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Contém informações diversas de interesse para o concelho e seus municípes, com destaque para as deliberações da Assembleia Municipal, para as obras municipais, actividade culturais, lúdicas e/ou desportivas.
Contém informações diversas sobre vários temas de interesse para o munícipe, especialmente de âmbito cultural e desportivo, oriundas quer da Câmara Municipal, quer de associações ou outras entidades locais. Passamos a transcrever na íntegra a missão ou objectivos da agenda cultural, presentes na nota de abertura dos primeiros números lançados: «O acesso à cultura e ao desporto é de entre outros um direito de qualquer cidadão. É a nossa preocupação criar condições que permitam melhorar o acesso de todos, às actividades desta natureza a realizar no nosso concelho. Ao iniciarmos a publicação da agenda Dentro do Tempo, procuramos fazer a divulgação atempada das várias iniciativas culturais e desportivas, a realizar em qualquer localidade do concelho, promovidas pela autarquia, clubes, associações ou outras entidades. Dentro do Tempo divulgará também alguns aspectos no nosso concelho, naquilo que ele tem de mais genuíno como o património e a gastronomia. Estamos abertos para divulgar a informação que nos chegue de modo a fazermos de Dentro do Tempo um veículo de divulgação do concelho da Vidigueira. Aceite o nosso convite e participe nas iniciativas a promover. O vereador do pelouro da cultura e desporto.»
O imposto de sisa ou sisas remonta ao séc. XIV e recaía sobre a transação de vinho, panos, carnes, madeiras, ferro, cereais, metais, etc. Mais tarde passou também a aplicar-se à aquisição de bens de raíz pagando-se pela transmissão onerosa, venda, arrematação ou doação do direito de propriedade ou de outros direitos equiparáveis sobre bens imobiliários. Foi substituído, em 1 de Janeiro de 1861, pela contribuição de “registros”, criada pela carta de lei de 30 de Junho de 1860. Com o decreto n.º 16731, de 13 de Abril de 1929, a contribuição retoma a designação de sisa e imposto de transmissão que se mantém até 2003, passando, por força do decreto-lei n.º 287/2003, de 12 de Novembro, a designar-se imposto municipal sobre transmissões onerosas de imóveis (IMT).
O imposto dos quatro e meio porcento (4,5%) foi cobrado nos períodos de suspensão da Décima Militar. O primeiro período de lançamento deste imposto ocorreu entre 1698 e 1702. Entre 1704 e 1715, foi reposta a Décima. Em 1716 a décima foi novamente suspensa e o tributo dos quatro e meio por cento foi implementado até à década de 1760, altura em que regressa o lançamento da Décima que se manteve até à sua extinção na década de 30 do século XIX.
Em 1641 foi criado o imposto da Décima para prover às necessidades de defesa do reino, mais concretamente, para fazer face às despesas com a guerra da independência. Em princípio, era uma contribuição com uma taxa de 10% e a duração de três anos, tendo-se, no entanto, prolongado e, inclusivamente, chegado a atingir os 30% devido às necessidades do erário público. A 31 de Dezembro de 1852 a décima, assim como outros impostos anexos, foram extintos sendo substituídos pela contribuição predial, cuja importância era fixada anualmente, pelo que houve necessidade de se proceder ao cadastro dos bens situados nos concelhos. O imposto da décima incidia sobre todas as rendas, «assim de bens de raiz, juros, tenças, como de ordenados de ofícios (…) sem excepção alguma, nem privilégio» (10%) e sobre o rendimento dos ofícios e dos que tiverem «negócio, trato e maneio» (10%) do que se «arbitrar» lhes rendam anualmente os ofícios, o trato e maneio. A décima era lançada, «sem excepção», a todos os que não fossem eclesiásticos, sobre a fazenda que cada um tivesse: a) quem tivesse bens de raiz e fosse de trato e maneio pagaria décima e maneio dos bens e trato e maneio do que se arbitrasse; b) quem tivesse ordenado, «proe ou precalso dos seus ofícios de Justiça ou Fazenda» pagaria décima de tudo; c) quem recebesse ordenado ou moradia dos patrões pagaria