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MAGALHÃES, Duarte Augusto. Filho de Joaquim Maria de Magalhães e de Marcelina Rosa da Rocha e Sá, moradores na Vila. Neto paterno de Jerónimo Luís Gomes de Abreu Magalhães e de Rosa Caetana Soares Calheiros, proprietários em Melgaço; neto materno de Aires de Sá e de Maria Rosa Rodrigues, proprietários em Ceivães, freguesia do extinto concelho de Valadares. Nasceu a 1/7/1867 e foi batizado na igreja de SMP a 8 desse mês e ano. Padrinhos: o seu avô paterno e Delfina Augusta de Melo e Chaves, viúva, da Vila de Valença do Minho. // Militou no Partido Regenerador. // Tinha 26 anos de idade, era solteiro, empregado na Conservatória da Vila de Melgaço, morava em São Julião, Vila, cujo Solar herdara, quando casou na igreja de SMP, a 29/5/1894, com Sérgia Elvira, de 19 anos de idade, nascida na Casa da Fraga, Alveios, a 24/6/1874 (*), residente no lugar da Serra, Prado, filha de Luís Anguiano Rodrigues, proprietário, de Alveios, e de Rita Generosa Gomes Pinheiro de Sousa Gama, proprietária, de Prado. Testemunhas: José Cândido Gomes de Abreu e Aurélio Augusto Vaz, casado. // Em 1908 era secretário da Administração do concelho. // Em 1910 foi nomeado secretário da Câmara Municipal de Melgaço, e Chefe da Secretaria, cargo que ocupou até à sua aposentação. Substituiu Júlio de Lemos, que partira para Viana. // Foi diretor, proprietário, administrador e editor do “Jornal de Melgaço”, por ele fundado a 1/12/1893. // Em 1912 fazia parte da Comissão Municipal do Partido Republicano Evolucionista. // Também esteve ligado à pecuária, pois em 1917 a sua vaca leiteira ganhou o 1.º prémio, no valor de 5$00, no concurso que decorreu na feira do gado, inserida nas feiras francas. // Em 1920 a sua esposa ofereceu um porco, o qual seria vendido em leilão à saída da missa de domingo, constituindo o produto da venda uma ajuda para a festa em honra de Santo António. // Em 1932 reagiu mal a uma notícia inserta , a qual dava a conhecer ao público em geral que o Estado não pagou as viagens aos mancebos que tinham ido a Viana submeter-se à inspeção militar. «A ignorância é muito atrevida. Vem isto a propósito de em uma local inserta no número 165, do NM, se dizer que aos mancebos que foram à Junta de Inspeção a Viana do Castelo ainda não foi pago o subsídio de 6$00 que lhe devia ter sido dado pela sua deslocação apesar de várias vezes solicitado ao funcionário competente, alegando-se que este deita as culpas ao DRR 3 e que o chefe deste disse aos mancebos que esta falta é do presidente e secretário da Comissão de Recenseamento! Só uma requintada má-fé, ou uma grande ignorância, pode dar lugar a uma afirmação tão extravagante. É certo que o decreto 21292 autorizava aquele subsídio, o qual foi requisitado em tempo competente, mas também é certo que nunca foi recebido, como pode provar-se com documentos. // Ora, nestas condições, como queriam os mancebos, e o autor da estapafúrdia local, que se lhes abonasse tal subsídio? Por que em Viana lhes disseram que o deviam receber? Estamos autorizados a declarar que tal afirmação é completamente falsa e teve somente em vista torná-la pública para melhor satisfazerem os seus interesses. Segundo a opinião do chefe do DRR 3 devia-se ter chamado imediatamente à responsabilidade quem produziu afirmações de tal natureza para se apurar o que elas continham de verdade. Nós porém, limita-nos a desmentir o facto, e a aconselhar o autor do escrito a que seja mais cauteloso nas suas afirmações. Que interesse teriam, no DRR 3, em dizer aos mancebos que viessem receber o subsídio de que se trata se ali se sabia perfeitamente que não podia ser abonado? A ignorância é muito atrevida.» // O Secretário da Comissão. Duarte de Magalhães. // «Resposta ao Sr. Duarte de Magalhães, secretário da Comissão de Recenseamento Militar. Acerca do comunicado, com o título acima, devemos dizer ao Sr. Duarte de Magalhães que a prosa que esvurmou no n.