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Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Pedras Ruivas
Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Pedras Ruivas
Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Pedra Ruivas
Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Pedras Ruivas
Freguesia - Fradelos
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Morada - Ferreiros
Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Aldeia
Freguesia - Landim
Profissão - Lavrador
Morada -
Freguesia - Landim
Profissão - Lavrador
Morada -
Freguesia - Landim
Profissão - Lavrador
Morada - Passelada
Freguesia - Landim
Profissão - Lavrador
Morada - Outeiro
Freguesia - Landim
Profissão - Moleiro
Morada - Bouças
Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Pedras Ruivas
Freguesia - Landim
Profissão - Proprietário e Escrivão da Administração
Morada - Bouças
Informa que falou com o Ministro da Instrução Pública (Joaquim Pedro Martins) para o pedido de subsídio para as despesas das obras de Seide, sendo necessário JAM fazer um outro ofício adaptado ao regulamento sobre construções escolares. Carta manuscrita assinada, de R. Almeida Brandão, nº10, 2º (Lisboa).
Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Lage
Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Corga
Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Rua
Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Rua
Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Lage
Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Regato
Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Aldeia
Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Boca
Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Ferreiros
Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Pedras Ruivas
Freguesia - Fradelos
Profissão - Lavrador
Morada - Água Levada
Transcrição:
«Excelência: A Associação dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Famalicão, apela para o douto e sábio critério de V. Ex.ª da decisão do Ex.mo Governador Civil de Braga que dissolveu as direções das 2 Associações de Bombeiros e pretende a criação de uma única Associação que, extintas por fim aquelas, as substitua. / Torna-se necessário, para elucidação de V. Ex.ª, um sucinto relatório sobre a questão dos Bombeiros em Famalicão. / Com vénia respeitosa, comecemos pois: A)A Velha Associação: Em Maio de 1890 - há 48 anos! - fundou-se nesta Vila a nossa Associação - Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Famalicão. / Tão alto subiu a fama dos beneméritos serviços prestados pelos bombeiros da nossa Associação, que o Grande e Saudoso Rei D. Carlos I, oito anos decorridos desde a fundação, lhe concedeu o título de Real, por proposta do Governo a que presidia Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro. / Continuou a nossa Associação a prestar os seus amplos, eficientes, desinteressados e abnegados serviços à Humanidade. / E é então o Chefe do Estado, essa eminente figura de português que é S. Ex.ª o General Carmona, que em 28 de fevereiro de 1928, assina um Decreto que é o orgulho nosso, em que por se ter esta Associação salientado por atos que merecem uma especial distinção, a considera de Utilidade Pública. / Mais adiante, em 5 de outubro de 1935, o mesmo Chefe do Estado assina um Decreto que lhe apresentou o Governo de Salazar, concedendo à benemérita Associação dos Bombeiros Voluntários de Famalicão, a honra, a máxima distinção, de ser admitida na mui nobre Ordem Militar de Cristo, com o grau de Oficial. […]
E sempre a Associação prestou o seu concurso às festas nacionais, às receções do Chefe do Estado, do Chefe do Governo, ou Ministros, e não fugimos à tentação de lembrar um facto, que muitos dirão ser sem importância: foi numa das suas salas que em 28 de maio se realizou uma reunião entre Oficiais da Revolução Nacional e o Chefe da Coluna Governamental que para Braga seguia a atacar Gomes da Costa. E essa reunião decidiu da sorte ou da atitude da Coluna Governamental, que aderiu ao Movimento Nacionalista. / E ainda não fugimos a recordar que foram os nossos bombeiros quem acorreu á Ponte Pênsil de Ribeirão, a extinguir o fogo que os revolucionários lhe haviam criminosamente pegado, para evitarem a passagem da coluna que constituída pelas forças de Braga, Viana e Santo Tirso, seguia para o Porto a fim de combater os reviralhistas de 7 de fevereiro. […]
B)A Associação Nova: Há dez anos, por motivo provado e que vinha sendo já notado, foram expulsos da Corporação dos Bombeiros de Famalicão, alguns elementos indisciplinados. / Encontraram esses elementos algumas pessoas de espírito irrequieto, desta Vila, que os apoiaram, lhes deram força e os animaram para a organização de uma nova Associação, que denominaram dos Bombeiros Voluntários Famalicenses. […]
Começaram logo que tiveram carro automóvel, por criar rivalidades e emulações, com a colocação de uma bandeirinha no seu carro pronto-socorro, sempre que este chegava ou se fazia chegado em 1.º lugar, ao local do sinistro. E tão longe foi a mania desses orientadores, criando esse espírito de retaliação e de luta entre irmãos da mesma causa, que bastará contar um só entre tantos casos criminosos: seguia, em marcha acelerada para um incêndio, o carro dos Bombeiros Famalicenses. De repente apanhou um homem, que caiu no para-choque e se agarrou para se salvar. O motorista e os bombeiros da equipa gritaram-lhe que se agarrasse bem, e continuaram na desfilada até um caminho estreito onde pararam por já não ser possível a ultrapassagem pelo carro dos nossos bombeiros. Só então tiraram o homem da sua crítica e horrível posição. O pobre homem, tempos depois, morria… […]
Dissolução: Em certo dia de setembro, à noite, os bombeiros foram chamados para um grande incêndio. À frente seguiam os famalicenses, que não deram passagem, insistentemente pedida, pela mão, ao nosso carro. Este, para evitar um choque, ultrapassou pela direita. / Houve um desastre, e queremos fugir a dizer como ele se teria dado. Morreram 2 mulheres e 3 crianças e feriram-se alguns bombeiros, além de perdas materiais, enormes, no nosso carro. / No dia seguinte o Sr. Governador Civil vem a esta vila e manifesta o desejo da dissolução das direções das 2 Associações, com a nomeação de uma Comissão Administrativa que tomasse conta de ambas, e ficasse com o encargo de em 20 dias apresentar os estatutos de uma única Associação, que substituísse as 2, que seriam extintas. […]
Carta manuscrita assinada. Carta incompleta, falta a 1ª parte.
Carta manuscrita assinada. Papel timbrado "A Palavra. Diário Catholico. Porto".
Quantidades de gelatina adicionadas na clarificação do vinho em 1881, 1882, 1886 e 1888.