a vintena (5%) das casas; d) os tendeiros «de porta», atafoneiros e «pessoas de semelhante trato» pagariam a vintena (5%) das casas em que vivessem, excepto se tivessem maneio pelo qual paguem décima. A décima era lançada por freguesia em todas as fazendas que os fregueses tivessem no reino e fora dele, desde que não fossem Comendas e bens eclesiásticos. A sua cobrança fazia-se, em quartéis, «em dinheiro efectivo». A décima das propriedades era cobrada dos que nela moram ou as têm arrendadas. Em 1642 esclarece-se que: a) o imposto incide sobre «todas as rendas e fazendas», incluindo «juros, tenças, ordenados, assentamentos, mantenças e moradias» de «todas as pessoas, de qualquer qualidade e condição, como não forem eclesiásticas (uma vez que os «Eclesiásticos e Religiões têm contribuído voluntariamente com as décimas das suas rendas»), sem excepção ou privilégio algum; b) todos os que tiverem vários rendimentos (ordenados, proes, precalsos, negócio, trato, maneio, etc.) pagarão décima de tudo separadamente; c) os médicos, cirurgiões, advogados, solicitadores, arquitectos e «mais pessoas que com suas ciências ou artes ganham dinheiro», também pagam décima do que se arbitrar; d) quem não tiver renda, fazenda, ofício nem trato ou seja oficial mecânico, trabalhador ou viva do seu trabalho pagará 2% do que se arbitrar que pode ganhar. Para a boa cobrança da décima: 1) far-se-á em cada Comarca uma lista das propriedades de cada freguesia, com o nome dos senhorios, os foros e encargos que têm e o valor da décima, assim como, em títulos separados, as listas das pessoas que pagam maneio e seu valor; que pagam 2% e quanto paga cada uma; que pagam e quanto pagam de proes e precalsos de seus ofícios e de ordenados; 2) A cobrança da décima será feita pelos recebedores das sisas, que entregarão o seu produto aos recebedores gerais; 3) quem não pagar e for executado será penalizado em mais 10%. Em 1654, o regulamento da décima, refere sobre o que incide e quem paga: 1) Sobre todas as rendas que tiverem, «assim de fazendas, como de juros,tenças, e ordenados, mantenças, moradias, e quaisquer outros rendimentos», todas as pessoas, de qualquer qualidade e condição, «Ministros de quaisquer Tribunais, Universidades, Comunidades, Fidalgos, Nobres, e do Povo, sem excepção de pessoa ou lugar, ainda que sejam fronteiriços, que sirvam à sua custa»; 2) Sobre as estimativas dos proes e precalços dos ofícios da Fazenda, da Justiça ou outros quaisquer dados por donatários, etc.; 3) Sobre os ganhos dos médicos, cirurgiões, advogados, escrivães, inquiridores, avaliadores, partidores etc. que ganham dinheiro «com suas ciências, artes e ofícios»; 4) «do que se arbitrar» a todos os nacionais ou estrangeiros que tiverem «negócio, trato, ou maneio»; 6) Relativamente aos lavradores que trazem herdades arrendadas, o valor da décima de trato e maneio passa a calcular-se em função do que «lhes fica de ganho depois de paga a renda, fazendo-se abatimento do cabedal com que entram de sementes, despesa de serviço, criados e gados, e o risco na incerteza das novidades, para que, estimado tudo ao justo, no modo que for possível, se avalie o que lhes fica livre de pão, criados e lã, que se haverá como ganho de maneio»; 7) No caso dos proprietários de herdades que habitualmente eram arrendadas e agora estão em exploração directa, a décima é calculada em função do que lhe rende ou «podia render quando andava de arrendamento», devendo ainda pagar o maneio correspondente ao «que mais pode ganhar em a cultivar por si»; 8) Como alguns lavradores têm pastores e maiorais «que trazem gado seu apartado, ou junto com o do seu amo, se lhes lançará (a estes, aos lavradores) também décima do interesse que dele tirarem, como de trato e maneio»; 9) Os oficiais de qualquer ofício, se forem mestres «nesta cidade» (Lx) não pagarão menos de 3 cruzados (1.200 réis), e se forem obreiros menos de 400 réis (1 cruzado); no resto do reino os mestres não pagarão menos de 2 cruzados (800 réis) e os obreiros de 3 tostões (300 réis), «e todos daí