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Visconde de Torrebella, [1768-1821], pede ao marquês de Aguiar que interceda junto da Real Fazenda da Madeira para que o autor não seja obrigado a reembolsar os ordenados relativos aos anos de 1807 e 1808, que recebeu por ordem do Ofício de Dezembro de 1808, expedido pelo conde de Linhares, na altura Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Esboço do plano para melhoramento da Real Fábrica de São João do Ipanema.
O autor acusa a receção dos recados transmitidos por Luís afonso Barradas. Manifesta a sua preocupação pelo estado de saúde do destinatário e aconselha-o a passar algum temo em São Paulo, tendo já escrito a este respeito ao Conselheiro José Egídio. Remete por Santos o modelo da máquina de serrar madeira e informa que pode arranjar a máquina de serrar curvas. Aguarda pela chegada dos fundidores alemães; refere-se aos fornos-altos; às grandes quantidades de pedra refratária encontrada, contradizendo o Câmara. Fala de Eschwege. Informa que ainda não recebeu a resolução da sua dependência submetida ao Real Erário onde diz ter um grande inimigo. Demonstra a sua satisfação para com o General conde de Palma. Fala do Plano que está a conceber para a Fábrica. Em P.s. solicita o empréstimo da defesa de Ratton.
Fala da decisão do Principe Regente; das relações entre Portugal e Espanha; da França, da guerra de Liga e união, da restituição de Olivença, da transplantação do trono para o novo mundo. Questiona o destinatário sobre o impacto das decisões de S.A.R..
O autor acusa a receção da carta do conde da Barca de 14 de setembro, onde afirmava não ter recebido o modelo do engenho de serrar madeira. Como confirmação do envio da dita remessa, o autor envia em anexo uma carta do responsável da mesma, o coronel Toledo de São Paulo. Informa da partida do Conde de Palma, após onze dias em Ipanema para se inteirar do estado de das obras da Real Fábrica. Informa que aguarda pela chegada dos fundidores alemães visto que a fábrica estará pronta a trabalhar no início do ano, altura em que espera se retirar para a sua fábrica. Sugere ao destinatário a compra por S.A.R. das ações dos particulares para ordenar a construção de uma fábrica de espingardas e espadas feitas por máquinas de àgua. Remete incluso o esboço do plano que a seu ver podia ser aplicado à Real Fábrica e a outras desta natureza no Brasil.
Visconde de Torrebella, [1768-1821], remete a António de Araújo a cópia da carta que dirigiu, nesse mesmo dia, ao marquês de Aguiar, onde expõe o facto da Junta da Real Fazenda da Madeira o querer obrigar a pagar os sete meses de ordenados que estão vencidos até ao dia da sua chegada aquela terra. Informa que recebeu os mesmos ordenados por ordem de S.A.R. conforme lhe comunicou o conde de Linhares. Face à intenção da mesma Junta em penhorar-lhe os bens, o autor pede ao Ministro [da Marinha e do Ultramar] que represente ao Soberano "a violencia que me querem fazer" e que lhe obtenha imediatamente as ordens do Presidente do Erário Régio para que a Junta não lhe cobre os valores referidos. Muitas vezes expôs o seu desejo de continuar a servir na carreira diplomática, como sabe que a situação atual é propícia para tal, "e que esta graça depende muito de V.a Ex.a", volta a suplicar com a maior instância para alcançar esta nomeação.
Informa que já escreveu no dia 15 de Maio. Solicita ao destinatário que rogue ao Príncipe [regente D. João] alguma recompensa e alguma graça e que não demore na resposta a dar sobre a "existencia do seu Trono [...] e fortuna dos seus vassálos". Coloca a questão "ou Aliado da França, ou Inimigo da frança" e informa que "Toda a Peninsula está dependente [...] do Principe Regente".
Tendo em atenção a condição militar de Portugal e do "seu hunico Aliado" sustenta que as decisões de S.A.R. tornadas públicas pelo destinatário são das "mais decesivas e arriscádas" para a sobrevivência do "Trono dos Reys de Portugal". Sustenta que não seria propícia a execução do plano de D. Luís da Cunha e defende um reinado para "os Portuguêses os primeiros Vassalos dos Reys de Portugal". Expõe as causas da inviabilidade do Rio de Janeiro como metrópole do Reino. Relembra que "Toda a Península está dependente da resolução do Principe Regente" e defende que não se pode fazer a paz geral sem fechar os portos aos ingleses.