Valores de densidade do mosto de diversas castas. Indicação dos dias de vindima das “uvas altas". No final nota: «Esta densidade pelo Gl. J. Guyot foi obtida por projecção: pois que na éprouvette em que se costuma fazer os ensaios, o gleucómetro não flutuava, apesar de estar complet.te cheia». Indicação das castas vindimadas, valores de densidades dos mostos registadas pelo gleucómetro Dr. J. Guyot (Gleuc. J. G.) e pelo gleuco-oenometro (Gl. oen.) e temperatura dos mostos. Informações adicionais sobre as condições climatéricas: «tempo borrasco».
Carta manuscrita assinada, de R. da Penha de França, 22 1º, Lisboa. Papel timbrado "Universidade de Lisboa. Faculdade de Letras".
Participação em atividades na Companhia de Banhos de Vizela, Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães e Associação Comercial de Guimarães.
Poderá tratar-se de uma lista de nomes a propor para a Sociedade do Raio.
Carta expedida de Boamense? para Coimbra, Rua da Trindade, nº14 endereçada a José da Cunha Sampaio
Carta manuscrita assinada, de Leça da Palmeira.
Registos de vindimas e produção de vinho de 1867 a 1908.
Os vários registos apresentavam-se capeados por uma folha dobrada ao meio, com a seguinte identificação: «Registos do vinho maduro, etc. / Ensaios sobre a densidade dos mostos, etc.»
Documentos preparativos (recibos, faturascorrespondência) da festa do Orfeão Universitário do Porto, organizada por Luís Gonçalves
Documento impresso em Vila Nova de Famalicão.
Documento preparatório para imprimir o Livro de Registo.
Jornal Nº2186, ano 43. Contém a notícia "Depois do rescaldo".
Livreto da Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Famalicão. Impresso em Famalicão pela Typographia Minerva.
Recorte do Jornal Estrela do Minho de autoria de J.C. Notícia que relata pormenorizadamente a cerimónia de despedida do quartel na Rua Adriano Pinto Basto.
Vários documentos: recortes de imprensa, cartas, apontamentos manuscritos.
Transcrição: «Não podia a direção desta casa ser indiferente a esta cerimónia da posse do assistente religioso do nosso corpo de bombeiros que o Sr. Comandante Soares, muito acertadamente, fez recair em Vossa Reverendíssima, sacerdote amigo da corporação, culto, inteligente, e que muito vem honrar o quadro dos sacerdotes que já desempenharam aqui missão igual àquela que neste momento lhe foi confiada. / Desde o cidadão tão prestante a esta terra - o saudoso e querido Monsenhor Torres Carneiro - que nós ainda todos choramos - que além de ter sido um dos nossos primeiros presidentes de direção, foi também o primeiro capelão da corporação, aos falecidos Reverendos Srs. Dr. Marques Pinto, Padre Bernardo da Costa Pinto e Abade José Ferreira… este ainda vivo, felizmente, e que por pastorear agora a nossa Vila de Aves teve que deixar vago o seu cargo… todos prestaram a esta casa os serviços que ela precisou dentro da missão que lhes cabia…[…]. / Esta casa criou um Nome que temos de manter não só pelos homens que a tem servido como, e muito principalmente, pelo seu real e indiscutível valor no meio das suas congéneres portuguesas. Os novos, e aqueles que se não ao cuidado de lerem a história desta casa ignoram os seus feitos e todas as suas iniciativas. Aqui nesta casa nasceram as mais lembradas festas que Famalicão teve até hoje, as afamadas Festas Antoninas. Aqui se juntavam as senhoras e cavalheiros da boa sociedade de então (bem diversa da de hoje) para confecionarem os milhares de balõezitos que na Noite de Santo António iluminavam as ruas e praças da nossa terra. / Aqui se criou a afamada Bandas dos Bombeiros que a mão hábil do grande José Maria da Costa sabiamente dirigia e que tantos e tantos louros trouxe à nossa corporação e à nossa terra. / Manuel Pinto de Sousa - grande famalicense e grande jornalista - quis um dia fundar - e fundou um semanário. Sabem onde foi buscar o seu nome? Escolheu aquele que era o duma partitura posta em concurso num certame de Bandas Marciais e Regimentais realizado em Viana do Castelo - e que a Banda dos Bombeiros brilhantemente ganhou. A partitura chama-se Estrela do Minho. / E o Grupo dos 29 (Pró Famalicão), agrupamento musical de instrumentos de corda que o falecido Daniel Correia ensaiava e dirigia e que, em terras vizinhas, tanto honrou esta associação e esta Vila? / E os bandos precatórios realizados no Porto, pelos nossos bombeiros, a favor das vítimas do ciclone de Belavente, dos naufrágios na praia da Póvoa? / E a receção que esta associação fez ao Clube Naval Povoense na sua vinda a esta vila para agradecer o auxílio aos seus poveiros prestado por esta casa… que tão grande foi que ainda hoje este Clube não deixa passar um só dos nossos aniversários que não nos envie os seus cumprimentos? / E sabem os famalicenses, ainda, que o Infante D. Afonso foi comandante honorário da nossa corporação, e que El-Rei D. Carlos nos concedeu o título de Real Associação, título que ainda podemos usar se o desejarmos? / Os nossos arquivos têm correspondência do Grande Mouzinho de Albuquerque agradecendo-nos as honras que lhe prestamos na sua passagem por esta Vila - a nossa bandeira tem condecorações que a enobrecem. […]»
Antero de Quental assina na qualidade de delegado da Sociedade do Raio.
Transcrição:
Proteger o pombo-correio é defender um soldado ao serviço da Pátria.
«Apresentando a V. Exas. os n/ respeitosos cumprimentos, vem a Direção desta Coletividade, em seu nome e de todos os Associados, agradecer a gentileza que tiveram em nos ceder os v/ magníficos salões para realização da n/ Exposição de Pombos Correios, que tanto êxito alcançou. / É com compreensão, com carinho, por tão simpáticas quão úteis aves que se pode fazer alguma coisa pelo engrandecimento do desporto a que nos dedicamos, desporto este dos chamados pobres, mas que, no entanto, não deixa de ser um dos mais puros e nobres...»