para cima conforme se arbitrar». No caso de os mestres serem «tão pobres» que a Junta ache que não devam pagar como tal, arbitrar-se-lhes-á o que for justo; 10) Os mestres que além destes seus ofícios «tiverem maneio de compra, e venda para trespassar as coisas, não obrando com elas, ou vendendo parte», assim como aos boticários, cerieiros, curtidores, e outros semelhantes, pagarão separadamente décima do trato e do maneio»; 11) Os trabalhadores e jornaleiros «que não têm ofício, mas vivem só de seu trabalho», não deverão pagar menos de 2 tostões (200 réis) nem mais de 4 tostões (400 réis) «a respeito do mais, ou menos que ganham em cada terra»; 12) A décima das casas em que vivem os próprios donos delas será paga em função do que costumavam ou podiam render; 13) Apesar da Igreja contribuir com 150.000 cruzados para a despesa de guerra, quantia esta que será rateada por todos os eclesiásticos e religiosos, como os bens patrimoniais dos eclesiásticos ficam de fora daquele donativo serão registados nas Comarcas em caderno à parte que será enviado à Junta Eclesiástica «a que tocar, para que nela se lance a Décima e se cobre por eles mesmos, e se remeta a parte do que lhe toca dos cento e cinquenta mil cruzados do seu donativo»; 14) O lançamento da décima será feito por ruas e casas «pela mesma ordem em que estão nas ruas», declarando-se em 1º lugar o nome dos seus donos (que é onde há menos variações), depois o do alugador, ou dos alugadores, no caso de haver vários nas mesmas casas, deixando-se espaço em branco suficiente para se registar a morte do dono, a venda ou alheamento da casa, a mudança do(s) alugador(es), «e para maior clareza se fará declaração do trato e maneio, proes e precalços, ordenados, tenças ou mantenças que não estiverem assentadas noutra parte»; 15) Antes de se começar a lançar seja o que for nos livros, chamar-se-ão os fregueses constantes dos róis de confessados para que cada um preste informações sobre as rendas que têm, os ofícios, tratos e maneios que exercitam, etc., para se saber o que terão de pagar; e tomar-se-ão também informações de particulares que as possam dar, apontando-se os nomes, rendas, tratos, ofícios, etc. em cadernos próprios, para depois de tudo examinado se lançar nos acima referidos livros; 16) Dado haver homens de negócio que vivem numa rua e têm loja noutra, para se poder saber com certeza «a qualidade e importância do seu trato» será nesta última rua (da loja) que se avaliará e lançará a décima de trato e maneio; 17) Na décima do aluguer de casas abater-se-á a décima para consertos; e quando as casas não estiverem alugadas ou forem para aposentadoria ou quartel só se lhes lançará a décima «daquilo que com efeito se lhe pagar»; 18) «Em todas as propriedades se lançará Décima por inteiro, respeitando o rendimento sem se abater foro, pensão ou censo para se haver de cobrar do arrendador, ou pessoa que trouxer a tal propriedade, porquanto assim convém à boa arrecadação; e a parte da Décima que toca ao foro, pensão ou censo se descontará aos que fizerem os pagamentos na forma que fica disposto neste Regimento»; 19) Quando o arrendamento não for a dinheiro, mas sim em «quantidade certa» de géneros, calcular-se-á o valor destes em função do seu preço médio («preço do meio moderado») nos 5 anos anteriores; 20) Os rendeiros das casas, herdades, olivais e demais propriedades pagam, além da Décima das rendas devidas aos senhorios, a dos foros e censos que os senhorios pagam a outros, «e quando os senhorios queiram que as rendas se lhes paguem por inteiro, devem ter dados aos arrendadores dinheiro para pagarem por eles a Décima aos quartéis; e não havendo dado poderão os arrendadores descontar-lhes em frutos tudo o que por eles pagarem a dinheiro, ainda que valham mais»; 21) A Décima a pagar pelos «Senhores de terras, e pessoas muito poderosas, que vivem em suas fazendas» será lançada pelos Provedores com os ministros da cabeça da Comarca, «tomando-se informação secreta» das juntas locais e dos tombos e rendeiros das propriedades; 22) o lançamento