As associações de classe começaram a surgir em Portugal a partir da segunda metade do século XIX, mas somente em 1891 viriam a sua situação regularizada, através do decreto de António Cândido, publicado a 9 de maio do referido ano. Decretava-se então que as associações de classe seriam sociedades compostas por mais de 20 indivíduos, que exercessem a mesma profissão. Os seus fins passavam essencialmente pelo estudo e defesa dos interesses económicos, industriais, comerciais e agrícolas.
Seria no seguimento deste movimento associativo, que proliferou primeiro em meio urbano, com a fundação de inúmeras associações operárias, que viria a ser fundada a Associação de Classe dos Trabalhadores Rurais de Moura, a 6 de abril de 1911. No mesmo ano é fundada a sua congénere de Vendas Novas e nos anos que se seguiram surgem dezenas de associações de trabalhadores rurais um pouco por todo o Alentejo.
Os estatutos seriam aprovados em despacho datado de 18 de maio de 1911 e assinados por Joaquim Theophilo Braga e Manuel de Brito Camacho.
Em novembro de 1911 em Assembleia Geral, a Direção é autorizada a arrendar por 54000 réis um prédio na rua Longa, para instalação da Cooperativa de Consumo, onde decorriam igualmente as reuniões dos corpos sociais da associação.
Em 19 de Novembro de 1919, já com a cooperativa de consumo encerrada e com a verba proveniente da liquidação da mesma, é adquirida uma casa para sede, situada na rua do Segundo Arco do Castelo.
Provavelmente as instalações não seriam as melhores, pois a 27 de março de 1933, pede-se ao Administrador do Concelho que interceda junto do Governo para que este disponibilize um subsídio para aquisição de nova sede. Pedido que provavelmente foi aceite, pois existem referências a uma outra sede situada na Praça Sacadura Cabral.
A associação desenvolveu a sua ação através da fundação da já referida cooperativa de consumo, que funcionou entre 1912 e 1917, mas também de uma escola para associados e filhos, de que chegaram até nós apenas registos de atividade referentes aos anos de 1912 e 1913.
Realce também para a fundação de uma caixa de socorros, destinada a auxiliar aqueles que por motivo de doença estivessem impedidos de ir trabalhar.
A associação para além destes fins mutualistas, manteve alguma atividade cultural e recreativa. Assim, os sócios ao frequentarem a sede da associação dispunham de diversos jogos como cartas, loto, glória, etc. O associado podia ainda ler o Século, ou assistir a uma peça de teatro, pois embora desconhecendo-se a frequência com que se realizavam estes espetáculos, existem alusões à realização de teatros, assim como de concertos musicais.
Com as eleições para os primeiros corpos gerentes da Casa do Povo de Moura, em 16 de janeiro de 1936, extinguir-se-ia a Associação de Trabalhadores Rurais de Moura, que embora com alguma atividade registada no ano de 1937, viria a sua missão terminada com a entrada em atividade da nova instituição.
História Administrativa elaborada por Octávio Patrício com base na análise da documentação que constitui o Fundo e das seguintes publicações:
- CABRAL, Manuel Villaverde – O Operariado nas Vésperas da República, Editorial Presença. Lisboa, 1977;
- Associações de Classe, in História de Portugal (1890-1910), Dir. Joaquim Veríssimo Serrão, Vol. X, A queda da Monarquia, Editorial Verbo, Lisboa, 1988, p. 412 a 414.;
- VALENTE, Vasco Pulido – O poder e o Povo: A Revolução de 1910, 3ª ed. Círculo de Leitores, Lisboa, 1999, 295p.
Fontes Impressas:
- Decreto que regula a existência de Associações de Classe, in Diário do Governo, nº 106, de 9 de maio de 1891;
- Lei que institui o direito de Associação, in Diário do Governo, nº 43, de 14 de fevereiro de 1907;
- Decreto nº 10414, in Diário do Governo nº 287, de 17 de dezembro de 1924;
- Livro de Estatutos da Associação de Classe dos Trabalhadores Rurais de Moura.