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DOMINGUES, Manuel José (Mareco). Filho de Felismina Domingues (falecida antes de 1945). Nasceu em Castro Laboreiro a 4/5/1910. // Casou em primeiras núpcias, em 1934, com Maria Rosa Esteves. Geraram dois filhos: Sara e Álvaro. // Enviuvou a 9/11/1942. // Tinha trinta e quatro anos de idade, era comerciante, morava em Várzea Travessa, quando casou em segundas núpcias, na igreja de Castro, a 4/6/1945, com a sua parente em terceiro grau de consanguinidade, Maria Rosa Fernandes (*), de dezanove anos de idade (**), filha de Serafim Fernandes (falecido antes de 1945) e de Maria do Carmo Rodrigues, todos naturais de Castro Laboreiro, moradores no sobredito lugar, e deste matrimónio nasceram: Alberto, Maria Fernanda, Carlos Manuel, Maria Angelina e Maria do Carmo. Com excepção do Alberto, nascido ainda em Castro Laboreiro, todos estes nasceram em SMP. // No Notícias de Melgaço n.º 786, de 11/8/1946, vem publicada uma carta sua: «… tendo sido publicada no jornal de que V. Ex.ª é digno diretor uma crónica intitulada “Do dia-a-dia” no número 775, de 12/5/1946, que vem assinada por Ascenção Afonso, em que a minha pessoa é gravemente injuriada na sua honra e consideração, venho, nos termos do decreto 12008, requerer a V. Ex.ª que no próximo número se publique a seguinte declaração => Como sempre procurei ser comerciante honrado e sério e cidadão prestante à minha freguesia, foi com profunda mágoa que tomei conhecimento da difamação e injúria que me é (…?) na referida crónica por uma pessoa que, além de mais, está de relações cortadas comigo. Não posso assim deixar ficar impune quem tão pouco respeito e consideração teve pelo meu nome, pelo que declaro, para os devidos efeitos, que vou proceder, criminalmente, contra o referido Ascensão Afonso e mais contra aqueles que a lei considera responsáveis ou cúmplices no crime perpretado de abuso de liberdade de imprensa. Para tanto, outorguei procuração ao meu advogado, Ex.mo Senhor Doutor Artur Anselmo, a quem dei os necessários poderes para organizar o referido processo, mal terminem as férias judiciais. Aceite V. Ex.ª os meus respeitosos cumprimentos.» // O professor Ascensão Afonso publica um artigo no mesmo número do jornal. Às tantas escreve: «há alguns anos que nas colunas deste jornal nos batemos contra todos os egoísmos, contra todos os açambarcadores, contra os roubadores do pão e da bolsa dos pobres, e alguma coisa de útil conseguimos.» E mais à frente: «o governo, pela boca de Salazar, principalmente, impôs-nos esse combate. Combati e combaterei, e não me arrependo de o fazer. Podem surgir Marecos pelo caminho…» E prossegue, implacável, sem papas na língua. // Um dia Manuel José resolveu sair de Castro Laboreiro; então, comprou no lugar da Corredoura, Prado, a Quinta do tenente Lopes, a qual, passados uns tempos lhe voltou a vender! A razão é simples: enamorou-se da “Vivenda Iracema”, sita na Vila, SMP, na Rua Velha, que fora mandada construir pelo “brasileiro” Simão Araújo em uns terrenos que comprara a Amadeu Ribeiro Lima. Adquiriu-a em Agosto de 1947 (ou 1949), por 470 contos de réis. À entrada da Quinta, um corredor com mais de 20 metros de comprimento, éramos sempre aguardados por um valente cão de Castro, cujos dentes nos atemorizavam. // A 28/7/1947, por escritura, o Dr. Artur Anselmo Gonçalves de Castro e sua esposa, reconhecem a sua dívida de 80.000$00, por empréstimo, para com Manuel José Domingues, morador no lugar de Várzea Travessa; o fiador era Gaspar Magno Pereira de Castro, da Casa de Galvão. // Foi um homem de negócios, um pequeno Onassis; negócios que lhe granjearam alguma fortuna. Preocupou-se com a educação dos filhos, quase todos eles com cursos superiores! A partir de certa altura as coisas começaram a correr menos bem, mas é assim a vida: com altos e baixos. // Morreu na Vila de Melgaço a 30/4/1979. // A sua viúva faleceu quarenta anos depois. /// (*) A noiva, para casar, teve o consentimento da progenitora. /// (**) Adotou o nome da mãe, Maria do Carmo, para não ser confundida com a primeira esposa de Manuel José Domingues (Mareco).