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FERNANDES, Manuel José. Filho de João Luís Fernandes e de Teresa Besteiro. Neto paterno de Manuel António Fernandes e de Maria Luísa Gonçalves; neto materno de José Besteiro e de Brites Fernandes. Nasceu em Alvaredo por volta de 1853. // Foi um dos homens fortes de João Pires Teixeira, natural da vila, Santa Maria da Porta. Em 1908 fazia parte de uma lista concorrente às eleições municipais. Era o 4.º da lista (José Cândido Gomes de Abreu, João Pires Teixeira, padre Manuel Bento Gomes, ele e João Eugénio da Costa Lucena). Após a queda da monarquia, “aderiu” à República. // Era lavrador/proprietário, pescador, político, etc. // No Correio de Melgaço, o correspondente informou: «consta-nos que foram há dias a Caminha, a fim de matricularem um novo barco, no posto desta freguesia, Manuel José Fernandes e Cândido Fernandes. Este barco tem por fim fazer concorrência a Domingos Vaz, de Penso, proprietário do barco velho e de quem o Cândido foi sócio.» // No Correio de Melgaço, vem anunciada a Comissão Municipal do PRE, de que ele fez parte (era nessa altura vereador da Câmara Municipal de Melgaço), juntamente com o Dr. Augusto César Ribeiro Lima (Conservador do Registo Predial), Duarte Augusto de Magalhães (Secretário da Câmara Municipal de Melgaço e proprietário do Jornal de Melgaço), Joaquim do Carmo Álvares de Barros (proposto do recebedor) e Dr. José Joaquim de Abreu (Conservador do Registo Civil e administrador do concelho). Fez parte da lista encabeçada por João Pires Teixeira, da Vila, para a Câmara Municipal de Melgaço, lista que saiu vencedora a 5/11/1916. // A 4/11/1917 concorreu às eleições administrativas – n.º 2 na lista de vereadores do Partido Republicano Português. Ganharam sem oposição. Nessa altura já estava viúvo. Casara com 46 anos de idade, no estado de solteiro, na igreja de Penso, a 7/9/1899 (ver, em Penso, Manuel Gonçalves, filho de Bruno Gonçalves e de Júlia Fernandes) com Maria do Patrocínio Gonçalves, natural de Penso, viúva de Jacob Camanho de Carvalho. Testemunhas presentes: Manuel Joaquim Martins, casado, professor oficial do ensino primário, natural de Alvaredo, e Bruno Gonçalves, casado, lavrador, natural de Penso. // A sua esposa faleceu no lugar do Maninho, Alvaredo, a 8/10/1906. // Naquele ano de 1917 viu-se envolvido em um processo como engajador. O administrador da altura, Joaquim de Sousa Alves, mais conhecido por “Quim”, seu adversário político, mandou-o prender. // Em 1919 era o n.º 4 da lista do PRP, encabeçada por João Pires Teixeira, para a Câmara Municipal. // Morreu em sua casa a 16/5/1929, no estado de viúvo, com setenta e seis anos de idade. Lê-se no Notícias de Melgaço: «Na sua casa de residência, em Alvaredo, faleceu na manhã de 16 do actual mês, o nosso amigo senhor Manuel José Fernandes, viúvo, e ali grande proprietário, de 75 (ou 77) anos de idade, o qual gozava de muito prestígio, não só na sua como em outras freguesias deste concelho, onde era muito querido e estimado pelos seus dotes do coração, bondade e amabilidade com que a todos acolhia. Foi vereador efetivo da nossa Câmara, sendo várias vezes reeleito, cargo que sempre exerceu com cuidado e dedicação, na defesa dos interesses do município. Grande benemérito, esmoler e obsequiador. Entre os seus atos de benemerência salienta-se a oferta feita à Câmara Municipal do prédio em que na sua freguesia funciona a escola do sexo masculino. Em satisfação do pedido no seu testamento foi modesto o seu enterro, e o seu cadáver seguiu da residência para o cemitério, acompanhado do seu pároco, da irmandade da SCMM, de que era irmão, de um pelotão de bombeiros voluntários, de que era sócio, e bem assim de numerosos amigos. A chave do caixão foi entregue ao Dr. Augusto Esteves e às borlas pegaram o tenente José Pires Louro de Oliveira, João Eugénio Lucena, António Luís Fernandes, José Ranhada, António Fernandes, e António Joaquim Esteves. Deixou vários legados, e do remanescente da sua herança instituiu seus universais herdeiros os seus sobrinhos Joaquim Besteiro e Maria Besteiro, filhos de sua irmã Maria, sendo nomeado testamenteiro seu sobrinho referido, Joaquim…» // Foi, como já se disse, vereador efetivo da Câmara Municipal de Melgaço «sendo várias vezes reeleito». // Era «grande benemérito, esmoler e obsequiador». A prová-lo estava a oferta que fizera à Câmara Municipal do prédio onde passou a funcionar a escola (sexo masculino) de Alvaredo.