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PINTO, Abílio César. Filho de Diogo Manuel Pinto, natural de Chaviães, sacristão da SCMM, e de Mariana de Jesus Vasques, boticaneira, da Vila. N.p. de Maria Rosa Loureira, de Chaviães; n.m. de João Manuel Vasques, ferrador, e de Maria Vicenta Gomes. Nasceu na Vila a 11/9/1862 e foi batizado na igreja de SMP a 18 desse mês e ano. Padrinhos: frei António de Santa Isabel Monteiro, de Cavaleiros, Rouças, e Constança Júlia de Melo e Silva. // Casou na igreja de Prado a 10/8/1877 com Joana Rosa de Araújo, de 22 anos de idade, solteira, natural de Prado. // Foi soldado da Guarda-Fiscal, e também chegou a ser sacristão da igreja matriz; com base na Lei da Separação da Igreja e do Estado, requereu o subsídio que a mesma lhe conferia, por ser sacristão. // Morreu na Vila a 26/10/1918. // A sua viúva finou-se em Galvão a 3/9/1947, com 81 anos de idade. // Com geração. // O “Mário de Prado”, conta-nos um episódio que se deu com ele, Abílio, e seu pai Diogo: «… Foi há coisa de trinta e tal anos. Desempenhava as funções de sacristão na igreja da SCMM o falecido Abílio Pinto, homem temente a Deus e apreciador do sumo da uva, como bom melgacense que era. Estava-se na quaresma e realizavam-se naquela igreja os tradicionais sermões quaresmais. O Abílio Pinto e o seu inseparável amigo Diogo eram os encarregados de descerrar as cortinas do altar-mor. Ora certa tarde – fazia um calor de primavera precoce, é justo que se diga – aconteceu que os nossos homens, torturados por uma destas sedes que até causam comichões nas solas dos pés, resolveram dar uma saltada à taberna da Angelina. Porém, antes de fazê-lo, chamaram dois gandulos, a fim de os substituir na sua função. Entre outras coisas, o Abílio recomendou aos [rapazes] que quando o senhor abade lá do púlpito mandasse abrir as cortinas que não se atrapalhassem e puxassem com força os cordeis, etc. e tal. – Está bem, tio Abílio. Vá descansado, que a gente há-de dar conta do recado. E deram... Querem os leitores ver? Momentos depois, o sermão estava no fim. O pregador volta-se, então, para a capela-mor e com toda a sua eloquência clama: - Rasguem-se essas cortinas! Mostrai-vos Senhor, mostrai-vos! // As cortinas não tugiam nem mugiam, pelo que o orador insiste novamente: - Rasguem-se essas cortinas! Mostrai-vos Senhor, mostrai-vos… // Foi então que um dos gandulos, o mais espigadote, fleumaticamente, deita a cabeça de fora, e com o ar mais inocente, responde: - Espere aí um bocadinho, senhor padre, que o tio Abílio, mais o Diogo, foram ali arriba à Angelina beber um quartilho. // O local e o momento exigiam o máximo respeito, porém não faltou quem fungasse em surdina e fizesse o seguinte comentário: - É o resultado de quem se deita com rapazes…»