da décima será feito nos locais onde se situam as propriedades e não onde moram os seus donos, e a sua cobrança será feita aos feitores, administradores ou rendeiros que as trouxerem; 23) As décimas não poderão ser arrendadas. Em 1762, a Décima volta a substituir o imposto dos 4,5%. Razões invocadas: - não se tratava de uma contribuição «nova e desusada»; - era a contribuição que, «por prudentes combinações e provadas experiências», se considerou ser a «mais igual e menos onerosa aos Povos, nos quais paga cada pessoa à proporção do que tem somente de dez um, e lhe ficam livres nove para se sustentar». No Regimento de 1762 aplicava-se o Regimento de 1654; na sua cobrança seguia-se também o que determinaram as leis de 1761: a) contrariamente ao que sucedia com o 4,5%, lançava-se décima sobre o dinheiro dada a juro por escrituras públicas ou privadas; b) a décima incidia sobre «todos os bens, rendas, ordenados, maneios e ofícios», mas «sem diminuição, sem excepção, sem diferença e sem privilégio algum, qualquer que ele seja», para que o imposto não penalizasse os que tinham juros, tenças ou ordenados e «pelas lucrosas contemplações dos lançadores» beneficiasse os negociantes e os proprietários de casas, quintas ou fazendas. Para tal, os superintendentes deveriam obrigar os proprietários e os que pagavam maneio a declarar sob juramento as rendas e lucros que tinham; o lançamento da décima deveria ser feito por pessoas competentes para poderem avaliar da sua veracidade - mestres pedreiros e carpinteiros nos prédios urbanos; fazendeiros nos rústicos; representantes das profissões colectadas nos maneios. Martins, Conceição Andrade, “Criação, Regulamentação e Cobrança da Décima: um imposto pouco explorado?”. Disponível em: . Acesso em 18-05-2017.
Colecção de recortes, originais ou cópias, de revistas ou periódicos com informações diversificadas que se reportam ao concelho de Vidigueira e que foram alvo de destaque no panorama regional ou nacional.
Compilação de veículos informativos entre a Câmara Municipal de Vidigueira e a população sobre assuntos da vida municipal de interesse comum ou para conhecimento geral. Os Boletins Informativos estão intimamente relacionados com actos eleitorais (autárquicas), na medida em que, ou reflectem o trabalho realizado que antecede as eleições ou espelham os resultados obtidos nas mesmas, contendo entrevistas e opiniões dos eleitos. No primeiro número do "Vidigueira Actual", que remonta a Fevereiro de 2007, o Presidente da Câmara, Manuel Narra, explicou o seu propósito: «Ao criarmos este novo espaço informativo, pretendemos que algumas informações urgentes e importantes cheguem rapidamente ao conhecimento dos munícipes. Este novo veículo de informação irá aproximar ainda mais o Município às pessoas, e a sua periodicidade que se pretende mensal trará maior actualidade às informações publicadas. Pretenderemos, pois, que aqui sejam difundidos alguns dos projectos que se encontram em estudo nos gabinetes, para posterior candidatura ao QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional (quadro comunitário de apoio), de modo a que os munícipes possam manifestar-se e contribuir para o futuro do nosso concelho (…)»
Em 30 de julho de 1801, por alvará de D. João VI, foi criado este novo imposto que recaía sobre as bestas e criados de luxo. Relativamente às bestas, a lei que regulou esse imposto excetuou as éguas de criação, bestas de lavoura e os cavalos progenitores, fazendo recair o imposto somente sobre as cavalgaduras de mero luxo, regalo e ostentação, que as pessoas nobres ou ricas sustentavam por vaidade e luxo. Ficavam, pois, a salvo os animais destinados à lavoura ou à propagação das raças. Esse ónus tão intolerável terá originado uma diminuição no número de compradores e por conseguinte uma diminuição de criadores. O estado acabava por tirar partido da situação pois não podendo ter um depósito de cavalos durante a paz, para o serviço em tempo de guerra, tinha-os nas mãos dos particulares, a quem os podia comprar sempre que necessário.
