou transparecer a ideia de que a autora cometeu algum erro junto do Príncipe. Só uma feroz calúnia a pode acusar de tal e nada a impedirá de se defender de um modo concludente. Pede ao destinatário e "ao nosso amigo S[ilvestre] P[inheiro]" que examinem esta questão, que deve ser mais uma diabrura dos seus perseguidores. Não recebe carta do filho desde Novembro. Pede ao destinatário que interceda junto do Príncipe para que ele seja nomeado para Cavalheiro da Embaixada em Londres junto do conde de Palmela que deverá chegar em breve. O conde do Funchal acaba de anunciar através da publicação de uma "pastoral" a sua nomeação para Ministro de Estado, dizendo que só aceitou com a condição de apenas permanecer no Rio de Janeiro durante dois anos. Estima saber que o excelente médico e amigo Manuel Luís [Alvares de Carvalho] está na companhia do destinatário. Sampaio não lhe escreve há muito tempo. Deseja saber se os documentos que enviou, por Mr. Hamilton, lhe chegaram às mãos. Enviará na primeira ocasião uma obra que mandou imprimir cujo epígrafe é "Carminibus quoro miserarum oblivia rerum". P.s. Pede para ler e entregar a carta inclusa ao seu filho. Só agora é que descobre a finalidade maquiavélica da Concordata que D. D[omingos] a fez assinar.
Proposição de minha mãe, Condessa de Oeynhausen, D. Leonor de Almeida, ao Embaixador Português em Londres, Conde do Funchal, remetida por "Madame A...". Resposta do Embaixador escrita de sua mão para ser dada verbalmente a minha mãe.
Solicita a proteção de [António de Araújo de Azevedo], para alcançar um emprego visto que se encontra numa situação de extrema necessidade juntamente com sua mulher e filhos.
A Condessa de Oeynhausen, D. Leonor de Almeida, escrevendo por interposta pessoa, expõe ao amigo António de Araújo, Conselheiro de Estado e Grã-Cruz da Ordem de Cristo, os desgostos que a oprimem e a sua incompreensão pelos factos que lhe transmitiu nos meses de Janeiro e Fevereiro. Luísa morreu no dia 18 deste mês, e as suas declarações finais demonstraram o possante complot que a arrancou dos braços de sua mãe. Foi encontrada num estado muito débil, em Hampstead, abandonada no seu leito pelo "desnaturado" Heliodoro Jacinto de Araújo Carneiro que, entretanto, partira para o Brasil, no paquete "Duque de Montreuse". Este indivíduo, que vai munido de um passaporte dado pelo Embaixador [Conde de Funchal] e com um monte de cartas do Duque de Sussex, ainda se vangloria dos seus sucessos sobre quatro damas inocentes que permanecem em Londres sem proteção. Suplica a S.A.R. que envie o seu filho João Ulrico o mais rápido possível para socorrer as suas irmãs. Acusa o Embaixador de ser o responsável pela sua indigência. José Sebastião de França ofereceu-se para pagar-lhe regularmente as pensões e os rendimentos atrasados, mas é necessária a autorização do Embaixador. Remete a resposta deste e o destinatário poderá julgar o resto. Na última página está o endereço do destinatário no Rio de Janeiro.
Informa que enviou no dia 3 deste mês uma carta e dois volumes de bergina e barros para que [o Conde da Barca] os avalie e lhe transmita o resultado para que depois o autor possa efetuar as remessas. Informa que tem preparadas remessas de "novas couzas" utilissimas para o Estado,comércio e povos e que as mesmas deverão sair nas próximas embarcações que se dirigem para a Corte. Refere à criação de uma olaria, ao engenho de fiação. Solicita a proteção do destinatário para alcançar o privilégio exclusivo de fabricar velas de sebo para o Arsenal e Naus reais, durante os próximos cinco anos. Comunica que tem insistido junto do [8.º] Conde dos Arcos [D. Marcos de Noronha e Brito], [Governador da Baía], para que este crie um Jardim Botânico que depois poderá exportar para essa Corte [do Rio de Janeiro] ou para Lisboa.
A Condessa d' Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida Portugal], [1750-1839], expressa a sua insatisfação pela perfídia com que é tratada em Londres. Recebeu uma carta do conde de Aguiar, [Min. do Reino], com dois selos, o que induz que a mesma foi desviada. Aguiar referia-se à impossibilidade de poder dispender dinheiro. Revolta-se por ser-lhe impossível saber do resultado do requerimento que foi enviado pelo conde de Linhares, [Min. Dos Negócios Estrangeiros] ao Embaixador [em Londres, D. Domigos de Sousa Coutinho]. Pede ao destinatário que entregue a carta, em anexo, ao conde de Aguiar e que interceda junto dele para que lhe sejam pagas as pensões. Refere-se a Lord Strangford, [Ministro inglês no Rio de Janeiro]. Pergunta se recebeu o maço de papéis enviados por Manuel Caetano Pinto e refere que ainda falta copiar a segunda parte. Remete duas cartas uma para o filho, [João Ulrico] e outra para o correspondente de ambos. Recomenda a compra da sátira "English Barts and Scotish Rewiers" de Lord Byron, bem como todas as obras deste poeta que "não tem indulgência com Lord St[rangford]". Comenta a nova composição do Ministério inglês. As gazetas inglesas "dizem quanto não devem nem pensar". Elogia o poema "Gama", [publicado em 1811, na Imprensa Régia de Lisboa], que originou grandes clamores contra o seu autor, [José Agostinho de Macedo] por se atrever a tratar o mesmo assunto que Camões.
