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GONÇALVES, Hilário. Filho de Adriano Alves Gonçalves (do lugar de Pinheiros, proprietário e negociante, o qual morreu a 11/5/1932), e de Maria Pires, monçanenses. Nasceu em Monção a 18 ou 22/12/1898. // Veio para Melgaço ainda rapaz, como caixeiro da loja de Cândido Augusto Esteves, sita em Prado. Na igreja dessa freguesia do concelho de Melgaço, a 4/8/1920, casa com a sobrinha do patrão, Ofélia de La Salete, filha de João Batista dos Reis e de Laureana Joaquina Esteves. // Estabeleceu-se por conta própria, a 26/5/1927, na Praça da República, Vila, no prédio onde antes estivera a “Pérola do Minho”, ou a “Casa do Povo”, de Armindo de Lourdes Lourenço, que fora à falência, dando à sua loja o nome bíblico “A Samaritana” (*). O referido prédio foi por ele adquirido, reconstruindo-o em 1947, e nele passou a existir o moderno “Café Chave d’Ouro”, cujo empregado, Hilário Reis, era sobrinho da sua esposa Ofélia; a “Samaritana” foi mudada para o prédio sito no gaveto fronteiro. // Não satisfeito ainda, comprou um edifício velho, transforma-o, e ali nasce o famoso “Cine Pelicano”, inaugurado a 11/4/1948, embora desde 1935 se realizassem ali espetáculos. (**) Acerca desse edifício: Politicamente foi muito chegado ao corporativismo salazarista, cuja ideologia transmitiu aos seus familiares mais próximos, exercendo o cargo de vereador da Câmara Municipal de Melgaço durante anos. // Dele pode dizer-se: «chegou, viu, e venceu.» O Armindo de Lourdes, acima citado, melgacense, teve de sair de Melgaço para ganhar a vida; o Hilário, monçanense, criou aqui um mini império. É certo que era um homem dinâmico e empreendedor, poupado, simpático, com ideias e vontade de as pôr em prática; no entanto, não custa a crer que foi ajudado e estimulado pelos governantes locais, escancarando-lhe as portas da política local, respeitando-o como a um verdadeiro senhor, acrescentado-lhe prestígio, honra, e nobre distinção, enquanto a muitos conterrâneos só souberam humilhar e destruir! // Tinha gestos bonitos, tais como deixar entrar por meia dúzia de moedas os miúdos para verem um filme; claro que era só quando havia lugares vagos, mas mesmo assim... // Como comerciante nunca o acusaram de actos menos corretos – morreu com fama de homem honesto. // Graças a ele, muitos melgacenses viram filmes e peças de teatro (sobretudo as produzidas por Vasco de Almeida) que de outro modo jamais teriam essa oportunidade de vê-las. E no carnaval havia bailes grandiosos, com uma orquestra da terra, alegrando toda a gente. // Morreu a 5/1/1985. // Com geração. // . /// (*) O professor Ribeiro da Silva dedicou à citada loja uma gazetilha. /// (**) Acerca do Cine-Pelicano lê-se, pela pena do padre Carlos Nuno Vaz, referindo-se a uma conversa que manteve com João Hilário Gonçalves, de 84 anos de idade: «Falou-me ainda de que o mesmo tinha acontecido com a aprovação do cinema, anos antes, a pedido de seu pai ao padre Carlos. Alguém em Lisboa dizia que o cinema não podia ser para um “comunista”, como falsamente tinha insinuado alguém de Melgaço para desacreditar o Sr. Hilário. Desfeito o equívoco, também o cinema foi concessionado ao pai do João do Hilário.»