O «Cabeção das sisas» era o imposto sobre mercadorias, com excepção do ouro, prata, pão cozido, cavalos e armas. A partir dos meados do século XVI, as sisas tornam-se numa renda fixa, que se manterá ao nível dos 200 contos durante cerca de 150 anos. Isto porque, a pedido dos povos (nas cortes de 1525), o rei se dispõe a fixar, por contrato (de «encabeçamento»), uma soma certa a pagar por cada terra a troco da cobrança direta das sisas, ficando a repartição deste «cabeção» a cargo dos órgãos dos concelhos. Para efeito de cobrança interna (ou de arrendamento), os concelhos dividiam as sisas por «ramos», de acordo com o tipo de produtos sobre os quais incidiam, de modo a que cada «ramo» não excedesse uma certa quantia. Normalmente os ramos eram três: o «das correntes» (isto é, das mercadorias forâneas vendidas no concelho, já que as restantes estavam incluídas no cabeção), o das «propriedades e bens de raiz» (sobre a venda de imóveis) e o «cabeção». Se o encabeçamento das sisas teve vantagens para o rei, «acertando» - tal como os restantes «arrendamentos» de rendas, de que este não se distinguia estruturalmente - os montantes da contribuição (aliás incertos e de difícil cobrança), não interessava menos aos concelhos, que, assim, evitavam a entrada indiscreta dos oficiais régios e, sobretudo, realizavam uma importante renda própria, da qual fundamentalmente viveram até aos finais do Antigo Regime. E tendo-se desatualizado o cabeção, por via da subida dos preços das mercadorias, as câmaras recebiam do lançamento efetivo da sisa uma soma muito superior àquela que tinham que entregar ao rei (os «sobejos» das sisas); frequentemente, apenas com a renda das sisas «das correntes» e dos «bens de raiz» conseguiam atingir o «cabeção».
Esta secção contempla a documentação relacionada com impostos, cobrados pela Câmara Municipal de Vila de Frades, desde sensivelmente meados do século XVII, até à primeira metade do século XIX. Integram esta secção as seguintes séries arquivísticas: - Lançamento da décima (1767-1834) - Lançamento dos quatro e meio por cento (1732-1763) - Sisas: Bens de Raiz (1695-1755) e Cabeção das Sisas (1761-1810) - Imposto sobre Cavalgaduras (1828-1832) - Contribuições Extraordinárias: Contribuição Extraordinária de Defesa (1809)
Série composta pelos livros de actas das sessões do Conselho Municipal do Concelho de Vidigueira, onde se registaram as deliberações tomadas no período compreendido entre 1937 e 1974.
O presente fundo é composto pela documentação proveniente da actividade da Câmara Municipal de Vila de Frades em várias áreas de actuação. A estruturação do quadro de classificação baseou-se no quadro orgânico-funcional sugerido pelo Dr. José Mariz para os arquivos municipais, pelo que, podemos encontrar as seguintes secções: Constituição e Regulamentação do Município (A), Órgãos do Município (B), Serviços Administrativos (C), Património (D), Serviços Financeiros (E), Impostos (F), Justiça (J) e Saúde e Assistência (P). Deve ser referido que, por ser um fundo fechado, não são previstos ingressos adicionais, contudo, por respeito e coerência à estruturação do plano de classificação citado e adoptado, foi mantida a ordem e estrutura original das secções (na generalidade), independentemente da existência de documentos respeitantes a cada uma delas que, eventualmente, ainda poderão surgir.
No ano de 1992, foi realizada pela Câmara Municipal de Vidigueira, uma recolha de poesia popular junto dos vários poetas então existentes, fiéis representantes das comunidades onde viveram, que retrataram em quadras, décimas, quintilhas e sextilhas, toda uma história quotidiana nos seus múltiplos aspetos, social, ideológico, político, institucional e económico, que acabou por contribuir ao mesmo tempo, para o estabelecimento de verdadeiras áreas culturais de tradição oral. Mais tarde, juntamente com outros géneros poéticos, as suas obras integraram a "Antologia Poética - Município de Vidigueira", publicada no ano de 2005, cuja edição teve o propósito de unir harmoniosamente, os valores da expressão escrita com os da tradição oral, sendo estes considerados como criativos e não apenas como simples reprodutores de esquemas fixados pela tradição. No ano de 2017, foi dado início ao seu registo na base de dados Matriz, com a Poesia Popular incluída no Domínio - TRADIÇÕES E EXPRESSÕES ORAIS incluindo a língua com vetor do património cultural imaterial, na Categoria: MANIFESTAÇÕES LITERÁRIAS ORAIS E ESCRITAS. A temática da poesia popular inclui o maior número de registos e gravações efetuados, e constitui a primeira fase deste trabalho, razão pela qual lhe foi dada primazia. O principal objetivo deste trabalho, para além da sua preservação, é através da plataforma on-line, proceder à sua apresentação pública, disponibilizando-o a um vasto conjunto de utilizadores e interessados.