Transcrição:
«Iniciais hoje mais um ano da vossa atividade, toda ela consagrada à prática do Bem e ao Serviço da Zona que vos está entregue. / E, revendo toda a vida já passada havemos de nos mostrar agradecidos aos homens que, num dia, pensaram e levaram a efeito a criação da vossa Corporação. / Que magnífico exemplo nos deixaram e como eles, numa época em que tudo se podia planificar a longa distância souberam dar largas à generosidade do seu coração e acautelar os interesses e a defesa da vida e dos haveres das populações e de tal forma, que ainda hoje são as Corporações de Bombeiros, o esteio da defesa do património nacional, apesar da evolução rápida que toda a vida sofreu. […] / Bem hajam todos os vossos voluntários, o Comando e os Corpos Diretivos, que sacrificando-se pelos outros, se realizam inteiramente na vida, dando ao seu semelhante o melhor que têm e tantas vezes até a própria vida. / Que este dia, festivamente comemorado, seja o prenúncio de um novo ano sem preocupações de maior e que durante ele, possais continuar a servir, tão nobre e dignamente como o tendes feito até aqui.
A Bem da Humanidade
O Presidente,
António de Moura e Silva»
Transcrição:
«Tendo esta Associação Humanitária necessitado de adquirir 12 garrafas de vinho do Porto de tão afamada marca Ferreirinha, a fim de poder mitigar um pouco o frio aos seus voluntários quando durante o inverno que se avizinha chegam do serviço de fogos ou sinistros, pedimos a V. Ex.as o favor de no-las fornecerem pelo melhor preço...»
Transcrição do ofício da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Ourém:
«Lamentamos profundamente a perda de tão grande elemento dessa Corporação e nosso grande amigo. […] / Entretanto devem ter-lhe comunicado ...»
Publicação periódica «O Académico». Publicação mensal, científica e literária.
Coimbra, Imprensa da Universidade. n.º 1 (Mar. 1860) - n. º3 (Maio 1860).
Redatores: João de Deus Ramos, Eduardo José Coelho, Antero Tarquínio do Quental, Eugénio Arnaldo de Barros Ribeiro, Alberto da Cunha Sampaio, Alberto Teles Utra-Machado, Francisco Fernandes de Guimarães Fonseca, Severino de Sousa Azevedo e José Maria da Cunha Seixas.
Formato: 18,5 x 26,8 cm. Periodicidade: Mensal. Preço: Avulso: 240 réis ● Ano: 1$800
Recorte do Estrela da Manhã. Transcrição:
«Já estão instalados no seu novo quartel os Bombeiros V. de Famalicão
Sem qualquer cerimonial procedeu-se na noite de sábado à transferência das instalações dos Bombeiros Voluntários de Famalicão para a sua nova sede e quartel que tanto veio embelezar a fachada Sul do Campo Mouzinho. / Foi um acontecimento apenas vivido pelos bombeiros, alguns dos quais se emocionaram até às lágrimas. / Na verdade nada falta no novo e amplo quartel, onde tudo obedeceu aos rigorosos imperativos da técnica. / Daí a indizível satisfação com que os simpáticos soldados da paz se lançaram à tarefa de dispor o material em frente das amplas portas que permitem a saída simultânea de três carros e se afadigaram na instalação dos arquivos e fardas e das mil e uma coisas - algumas delas verdadeiras preciosidades - que constituem o inventário ou o historial da velha casa. / O Hilário Carvalho e o Fernando Soares - os dois grandes carolas e principais obreiros do novo quartel - viviam como nenhuns outros o grande momento e a tudo atendiam para que determinado objeto ou viatura fossem colocados no local apropriado. / […] Não está inteiramente concluída a primeira fase da obra que se encontra presa por uns pequenos pormenores. Esgotaram-se as verbas, mas a compreensão da nossa boa gente da vila e do concelho há-de repô-las no orçamento da Associação..."
Transcrição:
«Digna-se Sua Excelência o Chefe de Estado visitar este concelho no próximo dia 23, estando a sua chegada a esta Vila prevista para as 18,40 horas. / A concentração far-se-á junto ao edifício dos Paços do Concelho, seguindo-se no Salão Nobre a sessão de boas-vindas. / Desejando esta Câmara Municipal que as cerimónias oficiais se revistam do maior brilho e solenidade, venho pedir a V. Ex.ª o favor de fazer representar essa associação com o seu Corpo Ativo que, em formatura e com fanfarra, prestará a guarda de honra a Sua Excelência defronte do edifício dos Paços do Concelho. […] / A bem da Nação / O Presidente da Câmara Municipal / Manuel João Garcia Dias da Costa».
Recorte do Notícias de Famalicão.
Transcrição:
«Os Bombeiros de Famalicão e o seu novo quartel
... Na quarta-feira à noite realizou-se a Assembleia Geral dos Bombeiros conforme nota convocatória publicada neste jornal. / Presidiu o Rev. Padre Malvar Fonseca, vice-presidente da Assembleia Geral, secretariado pelos srs. Eng.º Manuel Soares e António Andrade. Aberta a sessão pela presidência, o sr. Eng.º Manuel Soares leu [a] ata da sessão anterior e a nota convocatória para esta assembleia geral. / Foi concedida depois a palavra ao secretariado da direção, sr. Hilário Carvalho que lamentou a ausência da maior parte dos sócios nesta assembleia de tanto interesse para a coletividade. / Referindo-se depois à «ordem da noite» historiou pormenorizadamente a ideia da construção do novo quartel, lembrando a promessa feita pelo grande amigo da Associação que foi Álvaro Marques e a confirmação dessa promessa pela atual Câmara. Nesta ordem de ideias, relatou a sugestão por ele feita, em nome pessoal, da venda do atual edifício à Câmara Municipal para as instalações da Escola Industrial, e o bom acolhimento que esta proposta teve por parte do nosso Município. / Todavia, como era uma iniciativa particular do secretário, a direção convocou esta assembleia para os sócios deliberarem sobre esta proposta. / […] E a assembleia, por unanimidade, deu plenos poderes à direção para vender o atual edifício, ficando esta incumbida de estudar as melhores propostas para serem apresentadas à Câmara Municipal..."