O autor acusa a receção da carta do conde da Barca de 29 de Janeiro de 1817, pela mão de [Alexis] Svertchkoff. Informa das circunstâncias em que decorreu a visita deste juntamente com dois franceses. Faz um balanço da administração da obra que agora terminou onde realça o apoio constante do conde da Palma e dos seus dois coadjuvantes, o Brigadeiro Arouche de Toledo e o Ouvidor de São Paulo Paulo Miguel Afonso de Azevedo Veiga. Aguarda com impaciência a chegada dos fundidores alemães. Comunica que já recebeu notícia da vinda da Companhia dos espingardeiros alemães. Sugere uma reforma geral da Real Fábrica de São João do Ipanema. Fala dos seus conflitos com os seus subalternos. Recomenda Francisco Vieira Goulart para efetuar uma inspeção final à fábrica e o Tenente Conrado Niemeyer para Ofcial subalterno Engenheiro. Solicita ao destinatário proteção para o requerimento dirigido a S.A.R. a fim de obter o Hábito de Torre Espada. Informa da presença de Eschwege na Corte onde pretende encontrar-se com ele.
Recomenda o portador da carta, o Padre Bernardo Dias, "a q[ue]m Portugal deve o que já mais se pode pagar" e que presentemente tem em mãos um negócio que será de muito interesse para todos os bons vassalos de S.A.R.. Refere-se à sua família e envia os mais respeitosos cumprimentos de [seu marido] Pascoal.
O A. Dr. Charles Henry Titius, agradece a carta de 26 do passado [mês]. Informa que a coleção mineralógica que [António de Araújo] viu anteriormente, foi vendida para Moscovo. No entanto, oferece uma outra composta por pouco mais de 4.000 peças e organizada segundo as mais recentes descobertas de mineralogistas alemães e franceses e conforme as análises dos mais célebres químicos modernos. Juntamente existe um prospeto xilogravado com a nomenclatura dos minerais em alemão, francês e latim, conforme as técnicas de cientistas como Born Wiedemann, Klaproth, Delamétherie, Emmerling, Karsten, Schumacher, Gallitzin, Haüy e Brochaut. Informa que está encarregue da coleção do Eleitor [do Saxe], que pretende juntar-lhe a do barão de Racknitz, e sustenta que esta é uma boa maneira de continuar a estudar mineralogia sem grandes gastos pessoais. Contudo, pretende continuar a exercer as suas funções de médico. O preço da coleção deve-se à elevada procura que este tipo de coleção conhece, devendo metade do valor ser pago antecipadamente e a outra metade aquando da entrega da mesma. Espera que o amigo do destinatário possa dar uma resposta rápida e decidida. Prospeto da descrição da coleção mineralógica composta por 3852 peças. Possui um P.s. que indica que este mesmo prospeto foi feito há 2 anos e que entretanto a coleção foi aumentada em mais de 200 peças.
Envia em anexo a conta de Mr. Bourdon conforme havia sido solicitado pelo destinatário. Exprime o seu reconhecimento por esta nova prova de ?amizade?.
Recomenda ao conde da Barca o Dr. Lescene, antigo fazendeiro de São Domingos e de Cuba, o qual pretende adotar o Brasil como a pátria e campo dos seus trabalhos agrícolas e físicos. Tece considerações sobre este tipo de pessoas que procuram novos estabelecimentos na América.
O autor informa ao conde da Barca que a embarcação que esperava vender para os Estados Unidos nos próximos dez dias, não estará pronta antes de dezoito ou vinte dias.
O autor, Commercial Agent of the United States of America, envia em anexo uma carta dirigida ao Chevalier Araujo, Ministro [da Marinha e do Ultramar], que foi deixada no seu escritório por um homem vindo de Baltimore. Possui o endereço do destinatário na última página.
