Scope and content
PASSOS, Aníbal Bernardo (Padre). Filho do Dr. Francisco Luís Rodrigues Passos, médico-cirúrgico, natural de Paços, e de Ludovina Rosa Monteiro de Vasconcelos Mourão, natural de Viana do Castelo, moradores na Vila de Melgaço. Neto paterno de Bento Isidoro Rodrigues e de Rosa Maria Salgado, de Paços; neto materno de Vitorino Monteiro Vasconcelos Mourão, de Vila Real, e de Albina Clara de Abreu Cunha Araújo, de Melgaço. Nasceu na Rua da Calçada, Vila, às sete horas da manhã de 23/12/1866 e foi batizado a 14/1/1867. Padrinhos: a sua avó materna e o padre Bernardo António Rodrigues Passos, seu tio paterno, pároco colado da freguesia de Arnoso, Famalicão, representado por seu procurador, Gaspar Eduardo Lopes da Fonseca, contador do Juízo de Direito. // Ordenou-se em 1890, ficando adido à corte do bispo de Meliapor como secretário particular até 1892, ano em que cantou missa nova. // Foi redator de “O Melgacense”, propriedade de José Cândido Gomes de Abreu; de “O Século”; e de “A Pátria”. // Colaborou nos jornais: “Jornal de Notícias”; “Jornal de Viagens”; “Zé-Povinho”; “Revistas das Escolas”, etc. // Como escritor sobressai a sua “Tragédia de Lisboa – A Política Portuguesa”, obra com 322 páginas, escrita logo após o regicídio de 1/2/1908. Cada brochura custava 600 réis (se fosse pelo correio 630 réis); encadernado, em capas especiais, vendia-se a 800 réis (pelo correio 850 réis). // Era também um distinto orador sagrado, sendo notável o sermão “A Cruz”, por ele composto e pregado em Matosinhos a 7/5/1899. // Reconhecendo o seu mérito, nomearam-no sócio ordinário da Sociedade de Geografia de Lisboa. // Em 1915 era diretor do Colégio da Beira Mar, em Leça de Palmeira, Matosinhos. // No governo de Sidónio Pais foi chefe de gabinete ministerial do Dr. Alfredo de Magalhães. // Parece que foi professor na Universidade de Lisboa. // Faleceu no Campo Grande, Lisboa, a 8/1/1934; os seus restos mortais jazem no cemitério do Lumiar . // Nota: o padre Aníbal Bernardo teve, já sacerdote, uma aventura amorosa com uma jovem, talvez Afra de Castro Louzada, solteira, nascida na freguesia do Bomfim, Porto, por volta de 1873, surgindo dessa paixão um menino, a quem deram o nome de António Aníbal (Toi), o qual usou o apelido Rodrigues Passos; o moço estudou engenharia, concluindo o Curso. O Eng.º António Aníbal Rodrigues Passos (Toi) finou-se em Luanda, Angola, em 1975 (salvo erro), com cerca de 70 anos de idade. Fora criado por uma irmã do progenitor, talvez a Ludovina Augusta. Era anti-salazarista, tendo sido perseguido pelo regime corporativista. Trabalhou em Goa, Moçambique, em São Tomé e Príncipe, e finalmente em Angola, onde morreu solteiro. Era amante da leitura, deixando por sua morte uma riquíssima biblioteca. // (Estas valiosas informações foram-me fornecidas por João Carlos Magno de Castro, nascido na Vila de Melgaço em 1945, da Casa de Galvão, que conviveu com o dito engenheiro em Angola).