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CORDEIRO, Ilídio. Filho de Ricardo Esteves Cordeiro e de Felismina Gonçalves, moradores no lugar de Paranhão. Neto paterno de João Esteves Cordeiro e de Rosa Lourenço; neto materno de José Gonçalves e de Rosa Maria Exposta. Nasceu em Penso a 28/9/1910 e foi batizado na igreja a 9 de Outubro desse dito ano. Padrinhos: Marcelino Ilídio Pereira e sua esposa, Rosa da Assumpção Rodrigues Vilarinho Pereira, proprietários. // Padeiro. // Casou na CRCM a 1/5/1940 com Fernanda de Sousa Araújo, solteira, doméstica, natural de Paderne. // Nos anos cinquenta era sócio, ou colaborador, de Manuel Lourenço, mais conhecido por “Manel da Garage”. O seu nome surge-nos no livro do Dr. José Joaquim Abreu, com o título “Vil perseguição a um advogado por um delegado do Ministério Público”, na página 65, devido a um processo que decorria no tribunal de Melgaço, no ano de 1952, relacionado com uma letra, cuja assinatura era considerada falsa. A tal letra teria sido passada a António Gonçalves “Ferreirinho”, serralheiro e comerciante na vila de Melgaço, e a sua esposa, Julieta de Melo, por um indíviduo que entretanto morrera, de seu nome Aurélio Rodrigues. Este Ilídio era «comerciante, da freguesia de Penso, da mesma comarca, que na ocasião se encontrava na Vila, indivíduo que tratava de negócios da viúva do falado Aurélio, e era curador dos menores filhos deste .» Foi a ele que o casal reivindicou o pagamento do montante da letra: 34.500$00. Como a assinatura era falsa, o caso foi para tribunal. O advogado do “Ferreirinho” era o Dr. José Joaquim de Abreu, que nessa altura estava zangado com o delegado do Procurador da República. Lê-se no referido livro, página 65: «O Ilídio Cordeiro foi ouvido quinze vezes: ora aparece como denunciante, ora como testemunha, ora como declarante. Tudo estranho! Tudo ilegal! Este homem atira-se a mim como gato a bofes, até ao fim de Julho» (1952). A palavra denunciante, que aparece no texto, quanto a mim tem a ver com o seguinte: a referida letra, segundo Ilídio Cordeiro, fora forjada pelo senhor António Gonçalves e esposa, Julieta Melo, com base em compras fictícias, para apanhar aquele dinheiro ao senhor que falecera recentemente. // A fim de fazer as pazes com o dito advogado, escreve-lhe a seguinte carta: «Penso, 20/8/1952. Ex.mo Sr. Dr. José Joaquim de Abreu. Venho comunicar-lhe, com o maior prazer, que tenho a maior estima e consideração por V. Ex.ª, nada tendo pronunciado no meu depoimento contra a honorabilidade de V. Ex.ª, que me merece o maior respeito. Algumas palavras que pronunciei foram contra o seu feitio temperamental e em virtude das injustas palavras que V. Ex.ª pronunciou contra mim, as quais já esqueci. Desejo-lhe todas as felicidades e até lhe posso dizer que quando o Dr. Delegado de Melgaço me disse que eu poderia a V. Ex.ª processar, respondi-lhe que não desejava fazê-lo. De V. Ex.ª, atento e obrigado. Ilídio Cordeiro.» A seguir o Dr. Abreu aprecia o caráter de Ilídio Cordeiro: «Findas as férias e chamado mais vezes ao processo, confirma todos os insultos contra a minha honra e acrescenta mais. Quer dizer: o Ilídio tem duas opiniões acerca de mim: uma, ao ser ouvido pelo senhor Delegado; a contrária, quando longe dele… Como isto é estranho! Estranho, concludente, monstruoso! . Nota: o Dr. Abreu fora, no início da sua carreira, advogado de defesa, em processo de polícia correcional, de seu pai e de duas irmãs. // Ilídio Cordeiro morreu na freguesia de Alcântara, Lisboa, a 1/4/1971.