Charles Maurice Taleyrand, Príncipe de Benevente, refere-se à assinatura da paz definitiva entre a França e a Rússia [feita em Tilsitt em 7 de Junho de 1807, da qual Talleyrand foi signatário da parte francesa]. Agradece as demonstrações de amizade. Recomenda o genro de Mr. De Narbonne, de quem é amigo e o destinatário bem conhece, que pretende servir na carreira diplomática.
Charles Maurice Taleyrand, Príncipe de Benevente, recebeu com satisfação a carta que António de Araújo lhe endereçou pela ocasião da nova mercê que S. M. o Imperador lhe concedeu. Agradece os testemnhos de amizade que são recíprocos.
Oferece ao destinatário, "singular protector das Bellas Artes", um livro da sua autoria, concebido "para vêr se assim despertava maiores talentos" na escrita.
Sobrescrito lacrado da carta anterior.
Solicita a proteção do destinatário para as duas petições que entregou ao seu secretário.
Solicita a proteção do destinatário para os requerimentos inclusos.
Visconde de Torrebella, [1768-1821], aproveitando a viagem do amigo João de Campos Navarro, agradece ao conde da Barca pelo despacho de Enviado Extraordinário em Viena, o qual sabe dever ao favor e justiça do destinatário. Informa que após ter recebido o decreto original da sua nomeação, os ofícios do marquês de Aguiar e as credenciais, pela Fragata "Amazona", empregou a maior atividade nos seus negócios, e em seis dias aprontou-se e partiu para Lisboa onde aportou em 9 de Julho. Procurou logo passagem para Viena, via Inglaterra, mas entretanto recebeu ordens do marquês de Aguiar para aguardar por novas instruções. Encontra-se numa situação muito desconfortável, porque julgando que passaria alguns anos fora da ilha da Madeira, alugou a casa, vendeu a mobília, mandou a sua baixela para Trieste, ficando apenas com a roupa necessária para efetuar a viagem. Vive em dificuldade com a sua numerosa família numa estalagem. Suplica ao destinatário que interceda para que lhe sejam enviadas com a brevidade possível as ordens do Soberano e assim poder partir para o seu novo posto.
Visconde de Torrebella, informa que pelo Ofício de 30 de Julho, expedido pelo marquês de Aguiar, foi-lhe concedida a autorização para levar em sua companhia o filho João Correia Henriques de Noronha, na qualidade de Adido à Missão de Viena. Agradece ao conde da Barca a alta proteção e benevolência com que o trata. Pede que interceda a fim de lhe ser concedida imediatamente ordem para partir para o seu posto.
O autor pede a proteção do Conde da Barca para o requerimento incluso que dirige a S.A.R..
Viscondessa de Torrebela, [1775-1850], lembrando o favor e a antiga amizade com que o [conde da Barca] sempre tratou a sua família, solicita-lhe que concorra para que sejam expedidas com a maior brevidade possível as ordens para que o seu marido [o 1.º Visconde de Torrebela] possa encetar a viagem para o seu posto. Informa que a sua situação é sumamente desagradável, visto que partiram da Ilha [da Madeira] para seguirem viagem para Viena e não querendo o seu marido perder um instante e cumprir as ordens reais, vendeu toda a mobília a um baixo preço, alugou o Palácio, mandou a prata e os restantes pertences para Trieste, ficando só em seu poder com a roupa necessária para efetuar a viagem. Vivem no maior incómodo porque a demora em Lisboa é grande e custosa devido à numerosa família que tem ao seu encargo.
Solicita a S.A.R. que lhe seja concedido em remuneração dos serviços de seu pai João José Pinto de Vasconcelos, antigo cônsul geral de Portugal na Dinamarca e Noruega, o ordenado que este vencia, a fim de poder recolher a um convento. Apresenta, em anexo, três documentos justificativos.
Trechard solicita ao Ministro da Guerra e dos Negócios Estrangeiros de Portugal notícias oficiais sobre os seus meios de auxílio que foram para Portugal, bem como sobre a recompensa que tinha prometido pagar-lhe por Correia. Informa que o governo acaba de ordenar o estabelecimento dos seus meios para o serviço da Academia Imperial de Música.
Solicita a proteção do destinatário para alcançar o despacho do requerimento que enviou a S.A.R., destinado ao pagamento do erário que está atrasado.