Colecção particular de fotografia da família Pulido. Esta colecção, composta no início exclusivamente por fotografia, viu chegar mais tarde outros elementos ou registos da família (vídeos captados na década de 50 e 60 do século XX) que se exceptuam dos primeiros mas cujo interesse na sua integração levou a que aqui fossem inseridos. Após ponderação e diálogo, visto que pela sua dimensão esta é, indubitavelmente, uma colecção de fotografia, decidiu manter-se a denominação da colecção. Esta colecção retrata várias gerações desta família, cujas raízes provêm da vizinha Espanha. A primeira fotografia que aqui se apresenta, da mãe, Maria Dolores Vasquez Gomez Cano (viúva de Juan Eugenio Martin Pulido, nascido em Almendro em 1792) com 8 dos seus 9 filhos, por volta de 1870, simboliza a expansão desta família de terras vizinhas para Portugal. Essa expansão foi levada a cabo pelos seus sogros, esses sim de apelido Pulido, e seus descendentes que se fixaram em várias zonas do Alentejo, nomeadamente, em Barrancos, Moura, Serpa e Vidigueira. Desta antiga família vidigueirense saíram homens notáveis no panorama nacional, como são exemplo, entre outros, o Dr. Francisco Martins Pulido (médico, doutorado na Universidade de Mompilher, em França, director do Hospital de Alienados da Luz e primeiro director do Hospital de Rilhafoles, conhecido mais tarde por Hospital Miguel Bombarda) e o Dr. Domingos Garcia Pulido (advogado, político e escritor). Esta família de grandes latifundiários, detentora de inúmeras terras e património no concelho, exercia grande influência na vida social e política local.
Colecção composta por vários registos fotográficos antigos a preto e branco reunidos pela Câmara Municipal, essencialmente, fruto da acção e vontade de populares que as fizeram chegar ao longo do tempo até esta para efeitos de conservação e manutenção da História da Vidigueira. Reflexo do próprio âmbito ou momento em que foram captadas, assentam nas seguintes áreas temáticas de classificação: - Acontecimentos Culturais, Políticos e Religiosos (A); - Artes e Ofícios (B); - Concelho de Vidigueira em Imagens (C); - Fauna e Flora (D) - Gentes e Tradições (E); - Arte e Monumentos (F); - Vida Militar (G); - Quotidiano Familiar e Social (H).
Formas de narrativa popular, tais como poesia popular, romanceiro, contos, mitos e lendas, cancioneiro, adivinhas, provérbios e ditos, pregões, parlengas e rimas, alcunhas e apodos, fórmulas mágico-rituais (encantamentos, rezas, esconjuros, etc.)
Tradições e expressões orais, incluindo a língua como vetor do Património Cultural Imaterial
Expressões artísticas e manifestações de carácter performativo
Música popular, vocal ou instrumental, dança popular, teatro popular, etc, como práticas performativas comunitárias que se manifestam periódica ou esporadicamente.
Conhecimentos e práticas nas áreas da etnobotânica, tais como a farmacopeia e a medicina tradicional, ou da etnozoologia, rituais agrários, meteorologia popular, entre outros tipos de saberes naturalistas populares
Festividades cíclicas, ritos de passagem do indivíduo (nascimento, passagem à vida adulta, casamento, morte) práticas mágico-rituais, práticas religiosas, etc.
É pretensão do Arquivo Municipal de Vidigueira, facultar o acesso à informação e documentação alusiva ao seu concelho, daí que, mediante autorização da RTP, o utilizador será direccionado para os conteúdos presentes no portal RTP ARQUIVOS. Esta colecção, foi criada para reunir, divulgar e satisfazer as pesquisas deste tipo de conteúdos, sendo todos eles, reforçamos, pertença da RTP e do portal RTP ARQUIVOS, aos quais devemos o nosso agradecimento pela possibilidade de partilha em prol do conhecimento da história e memória local.
