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LOPES, António Dâmaso. Filho de Bento Lopes e de Rosa Rodrigues, lavradores, residentes em Beleco, Paços. Neto paterno de Rosa Lopes; neto materno de Francisco José Rodrigues e de Maria Pires. Nasceu em Paços a 9/9/1879 e foi batizado no dia seguinte. Padrinhos: Dâmaso Vasques Esteves e Claudina Maria Soares, naturais de Crescente, Tui. // Aos onze anos de idade fez a quarta classe da instrução primária. Depois foi estudante no seminário em Braga; aos catorze anos de idade desistiu dos estudos eclesiásticos. Esteve alguns anos em Paços, em casa dos pais. De Outubro de 1898 a Julho de 1900 frequentou a Escola do Magistério em Viana do Castelo, obtendo o diploma de professor do ensino primário. Passados seis meses foi colocado em Vascões, concelho de Paredes de Coura, onde permaneceu durante dezassete meses. Dali foi transferido, por requerimento que fizera, para a escola de São Paio de Melgaço. Para se transportar comprou, por trinta e cinco mil réis, uma bicicleta em segunda mão; algum tempo depois o senhor Morais (*) ofereceu-lhe uma bicicleta nova «de primeira ordem». // Foi promovido à 2.ª classe em 1907. // A 30/1/1908, na igreja de Paços, ele e a namorada foram padrinhos de António de Lurdes Douteiro, mais tarde conhecido por “Rita”. // Casou na igreja de Paderne a 3/10/1909 com Rosa da Natividade Esteves, de 20 anos de idade, solteira, residente no lugar da Portela de Paderne, natural dessa freguesia, filha de José Joaquim Esteves e de Claudina de Castro Araújo, proprietários, padernenses. Testemunhas: o padre Albano Júlio de Castro Araújo e António Rodrigues de Oliveira, casado, professor oficial, moradores no dito lugar da Portela. // Ficou a residir no dito lugar da Portela. // Em 1912 já era professor na freguesia de Paderne. // Em Janeiro de 1913 a sua esposa encontrava-se enferma. // Em 1915 foi promovido à 1.ª classe; continuava a ser professor na escola de Paderne. // Enviuvou a 7/6/1918. // No Jornal de Melgaço n.º 1226, de 15/11/1918, aparece na primeira página como proprietário e administrador desse jornal republicano, substituindo assim o Dr. Augusto César Esteves; o redator principal e editor continuava a ser o Dr. António Francisco de Sousa Araújo, advogado. // Casou em segundas núpcias com a professora Felicidade Amélia da Silva, na Conservatória de Vila do Conde, a 7/1/1924. // Morou em Vilar do Pinheiro, Vila do Conde. // Em 1933 foi nomeado professor da escola Conde de Ferreira, sita na Vila de Melgaço; lecionava na escola central de São Mamede Infesta, Porto. Dois anos depois foi transferido para a escola de Paços; a sua esposa já aqui lecionava. // Em 1938 morava no lugar do Outeiro, salvo erro. // Foi diretor e editor do “Notícias de Melgaço”. // Em 1948 já estava aposentado. // Nos seus escritos jornalísticos assinava Grilo. // Chegou a estar preso por causa da sua veia política e mordacidade na crítica. // Conta-nos ele no Jornal de Melgaço n.º 1298, de 25/7/1920: «uma vez, isto além de muitos outros, dei um trambolhão de uma bicicleta abaixo, resultando daí partir um violino que na mão trazia, um guarda-sol que na outra mão trazia aberto, ficar em condições de não merecer conserto, a bicicleta ser preciso vir num carro para a vila, a calça rota num joelho e o joelho a escorrer sangue. Outra vez, quando em carro me dirigia de Penso para esta vila, em Alvaredo o carro tomba, a minha cabeça bate com violência na estrada, e dois pregos do tejadilho vão cravar-se, um na minha sobrancelha direita e outro no lábio superior, do qual resultou abrirem-se duas fontes de sangue. (…) Apenas me zanguei duas vezes em princípios da terceira dezena: da primeira vez não estive longe do suicídio, faltando apenas conceber tal ideia e pô-la em prática; da segunda tive de dar 72$000 réis ao Justino Loureiro, escrivão de Direito na comarca de Paredes de Coura. Daí tomei a resolução de não mais me zangar, e espero cumprir tal resolução.» // Enviuvou pela 2.ª vez a 26/8/1968. // Morreu em Paços, Melgaço, a 24/9/1970, com 91 anos de idade. // Teve filhos de ambas as esposas. // Nota: a sua filha Georgina, nascida em Póvoa de Varzim a 4/5/1925, faleceu em Vila do Conde em 1997; era irmã de caridade (doroteia).