Recorte do Notícias de Famalicão.
Transcrição:
«Foi impressionante a despedida dos Bombeiros V. de Famalicão do seu velho Quartel
No pretérito domingo a nossa vila sentiu um impressionante acontecimento: a despedida dos Bombeiros Voluntários da sua velha Casa, onde tantos anos viveram momentos bem gloriosos, numa altíssima missão de bem-fazer em prol da Humanidade. / Saudosa e emocionante despedida de um Quartel, de uma Casa, que foram confidentes de alguns dissabores, que foram alardeantes de muita alegria, testemunhos de muita camaradagem e registadores de muitos feitos de abnegação, que têm jus ao maior reconhecimento da população famalicense. / Retirada bem sentida pelos homens que ali passaram o melhor do seu tempo, dando o seu esforço e o seu sacrifício para manterem impoluto o prestígio daquela benemérita Associação, de cuja nobre galeria foram carinhosamente desprendidos os retratos de tantos cidadãos que trabalharam, ampararam e serviram aquela humanitária e gloriosa Corporação […]. / Esta despedida iniciou-se com a formação de todo o corpo ativo, auxiliares e com a presença dos diretores daquela Associação e muito povo. / Após a chamada, foram tiradas várias fotografias, com distinção de anos de serviço […]. / Do recinto da parada, todos os bombeiros, diretores e populares se dirigiram para o interior do Quartel, onde se iam realizar as mais importantes cerimónias de despedida. / Ao toque de continência foram prestadas homenagens a todos os comandantes que serviram aquela Corporação e ao Sr. Fernando Soares, atual e ativo primeiro comandante. / Depois do segundo comandante, Sr. Filipe Monteiro da Costa, ler a Ordem de Serviço e a ordem de saída do Quartel de todo o material, anunciando uma amnistia para os voluntários com faltas, menos para os casos de maior gravidade, o incansável diretor daquela coletividade, Sr. Hilário Carvalho, pronunciou o seguinte discurso [ver transcrição num outro documento] […] Depois, o Corpo Ativo formou em frente do Quartel e ao toque vibrante dos clarins fez continência à bandeira, que começava a ser desiçada pelo Sr. Hilário Carvalho, perante uma assistência muito numerosa, que acompanhou esta impressionante despedida. / Por fim, todos os bombeiros, com os seus comandantes e membros da Direção tomaram as oito viaturas que se estendiam pela Rua Adriano, e deixando ouvir as suas sirenes, que pareciam transmitir as saudades que aqueles briosos voluntários sentiam pelo seu velho Quartel, percorreram algumas ruas da nossa Vila, até que deram entrada no seu Quartel provisório, situado na Rua Alves Roçada, aguardando ali que o novo edifício seja construída para definitivamente nele se instalarem com todas as comodidades que exige a alta e abnegada missão de bombeiro. / Estas tocantes cerimónias remataram com um almoço, servido pela Pensão Vilanovense, que decorreu no mais íntimo convívio […].»
Os documentos diversos sobre nova sede dizem respeito a contas, estudo para desenhar o projeto do novo quartel, recortes de imprensa, notas, folhetos, ofícios, cópia de atas, discurso, proposta à direção.
O arquivo Alberto Sampaio (AS) é composto por 866 unidades documentais, compreendidas entre os anos de 1852 a 1941. Este conjunto de documentos está distribuído por 12 caixas e abarca várias tipologias documentais, como correspondência, manuscritos, provas tipográficas, cadernos. Encontram-se também inúmeros maços de notas manuscritas provenientes de investigação para elaboração das obras posteriormente publicadas, assim como apontamentos com referências bibliográficas sobre práticas e experiências agrícolas, sobre a vitivinicultura, etc. Os documentos deste arquivo estão armazenados nas unidades arquivísticas já mencionadas e ordenados numericamente mantendo a ordem do primeiro inventário elaborado em 2011.
Recorte do Estrela do Minho.
Transcrição:
"...Os Bombeiros Voluntários de Famalicão vão ter um novo quartel
Feita uma visita ao quartel e Associação dos Bombeiros, o diretor da Escola Industrial, Sr. Engenheiro Manuel A. de Oliveira Duarte, foi de parecer que ele serviria admiravelmente para o fim em vista e comunicado o facto à respetiva vereação Municipal, através do seu digno vice-presidente, deliberou esta adquirir por compra o edifício daquela Corporação e Associação. / Para tratar de tão importante assunto, a Direção dos Bombeiros convocou uma Assembleia Geral extraordinária que terá lugar no próximo dia 30, a quem apresentará o seu ponto de vista: vender o seu imóvel e adquirir terreno, possivelmente junto do projetado novo Cinema, para ali fazer erguer imediatamente o seu novo quartel e sede associativa...»
A proposta, com data de 30 de julho de 1958, apresentada por Hilário Carvalho, enuncia um conjunto de pontos justificativos da venda do prédio, para aquisição de um terreno destinado à construção duma nova sede e quartel.
Transcrição:
«Estimado Consócio:
Realizando-se no dia 30 do corrente na sede social, pelas 21,30 horas, uma reunião da Assembleia Geral Extraordinária, conforme convocação publicada no jornal local «Notícias de Famalicão» de 25 do corrente e tratando-se dum assunto de interesse vital para o progresso desta Associação, vimos pedir a indispensável comparência de V. S.ª àquela reunião. / Trata-se de apreciar e votar uma proposta da Direção originada noutra do Sr. Hilário Carvalho apreciada já em reunião de Direção no sentido de ser vendido o prédio desta Associação, aplicando-se o seu produto na aquisição de terreno e construção dum novo quartel. […] Dentro de 7 anos vai esta Associação comemorar as suas Bodas de Diamante e será uma satisfação para todos comemora-las no novo edifício.»
