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CUNHA, António Bernardo (Padre). Filho de António Bernardo Gomes [da Cunha], tabelião do público, e de Isabel Ventura de Sousa, residentes na Vila. N.p. de Jerónimo Gomes [de Abreu – confirmar], solteiro, e de Jerónima da Cunha, solteira; n.m. de Francisco Coelho e de Maria de Sousa. Nasceu na Vila a 22/5/1768 e foi batizado na igreja de SMP a 26 desse mês e ano. Padrinhos: António Xavier e irmã, Lina Josefa, filhos de Belchior Rodrigues Torres e de Maria Gomes, da Vila. // Foi sacristão da SCMM de 1783 a 1792, cargo que deixou por ter sido nomeado professor régio para leccionar em Fiães. Estudou com os frades na escola do Mosteiro e foi ordenado sacerdote (*), indo para pároco de Santa Tecla de Basto, Celorico de Basto, e mais tarde para São Paio de Melgaço. // Por alvará régio de 2/10/1818, foi nomeado cavaleiro da Ordem de Cristo e, por carta de 27/3/1852, foi elevado a comendador dessa Ordem. // Foi provedor da SCMM em 1822. // A 16/8/1824 já era pároco de Santa Tecla de Basto; nesse ano trazia uma demanda contra Francisco José Gonçalves e mulher, de São Gregório, Cristóval. // A 29/4/1837 tomou posse a Quinta de Frades (de Fiães), em Cavaleiros, Rouças, por a ter arrematado por um conto, quatrocentos e um mil réis (1.401$000), em praça pública. // A 26/8/1837, por 2.101$000 réis, comprou a Quinta do Convento das Carvalhiças, que pagou a 20 de Setembro desse ano. // A 2/3/1839, na igreja matriz de SMP, foi padrinho de Cândida de Queirós Araújo Gaio, sendo madrinha a sua irmã Josefa Luísa. // A 22/4/1848, sendo abade de São Paio, foi padrinho de António Arsénio, filho de Luís Vicente Gomes Pinheiro e de Alexandrina Augusta de Sousa Gama. // Era ainda abade de São Paio quando morreu, de repente, a 8/2/1857, sendo sepultado a 11 na igreja do Convento das Carvalhiças, com ofício de corpo presente. Recebera apenas o sacramento da extrema-unção. Assistiram ao funeral mais de 33 clérigos. Não consta que tivesse deixado testamento, nem os seus herdeiros apresentaram quaisquer documentos. // Embora fosse padre, gerou um filho, António, em Luísa Teixeira, o qual nasceu em Santa Tecla de Basto; veio a casar, em 1854, com Teresa Rita de Jesus, filha do Dr. José Bernardo Gonçalves Pinto da Cunha, juiz de Direito em Ponte de Lima, e de Maria Martins Ferreira. O casal teve um filho, a quem deram o nome do pai, António [José], mas morreu criança. // Devido a ter comprado tantos bens, gerou-se uma lenda à sua volta. Consta que quando os franceses invadiram Portugal alguns melgacenses entregaram as moedas de ouro que possuíam aos frades das Carvalhiças, os quais as enterraram nas campas dos defuntos. O tempo foi passando: uns morreram, outros tiveram de deixar Melgaço por razões diversas, e esse ouro permaneceu ali anos e anos, à espera que o padre António Bernardo o descobrisse. Verdade ou mentira, o certo é que ele pagava a pronto! // Acerca dele falou o Dr. Augusto César Esteves no seu artigo publicado no “Notícias de Melgaço” de 25/6/1961, e inserido no volume I, tomo II, p.p. 649 a 651, das suas Obras Completas. /// (*) Em 1799 já era sacerdote; nesse ano, a 21 de Abril, foi padrinho de António Manuel da Cunha.