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MELO, Ilídio Cândido. Filho de Francisco Maria de Melo, sapateiro (*), e de Teresa Joaquina Alves, doméstica. N.p. de Ana Joaquina Gonçalves, solteira; n.m. de Francisco António Alves, de SMP, e de Joana Antónia Sarmento, de Santa Cristina, bispado de Tui. Nasceu no Bairro do Carvalho a 22/4/1866, e foi batizado a 26 desse mês e ano. Padrinhos: Ilídio Cândido de Sousa, solteiro, da Rua da Calçada, e Vitória Florinda Lourenço, casada, de intramuros. // Lavrador e jornaleiro. // Casou a 12/11/1892 com Hermínia Cândida, de 26 anos de idade, solteira, camponesa, filha de Joaquim Gonçalves, carpinteiro, de Mazedo, Monção, e de Maria Miquelina Fernandes, lavradeira, de Melgaço, residentes na Vila. // O casamento não durou muito tempo, pois essa senhora faleceu a 26/2/1893, em consequência do parto. // Matrimoniou-se em segundas núpcias, a 19/9/1897, com Olímpia dos Anjos (1869-1955), de 24 anos de idade, nascida (!) e batizada em SMP, moradora em Carvalho de Lobo, Rouças, viúva de Germano de Araújo, e filha de José Manuel Rodrigues e de Emília Marinho, ambos da Vila. Testemunhas: José Dias, proprietário, e Belchior Herculano da Rocha, criado de servir, moradores na Vila. // Diz-nos que ele negociava em farinhas (**); a notícia aparece por causa de uma multa de 2$00 que lhe foi aplicada, por ter transgredido a lei de subsistências, deduzindo-se daí que o seu negócio era ilícito. Fala novamente nele: «Foi enviado (para juízo) Ilídio de Melo, vulgo o Cuco, porque transgrediu a lei da caça, usando furão, o que é punível com 20$00 de multa…» (Um cantoneiro ganhava por essa altura 6$00/mês). // Em 1918 o casal teve mais sarilhos com a justiça, porque o administrador do concelho, Custódio Costa Brito, lhes apreendeu milho, farinha e sacos, metendo na cadeia Olímpia dos Anjos. Ele, Ilídio Cândido, teve que recorrer a um advogado, Dr. António Francisco de Sousa Araújo, a fim de libertar a esposa. // Enfim, estava-se no período da I Grande Guerra, escasseavam os bens, e quem os tinha negociava como podia. // Apesar de tantos dissabores, morreu de senilidade, a 30/8/1952, na Rua Direita, Vila. «No passado 30 do mês findo faleceu em sua casa de residência na rua Direita desta vila o senhor Ilídio Cândido de Melo que contava a bonita idade de 86 anos. O seu funeral, que se realizou no dia seguinte, foi muito concorrido, pois o extinto era geralmente estimado no nosso meio. Paz à sua alma e os nossos sentidos pêsames à família enlutada.» // Com geração: Laura Cândida do 1.º casamento e vários do segundo matrimónio. /// (*) Mais tarde aparece como moleiro. /// (**) É possível que nessa data tivesse um moinho.