Solicita proteção para o seu requerimento. Informa que há mais de cinco anos requereu a S.M. um aumento de 200 réis no ordEnado e o Hábito da Ordem de Cristo e que por sua morte o referido montante revertesse para tenças de sua mulher e filha, o qual não foi aceite. Lamenta a desigualdade de tratamentos visto que o contador da sua repartição viu serem aceites os seus pedidos, apesar de ter uma folha de serviços inferior à sua. Solicita ao conde da Barca que à vista dos documentos, despache o requerimento ou interceda junto do reformador reitor.
Francisco de Paula Leite, [1747-1833], [Encarregado de Armas da Corte e da Estremadura], [Visconde de Veiros em 1822], pede a poteção de António de Araújo de Azevedo, para ser nomeado Governador da Torre de Belém, à semelhança dos seus antecessores. Invoca os cinquenta anos de serviços em todas as quatro partes do Mundo e a falta de meios para desempenhar condignamente o atual posto que detém.
Francisco de Paula Leite, [1747-1833], Governador de Armas da Corte e da Estremadura, [Visconde de Veiros em 1822], aproveita a ida à Corte do Tenente Coronel António José da Costa, Comandante do Batalhão de Caçadores de Lisboa Oriental, para renovar os seus protestos de gratidão e respeito pelo muito que é devedor ao conde da Barca. Recomenda-se à proteção do destinatário para alcançar Honras e Mercês pelos grandes serviços que tem prestado a S.A.R., tanto como Governador de Armas do Alentejo [entre 1808 e 1814], como no cargo atual.
Solicita ao primo António de Araújo de Azevedo que lhe compre até 30 mil réis em livros constantes do rol anexo, o qual é constituído pelos melhores exemplares que possui.
O autor acusa a receção da carta datada de 10 de Junho de 1814. Envia um ensaio da sua autoria sobre o "Bronze das Peças de Artilharia", que se inutilizaram no cerco de Badajoz. Informa que pretende remeter também a análise feita, em 1812, a pedido do Delegado do Físico-Mor, a duas Quinas do Pará. Solicita ao destinatário proteção para o requerimento que envia a S.A.R. e que tem por finalidade atingir a nomeação para Ajudante do diretor do laboratório químico da Casa da Moeda e para a Intendência Geral das Minas. Informa do requerimento enviado no ano anterior e indeferido pelo Marquês de Aguiar, no qual pedia a nomeação para Deputado da Real Junta do Comércio, Agricultura e Fábricas, ou da Direcção da Real Fábrica das Sedas e Obras de Águas Livres. Envia o catálogo de manuscritos relativos a Portugal que se acham na Biblioteca do Museu Real de Londres.
Informa o primo [António de Araújo de Azevedo] que já expediu o "titulo, Collação, e posse do nosso Beneficiado" e das contendas que manteve com o Bispo de Lamego [D. João António Binet Píncio], 1786-1821], para o conseguir.
O autor acusa a receção da carta de 10 de Junho de 1814. Envia um ensaio da sua autoria sobre o Bronze das Peças de Artilharia que se inutilizou no cerco de Badajoz. Informa que pretende remeter também a análise feita em 1812 a pedido do Delegado do Físico-Mor a duas quinas do Pará. Solicita ao destinatário proteção para o requerimento que envia a S.A.R. que tem por finalidade atingir a nomeação para ajudante do diretor do Laboratório Químico da Casa da Moeda e para a Intendência Geral das Minas. Informa do requerimento enviado no ano anterior e indeferido pelo Marquês de Aguiar o qual solicitava a sua nomeação para Deputado da Real Junta do Comércio, Agricultura e Fábricas, ou da Direcção da Real Fábrica da Seda e Obras de Águas Livres. Envia o catálogo de manuscritos relativos a Portugal existentes na Biblioteca do Museu Real de Londres.
A autora, "reduzida ao estado de desgraça", solicita ao destinatário. que interceda junto de S.A.R. para resolver os problemas da Fábrica de Fiação e Tecido da Vila de Tomar, fundada pelo [seu marido] Timoteo Lecusson Verdier, o qual tem a sua fortuna enterrada nesse estabelecimento ao contrário dos seus sócios que tem pessoas junto do sobernao que tem "orado em seu favor". Refere-se à licença dada a S.M. para Verdier voltar a Portugal e do desejo deste em ser nomeado para algum emprego público onde poderá ser muito útil como Deputado da Junta do Comércio. Pede que lembre a Suas Majestades a afilhada Carlota João e que o destinatário enderece a resposta a "Daniel Frizoni e Companhia" em Lisboa.