º 166 deste semanário parece saída de uma pessoa atacada de bílis e não de um funcionário, que todo lo manda na Câmara – recenseamento militar, recenseamento eleitoral, Misericórdia, etc., isto é um super-homem! O senhor DM, popularmente conhecido por senhor Duarte, nome de um rei que foi cognominado o “eloquente”, e de vários vultos da História, devia ter mandado este semanário para o tribunal, pelas reclamações que a respeito do subsídio aos mancebos foram feitos nos números 159, de 31 de Julho, e 165, de 18 de Setembro, a que faz referência no seu comunicado. A este jornal foi feita queixa por vários mancebos de não terem recebido o subsídio e um nosso colaborador redigiu a primeira notícia. Tempos depois nova queixa, mas desta vez, para receberem, teriam de reclamar, que custando o papel selado 2$50 e 5$00 a quem fizesse o requerimento, se viessem a receber ainda ficavam prejudicados em 1$50, além da perda de tempo. Em redor da queixa [pairavam] certas considerações que nós lhes dissemos que eram descabidas, pois os funcionários eram pessoas de bastante honorabilidade e prometemos nova (…) que teria qualquer resposta. E fizemos a segunda notícia, a qual teve uma resposta nada adequada ao caso. Não nos ocorre o nome de todos os reclamantes, mas aí vão três, que melhor fixamos: Armando Dantas, da Vila; Manuel Almeida, da Carpinteira, São Paio, e o senhor Manuel Alves, de Sorrego, Sante, pai de um dos mancebos. Ora, senhor Duarte: o seu comunicado tem períodos e palavras que parecem que alguém lhe quer tirar quaisquer direitos, e pouco corretas, pois como funcionário devia solicitar providências para os [jovens] receberem o subsídio previsto num decreto e, caso este tivesse sido revogado, declará-lo publicamente, para conhecimento de todos [os interessados] de que não tinham direito ao subsídio. A atenção e urbanidade devem ser o apanágio de todos os funcionários públicos, porque o que reclamavam estava previsto num decreto. Senhor Duarte, faça tratamento ao fígado, para que a bílis lhe não faça perder as suas maneiras atenciosas, obrigando-o a desopilá-lo com a caneta para os “lino tipes”.» // Aposentou-se, por limite de idade, em 1934 . Em Outubro desse ano foi nomeado vogal da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Melgaço. // Depois da Ditadura Militar de 1926, ele, um homem que se dizia defensor da liberdade de expressão, tornou-se adepto do regime corporativo! Por exemplo: em 1936 acolheu na sua Casa da Calçada todos aqueles que se tinham manifestado contra o socialismo e o comunismo, na Câmara Municipal, tendo como pano de fundo a guerra civil de Espanha. Veio gente de Viana, de Monção, etc. // Era então provedor da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço. // Morreu na Calçada, Vila, a 9/7/1951. «No seu lindo solar da Calçada faleceu às primeiras horas do dia 9 do corrente o senhor Duarte Augusto de Magalhães, antigo provedor da SCMM e secretário aposentado da CMM. Não resistiu aos estragos causados pela provecta idade, e inúteis foram os esforços da medicina para lha prolongar. O seu funeral realizou-se no dia seguinte, tendo sido muito concorrido. À passagem do féretro o comércio fechou as suas portas e as bandeiras do hospital da SCMM e da CMM estiveram a meia haste. À sua viúva, Ex.ma Sr.ª D. Sérgia Anguiano de Magalhães, a sua filha e a seu genro, Ex.ma Sr.ª D. Maria Higina de Magalhães e Sr. Dr. Henrique Fernandes Pinto, aos seus netos e à demais família enlutada Notícias de Melgaço apresenta sentidas condolências.» // A sua viúva morreu em Lisboa, a 5/4/1956, mas ambos foram sepultados em jazigo de família no cemitério de Melgaço. /// (*) O Dr. Augusto César Esteves escreveu que ela nascera na Casa da Serra, Prado .