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GAMA, Estêvão de Queiroz Machado de Vasconcelos Pimenta. // Devido ao grande interesse que tem para a História de Melgaço, vou transcrever na íntegra a entrada do Dicionário Histórico, Biográfico, Bibliográfico, Heráldico, Corográfico, Numismático, e Artístico, publicado por João Romano Torres – Editor, de Lisboa, em 1903: {Foi o 9.º senhor da Casa do Hospital, Entre as Vinhas e Sem, 6.º senhor dos Prazos de Lordelinho e Cartas, da Casa e Morgado dos Machados de Carapeços (Barcelos) e 4.º senhor da Casa e Morgado de Calvelos, em Fafe, fidalgo cavaleiro da Casa Real por alvará de 7/1/1784 , e nasceu em 22/8/1775, falecendo em 9/4/1833, em Carapeços, em cuja igreja jaz. // Casou com D. Joaquina Verea Aguiar y Mosquera, filha de D. Vicente Verea Aguiar y Varela, senhor da Casa e Torre Solar de Andeade, da Jurisdição de Arzua y Bendaña, reino de Galiza, província e arcebispado de Santiago, e de D. Ângela Rosa Mosquera y Torre, filha de D. Luís Mosquera y Somoza, senhor da jurisdição e Couto de Vilariño, freguesia de S. Mamede de Canda, província e bispado de Orense, e de D. Margarida da Torre, filha de D. Nicolas de Torre, da cidade de Santiago, senhor do morgado da Barca de Ulha, e de D. Margarida Gil, da cidade de Santiago. D. Joaquina era neta pela parte paterna de D. Pedro Vereia Aguiar Pacheco de Castro, senhor do morgado e Torre de Andeade e de D. Maria Antónia Varela y Figueiroa, filha de D. Gregório Varela y Figueiroa, senhor da casa de Golão, e da jurisdição de Bendaña, e terceira neta de D. Gregório Verea y Aguiar, senhor do Morgado e Casa de Andeade, e de D. Bernarda de Castro, de Santiago. Deste consórcio teve Estêvão de Queiroz: 1 - Joaquim de Queiroz, 1.º barão do Hospital. 2 - José Maria de Queiroz Aguiar y Mosquera, cadete do Regimento de Infantaria 21, de Valença, fidalgo cavaleiro da Casa Real por alvará de 13/12/1819, datado do Rio de Janeiro. 3 - D. Francisca Inácia de Queiroz, casada com Bento Manuel de Mendonça Machado e Araújo, fidalgo cavaleiro da Casa Real, comandador da Ordem de Cristo, juiz proprietário do Juizo dos Órfãos, de Valadares do Minho, senhor da Casa e Quinta da Amiosa, em Valadares, e outras na província de Trás-os-Montes, tendo: a) D. Joaquina de Mendonça, que casou com Manuel de Araújo Azevedo Lira Sotto Mayor, senhor da Casa do Rosal, em Valadares, e outras na Galiza; b) D. Angelina Maria de Mendonça, que casou com seu primo co-irmão, filho do 1.º barão do Hospital, o Dr. Baltazar de Queiroz; 4 - D. Maria dos Remédios de Queiroz Gusmão; morreu solteira. 5 - D. Maria Amália de Queiroz Gusmão, casada com D. Agostinho de Castro Bulhão y Figueiroa, senhor da Casa e Torre do Fecho e da Boavista, em Melgaço, e do morgado dos Bulhões, na vila da Guardia (Galiza). 6 - D. Helena Delfina de Queiroz; morreu solteira. // Estêvão de Queiroz começou a sua carreira militar aos 16 anos; assentou praça no Regimento de Infantaria 21, de Valença, em 1/2/1791, sendo reconhecido cadete em 3 do mesmo mês. Foi nomeado ajudante da Praça de Valença em 30/9/1793, pelo governador das armas do Minho, Gonçalo Pereira de Caldas; e por decreto de 27 de Janeiro do ano seguinte, ajudante do Castelo da Barra de Viana, até que por carta régia de 23/11/1797 foi despachado sargento-mor da Praça de Monção. Em 30/12/1808, o mesmo Gonçalo Pereira de Caldas, governador das armas da Província, e tenente-general dos Reais Exércitos, nomeou-o comandante da 1.ª brigada das ordenanças da província do Minho, compreendendo essa Brigada as capitanias-mores de Caminha, Cerveira, Couto de Nogueira, Valença, Couto de São Fins, Coura, Monção, Valadares, Melgaço, Fiães e Castro Laboreiro. Esta nomeação era de acordo com o decreto de 11/12/1808 que distribuiu todos os distritos das ordenanças da província em seis divisões de brigadas, pondo à sua frente um comandante «ao qual deverão obedecer todos os capitães-mores e comandantes das ordenanças de cada distrito». // Bernardim Freire de Andrade, comandante em chefe do exército do norte, encarregado do governo das armas do Partido do Porto, tendo-se aproximado da fronteira norte e estando até em Ganfei, Valença, em 19/2/1809, teve ocasião de apreciar os altos serviços prestados por Estêvão de Queiroz, em comissões importantíssimas que lhe confiou; e eram tais, os merecimentos que lhe reconheceu, que o nomeou Governador Militar de Guimarães, em 5/3/1809. Com a invasão francesa de Soult pouco tempo durou o governo militar de Estêvão de Queiroz, que nesse posto prestou valiosos serviços à causa pública, como o provam documentos coevos, entre eles um assinado pelo então provedor e contador da Real Fazenda naquela vila e desembargador da Relação e Casa do Porto, Manuel Marinho Falcão de Castro que, pela sua importância até histórica e biográfica, publicamos na íntegra: «Atesto com juramento que sendo nomeado governador militar desta vila o sr. Estêvão de Queiroz Machado, fidalgo da Casa Real, veio tomar conta do comando dela nas melindrosas e peníveis circunstâncias que ofereciam os princípios do ano de 1809; e desde logo cuidou mui escrupulosamente no fiel cumprimento dos deveres que lhe estavam anexos com a mais perspicaz inteligência e com o zelo mais activo e com a fidelidade mais apurada; mostrando em todas as suas acções o carácter dum homem de espírito e dotado de todas as virtudes políticas e militares que justamente lhe mereceram e atraíram a estima pública e o conservaram ileso e são no meio da funesta e espantosa anarquia que por um delírio vertiginoso se tornou geral entre a populaça desta província e que sacrificou um grande número de funcionários públicos. Que sendo ameaçada esta sua província e invadida no mês de Março do mesmo ano pelo exército do marechal Soult ele cuidou com antecipação em procurar os meios de defesa que estavam ao seu alcance, não só convidando as ordenanças de diferentes distritos para os opor à torrente invasora, mas também procurando-lhe o fornecimento de víveres e as munições de guerra que eram necessárias e que fez distribuir por todas; recorrendo convenientemente para estes fins ao general em chefe, assim como depois da sua funesta morte ao barão d’Eben que interinamente o sucedeu em Braga por alguns dias, enquanto os franceses a não ocuparam com o resto da província. Que em toda esta calamitosa e arriscada época mostrou a mais firme constância e o mais atilado valor e se prestou desveladamente a tudo o que podia ser útil ao serviço de Sua Alteza Real, auxiliando-me (quando já os meus colegas se haviam intemp