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SOLHEIRO, Hermenegildo José. Filho de Hermenegildo Solheiro e de Adelaide Joaquina Alves. Neto paterno de António Bernardo Solheiro e de Maria Joaquina Ribeiro; neto materno de Domingos José Alves, ferreiro, e de Maria Caetana Gaioso, moradores na Calçada. Nasceu na Vila a 19/4/1868 e foi batizado a 26 desse mês e ano. Padrinhos: Manuel José Esteves “Melgaço”, casado, do lugar de Eiró, Rouças, e tocou por madrinha José Manuel Nunes de Almeida, solteiro, morador na Vila. // Aos catorze anos de idade (1882) embarcou para o Brasil, para junto de seu pai, negociante nessa parte do planeta. Nunca esqueceu Melgaço. Logo que podia visitava a sua terra natal. A 22/4/1900 cá estava ele. Regressou ao Brasil, mas em 1907 voltava, em companhia de Artur Pires Teixeira. Numa dessas visitas conheceu a sua futura esposa. // Morava em Prado, era solteiro, proprietário, quando casou na igreja de SMP a 17/9/1906 com Maria Leonor, de vinte e dois anos de idade, nascida em Miragaia, Porto, a 17/9/1884, filha de Manuel José da Mota, industrial portuense, e de Maria das Dores Gonçalves, neta materna de Manuel Caetano Gonçalves e de Marcelina da Glória da Rocha, e irmã de Julieta La Salete da Mota, casada com o Dr. Henrique Pinto Albuquerque Stockler. // A 9/6/1912, juntamente com seu cunhado, António Francisco de Oliveira, e outros, fundou o jornal «Correio de Melgaço», que termina no número 251, de 27/5/1917, e do qual foi proprietário e diretor. // Em 1913, aquando do recenseamento eleitoral, foi excluído, não podendo votar, devido a uma reclamação feita por António Evangelista Pereira. O visado recorreu para o tribunal superior, o qual considerou ter havido lapso, considerando-o apto a votar . Logo a seguir encabeça a lista de candidatos à Câmara. // A 6/2/1914 embarca no vapor Hilary com destino a Pará. // Nesse ano de 1914 foi eleito, por grande maioria dos votos, para o Conselho Fiscal da Companhia de Seguros Lloyd Paraense. // Em 1915 pertencia ao Conselho Fiscal da firma B. Antunes & C.ª - Companhia Aviadora da Amazónia. // Chegou a Lisboa, vindo de Pará, a 30/4/1916. // Entre os anos de 1915 e 1919 mandou erguer, nos Esparizes, Galvão, uma linda vivenda, mais tarde conhecida por “Vila Solheiro”, que ainda no século XXI se pode admirar. // Deu um salto a Portugal em Abril de 1916; chegou à Barronda, Prado, a 20/5/1916, sábado; de Lisboa vinha acompanhado pela mãe, pela esposa, e filhos – Marieta e Hermenegildo. Parte novamente para Belém de Pará a 17 de Julho desse ano; chega ao Brasil com a esposa e filhos a 3/8/1916. Logo a seguir toma conta da gerência do “Lloyd Paraense”; e por impedimento de António Alves da Silva é ele nomeado diretor do Banco de Crédito Popular. // Em 1922 estava em Melgaço, pois nesse ano, a 20 de Janeiro, foi padrinho de Maria de Lurdes Silva, nascida em Galvão de Baixo a 12/10/1921. // A 21/2/1926, com Ernesto Viriato Ferreira da Silva, Dr. José Joaquim Durães e professor Abel Nogueira Dantas, lançou o semanário político e noticioso «Melgacense». Ferreira da Silva era o diretor, Nogueira Dantas o editor, ele o redator. Durou até 1929 (surgindo nesse ano – 17/2/1929 - o «Notícias de Melgaço» - 2.ª versão). // Foi provedor da SCMM a partir de 1927 (nesse ano fez aprovar os seus estatutos, os quais vigoraram até 1981!) // Foi administrador do concelho e presidente da Comissão Administrativa (equivalente a presidente da Câmara) entre 1926 e 1931. No entanto, surpreendentemente, lê-se «Câmara Municipal. Pediu a demissão de presidente da Comissão Administrativa o senhor Hermenegildo José Solheiro, que no mesmo pedido não foi secundada pelos restantes vogais. Aguarda-se por isso a sua continuação à frente do município, ou a posse de uma nova comissão de que há tempos se vem falando.» // Nesse período (1926-1931) construiu-se o Mercado Municipal, o edifício dos Paços do Concelho, repavimentaram-se as Ruas da Calçada e do Rio do Porto, deu-se início à eletrificação da Vila. Tentou concretizar o projeto da construção da Avenida (Alameda Inês Negra) mas a vida não lhe deu mais tempo. Lutou pela vinda do comboio até Melgaço, mas nada conseguiu. // «Tem estado em Lisboa a tratar de assuntos de grande interesse para este concelho, como seria a realização do empréstimo para as grandes obras projetadas nesta Vila, e outros melhoramentos, o senhor HJS, ilustre presidente da Comissão Administrativa do Município e administrador do concelho. Foi presidente da Comissão Administrativa da CMM, de 1926 (após a queda da I República) até à sua morte, em Agosto de 1931. /// Fez muito, comparando com o que outros antes dele fizeram, e sem dinheiro nos cofres da Câmara. A sua viúva finou-se em Galvão, na “Vila Solheiro”, a 20/2/1974, com oitenta e nove anos de idade. // Pai de Armando, de Hermenegildo José, de Manuel, de Carlos, de Marieta, de Clarisse e de Maria Leonor. // A lembrá-lo, há na Vila um Largo e uma Rua com o seu ilustre nome. O seu dinamismo deve ter surpreendido todos os melgacenses da altura. Ele agiu e obrigou outros a agirem em prol do concelho. O dinheiro era escasso, mas ele recorreu à banca (o primeiro presidente da Câmara em Melgaço a fazê-lo, segundo consta), e a obra surgiu. Era um pragmático.