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O mês de Abril de 1930 estava a terminar. Na serra da Adiça, António Pina era um dos vinte trabalhadores que procediam a trabalhos de desmatação na herdade do Álamo, quando de repente ao arrancar mais uma moita, na frecha de uma rocha, depara com um conjunto de cinco objetos em ouro. O acontecimento é comunicado pelo Regedor da Freguesia do Sobral da Adiça ao Administrador do Concelho de Moura a 4 de maio, dando conta que António Pina, homem pobre daquela freguesia queria entregar as quatro jóias que tinha em seu poder e ver com o Administrador qual o melhor destino a dar às mesmas. Haveria ainda uma outra jóia, a qual se encontrava em poder do proprietário da Herdade do Álamo, Sr. Jacinto Navas Romero. O Administrador do Concelho de imediato manda o Sr. Jacinto Navas, de nacionalidade espanhola, entregar-lhe o objeto de que se apoderara, juntando assim sob a sua posse as cinco peças que constituíam aquele que ficaria conhecido para sempre como o Tesouro do Álamo. A 18 de maio, o Jornal de Moura dava destaque ao achado do Álamo e realçava a curiosidade que o mesmo estava a despertar na população em geral: “ Durante os dias e parte das noites que esses objetos estiveram expostos na montra do estabelecimento comercial do Sr. José Joaquim Barão, foi uma verdadeira romaria de pessoas a visitá-los, numa curiosidade afinal justificada” Satisfeita a curiosidade havia então que avaliar o tesouro e dar-lhe um destino. Através do Governador Civil foi oficiada a Associação de Arqueólogos Portugueses, que em junho de 1930 procedeu à avaliação das peças em Lisboa, regressando posteriormente as mesmas à posse do Administrador do Concelho de Moura. Inicia-se então um longo processo de contactos e negociações, em que foram intervenientes principais Ximenes de Negreiros, Administrador do Concelho de Moura, e o Dr. Manuel Heleno, diretor do Museu Etnológico Dr. Leite de Vasconcelos (actual Museu Nacional de Arqueologia). Em Agosto de 1930, Villanova de Vasconcelos, representante da Associação de Arqueólogos Portugueses escreve a Ximenes de Negreiros, de quem era amigo, para saber quando iria aquele a Lisboa, de forma a encontrar-se com o Dr. Manuel Heleno, para tratarem da compra das jóias para o Museu Leite Vasconcelos. Propõe-lhe um valor de 20000 escudos e um louvor no Diário da República. O arrastar do processo, a falta de resposta à proposta de aquisição e o receio que as jóias saíssem para Espanha, levou mesmo Manuel Heleno ao desespero, de tal forma que a 22 de janeiro de 1931 pede ao Administrador do Concelho, que este se digne obter dos proprietários das jóias uma resposta clara e insofismável sobre se desejavam ou não vender as ditas jóias por 20000 escudos. Finalmente, a 26 de março de 1931, após mais uma troca de correspondência, que envolveu os vários intervenientes no processo, mais o Chefe de Gabinete do Ministro do Interior, as jóias foram entregues ao Dr. Manuel Heleno, que as depositou no Museu Etnológico Leite de Vasconcellos. O Tesouro do Álamo, datado do bronze final, permanece no Museu Nacional de Arqueologia, fazendo parte do acervo da Coleção de Ourivesaria Arcaica daquele museu e o documento a dar conta da sua descoberta, que colocamos agora em destaque, encontra-se no Arquivo Municipal de Moura, integrando o Fundo da Administração do Concelho de Moura. Âmbito e conteúdo elaborado por Octávio Patrício (CMMRA), com recurso às seguintes fontes e bibliografia: - Arquivo Municipal de Moura, Administração do Concelho de Moura, Correspondência Recebida Geral, Ui0050 e Ui0051, cx022 - Arquivo Municipal de Moura, Administração do Concelho de Moura, Copiadores de Correspondência Expedida, Ui0005 e Ui0006, cx003 e cx004.