Vila Nova de Famalicão, 23 de julho de 1958
A Direção:
Augusto de Carneiro Sousa Fernandes
Padre António José Carvalho Guimarães
Luís Gonçalves
Clemente Pinto Malheiro
Hilário Carvalho
Manuel Martins
Armando Coelho"
Transcrição:
«Senhores
Vamos deixar esta casa para onde os nossos antepassados - em 1900 - há portanto 58 anos - a transferiram do Campo da Feira e onde a fundaram em 1890. Vamos dar um passo memorável nos anais da nossa associação e que a vai colocar sem discussão como a primeira da nossa terra e, se a vontade não faltar, a melhor instalada no País. Queremos antes de deixar este edifício onde tantos já passaram e onde todos vós fizestes a vossa inscrição como voluntários, assinalar esta data com motivos que digam aos vindouros que foi a nossa vontade, o nosso querer e a ânsia de tornar invejada a nossa corporação que permitiu a realização deste sonho da construção dum novo quartel que dentro em pouco vamos tornar uma realidade. / […] Vamos ainda prestar a última continência à nossa bandeira defronte deste edifício que muitas saudades nos deixa e que tantas glórias nos trouxe pelas mãos dos comandantes briosos uns, menos amantes outros, que esta associação serviram. / E para recordar, para que eles estejam presentes aqui connosco nesta hora de alegria e saudade, peço-vos respondam PRESENTE, a cada nome que vou pronunciar:
Francisco Maria de Oliveira e Silva, Higino Veloso de Macedo, António, Augusto Fiúza de Melo, Álvaro Carneiro Bezerra, Capitão Manuel Rodrigues de Carvalho, Tenente Lauro de Barros Lima, Tenente Armando Lopes, António Folhadela de Melo […]
Houve muitas lágrimas nesta cerimónia. Havia bastante gente no quartel e todo… TODO o corpo ativo estava em formatura. Há fotos dela."
Fonte: «Notícias de Famalicão» de 12 de Setembro de 1958.
Memorial da construção do novo quartel, enviado por Hilário Carvalho a José Maria Ferreira, Comandante dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Ourém, para que este interviesse junto do Engenheiro Sá e Melo, Diretor dos Serviços Gerais de Urbanização para aprovação do anteprojeto do novo quartel dos Bombeiros.
Transcrição:
«MEMORIAL
Os Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Famalicão encontravam-se instalados há 68 anos em edifício que era sua propriedade e embora as instalações não possuíssem as condições mínimas no atual momento, - o que é certo é que tinha uma sede, que era sua, e embora bastante mal se iam remediando. A Câmara do Concelho, com a sua escola Comercial e Industrial instalada em edifício provisório, necessitando em Setembro de 1958, de procurar mais salas de aulas para se atender à matrícula de cerca de 200 desses alunos que pretendiam ingressar naquele tão útil estabelecimento de ensino procurou a Direção da Associação no sentido de lhe ser vendida a sua sede pois era conhecedora da necessidade que a Associação tinha em construir edifício compatível com os seus serviços e com o material de incêndios e assistência que possuía a Corporação. Obtida a respetiva licença das Entidades Superiores resolveu-se vender à Câmara pela quantia de 350 contos o edifício sede, alugar-se uma garagem em péssimas condições e ali instalar-se a corporação até à construção do edifício que logo se projetou. / Fez-se o anteplano daquela obra que a Direção da Associação na presença do Sr. Governador Civil do Distrito e Presidente da Câmara entregou a Sua Excelência o Senhor Ministro das Obras Públicas em Setembro de 1958 quando da visita daquele ilustre titular a Famalicão; pedindo-lhe uma aprovação e comparticipação imediata. O referido anteprojeto veio devolvido para a Direção dos Serviços de Urbanização de Braga com o despacho de que deveria ser alterada a parte arquitetónica (visto o despacho não indicar o que devia ser alterado) e o novo anteprojeto, assim modificado, foi de novo entregue em mãos de Sua Excelência o Senhor Ministro no seu gabinete no dia 3 do mês corrente pela Direção da Associação no qual Sua Excelência logo se dignou lavrar o seguinte despacho: Á D. G. U. [Direção Geral de Urbanização] com vista à eventual antecipação ao próximo plano A. O. […]»
Transcrição:
«Meus Senhores:
Depois de terem ouvido ler a proposta da direção, cumpre-me vir tomar a sua defesa e sobre ela prestar melhor esclarecimento. É que fui eu quem em reunião de direção propôs a convocação desta reunião e me bati, como o venho fazendo há anos, pela construção dum novo quartel. Creio não ser preciso dar-vos muitas explicações para justificar a imperiosa necessidade que temos em construir quanto antes um edifício onde possamos ter condições para podermos prestar melhor os nossos serviços de socorro. Todos sabem - e não saberão talvez - o trabalho e cuidado que requer a nossa secretaria com a saída e receção de inúmeros ofícios, registo de serviços prestados, registos nas folhas de matrícula, elaboração de mapas, uma série de expediente que vai exigindo um funcionário pago tal é o tempo que toma a quem voluntariamente se presta a dar-lhe andamento para que as coisas da Corporação e da Associação andem certas. […] / Os nossos rapazes pernoitam quase numa enxovia sem ar, sem sanitários dignos e quase não tendo onde lavar a cara não falando do banho que muitos desejariam tomar no regresso do fogo. / As nossas salas de jogos, o nosso bufete não oferece aos nossos sócios a tentação da sua preferência, e o nosso salão de festas não nos permite realizar aquelas, principalmente, que nos podiam trazer receita. / […] O Comandante não tem uma sala onde possa ministrar lições, sala com as suas carteiras, o seu quadro preto, esquemas e desenhos que façam dos nossos rapazes uns bombeiros sabedores. Não temos nada onde se possa ensinar um bombeiro a tratar um ferido, quando as circunstâncias assim o exigem. / Não temos um ginásio nem possuímos uma casa escola à altura das necessidades de hoje. Não possuímos um quartel onde caiba o material que já possuímos nem podemos por isso pensar em adquirir outro que as exigências do serviço requerem. […] / Visitei com o Comandante Soares alguns quartéis de Madrid, Barcelona, Paris e até na Suíça e afirmo que ali não existe material melhor na sua eficiência de ataque a um fogo. / […] Posta assim a necessidade da construção dum novo edifício, resta-me pedir-vos que aproveis a proposta da direção autorizando-a a proceder à venda da nossa Sede. / […] Confesso que me sinto tremer ao pensar na responsabilidade que vamos ter, nos trabalhos que vamos ter, nos aborrecimentos, pois os desgostos não contam se conseguirmos como pensamos, possuir muito breve uma nova sede.