Suplica ao destinatário para que atenda e coloque na presença de Sua Majestade o requerimento que envia pla mão do negociante Saviana. Lamenta que a sua família tenha sido sacrificada pelas desgarças da guerra e dos tratados, que ao privilegiarem as manufaturas estrangeiras, estagnaram as vendas das manufaturas portuguesas e que depois de vinte e sete anos de trabalho a fábrica de fiação e tecidos da vila de Tomar passe agora ao poder de outros. Invoca a promessa de feita em 1794 por Sua Majestade a Rainha [D. Maria I] a Verdier, no seguimento de ter considerado a referida fábrica como um serviço prestado à real coroa. Suplica ao destinatário para que nomeie Verdier para Deputado da Junta do Comércio em Portugal para "ficar relevado da desgraça [...] e vir livremente para cá sem susto".
Edouard Mortier, solicita a Araujo, Ministro [dos Negócios Estrangeiros e da Guerra] que agradeça a S.A.R. a Grã-Cruz de Honra de Portugal que o destinatário lhe enviou «com a carta de 8 de Maio».
Acusa a receção da carta de António de Araújo. Informa da sua ida a Lisboa para saber junto de D. Miguel [Pereira Forjaz] dos atestados que vierão dessa Corte [do Rio de Janeiro] e o resultado dos mesmos. Solicita o envio de uma moratória para pagar as dívidas deixadas pelo seu marido.
O autor, Conde de Vale de Reis Nuno Mendonça, [1733-1799], informa que já há muito tempo que desejava procurar por notícias de António de Araújo e assegurar-lhe a sua estima, o que foi impossível até agora "pelo governo de que me acho encarregado". Felicita o destinatário por ter sido nomeado para Enviado de S. M. na Corte de Haia. Pede que lhe comunique o tempo que ainda se demorará em Lisboa, porque em breve o autor terá de se deslocar à Corte e desejava despedir-se pessoalmente. Recomendações aos senhores da casa e a D. Mariana.
O autor, Johannes Philippus Van Blenty, avisa António de Araújo de Azevedo da remessa de folres do interior do país e do produto que substitui a aveia para os cavalos.
Lamenta que há mais de um ano que não recebe carta do destinatário apesar de continuar a receber notícias suas por Bernardo da Silveira e pela prima Clara. Pede ao destinatário que diga ao primo João que escreva "em seu nome e me segure a melhora de V. Ex.a". Em P.s. informa da ida do filho a Lisboa.
Informa que está na quinta de Canelas há dois meses e como não está no Porto não pode enviar as raízes e flores pelo Navio Delfina. Pede notícias e cuidado com a moléstia. Envia recomendações da"Mana Anica". Fala da família e lembra os requerimentos do filho que em breve vai a Lisboa.
Lamenta a falta "das suas cartas" e manifesta desconfiança em "q[ue] V. Exa. q[ue]ira por sua vont[ad]e deixar hua correspondencia de tantos anos". Informa que tem recebido notícias do destinatário pela prima Clara e por outros que as recebem. Fala do seu estado de saúde e da doença da irmã. Informa que o "meu Marechal" está em Lisboa para agradecer os favores recebidos do Marechal Beresford. Recomenda D. Maria Luísa à proteção do destinatário. Em P.s. envia recados à condessa de Cavaleiros.
Acusa o envio, há seis dias, de duas cartas e dois caixotes de plantas e flores, as quais espera "já ahi lhe não sirvão senão para deixar a alguma S[enho]ra de bom gosto". Aguarda pela chegada a Lisboa do destinatário e de S.A.R. na Primavera. Solicita o envio de notícias e manifesta o seu desejo em que o filho ficasse como Governador de Armas, mas entretanto o cargo ficou ocupado interinamente por Filipe de Sousa. Pede ao destinatário que o ocupe em alguma coisa.
