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AFONSO, Joaquim (Pata Rica). Filho de Bento de Egas (*) e de Maria Alonso (**), lavradores, naturais da freguesia de Santiago de Ribarteme, Pontevedra, bispado de Tui. Nasceu Valadares, Monção, a --/--/18--. // Veio para Melgaço ainda no século XIX, e estabeleceu-se na Corredoura de Prado, na casa que mais tarde seria de José Augusto Ribeiro (Carriço). // Parece que foi bem recebido em terras melgacenses. Ainda não tinha surgido o conturbado século XX já ele se casava com a fidalga Maria José, do lugar das Várzeas, SMP, filha de Manuel António Meleiro e de Teresa de Sousa Gama. // Nesse dito lugar, onde passou a residir, construiu um moinho para moer enxofre; teve uma máquina de fabricar rolhas; foi empreiteiro do 2.º lanço da estrada de Paderne (Pontilhão ao Convento), que iniciou a 1/11/1897 e concluiu a 20/7/1899; fez a mudança da “Fonte do Jordão” (***) da Assadura para a Praça do Comércio, pela quantia de 708$788 réis, obrigando-se a construir o tanque anexo (1903). // Foi também funcionário nas Obras Públicas. // Chegou a jurado pelos círculos da Vila e suas anexas em 1907 e 1908. // Em 1912 enviou um ofício à Câmara Municipal a pedir o pagamento de algumas obras que fizera nas ruas da Vila, o qual foi lido em sessão de 19/6/1912; teve de esperar algum tempo para receber o dinheiro. // A 27/2/1913 respondeu em julgamento de processo correcional, acusado de dano; com ele responderam Lucrécia da Costa Veiga, Joaquim Egas Afonso Junior, Manuel de Castro, e Aureliano Rodrigues. O defensor dos réus era o Dr. António Augusto Durães. O julgamento foi adiado para o dia 6 de Março. // No Correio de Melgaço n.º 76, de 23/11/1913, pode ler-se: «Joaquim de Egas Afonso – agente das casas mais importantes de tubos de ferro e acessórios para canalizações; bombas cilíndricas, para poços de pequenas e grandes profundidades; motores a gasolina, petróleo e gás pobre; depósito de chapa-zincada e arame para latas; arame para vedações…» Também detetava água nos terrenos. // A 26/5/1914 foi julgada no tribunal da Relação do Porto a apelação-crime que ele tinha interposto da sentença que o condenara por pretenso crime de dano no muro que cerca a quinta de Galvão, de Manuel Dias, sendo proferido acórdão a seu favor. // Era um homem super ativo, talentoso, com imensa imaginação. // Depois de uma longa vida de trabalho, morre em Melgaço, na sua casa das Várzeas, a 30/6/1914. // Após a sua morte, surge no Correio de Melgaço n.º 119 o seguinte anúncio: «Pelo juízo de direito da comarca de Melgaço, cartório do 1.º ofício, escrivão Brito, se processam uns autos de inventário orfanológico por óbito de Joaquim Egas Afonso, em que é inventariante sua viúva, Maria José Meleiro, de Várzeas, Vila, e nos mesmos correm éditos de 30 dias, a contar da publicação do 2.º anúncio no Diário do Governo, citando, sem prejuízo dos termos do inventário, os interessados ausentes em parte incerta, António Cândido e Adolfo, filhos do inventariado, para assistirem aos termos do dito inventário. Melgaço, 1/10/1914 – Verifiquei a exactidão. O juiz de direito, Araújo Ramos.» // A sua viúva ainda lhe sobreviveu alguns anos. /// (*) Bento Egas faleceu antes de 1886. /// (**) Maria Alonso finou-se nas Várzeas a 5/3/1891. /// (***) Fora mandada executar em 1789 pelo juiz de fora, Dr. João Pedro Sales Ribeiro.