Hilário Carvalho»
Alberto Sampaio nasceu em Guimarães, a 15 de novembro de 1841. Matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, concluindo o bacharelato em 1863. Durante os cinco anos que passou na Lusa Atenas - onde conviveu com algumas figuras notáveis da sua geração, entre as quais Antero de Quental, José Falcão, Teófilo Braga, Manuel de Arriaga, António de Azevedo Castelo Branco e Alberto Teles -, foi um ativo participante das correntes de renovação que agitaram a sociedade estudantil coimbrã, intervindo como colaborador e redator de várias publicações académicas. Recém-diplomado, procurou iniciar uma carreira de advogado em Lisboa, tentativa que a inadaptação à vida cosmopolita da capital frustrou, trazendo-o de regresso ao Minho, à Quinta de Boamense, propriedade dos seus pais, situada na freguesia de Cabeçudos, concelho de Vila Nova de Famalicão.
Em 1869, integrou a filial de Guimarães da Associação Arqueológica de Lisboa e, quatro anos mais tarde, o núcleo de fundadores da Companhia dos Banhos de Vizela. O seu nome está também ligado à fundação da Sociedade Martins Sarmento, a qual o distinguiu como sócio honorário em 1881.
Considerado, no seu tempo, um profundo conhecedor do mundo rural, especialmente no domínio da vitivinicultura, área em que a excelência dos vinhos verdes produzidos em Boamense foram internacionalmente premiados, os seus serviços de aconselhamento foram, por esse motivo, frequentemente solicitados. De entre eles, destaca-se pela sua importância, a extensa colaboração que, a pedido de Oliveira Martins, prestou na elaboração do Projeto de Lei de Fomento Rural, o qual, embora nunca tenha sido votado, seria por este apresentado na Câmara dos Deputados, em abril de 1887.
Antes disso, já Alberto Sampaio tinha publicado, em 1884, O Presente e o Futuro da Viticultura no Minho, o seu primeiro grande contributo para o conhecimento da economia rural do norte do país, e desempenhado, nesse mesmo ano, com assinalável brilho, as funções de diretor técnico da 1.ª Exposição Industrial de Guimarães.
No entanto, seria com As Vilas do Norte de Portugal e, mais tarde, As Póvoas Marítimas, duas obras-primas, das quais a última, sobre as origens da nossa aventura marítima, ficaria, infelizmente, inacabada, que Alberto Sampaio viria a revelar, em toda a plenitude, o seu excecional talento para a investigação histórica, afirmando-se como pioneiro da história económica em Portugal. Quer estes, quer outros trabalhos, foram publicados nalgumas das revistas de maior prestígio literário e científico da época, tais como a «Revista de Portugal», dirigida por Eça de Queirós, e a «Portugália», editada por Ricardo Severo e Rocha Peixoto.
Morreu na sua Casa de Boamense em 1 de dezembro de 1908. Em 1923, por iniciativa o seu grande amigo Luís de Magalhães, a Livraria Chardron Lello & Irmão publicou parte da sua obra sob o título Estudos Históricos e Económicos.
Fonte: Faria, E. N.; Martins, A. org., introd., notas (2008). Cartas a Alberto Sampaio. Porto: Campo das Letras.
As peças que compõem o arquivo apresentavam-se dispersas por vários departamentos do município, estavam parcialmente compiladas por temas e separados em dossiers. Procedeu-se a uma reorganização do projeto e peças acessórias, de acordo com a organização original do processo. Deste modo a organização compõem-se de séries e ao nível da série o critério de ordenação é numérico. As séries referem-se ao mobiliário, pormenores de arquitetura, concursos de fornecimento, concursos públicos diversos, correspondência.
Como os primeiros anteprojetos apresentados pelos arquitetos Casais Rodrigues e Francisco Augusto Braga não mereceram a aprovação da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários, Hilário Carvalho solicitou o estudo do projeto a um homem da vila, o Eng.º Pinheiro Braga. Em Setembro de 1959 o Ministro das Obras Públicas, Eng.º Arantes de Oliveira recebeu em mão o anteprojeto, durante uma visita oficial que realizou a Famalicão. A sua não aprovação em Lisboa conduziu a um novo anteprojeto, igualmente reprovado pelos serviços centrais «por ninharias que nada valiam». Serão ainda necessárias mais duas tentativas até à aprovação do projeto da autoria do Eng.º Pinheiro Braga, por despacho de 30 de junho de 1960.
A declaração, assinada no Porto por Agostinho Silva (Presidente da Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Famalicão) com data de 2 de Dezembro de 1988, informa que a Associação dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Famalicão adjudicou à Firma NORGESTE CONSTRUÇÕES LDA., com sede na Rua Capitão Pombeiro, Porto, a empreitada da construção do quartel e sede dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Famalicão, por o valor de 95 000 contos, acrescidos de IVA. Refere ainda que a decisão de adjudicar a esta firma se deveu à «sua capacidade técnica e idoneidade».
Transcrição:
«[…] quanto ao andamento dos trabalhos informamos que tudo estamos a fazer para que a obra esteja concluída em Dezembro do corrente ano de 1988, de modo a que se possa documentar todas as verbas inscritas no plano. / A data da consignação dos trabalhos foi em 86/03/17 e o início dos trabalhos, deu-se em 86/04/02. / O prazo inicialmente previsto para a execução da obra era de 18 meses e foi este mesmo prazo que constou no programa de concurso. No entanto as verbas disponíveis em PIDAC para os anos de 1986 e 1987 eram de 16.000 e 23.000 contos, manifestamente insuficientes para fazer face às despesas e compromissos com o adjudicatário, pelo que fomos obrigados a acordar com o mesmo um prazo mais dilatado para a conclusão de todos os trabalhos, em virtude desta Associação Humanitária não ter recursos económicos capazes de suportar uma dívida tão grande caso a obra ficasse acabada em Setembro de 1987. / Em face do exposto, solicitamos a V. Ex.ª se digne conceder a prorrogativa até Dezembro de 1988. […]»
Cópia datilografada do artigo que Vasco de Carvalho escreveu sobre a história dos Bombeiros Voluntários de Famalicão, desde a criação dos bombeiros municipais em 1878 até às bodas de ouro da AHBVF. Vários apontamentos manuscritos e datilografados.