Luís José de Carvalho e Melo, [1764-1826], [?Oficial da Secretaria do Reino?], [Visconde da Cachoeira em 1825], devolve ao amigo António de Araújo de Azevedo, [?Min. interino dos Neg. Estrangeiros e da Guerra?], o requerimento relativo à aposentadoria de Basílio [Teixeira Cardoso Saavedra Freire], visto que o Conde [de Aguiar], [Min. do Reino], [e futuro Marquês em 17. 12. 1813], optou por não diferi-lo.
Recomenda à proteção do amigo António de Araújo de Azevedo, o portador da carta, o qual "esteve m[ui]tos anos em caza de meu Pay, e q[ue] elle e mais minha May sempre protegerão".
O autor, Luis de Sequeira e Oliva, [1777-1815], felicita António de Araújo de Azevedo por ter sido chamado novamente a um Ministério "que por todos títulos lhe pertencia", [?o da Marinha e do Ultramar?]. Informa que casou no passado mês de Agosto com D. Ana Senhorinha de Barros. Estranha o facto de que desde que foi promovido a Primeiro Tenente, cujo despacho deve ao destinatário, nunca mais tenha sido contemplado nas graças de S.A.R., apesar dos trabalhos efetuados na fábrica de Salitre de Moura e de ser o autor do Periódico "Telegrafo Português". Insurge-se contra o facto de serem promovidos "os compadres de Junot". Solicita a proteção do destinatário para que o aconselhe sobre o que deve fazer, porque caso contrário permanecerá para sempre no posto que detém atualmente.
O autor, Luís de Sequeira Oliva, 1.º Tenente do Corpo de Engenheiros, apresenta a [António de Araújo] um breve resumo da sua vida desde a partida de S.A.R. para o Brasil: refere-se à recusa em servir os franceses comandados por Junot, refugiando-se nos Religiosos de São Vicente de Fora; à impressão de vários folhetos e periódicos anti-bonapartistas, como "verdadeira Vida de Bonaparte" imp. no Rio de Janeiro, "Diálogo entre as principais personagens francesas no banquete dado a bordo do Amavel"; ao periódico "Lagarde Português", ao "Telegrafo Português", cujo último n.º saiu em 31. 12. 1814, à "Receita contra a doença moral, chamada Susto que elles voltem"; informa das suas tentativas frustradas para combater ao lado dos ingleses aquadno da chegada destes; tentativa de escrever um diário de todos os acontecimentos memoráveis da campanha e exaltar os feitos dos compatriotas; o regresso, depois da 2.ª invasão, à fábrica de Salitre, que o Ministério de V. Ex.ª descobriu em Moura, (remete mais comentários sobre esta situação para o Investigador Português e para o seu Periódico onde publica uma memória); a carta escrita a Massena quando ele estava em frente a Almeida, prognosticando-lhe uma desastrosa campanha e o Suplemento a esta carta, pedido pel Secretário da Guerra, quando Massena estava na linha de Torres Novas; a breve estadia no Quartel general do General Silveira e o regresso a Moura quando esta estava exposta às tropas de Soult, em Janeiro de 1811; o desmantelamento da referida fábrica para não cair em mãos do inimigo; os estratagemas para impedir a entrada dos franceses em Moura, Mourão e Serpa (conforme a atestação que remeteu ao dest.). Pretende ser recompensado por todos estes serviços. Lamenta que os Oficiais da Secretaria da Guerra, exasperados de verem outros Periódicos concorrerem com a sua Gazeta, apresentaram ao Governo um Decreto de D. José pelo qual lhes é concedido o privilégio exclusivo da "Gazeta de Lisboa", fazendo suprimir todos os outros periódicos, à exceção do "Mercurio" que paga uma taxa. Roga ao destinatário que o aconselhe sobre o que fazer. Lembra-se que poderia voltar a dedicar-se à química, ser empregado na Junta do Comércio, visto que o atual Secretário José Acúrsio das Neves ali está devido aos seus escritos; a um estabelecimento ou fábrica; à marinha que o destinatário tanto desejava estabelecer em Oeiras. Consta-lhe que o Marquês, filho de Abrantes, pretende estabelecer uma Sociedade de Agricultura em Lisboa e que a pretenção já partiu para essa Corte. Como dizem que o nome do autor vai apontado para Professor de Química, e como este projeto passa pela mão do destinatário, pede para que risque o seu nome se por acaso lhe parecer que não vale a pena. A opinião geral em Lisboa é que o Príncipe não regressa.
A Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida Portugal], soube pelo Capitão Miguel de Sousa de Melo e Alvim que a notícia da morte do Marquês de Aguiar, [Min. do Reino no Brasil] era falsa. Feliz pela melhora de saúde de António de Araújo Conselheiro de Estado e Ministro no Rio de Janeiro. Finalmente parte para Lisboa, ainda que "como huma pobre", acompanhada da [filha] Henriqueta, deixando as outras três filhas em Londres devido à falta de meios. Até agora não conseguiu nenhum amparo nem proteção, visto que os dois Embaixadores, [Conde de Palmela e Conde do Funchal] ainda estão em Paris e o Encarregado de Negócios não tem poder para nada. Espera encontrar o filho, [João Ulrico], [Conde de Oeynhausen], em Lisboa e treme só de pensar que não lhe prorrogaram a licença. A glória [do exército] português é o único motivo que adoça as suas amarguras. Pede proteção.
A Condessa de Oeynhausen, [futura Marquesa de Alorna] informa a António de Araújo, Conselheiro e Ministro de Estado no Brasil, Grã-Cruz, que chegou a Lisboa há oito dias, estando hospedada em casa dos netos. Está muito doente e aflita, sem poder ver o filho [Conde de Oeynhausen] que, dois dias antes da sua chegada a Lisboa, partiu para Londres para ir buscá-la. Roga ao Príncipe que lhe conceda a graça de ter o seu filho perto de si enquanto necessitar de assistência e socorro. Informa que já sentenciaram o vínculo da sua Casa a seu favor, muito embora com a "pequena clausula" de não gozar dos prazos nem dos rendimentos do morgado enquanto não apresentar os títulos originais. Deixou metade da sua família em Londres. Endereço do destinatário na última página.
A Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida], [1750-1839], [futura Marquesa de Alorna], nunca mais recebeu notícias do amigo [António de Araújo] depois que ele subiu ao Ministério [da Marinha e do Ultramar no Brasil]. Espera que as novas ocupações não lhe prejudiquem a saúde. Supõe que os Governadores do Reino, pela polidez com que a tratam, não lhe querem mal, mas os seus negócios continuam entregues aos juízes subalternos que exigem a apresentação dos títulos para que a autora entre na posse do morgado. Mas, estes documentos, nunca estiveram na sua mão e, talvez, até foram vendidos "a peso para os confeiteiros" como os preciosos manuscritos de sua casa. Sem dinheiro e sem saúde, sempre em luta com ricaços e poderosos, como Braancamp e o cónego Francisco de Sales Barrancho, que pretendem o que lhe pertence, sente que veio a Lisboa para morrer mais depressa. Pede ao destinatário para que o Príncipe e os seus Ministros rejeitem a consulta deste cónego que já seguiu para o Rio de Janeiro. Pede proteção para o Padre Domingos Francisco de Moura, Confessor e Pregador, que remeteu um requerimento a pedir o benefício da Ordem de Cristo para o qual já está habilitado por decreto régio. Transcreve um extrato da sentença de 4 de Junho de 1814 que autoriza à autora a administração dos morgados. A infeliz J[uliana], [sua filha] está nas mãos de parentes em Hannover até que S.A.R. tenha piedade dela.
A Condessa de Oeynhausen, [D. Leonor de Almeida], [1750-1839], acusa a receção da carta de [António de Araújo]. Refere a sua tristeza e desconsolo pelo desencontro com o filho [Conde de Oeynhausen] [João Ulrico], que partiu na 2.ª feira para Londres para ir buscá-la e ela chegou na 6.ª feira seguinte a Lisboa. Foi recebida com civilidade em Lisboa, respeitando-se assim as ordens do Soberano. O governo mandou suster a venda dos prazos que lhe pertencem. Queixa-se da legislação em que se apoia o juíz do seu processo e dos discursos que em privado veiculam "axiomas de justiça, de bondade, e desejo da restauração das famílias disgraçadas", mas nos atos públicos "a linguagem é sempre feroz". Pede o auxílio do destinatário [Min. da Marinha e Conselheiro de Estado] para conseguir um novo Aviso que lhe permita entrar nas suas casas assim que o encarregado de negócios inglês de lá saia; e um decreto régio para que o fisco devolva as fazendas de Almeirim e Almada, sem que seja necessário a apresentação dos documentos que se extraviaram, queimaram e venderam a "pêzo para os confeiteiros". Está muito doente e não tem meios para pagar médicos nem criados e nem carruagem tem. A boa vontade dos Governadores do Reino não a pode salvar, porque não têm poderes para revogar as injustiças que lhe movem. A pensão que recebia foi caucionada em Londres para poder sair e que por isso não pode recuperar os papéis que estão na Torre do Tombo e que sem eles não querem entregar-lhe o Morgado. Enquanto isso destróiem tudo o que pertence a sua casa, contra a vontade de S.A.R. e dos Governadores do Reino, conforme lhe disse Morgado de Olhão. Soube pelo secretário do núncio que o destinatário não passa bem de saúde.