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Registo: ENT - 2010/17730 - Relatório de intervenç
Identification
Description level
D
Reference code
2443763
Title
Registo: ENT - 2010/17730 - Relatório de intervenç
Initial date
2010-08-27
Content and structure
Scope and content
Etapa #2 Por parte da equipa de arqueologia do município, e no âmbito das actividades enquadráveis na gestão do património arqueológico do concelho, realizadas na DIMPB, encontramo-nos a acompanhar este processo de intervenção desde 2008, estando a ser prestado apoio técnico para a intervenção, através de acções de esclarecimento e cedência de documentação técnica a várias entidades, nomeadamente, ao responsável pela intervenção de arqueologia. O desempenho das actividades relacionadas com o PALOR implicou a produção dos documentos solicitados para o projecto – caderno de encargos de arqueologia e documento de fundamentação teórica e de contextualização histórica e arqueológica do projecto, dado que o promotor é o Município de Leiria. Foram tidas diversas reuniões de trabalho com a equipa que se encontra a acompanhar o projecto, para definição e discussão de cadernos de encargos e de cumprimento das medidas de minimização patrimoniais. Participámos em várias reuniões e procurámos realizar uma série de contactos com as tutelas da área, para definição de procedimentos: DRCC e IGESPAR, I.P. Foi prestado apoio técnico, por parte da equipa de arqueologia municipal, na vertente patrimonial e arqueológica de execução deste projecto, no que respeita ao acompanhamento do processo de obra e verificação da implementação do caderno de encargos produzido. Parece-nos particularmente relevante notar que o acompanhamento da implementação no terreno do caderno de encargos, permitiu assegurar o cumprimento das suas disposições técnicas, no que respeita ao património arqueológico e construído. O documento correspondente a este processo respeita à comunicação, pela DRCC, da emissão de parecer favorável sobre o Relatório Final dos trabalhos arqueológicos de acompanhamento na área afecta ao projecto EPA 6 – Iluminação da Barbacã na Rua Pêro Alvito - QREN-PALOR. Parece-nos dever integrar o processo de obra referente, dando-se conhecimento do teor deste ofício à DOM (Eng João Ferreira). Este processo só ficará concluído com a recepção da aprovação do Relatório Final dos Trabalhos Arqueológicos, que se anexa, por parte do IGESPAR, IP.. No que respeita a esta intervenção não dará entrada qualquer lote de espólio na Reserva Arqueológica, dado que o responsável não considerou pertinente a recolha de qualquer material nos níveis estratigráficos descritos. O arqueólogo responsável pelos trabalhos arqueológicos sintetiza os dados da intervenção, no Relatório Final que se anexa, afirmando que: “Na área intervencionada, nas valas abertas para a implantação dos cabos eléctricos não se observaram quaisquer vestígios ou estruturas arqueológicas, contudo, na muralha do burgo velho foram detectados diversos elementos, (…), tais como: Uma porta românica entaipada na muralha e sobreposta parcialmente por uma torre semi-circular. Na mesma área uma estrutura cerzida à muralha que parece corresponder ao arranque de um arco. Na Porta Norte das denominadas Portas do Norte, na padieira do postigo observou -se, em bom estado de conservação uma cruz de tipologia templária, alguns círculos concêntricos e outros elementos decorativos. Visualizámos um grafito/inscrição do Século XIV, na argamassa da muralha que se julgava perdida. Nesta zona observou-se anda uma escadaria monumental sobreposta pela muralha mandada construir por D. Afonso IV que daria acesso aos antigos Paços de S. Simão (vide ficha de sitio).” Foi feito, no âmbito deste trabalho um levantamento dos elementos dissonantes (contemporâneos) que se podem ver incorporados na muralha do sistema defensivo, sendo enumeradas problemáticas diversas que importa discutir, nomeadamente: “a existência de estruturas que fazem parte intrínseca do sistema defensivo, como uma torre da Barbacã que flanquearia um dos lados da escadaria de acesso ao Paço de S. Simão em terreno privado, vedado com portas e, por conseguinte, de acesso reservado. Neste âmbito também se inserem as escadas de acesso ao Paço e o grafito/inscrição do Século XIV que, embora se encontre inserido na muralha, também se encontra na área de acesso reservado; A base da Barbacã nas áreas onde assenta em terrenos particulares sujeitos à prática agrícola, nalgumas zonas já se encontra acima do nível do solo ameaçando ruína com consequências imprevisíveis; Na muralha e no perímetro em análise são visíveis diversos elementos dissonantes, dos quais o arqueólogo destaca: “Condutas de saneamento de grande diâmetro que nalguns casos furaram a muralha e a ela se encostam; Diversos tubos de águas pluviais/saneamento presos à muralha; - Cabos de electricidade à vista na muralha sendo de destaca um cabo visível na muralha do lado esquerdo da porta de entrada (Porta da Albacara).” De notar ainda que nas conclusões se relata que: “No perímetro visualizado a vegetação desenvolve-se de uma forma descontrolada na muralha, na plataforma, na Barbacã e na encosta. Esta vegetação é composta por plantas herbáceas, arbustos de médio e grande porte e árvores de diversas espécies. O enraizamento destas espécies junto da Barbacã tem conduzido ao longo do tempo à abertura de fendas e posterior desmoronamento.” Salienta-se ainda que: “Todo o perímetro das estruturas do sistema defensivo onde realizámos o acompanhamento se encontrava repleto lixo de contemporâneo, que nalguns locais chega a atingir mais de um metro de altura. Estes detritos são provenientes do interior e foram despejados da muralha para a plataforma (espaço entre a Barbacã e a muralha)” (vide Conclusão). As realidades descritas, parecem-nos dever ser objecto de uma discussão com vista à sua resolução e/ou minimização, dado que no oficio da DRCC estas questões são frisadas e a CML é alertada para as mesmas. Vânia Carvalho Técnica Superior