Transcrição:
Festas
Não pudemos fazer a festa anual da casa mas festejámos condignamente a passagem do quinquagésimo aniversário do Bombeiro Voluntário do nosso segundo comandante honorário José Sampaio da Silva que ocorrei no dia 2 de Fevereiro de 1952. Foi uma festa brilhante onde as nossas relações e amizades fizeram comparticipar muitas corporações amigas com os seus estandartes, viaturas e largas representações e que teve a presidi-la o digníssimo Presidente da Câmara de Famalicão Sr. Álvaro Folhadela Marques que honrou o nosso homenageado com a leitura dum louvor muito justo com que a Câmara da sua presidência entendeu dever dar-lhe.
Carro novo. Findas que foram as esperanças que tínhamos de conseguir licença para adquirir um carro pequeno e mais próprio para os serviços da nossa terra e após várias conferências com [o] digno Inspector de Incêndios desta Zona resolvemos adquiri um chassi de camionete marca Studebaker, importado directamente da América para esta casa pela firma C. Santos do Porto. O trabalho, o cuidado e a habilidade de que tivemos que nos servir para conseguir em Lisboa, onde propositadamente nos deslocámos, e depois no Porto para a aprovação duma planta para a montagem deste carro foi grande e aborrecido, mas conseguimos aprovar um carro que desde a nova regulamentação ainda Corporação alguma do Norte conseguiu ter aprovado. O estudo dessa montagem deve-se ao cuidado e conhecimentos do nosso Comandante que na sua viagem a Paris teve o cuidado de visitar todas as Corporações por onde passou e colher assim elementos que o levaram a conceber um pronto-socorro que uma vez montado irá causar surpresa na terra e às Corporações congéneres.
Sorteio do Buick: Assoberbados por tanta despesa feita fizemos um sorteio do nosso carro Buick que de nada servia para o serviço. O nosso esforço teve o melhor êxito […].
Incêndios : Falamos de incêndios apenas porque eles ocasionam despesas aos cofres da Associação e queremos salientar que neste triénio prestou a Corporação serviço em cento e quarenta e um sinistros. Alguns houve de gravidade e projecção. O do edifício da Câmara Municipal, o das escolas oficiais Conde S. Cosme para onde tinham sido transferidos os serviços da Câmara após o incêndio, e o do colégio das Caldinhas. Em todos eles os nossos Bombeiros se portaram com galhardia e abnegação honrando as tradições da nossa casa e da nossa terra, o que lhes valeu um agradecimento público e particular da Câmara Municipal do nosso Concelho e os melhores louvores do público da nossa terra. / […] a Direcção da Associação ao abrigo dos seus estatutos resolveu conceder ao Comandante Fernando Soares a medalha de “Ouro por salvados” e ao voluntário José Rodrigues Ferreira a medalha de prata pelos mesmo serviços, condecorações estas que vão juntar-se àquelas que a Liga dos Bombeiros Portugueses também concedeu pelo mesmo feito a estes briosos elementos do nosso Corpo de Bombeiros.
Novo Comandante: Nomeámos e demos posse do cargo de Comandante da Corporação ao Sr. Fernando Soares que tem sabido cumprir bem e elevar a nossa terra pelas instruções aturadas e inteligentes que vem dando ao nosso corpo de Bombeiros […]"
Nota: José Casimiro da Silva era Presidente da Assembleia Geral e Augusto de Sousa Fernandes Presidente da Direcção.
Transcrição:
"Foi nossa preocupação dominante a construção deste nosso novo quartel - que apesar dos desejos dos mal-intencionados - foi além da Capela de S. Cristóvão, pois o Santo ainda não está na Capela e nós já aqui estamos dentro. […] Não contamos os trabalhos, as canseiras, os desgostos, as lágrimas que os nossos olhos verteram desanimados com tantas dificuldades […] os amigos que incomodamos para que as coisas corressem depressa na aprovação e comparticipação do projecto. Estas reuniões [reuniões bombeiros realizadas em várias localidades da zona norte do país] não comportam a presença de bombeiros, carros ou charangas, visto serem convocadas apenas para troca de impressões sobre problemas associativos e estudos para se procurar conseguir vantagens para os corpos dos bombeiros. E vem a propósito dizer-se que os problemas mais debatidos têm sido os seguros dos bombeiros e as despesas feitas com as ambulâncias, menor preço de gasolina para os bombeiros e preferência dos bombeiros em determinados lugares públicos.
Estivemos no Congresso Mundial, em Lisboa, e tivemos a satisfação e a honra de ver condecorar com a medalha dos Bombeiros Franceses o nosso Comandante Fernando Soares e ainda de ter conseguido que o seu nome fosse incluído nos corpos directivos da Liga dos Bombeiros de que ficou fazendo parte.
Inauguração do Novo Quartel- Sabemos que se estranhou que nada de festivo tivéssemos feito quando viemos para este nosso novo quartel pois estava no nosso pensamento alguma coisa fazer. / Primeiro porque os bombeiros, aqueles para quem fizemos esta obra que tantos sacrifícios custou não se mostraram interessados nela […] / Por outro lado a nossa Obra ainda não está completa; falta a parte da frente, falta a sede associativa onde temos de receber os nossos convidados quando ela estiver pronta […] Relator: Hilário Carvalho"
Transcrição:
«Em resultado da reunião realizada no gabinete de V. Exa. no passado dia 24/04/1985 referente ao monumento ao Bombeiro Voluntário a implantar dentro desta vila, cumpre-me informar V. Exa. do seguinte:
Tenho constatado que a Comissão nomeada com a excepção dos Senhores Arquitectos Nuno Portas e Meireles, bem como o Senhor Dr. José Azevedo e Eng.º Roque, tem procurado a todo o transe impor o seu ponto de vista que é o de erigir o referido monumento no futuro Parque de Sinçães.
Alguns membros daquela Comissão nem sequer aceitam sugestões de haver melhores lugares e as críticas daqueles Arquitectos de que o Parque de Sinçães pode levar anos a urbanizar podendo até acontecer que a futura urbanização não se compadeça com a existência no seu seio do monumento em questão.
