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ESTEVES, Júlio de Lurdes (Dr.) Filho de António Alberto do Outeiro Esteves, natural de Cristóval, e de Luísa Teresa de Sousa Viana, natural da freguesia de Santa Maria dos Anjos, Vila e concelho de Monção, negociantes, moradores em São Gregório. Neto paterno de Francisco do Outeiro Esteves e de Ludovina Augusta de Sousa Viana; neto materno de Manuel José de Sousa Viana e de Luísa Teresa Rodrigues Ferreira. Nasceu no lugar de São Gregório a 6/5/1908 e foi batizado na igreja no dia seguinte. Padrinhos: Júlio Augusto de Sousa Viana, solteiro, negociante, e Delfina Rosa de Sousa Viana, solteira, proprietária. // A 26/7/1917 fez exame do 1.º grau e obteve a classificação de ótimo; era aluno do professor Abel Nogueira Dantas (Jornal de Melgaço n.º 1169, de 4/8/1917). // Em Julho ou Agosto de 1918 fez exame do 2.º grau, tendo sido aprovado com distinção (JM 1220, de 24/8/1918). // Concluiu a sua licenciatura em Medicina na Universidade do Porto em 1933 e especializou-se em Estomatologia-Odontologia. // Fixou residência na sua terra natal. Tinha consultório em São Gregório e nas Vilas de Melgaço e de Monção. // Casou a 29/7/1934, na CRCM, com a professora do ensino primário Luísa Fernandes Sampaio (*), natural da freguesia de São Bartolomeu de Paranhos, Carrazeda de Anciães, irmã de António César Fernandes, industrial em Vila Luso, Angola (NM 980, de 3/6/1951). // Assumiu a direção técnica da farmácia de São Gregório, propriedade de seus tios, Luís Pinheiro, natural de Paços, Melgaço, e de Ludovina de Sousa Viana, natural de Monção. // Durante algum tempo foi presidente da Junta de Freguesia de Cristóval. // Em 1945 tornou-se Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço, tendo permanecido nesse lugar durante vários anos. Foi no seu mandato que surgiram os “Cortejos de Oferendas”, graças aos quais a Santa Casa se ia equilibrando. // Foi um dos fundadores, em 1946, do jornal “A Voz de Melgaço” mas, por se ter incompatibilizado com os padres Carlos e Júlio Vaz, demitiu-se de redator-chefe em inícios de 1950, tendo sido substituído pelo padre Carlos António Vaz. // Lê-se no Notícias de Melgaço n.º 927, de 12/3/1950: «Realiza-se hoje no Grande Hotel Ranhada um almoço de homenagem aos dois ilustres melgacenses, senhores Dr. Júlio de Lurdes Outeiro Esteves e Dr. Carlos Luís da Rocha, almoço para que estão inscritos cerca de duzentas pessoas de todo o concelho, e é presidido pelo Ex,mo Sr. Governador Civil deste distrito. O Notícias de Melgaço associa-se a esta justíssima homenagem e no próximo número publicará o relato da mesma.» No Notícias de Melgaço n.º 962, de 14/1/1951 continua a polemizar com o padre Júlio Vaz. Escreveu ele: «Se a resposta fosse ao senhor Júlio Vaz, diretor de A Voz de Melgaço, ter-lhe-ia posto o título de “Uma Chocalhada”.» // Lê-se no Notícias de Melgaço n.º 976, de 6/5/1951: «Salvé 6/5/1951. Por motivo do 43.º aniversário natalício do Ex.mo Sr. Dr. JLOE cumprimenta-o um grupo de amigos humildes e sinceros, desejando a Sua Excelência que esta data se prolongue por muitos anos.» // Lê-se no Notícias de Melgaço n.º 1004, de 9/12/1951: «Uma pequena macacoa, uma impertinente gripe obrigou o nosso querido amigo e distinto médico, e não menos prestimoso provedor da Santa Casa, Sr. Dr. JLOE, a recolher ao leito e a agasalhar-se nesta quadra traiçoeira em que tanto enamoramos os raios do sol sem nos lembrarmos do ventinho da Galiza que logo a seguir nos faz meter na cama, com os olhos a chorar… pelas botijas e as coisas quentes. Ao nosso querido amigo desejamos rápidas melhoras e muito folgamos quando nos voltar a trazer o seu apreciadíssimo convívio porque a sua falta, por pouco tempo que seja, faz-se sempre sentir neste meio que o estima, compreende e considera.» // Lê-se no Notícias de Melgaço n.º 1005, de 16/12/1951: «Já vimos e abraçamos nesta Vila o Ex.mo Sr. Dr. JLOE, muito digno provedor da SCMM e prestigioso presidente da União Nacional do concelho. E folgamos por termos oportunidade de o dizer: a nova da sua visita correu logo de boca em boca e felizmente em todos os olhos se lia a satisfação causada pela visita inesperada. Pois que as melhoras se radiquem; que a doença bata franca retirada, porque a sua vida, a vida deste nosso amigo, faz falta na Vila e no concelho, pelo seu muito prestígio e pelas suas muitas virtudes.» // Pode ler-se no Notícias de Melgaço n.º 1009, de 20/1/1952: «No passado dia 15 um grupo de amigos do nosso conterrâneo Sr. Dr. JLOE veio a esta localidade (São Gregório) a fim de lhe dar as boas festas dos reis. Entre outras quadras destacamos as duas que seguem por nos parecerem deveras engraçadas – “Eis a malta costumada/que não teme, é bom de ver/aquela fera danada/que vos pretende morder./Não vimos cantar por vinho/nem vimos cantar por pão/mas porque o Dr. Julinho/é santo de devoção.” Oxalá que este grupo saiba sempre merecer a confiança e amizade que S. Ex.ª lhe dispensa e que no próximo ano saiba corresponder a esta festa, já para nós tradicional.» Foi presidente da Câmara Municipal de Melgaço desde 19/12/1956 até Novembro de 1957, deixando o lugar por motivos de saúde. // Ideologicamente, estava muito ligado ao Estado Novo, tendo aceitado cargos políticos, tais como delegado concelhio da Uni-ão Nacional, chegando mesmo a usar farda! // Também exerceu a função de Conse-lheiro Municipal pelas Ordens. // Morreu em São Gregório, vitimado pela tuberculose, a 7/5/1959. // Pai de Maria Filomena (ver A Voz de Melgaço n.º 1005). /// (*) Esta senhora era professora oficial; em 1935 foi colocada na escola primária de Remoães (NM 290, de 10/11/1935).