Scope and content
IGREJAS, Emiliano Augusto. Filho de Félix Igrejas, alfaiate, e de Conceição Costas, lavradeira, de Alveios, Tui, moradores na Rua Direita, Vila de Melgaço. Neto materno de José Costas e de Maria Angélica Fernandes, lavradores, de Santa Cristina de Baleixe, Tui, moradores nas Carvalhiças, Melgaço. Nasceu a 3/7/1894 e foi batizado a 8 desse mês e ano. Padrinhos: Joaquim do Carmo Álvares de Barros, solteiro, “brasileiro”, e Ana Benedita Pires, solteira, lavradora, ambos da Vila. // Depois da instrução primária, aprendeu a arte de alfaiate. // A 17/2/1913, acusado de ofensas corporais, sentou-se no banco dos réus, tendo sido condenado em oito dias de prisão e três dias de multa, a 100 réis por dia. // Ainda nesse ano de 1913 teve outro problema: ele, mais o Abel Rodrigues Martins, e José da Costa, todos moradores na Vila, foram presos para averiguações «em virtude de queixa – feita contra eles - de tentativa de conspiração; a autoridade administrativa requisitou um agente policial para ajudar no caso; veio, de Viana do Castelo, Rodrigo Augusto dos Santos, chefe da polícia naquela cidade; depois de dois dias de inquérito foram postos em liberdade, sem nada se provar contra eles». // No ano de 1913, a 24 de Setembro, pelas 15 horas e 30 minutos, foi espancado na Praça da República por João António Teixeira, soldado de cavalaria, da secção da Guarda-Fiscal de Melgaço; o agressor, vestido à paisana e de cacete em punho, descarregou sobre o Emiliano diversas pancadas, e mais lhe teria dado se ele não se tivesse refugiado na casa do regedor, Francisco José Ribeiro. O caso foi entregue às autoridades. // Casou na CRCM a 11/4/1914 com Ana da Graça, de 17 (ou 18) anos de idade, de Paranhos, Porto, filha de João António Teixeira e de Jesuína Maria Faria (tia Miquinhas), da freguesia de Santa Eulália de Negreiros, Barcelos. Testemunhas: António Luís Fernandes, solteiro, negociante, e Cândida Álvares de Barros, solteira, proprietária. // Tiveram uma filha, Alzenda, nascida em 1914, mas morreu bebé, com dois meses e catorze dias. Por isso, criaram o afilhado, e sobrinho-neto, Emiliano, filho de António de Sousa e de Lídia Fernandes. Deram mais tarde esse nome, Alzenda, a uma afilhada, filha de Domingos da Rocha e Maria da Glória Gomes. Também foi compadre do eletricista galego Martinez. // Aí por 1924 reconstruiu, junto à Alameda Inês Negra, a casa que comprara, onde o casal residiu toda a vida. Essa moradia fora de Maria Teresa Lourenço, viúva do serralheiro João António Alves. // Nesse ano de 1924 pôs um anúncio ultra moderno: «AO MODELO AMERICANO – Nova Alfaiataria de Emiliano Augusto Igrejas – Nesta oficina executa-se todos os trabalhos de alfaiataria, desde o fato mais simples e económico ao mais chic e luxuoso. Esta oficina encontra-se instalada na casa aonde vai ser montado o “Cinema Ideal” de Pires & Irmão.» // Foi alfaiate, recebedor de impostos (*), passava filmes antigos numa garagem em parceria com Manuel Pires. Teve também uma camioneta de carga (em sociedade, salvo erro) e depois comprou um táxi, que explorou até à sua aposentação. Acumulava tudo isso com a sua atividade de pescador; arrendara a pesqueira “Galgas” que todo o ano lhe dava peixe – chegava a pescar salmões de grande porte, que vendia por bom preço. // «… no dia 6 do corrente, seriam 15 horas, na estrada nacional e no sítio de Martingo, (…) chocou-se o automóvel de Manuel Luís Pires, 2.º (…) dos Caminhos-de-Ferro do Ultramar, que se encontrava a águas na estância do Peso, com o automóvel do senhor Emiliano Igrejas, resultando ficar aquele senhor Manuel Pires, a esposa e um filho bastante feridos. Imediatamente foram conduzidos a esta Vila no automóvel do senhor Adriano (de Freitas?), que casualmente ali passava e foram pensados pelo nosso amigo e hábil médico, Dr. António Cândido Esteves. O carro do senhor Manuel Pires ficou muito danificado. Averiguadas as causas do desastre, apuramos que o senhor Manuel Pires, indo desta [Vila] para o Peso, ao chegar ao local, que é uma curva apertada, como receasse fazer a curva, seguiu fora de mão. Eis que lhe surge o carro do senhor Emiliano; e não obstante ter travões, não evitou o desastre.» // Ambos faleceram na Vila: a companheira a 27/3/1968, com 72 anos de idade, e ele a 23/12/1969 (ou 1985?). // (*) Em sessão de 28/6/1933 a Comissão Administrativa da CMM adjudicou-lhe os impostos indiretos municipais para 1933-1934 pela importância de 71.020$00; os impostos indiretos foram-lhe também adjudicados a 20/6/1934 por 50.210$00. Em sessão de 20/6/1935 também lhe foram adjudicados os impostos indiretos camarários (40.750$00), as taxas sobre vendedores ambulantes (3.050$00) e as taxas pelos lugares ocupados nos mercados e feiras (1.450$00). // Em sessão da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Melgaço de 5/12/1935 foi-lhe adjudicada a cobrança dos rendimentos municipais, referentes ao ano económico de 1936. Impostos indiretos: 92.400$00. Taxas por ocupação de lugares nos mercados e feiras: 3.750$00. Taxas sobre vendedores ambulantes: 5.920$00.