Sendo uma das primeiras bibliotecas fixas no Alentejo, e uma das primeiras bibliotecas a integrar a Rede Nacional de Leitura Pública. Recebeu a partir desta data a Biblioteca Fixa nº 149 da Fundação Calouste Gulbenkian instalada nos antigos Paços do Concelho.
A tentativa de organizar uma Biblioteca Museu na Vila de Moura remonta talvez ao ano de 1884 quando um grupo de Mourenses consegue reunir uma secção de armas , moedas, machados de pedra polida , leque e escudos nobres.
Apenas em 1915 foi instituída a biblioteca-museu que dispunha das secções de Pré-história, Romana e Etnografia Portuguesa, no entanto permaneceu esteve pouco tempo em funcionamento uma vez que em 1919 é data noticia da sua reabertura.
Na década de 20 o museu e biblioteca acabariam por ser extintos, mas em 1932 o entusiasmo de José Fragoso de Lima, na época ainda estudante, alertando através de artigos publicados a partir de 1935 no Jornal de Moura para a necessidade de reunir novamente todo o material recolhido, conseguiu criar novo entusiasmo levando já na década de 40 à constituição de uma comissão que reorganizou a biblioteca e museu, ficando então instalada no 2º andar do Tribunal Judicial (atual edifício da Câmara Municipal).
A 27 de Junho de 1968 a Biblioteca Municipal de Moura passou a integrar a Rede de Bibliotecas Fixas da Fundação Calouste Gulbenkian, partilhando o espaço com o Museu e Posto de Turismo, que estavam instalados na actual sala Infantil. A 24 de Junho de 1991 passou a integrar a Rede Nacional de Bibliotecas de Leitura Públicas, ocupando desde então a totalidade dos espaços existentes.
O Edifício que actualmente acolhe a Biblioteca Municipal de Moura, embora tenha inserido na cantaria de pedra de uma das suas janelas a referência ao ano de 1734, é de construção bem anterior a esta data. Ao longo dos anos sofreu alterações de acordo com as suas utilizações, prova disso são as colunas e o arco existentes na varanda, que ali foram embutidos, trazidos de outras paragens. Na fachada encontra-se a Fonte das Três Bicas, construída em 1815, cuja cantaria em pedra mármore contém um medalhão oval emoldurado com o busto em alto-relevo de D. João VI, vestido à romana, com coroa de louros. O castelo heráldico da cidade, também em alto-relevo, é encimado pela inscrição gravada " IOANNI EXCELSO PRIN / CIPI / UTILITATI QUE PUBLICAE / ET PATRES ET CIVES / ARUCCITANAE VOVERE / FONTEM. / P. P. / A. R. S. MDCCCXV ".
Foi utilizada como sede dos Paços do Concelho até à década de 60 do Século XX partilhando o espaço com o tribunal, uma vez que este último embora administrado pelos Juízes ordinários estava sujeito também ao Juiz de Fora, figura Jurídica e Administrativa de nomeação régia criada no reinado de D. Afonso IV que garantia o cumprimento da justiça em nome do Rei e presidia igualmente às sessões de câmara. A ele estavam subordinados os vereadores, escolhidos de entre os homens bons da vila e cujo vereador mais velho, na sua ausência, exercia de forma interina a presidência da Câmara.
Todos os espaços da atual Biblioteca foram usados para albergar os vários serviços inerentes à atividade da Camarária, na Sala Infantil funcionou a secretaria e na receção o gabinete do Chefe da Secretaria. A Sala de Adultos serviu de sala de sessões; o Gabinete do Bibliotecário e sala contígua eram a Copa e o Vestíbulo. A varanda contígua à sala de adultos, hoje aberta, era fechada e dividia-se em duas salas, uma delas ocupada pelo Gabinete do Presidente, e a outra ocupada pelo Gabinete do Delegado de Saúde.
Em maio de 2005 foi proposto pela Câmara Municipal de Moura a classificação do Conjunto constituído pelo Mercado Municipal, Repartição de Finanças/Junta de Freguesia, Biblioteca Municipal e Fonte das Três Bicas o que nunca chegou a acontecer uma vez que o processo acabou por ser arquivado e depois revogado em julho de 2009.
É oficialmente designada desde 20 de Outubro de 2013 Biblioteca Municipal de Moura Urbano Tavares Rodrigues, em homenagem distinto escritor, professor, jornalista e combatente contra a ditadura que embora natural de Lisboa foi baptizado em Moura onde viveu até aos 10 anos no “Monte da Boa Esperança”, idade com a qual regressou a Lisboa mas nunca perdendo o contacto com Moura.
Nota ao campo âmbito e Conteúdo
História administrativa/biográfica/familiar elaborada por José Francisco Finha (CMMRA) com recurso às seguintes fontes e bibliografia:
- CORREIA, José António Oliveira, Culturas e Mentalidades, Câmara Municipal de Moura, 1997, p.50 e 51.