Este fundo contempla, essencialmente, a documentação produzida pela Junta de Freguesia de Selmes (JFSLM), nomeadamente a documentação da Junta de Freguesia de Selmes e da Assembleia de Freguesia de Selmes, conservando ainda à sua guarda espólio fotográfico da Associação Mirante e alguma documentação produzida pela Junta de Paróquia de Selmes e pela Associação Recreativa de Selmes, estas duas, constituindo fundos independentes, tendo em conta o respeito pelo princípio arquivístico da proveniência.
Conhecimentos e saberes-fazer tradicionais no âmbito de processos de aquisição ou transformação de recursos, tais como caça e colecta, agricultura, pesca e criação de animais, arquitectura popular, ofícios tradicionais, etc.
Contém as deliberações resultantes das vereações da Câmara Municipal de Vila de Frades sobre vários assuntos de interesse municipal. Alguns livros constam identificados como "Acórdãos" e incluem informação variada que será indicada para cada caso específico.
Contém as deliberações resultantes das vereações da Câmara Municipal de Vidigueira sobre vários assuntos de interesse municipal. Os primeiros 29 livros constam identificados como "Acórdãos" e incluem informação variada que será indicada para cada caso específico.
A produção de vinho de talha na actualidade não é mais do que a adopção e utilização de uma prática e saber-fazer ancestral, trazido e impulsionado no concelho de Vidigueira pelos romanos, como assim servem de testemunho as grainhas de uva encontradas aquando das escavações nas Ruínas Romanas de São Cucufate, próximo de Vila de Frades. O vinho de talha é o culminar de várias fases de trabalho que surgem no campo, com a plantação da vinha, as podas, as enxertias, a rega, a vindima e outros processos necessários para se conseguir a passagem e transformação dos frutos das videiras no precioso néctar tão apreciado e, neste caso, com a especificidade de ser produzido de forma artesanal. Ao falarmos em vinho de talha, é imprescindível falar no recipiente que lhe dá origem e que, também este, vem da terra, a talha ou o pote (de menor dimensão/capacidade). Aqui, depois de colhidas e esmagadas as uvas, irão ser depositadas e mexidas diariamente (com o rodo) durante o processo de fermentação que irá dar origem ao "vinho novo" cerca de 40 dias após ter sido produzido e que, coincide, na maioria dos casos por ocasião da celebração do São Martinho, gerando momentos de alegria, confraternização dominados muitas vezes pelo cante alentejano cujo burburinho ainda hoje podemos ouvir vindo das inúmeras adegas particulares ou das escassas tabernas ainda existentes (espaços de convívio masculino por excelência).
A ARTE DE FAZER PÃO Até ao ano de 1999, havia ainda no concelho de Vidigueira, quem persistisse em fabricar o pão da forma mais elementar e ancestral, amassando-o com o "suor do rosto". Constituídos em pequenas empresas familiares estes padeiros fidelizaram práticas e costumes que aprenderam dos avós. Vê-los amassar, tender e cozer o “pão nosso de cada dia”, constituía uma verdadeira viagem no tempo, onde nada se perdia e a memória rebuscava mistérios e segredos. Cada manhã, por volta das 6h, iniciavam a labuta diária, apenas interrompida pelo descanso de domingo. De bata, barrete e avental brancos, começavam por encher de farinha o alguidar de barro, colocado sobre um banco de madeira com fundo de buinho, ao centro da “casa da amassaria”, de paredes caiadas, onde eram visíveis gravuras com imagens sagradas. Após a medição da farinha, amassada consoante a venda diária, misturavam-na com o fermento obtido a partir da massa guardada da última amassadura, com o fermento inglês, o sal e a água morna, a qual permitia não apenas uma mais fácil dissolução dos ingredientes, como também maior rapidez no “fintar” da massa. Ao iniciarem a amassadura, a farinha acumulada num dos lados do alguidar era lentamente absorvida pela água da “presa”, enquanto o movimento dos braços começava a “dar corpo à massa”, libertando um som borbulhante que pouco a pouco se diluía na fusão da mistura. Assim começava o milagre do pão, na cadência dos gestos, no balancear do corpo a um ritmo crescente, ante a exigência