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PINHEIRO, Herculano Arsénio. Filho natural de António Arsénio Gomes Pinheiro (1848-1904), solteiro (*), proprietário, secretário da Administração do concelho, e de Carolina da Glória Domingues (1879-1953), solteira, ambos moradores no lugar do Outeirão, freguesia de Prado. Neto paterno de Luís Vicente Gomes Pinheiro e de Alexandrina Augusta de Sousa Gama, da Casa da Serra; neto materno de Manuel António Domingues (Canário) e de Maria José Gomes, do lugar de Santo Amaro. Nasceu na Casa do Outeiro, Prado, a 30/8/1898, e foi batizado a 23 de Outubro desse ano. Padrinhos: Francisco António Esteves, viúvo, proprietário, natural da freguesia da vila, e Herculana do Rosário Almeida, solteira, proprietária, moradora no lugar da Serra, Prado. // Em Julho de 1908 fez exame do 1.º grau na escola da Vila, obtendo um «ótimo». // Com 15 anos de idade já era escriturário em Paredes de Coura; dali veio para a sua terra natal. No verão de 1919, com apenas 21 anos de idade feitos, foi nomeado para exercer, interinamente, o cargo de secretário da administração do concelho. A 24/12/1919 tomou posse daquele cargo, tornando-se definitiva a sua nomeação. // Casou na CRCM a 12/6/1920 com Maria Amélia, filha de José Manuel Vaz e de Libânia Fernandes, do lugar da Fontainha, Paderne. // Moraram no lugar do Outeirão. Essa casa foi vendida na década de quarenta a Manuel Domingues, mais conhecido por “Mareco”; este por sua vez vendeu-a em 1948 a Fernando José Lopes, tenente da Guarda-Fiscal. // Continuou a trabalhar com gosto e paciência, e um dia a recompensa veio; a 5/3/1928 foi nomeado, por direito próprio, oficial da Câmara Municipal; e a 28/2/1934, pela aposentação de Duarte Augusto de Magalhães, ascendeu a chefe da Secretaria da mesma Câmara Municipal de Melgaço. Para essa promoção deve ter ajudado o facto de ter sido solicitado pouco antes pela Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Monção para «pôr em ordem a escrituração daquele organismo administrativo». // Aderiu de corpo e alma ao Estado Novo, à sua ideologia nacionalista e corporativista. Lê-se no Notícias de Melgaço n.º 283, de 1/9/1935: «Comemorando a data histórica de 14/8/1385 (batalha de Aljubarrota) realizou-se no dia 15 deste mês, na vizinha freguesia de Prado, uma sessão solene, presidida pelo Sr. Herculano Arsénio Gomes Pinheiro (…), ocupando os dois lugares de secretários da mesa de honra os Sr.s Justiniano Gonçalves Ribeiro (presidente da Junta de Freguesia de Prado) e Maximiano Soares Calheiros. No salão onde se realizou a sessão solene, e que serve para ensaios da banda dos BVM, tinha a presença de muitas crianças que frequentam as escolas primárias, bastantes mulheres, e alguns homens, que ali acorreram para ouvir ler a carta do Sr. Dr.Oliveira Salazar, uma vibrante e patriótica alocução, focando as glórias do passado…» No final deu vivas ao general Carmona, a Salazar e ao Estado Novo. // Foi membro dos Bombeiros Voluntários de Melgaço, com o estatuto de comandante. // Em 1936 ofereceu um alqueire de milho ao hospital da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço. // Obteve a aposentação, por limite de idade, a 30/8/1968. Servira doze presidentes de Câmara, a começar por Hermenegildo José Solheiro. // Morreu a 8/10/1972 e foi sepultado no cemitério de Prado. // Pai de Antonino e de Maria Edite Natércia, casada com o professor Alfredo Peixoto Almeida. /// (*) Casou mais tarde, em 1904, com a mãe da criança.