Ora perante tudo isto tenho vindo a pressentir que a vontade da maioria daquela Comissão - onde se consta nomeadamente o meu distinto colega dos Bombeiros Voluntários Famalicenses - não é tanto de situar o monumento em Sinçães como o de o pôr em frente ao novo quartel dos referidos Bombeiros Voluntários Famalicenses. […]
Ora isto não está certo nem pode ser assim. E digo-o como cidadão e munícipe e como comandante, que também sou, da mais antiga associação de bombeiros do Concelho, cabendo-me nessa qualidade como é evidente, defender até aos limites das minhas possibilidades os seus interesses e prestígio.
Mas isto não quer dizer que venha defender que o monumento seja levantado em frente ao velho ou ao novo quartel a edificar, da minha Corporação. Isso seria a negação do meu espírito de bombeiro e até do bairrismo de munícipe, de que igualmente prezo de ser e que não gosta de ver a sua Terra com zonas de prestígio desviadas em favor unicamente de alguns dos seus habitantes.
Quero com isto dizer, como muito bem se compreende, que o referido monumento deve ser implantado numa zona urbana sensivelmente equidistante das duas Associações, situadas nesta Vila para que deste modo as prestigie a ambas, à igualmente digna Associação dos Bombeiros Voluntários de Riba de Ave e bem assim à Vila e a todo o seu Concelho. […]
Com os meus respeitosos cumprimentos
De V. Exa.
A Bem da Humanidade
O Comandante
Fernando da Silva Soares»
Transcrição:
«A Associação Humanitária dos Bombeiros de Famalicão encontrava-se instalada desde 1890 num prédio da Rua Adriano Pinto Basto que, de ano para ano, se tornava menos adequado para o efeito, quer pelas reduzidas dimensões para abrigar o seu actual material de incêndios e socorro a doentes - moderno e bem apetrechado - como pela dificuldade em faze-lo sair para serviço, dificuldade imposta pelo acanhado espaço da sua garagem, como, e ainda, pela aglomeração de trânsito ocasionado pela passagem forçada de veículos entre as cidades Porto e Braga na rua onde se encontra aquele edifício, o que algumas vezes originava atrasos e sérias preocupações. / Por outro lado, não possuía a sua sede instalações condignas com o valor dos seus serviços, dificultando a série de iniciativas culturais e beneficentes que noutras épocas levava a efeito. / Estas circunstâncias fizeram criar a urgente necessidade duma nova Sede, que aguardava uma oportunidade para ser realidade, oportunidade que surgiu em Setembro do ano findo, atendendo a Associação ao pedido da Câmara Municipal para que lhe fosse vendido o edifício dos Bombeiros para nele serem instaladas mais salas de aulas para a Escola Comercial e Industrial de Famalicão […]. / A venda do referido edifício foi autorizada por portaria publicada no Diário do Governo, 2.ª série, n.º 242, de 15/10/958. / Hoje, e desde Setembro do ano passado, os Bombeiros estão instalados numa garagem onde pagam uma renda mensal de 800$00, em situação vexatória e sem condições de espécie alguma, aguardando o início da construção do novo edifício. / […] Em face do acima exposto, foi elaborado o respectivo anteprojecto para o novo Quartel dos Bombeiros Voluntários de Famalicão, que temos a honra de submeter à aprovação superior, para efeitos de comparticipação do Estado. / O terreno já adquirido, e onde se construirá o edifício, fica perto do Posto da Polícia de Viação e Trânsito, e nas proximidades da estrada Porto-Braga, com fáceis e amplos acessos, conforme se pode ver na planta topográfica junto. […]
O arquitecto
Alfredo Casais Rodrigues
Porto, 11/Maio/1959
Carta aberta ao Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão sobre a dissolução das duas corporações de bombeiros.
Transcrição: Ex.mo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão. Traz-nos até junto de Vossa Excelência, o desejo de vermos resolvida, - a bem do Concelho -, a momentosa questão dos Bombeiros. / Para que a nossa presença, no Município, não possa oferecer errada interpretação, começamos por afirmar a Vossa Excelência toda a gratidão que, como munícipes, a acção delicada e desinteressada de Vossa Excelência, na direcção dos negócios camarários, justamente nos merece. / Tão pouco queremos deixar de apreciar a obra, também a todos os títulos notável, do Excelentíssimo Senhor Governador Civil, cuja atitude, relativamente ao assunto de que vamos cuidar, nos merece o devido respeito, pois ninguém põe a menor dúvida de que Sua Excelência, agindo como agiu, pensou resolver - pelo melhor critério -, esta questão. / Lealmente colocada a nossa posição perante a Autoridade, a cujo respeito e acatamento nos entregamos, passamos a solicitar que nos seja permitido pedir o regresso à liberdade de acção das Corporações de Bombeiros locais. […] Pode ainda afirmar-se, em boa verdade, que as suas Direcções sempre respeitaram os Estatutos, e estes têm a aprovação superior; justificação desnecessária mas que se frisa, para saber-se que viviam à face da Lei. E ao nosso geral reconhecimento, pelos prestimosos e incontestáveis benefícios que sempre recebemos dos Bombeiros Voluntários locais, até o próprio Governo se associou condecorando uma e outra Corporação com medalhas que ficam a marcar, eternamente, a obra de elevado humanitarismo que uma e outra tão abnegadamente e desinteressadamente, têm realizado.
Tudo nos anima, aliás, tudo portanto nos impõe a necessidade de manifestar perante Vossa Excelência, Senhor Presidente, o desejo que formulámos em nome do Concelho, para que Vossa Excelência se digne conseguir do Excelentíssimo Senhor Governador Civil, que revogue a sua decisão de dissolver as Associações dos Bombeiros Voluntários de Famalicão e a dos Famalicenses, verificado como está que os elementos delas não encontrariam fácil entendimento, e provado como está, igualmente, que o facto de ficar uma só não evita a repetição de acidentes, que já têm ocorrido. […]
Júlio Brandão refere o incêndio que consumiu a casa de Camilo Castelo Branco e refere o interesse de criar um museu. Carta manuscrita assinada, do Porto Rua Lindo Vale 111. Carta sem menção ao ano. Papel de carta de luto.