da espessura da massa, trabalhada sempre para o mesmo lado para não “desligar”. ”É preciso começar a puxar as pastas” diziam, “pois nelas está a elasticidade da massa”, que deve ficar “enxuta” não permitindo que as pastas se peguem às mãos. Aí, “está boa para fintar”. Nesta fase cumpriam-se alguns rituais sagrados. Antes de cobrir a massa, desenham-lhe ao meio, com as mãos, uma cruz, cravando-lhe de seguida os cinco dedos simbolizadores das cinco chagas de Cristo. Seguidamente, a fé completava-se numa oração convicta: “Deus te acrescente massinha, Assim como a Senhora fez ao pão, Na arca da pastorinha.” Após o ritual colocavam o sinal na parede do alguidar, este feito com um pouco de massa que retiravam da amassadura para marcar a altura aproximada que esta teria de atingir ao fim de mais ou menos 2h de levedação. A experiência induzia a colocá-lo sem grandes enganos, no local exato, havendo por vezes alguns imprevistos (calor, fermento a mais) em que a massa “salta o alguidar”. A massa tapada com o pano branco e os cobertores permanecia em absoluto descanso durante cerca de 2h até levedar. De seguida, uma nova tarefa se impunha: o aquecer do forno. De pequenas dimensões, estes fornos não necessitavam mais do que três feixes de lenha para aquecer e conservar o calor imprescindível à cozedura do pão. Construídos no quintal da casa, tinham o interior redondo e revestido de tijolo, assente numa base de ladrilhos sobre uma camada de areia suportada por outra de bagaço. O exterior era caiado de branco. Lenta e pacientemente, com a ajuda do forcado (pau comprido com a ponta em metal, usado para introduzir e mexer a lenha no forno), estes padeiros colocavam os feixes de lenha no interior do forno para, num ápice, o iluminarem num clarão de tons quentes. Enquanto a lenha ardia num assombro de cores, faziam os preparativos para tender, começando por verificar se o “pão estava finto”. Libertavam o alguidar das cobertas e observavam a massa numa atitude quase religiosa. Se esta tremia, atingia ou ultrapassava o sinal, o “pão nosso “ estava pronto para tender. Puxavam as últimas pastas e retiravam o sinal, não fosse este misturar-se na massa. Seguidamente, os tabuleiros de madeira eram colocados próximo da amassadura e forrados com um panal branco imaculado, onde começavam a dar forma ao pão. Polvilhavam a tábua de tender com farinha e aí, em gestos destros e rápidos moldavam “pães estendidos” e “de cabeça” que colocavam sucessivamente no tabuleiro em “caminhas” feitas no panal. Tendida a massa deixavam-na “fintar de mão” dentro do tabuleiro coberto por um panal, enquanto tratavam do forno já quente, que era preciso varrer e preparar para “deitar o pão”. Após esta operação lançavam-lhe no interior uma mão cheia de farinha, que sobre os ladrilhos quentes adquiria um tom dourado, sinal que a temperatura estava ideal para a cozedura e para o “solo” do pão. O calor interior branqueava o forno, numa tonalidade sépia que se desenhava reconfortante ao olhar. Aí seria metido o “pão de cada dia”, “amassado a sangue”, cozido com fé e abençoado pelos deuses. Aproximava-se a fase final, a cozedura. Vergados pelo peso, os padeiros colocavam os tabuleiros sobre o poial e habilmente retiravam os pães que ajeitavam sobre a pá e um a um introduziam no forno, num voltear rápido que os depositava suavemente sobre os ladrilhos quentes. Finda a tarefa e antes de fecharem a porta lançavam um punhado de farinha sobre o pão dizendo: “A farinha a arder E o pão a crescer” ao mesmo tempo que faziam o sinal da cruz e colocavam os tabuleiros de madeira ao alto para o pão “subir”. Uma vez fechada a porta, todo o calor se concentra na cozedura, que ao fim de 2h estará pronta a desenfornar. Terminada esta fase, um a um, tiravam os pães estaladiços e loiros, que “amanhavam” orgulhosamente sobre o tabuleiro de madeira, esquecendo todas as canseiras de uma labuta diária iniciada às 6h de cada manhã. Assim se cumpria o milagre do pão numa história de padeiros que arreigados aos seus princípios e às poucas exigências da sua pequena produção, insistiam em manter vivas as ancestrais tradições, como se o tempo jamais tivesse passado. Texto de Luísa Costa