Em maio de 1954, após proposta do Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo, a Comissão Municipal de Turismo de Moura decidiu avançar com o primeiro concurso de ruas e janelas floridas. Era então presidente da referida Comissão o Sr. Alfredo Raposo Massapina, que acumulava o cargo com o de vereador da Câmara Municipal de Moura. Alfredo Massapina é autorizado a deslocar-se a Vila Viçosa, localidade onde uma iniciativa semelhante já estava implementada, com o objetivo de colher elementos junto da Comissão de Turismo local.
A primeira edição do concurso realizar-se-ia no dia 24 de junho do referido ano, e a tradição de embelezar com flores as ruas e janelas de várias artérias da vila prolongar-se-ia até ao ano de 1973. Durante cerca de duas décadas, em que apenas 1969 foi exceção devido a condições climatéricas adversas, várias ruas de Moura viram as suas casas decoradas por flores naturais, em vasos estrategicamente colocados em portas, janelas, varandas e terraços, dando um colorido à localidade, que fez com que ficasse conhecida por “Vila de Moura, a das janelas floridas”.
Do júri do 1º concurso faziam parte o já referido presidente da Comissão Municipal de Turismo e o Delegado do Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo, Eng.º. Armando Lopes de Almeida Mansos.
O regulamento do concurso previa a atribuição de prémios monetários aos oito primeiros classificados e ainda uma placa em bronze oferta do Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo, a atribuir à rua melhor ornamentada.
Na primeira edição foi galardoada com a medalha do SNI a rua da Bela Vista e em termos individuais o primeiro prémio foi atribuído à D. Carlota Raposo, moradora na rua 1º de Dezembro.
O concurso era normalmente complementado por espetáculos musicais que decorriam no jardim público Dr. Santiago. Assim aconteceu em 1961, recorrendo-se a artistas amadores locais e dispensando a contratação de artistas externos devido aos elevados custos.
A população aderia com enorme entusiasmo à iniciativa, de tal forma que por exemplo no ano de 1957 estiveram representadas no 4º Concurso de Ruas e Janelas Floridas 13 ruas, num total de 53 edifícios embelezados com flores.
A iniciativa surgia normalmente associada à Feira da Primavera que se realizava em meados de Maio e as duas iniciativas atraiam à vila florida um elevado número de visitantes. A própria imprensa nacional deslocava-se todos os anos a Moura, dando destaque às ruas floridas, aos monumentos e à animação que reinava por esta altura no centro histórico de Moura.
Após o 25 de abril a iniciativa acabaria por se perder, devido certamente à incerteza que reinou durante os anos que se seguiram à Revolução de Abril, mas também em virtude das Comissões Municipais terem aos poucos perdido a sua atividade. A Comissão Municipal de Turismo, que era a grande impulsionadora da iniciativa, após o 25 de abril de 1974, apenas reuniu esporadicamente em 1975, 1978 e 1980.
No entanto, três décadas volvidas depois da última edição, em 2003, a Câmara Municipal decidiu fazer renascer a tradição, ainda que noutros moldes. Para tal iniciou um trabalho de sensibilização dos moradores das ruas antes associadas ao concurso, no sentido de se retomar a tradição. Normalmente durante a comemoração do feriado municipal, a 24 de junho, as principais ruas do centro histórico passaram a receber animação e aos seus moradores o município ofereceu flores para com elas embelezarem as fachadas das suas moradias.
Para além deste trabalho de sensibilização foi a Própria Câmara Municipal quem deu o exemplo, colocando vasos de flores nos seus edifícios da Praça Sacadura Cabral (Câmara, Mercado Municipal e Biblioteca).
O concurso de ruas e janelas floridas seria mesmo retomado no ano de 2004 em moldes algo semelhantes ao primeiro, que deu origem à iniciativa nos anos 50, mas agora aberto às coletividades. Eram as coletividades que concorriam e não os moradores das ruas.
Este trabalho desenvolvido pela Câmara Municipal após 2003, de sensibilização e de retoma da iniciativa que tanto brilho havia tido em meados do século passado, acabou por dar os seus frutos, pois hoje em dia são várias as ruas de Moura que mantém as fachadas das suas casas enfeitadas com flores durante todo o ano, dando-lhe um colorido muito especial que contrasta com a alvura das suas paredes.
Os dois documentos colocados agora em destaque estão ambos relacionados diretamente com a iniciativa das ruas e janelas floridas:
- O diploma de honra, exemplar não preenchido, trata-se do único exemplar de diplomas que integra a documentação da Comissão Municipal de Turismo.
- O Cartaz de divulgação da iniciativa Ruas e Janelas Floridas fez parte de um conjunto de 300 exemplares impressos pela tipografia Arucitana. Encontra-se datado de 4 de maio de 1966 e associa o evento à Feira da Primavera. Integra um poema da autoria de Leonardo Mendonça, que à data era Vereador da Câmara Municipal de Moura e por inerência Presidente da Comissão Municipal de Turismo.