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RODRIGUES, Luís Filipe Gonzaga (Dr.) Filho de Manuel Boaventura Rodrigues (batizado na igreja de São Martinho de Parada, Monção, por volta de 1850) e de Carolina de Jesus da Costa Pinto (batizada na igreja matriz da Vila de Melgaço por volta de 1860), proprietários, moradores na Rua da Calçada, SMP. N.p. de Ana Rodrigues, de São Martinho de Parada, Monção; n.m. de Manuel Ventura da Costa Pinto e de Maria Vitória Gomes de Sousa (defuntos), naturais da Vila de Melgaço. Nasceu a 20/3/1887 e foi batizado a 12 de Setembro desse ano. Padrinhos: Luís Camilo Gomes de Abreu, solteiro, proprietário, e Ana [Joaquina] Vasques, solteira. // Depois de ele nascer o pai emigrou para o Brasil «e só muito raramente visitou a família; as relações de Luís Filipe com o pai foram sempre muito tensas, ao ponto de quase o renegar.» . // Estudou em Viana e em Braga. // Em 1905 foi para Coimbra a fim de frequentar o Curso de Direito «a meio do Curso viu-se obrigado a suspender os estudos, porque um desentendimento entre a mãe e o pai fez com que este, num gesto de vingança, suspendesse a pensão que periodicamente mandava do Brasil. Então, um comerciante de Viana, de nome Sousa, soube do caso e propôs-se, de livre vontade, custear o Curso de Luiz Filipe.» // Em 1908 constava que tinha obtido a classificação de distinto, 16 valores, na 7.ª cadeira de Direito. // Com ele estudava Alfredo Cândido Pinto Alves «segundanista de Direito». // Nesse ano de 1908, a um domingo de Setembro, dissertou na Vila, na Associação de Socorros Mútuos do Centro Artístico Melgacense, sobre mutualismo. // Foi um caricaturista célebre. Começou em Coimbra a desenhar com alguma assiduidade e a publicar em jornais e revistas académicas. Os seus trabalhos caricaturais são de uma graciosidade ilimitada. Foi ainda director da revista “A Farça” (o 1.º número saiu em Dezembro de 1909 e o último a 27/4/1910). Apareceram trabalhos seus no jornal “O Povo”, de Viana, na “Ilustração Portuguesa”, “Limia” e “Folha de Viana”, em “A Águia”, etc. Em Coimbra, devido a influências várias, tornou-se republicano e anti-clerical. Terminou o Curso de Direito em 1911. Regressa às origens, a Melgaço, para casa das tias, em lugar de ir para Lisboa, onde teria outras possibilidades. Abriu escritório de advogado e foi notário em Melgaço . Milita no Partido Democrático. // No concurso para notário, realizado no Ministério da Justiça, obteve a mais alta classificação: 3 MB e 2 B; nessa altura era notário interino em Monção. // No ano de 1913 foi administrador do concelho de Viana; tomou posse a 1 de Maio, mas só aguentou esse cargo até 1914, pois nesse ano de 1914 volta para Monção como notário . // Em 1916 participou, a pedido dos seus amigos, Manuel Couto Viana e António Lima, no II Salão dos Modernistas do Porto. Foi um êxito. Levaram essas obras para Madrid, a fim de serem expostas, mas jamais regressaram! // Em 1918 foi mobilizado para ir combater em França, ficando aquartelado no Porto a aguardar a partida. Como era anti-sidonista, foi preso. «pela última ordem do exército foi promovido do posto de aspirante a oficial miliciano e colocado em artilharia 6, no Porto, o Dr. Luiz Filipe, distinto advogado e notário da vizinha Vila de Monção.» // Em Dezembro de 1920 casa com Maria José Malheiro de Távora de Abreu e Lima, filha mais nova dos viscondes da Carreira, a qual vivia em Viana com sua mãe viúva. Conheceram-se em Monção, onde ela tinha alguns bens. A Casa das Rodas, sita em Monção, era da irmã dela, Maria Augusta. // Em 1924 nasce a sua única filha, Maria Luísa, que veio a casar com o Dr. Manuel Rosado Oliveira Fonseca Coutinho, a qual faleceu em Viana em Junho de 1961, deixando três filhas: Maria José, Maria Teresa, e Maria de Fátima. // A 2/1/1926 foi padrinho de Maria Soares, nascida na Vila de Melgaço a 14/3/1925. // Em Monção foi vereador da Câmara Municipal. «Por alvará do Governador Civil deste distrito, Dr. Artur de Barros Lima, foi nomeada uma nova comissão para administrar o município monçanense, composta pelo Dr. Álvaro Pereira Pimenta de Castro, Dr. Luís Filipe Gonzaga Pinto Rodrigues, tenente da Guarda-Fiscal João Barroso Lopes, Inocêncio Álvaro, e Delfim Alves Barão.» // Devido à não existência de Liceu em Monção, muda-se com a família (mulher e filha) para Viana do Castelo. // A 8/12/1934 esteve em Melgaço a fazer propaganda do Estado Novo – era delegado do Governador Civil de Viana; era secretariado pelo Dr. Francisco Cirne de Castro, presidente da Comissão Distrital da União Nacional, e presidentes das Câmaras de Monção e de Melgaço . // Em 1935 fez os desenhos dos azulejos que se encontram colocados na gare da estação dos caminhos-de-ferro de Viana . // Em 1938 encerrou o seu cartório de Monção. // Aposentou-se em 1947, pois estava doente. // Morreu em Santa Maria Maior, Viana, a 10/8/1949. // Nota 1: uma sua irmã, de nome Ana Isabel, casou em Viana a 30/10/1913 com o Dr. Artur Ribeiro de Araújo Faria, natural de Vizela, advogado em Guimarães. // Nota 2: em Fevereiro de 1999, em Melgaço, na Casa da Cultura, foram expostos alguns dos seus inúmeros desenhos, e apresentado um catálogo dos mesmos, publicado no ano anterior.