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ALVES, Domingos António (Carabel). Filho de António Alves e de Ana Rosa Esteves, lavradores, ela de Assureira e ele de Dorna, onde residiam. Neto paterno de Manuel Alves e de Maria Luísa Esteves; neto materno de Francisco Esteves e de Maria Domingues. Nasceu a 15/3/1866 e foi batizado a 17 desse mesmo mês. Padrinhos: o presbítero Domingos José Bernardo e Ana Bernardo, solteira. // Trabalhou em Trás-os-Montes, ora exercendo a profissão de pedreiro, ou outras, conforme dava jeito, até fundar, juntamente com seu irmão Germano, na vila de Castro, a 26/4/1908, uma fábrica de chocolates, com a firma «Domingos António Alves & C.ª» (Jornal de Melgaço n.º 731, de 30/4/1908). A energia utilizada, já se sabe, era o carvão. Curioso um anúncio publicado no “Correio de Melgaço” n.º 49, de 11/5/1913: «Chocolates de Castro. Os afamados chocolates, de superior qualidade, preparados com cacau caraca e manteiga finíssima da fábrica do Sr. Alves, encontram-se à venda nesta Vila, na “Brasileira”, de Francisco Augusto Igrejas, frente ao Hospital, único depositário, que faz vantajosos descontos aos revendedores.» Porém, em 1917 já era Aurélio Araújo Azevedo o único depositário na Vila de Melgaço. // No 2.º semestre de 1914 foi jurado por Castro, e no 2.º semestre de 1915 voltou a sê-lo, no 2.º semestre de 1916 foi novamente nomeado. // Em 1913 seguia para Cortegada «a fim de fazer uso das águas», acompanhada de seu filho José. Casou com Maria Teresa Gomes. Ela faleceu em São Julião, SMP, a 3/1/1948, com 81 anos de idade. Ele faleceu a 24/5/1919. A sua morte vem anunciada no Jornal de Melgaço 1248, de 1/6/1919: «… ao finado, que naquelas paragens tão inóspitas ousou fundar uma importante fábrica de chocolate, a morte arrebatou-o no dia 23 (!) do próximo passado, pelas 21 horas.» Na capela de Santo António, Adedela, Fiães, o seu compadre, Manuel Esteves Pinto, soldado da Guarda-Fiscal, mandou celebrar duas missas por sua alma. // Pai de Abílio, de Germano (em 1919 ausente), e de José António (este ainda menor em 1919). // A alcunha herdou-a do pai ou do avô, e deve estar relacionada com a «caravela» que levava os portugueses para o Brasil. Pronunciaria «caravel» e daí a alcunha. Um parente deste, José Alves, já em 1865 carregava essa alcunha! // Tinha alguma cultura para a época. E andou na política local – figurava, como substituto, na “lista do concelho”, encabeçada pelo reitor de Alvaredo, padre Francisco Leandro Magalhães, para as eleições à Câmara Municipal de Melgaço de 4/11/1917 // No Jornal de Melgaço n.º 1279, de 1/2/1920, lê-se: «brevemente vai ser exposto à venda uma nova marca de chocolate denominado “À Espanhola”; garantimos a sua especialidade, sendo fabricado como marca exclusiva do Sr. Esteves – Loja Nova – Melgaço. Fabricantes: viúva de Domingos António Alves & Filhos.» // No Jornal de Melgaço n.º 1316, de 31/12/1920, lemos: «À Espanhola. Fábrica de chocolates movida a força hidráulica, fundada em 1908 e reconstruída em 1919. Chocolates fabricados pelos últimos sistemas adoptados em Madrid e Barcelona: cacau, caraca, açúcar, canela, baunilha, e uma pequena quantidade de manteiga de vaca. Viúva de Domingos António Alves & Filhos. Castro Laboreiro. Depositário em Melgaço: Francisco Augusto Igrejas, alfaiataria Félix.»