Informa que já escreveu duas cartas, as quais seguem no navio Delfina, juntamente com esta e com dois caixotes de planta e raízes. Pede ao primo [António de Araújo], [Ministro da Marinha], que empregue o seu filho, que está comendador e Brigadeiro, "em coiza q[ue] mo não tire de [...] caza". Envia recomendações da familia e amigos. Solicita notícias e informa que entregou a carta ao primo António Fernando. Em P.s. envia recados à Condessa de Cavaleiros e recomenda o capitão do Navio.
Comenta a carta recebida e solicita notícias do restabelecimento da saúde do destinatário. Informa que enviará para o Rio de Janeiro as plantas e flores solicitadas, mas "D[eu]s q[uei]ra q[ue] ellas encontrem no cam[inh]o a V. Ex. e a toda a Familia Real". Transmite os agradecimentos da irmã e filhos. Informa do falecimento do marido. Fala do estado de saúde do filho e pede ao destinatário que lhe arranje uma ocupação para "q[ue] aqui na sua caza se posa demorar e cazar". Informa que entregou a carta ao primo António. Em P.s. pede ao destinatário que não acredite nem proteja Maria do Carmo Pinto que vai agora para o Rio de Janeiro.
Procura por notícias do primo [António de Araújo]. Exige "duas letras suas e q[ue] o Pr[im]o João escreva em seu nome pois so assim de todo poderei sosegarme". Manda cumprimentos de toda a familia. Relembra os requerimentos do filho que a seu ver "são justos". Em P.s. envia recados particulares da "Mana Anica".
A autora, prima do destinatário, informa que há poucos dias escreveu uma carta que deveria seguir pelo "seu Mano João", mas como a mesma se demorou na mão da prima Clara escreve esta para "segurar a V. Ex." a minha lembrança e procurar as suas not[ici]as". Informa que o filho "confiado na sua Justiça e no Patrocínio" lhe escreveu para remeter os seus requerimentos. Oferece uma pipa de vinho e diz que gostava de saber se chegaram as flores que enviou pelo Navio Delfina. Em P.s. envia recomendações da família e acusa o envio do conhecimento e guia em nome do conde de Amarante.
Vítor Manuel, [rei da Sardenha, Chipre e Jerusálem], expressa o seu desejo em que o cavaleiro [Rodrigo] Navarro de Andrade seja novamente nomeado pelo governo português para aquela Corte.
Informa que soube pela prima Clara que o primo João vai para o Rio [de Janeiro]. Pretendia enviar uma pipa de vinho, mas como o portador desta carta embarca em Viana, enviará pelo próximo navio. Manifesta a sua infelicidade por não se falar no regresso do Príncipe a Lisboa e pede ao destinatário que "venha p[ar]a nos e p[ar]a a sua familia". Fala da sua família e do Silveira. Solicita ao destinatário que coloque o seu filho no cargo de Governador de Armas do Porto e informa que o mesmo tem requerimentos de "sua casa" e que os enviará para V. Ex.a protegê-los. Acusa o envio dos caixotes de plantas pelo Navio Delfina. Em P.s. fala da doida da mulher de Francisco Peixoto.
Decreto de Vítor Manuel, Rei da Sardenha, Chipre e Jerusalém, de concessão da Cruz de Cavaleiro da Ordem Real e Militar de São Maurício e São Lázaro a Rodrigo Navarro de Andrade.
Comenta a carta recebida pelo capitão do navio Delfina. Refere-se às atitudes de Maria do Carmo Pinto, mulher de Francisco Peixoto, que foi para o Brasil há poucas semanas. Recomenda D. Luísa Rita de Mello.
Extrato da carta em que o autor refere que Rodrigo Navarro de Andrade, já pagou a animosidade que tinha contra si; refere os execrandos princípios de António de Araújo de Azevedo e fala dos maus procedimentos de Dionísio Pedro Lopes consigo após o ter recomendado a todos os negociantes de São Petersburgo. Em causa está o comércio directo entre a Rússia e o Brasil. Possui anotações em português de Rodrigo Navarro de Andrade.
O autor, [Ministro plenipotenciário português em Madrid], [1.º conde de Vila Real em 1823], agradece as expressões transmitidas por Joaquim Severino. Elogia as qualidades e serviços do destinatário que em muito contribuem "para sustentar em todas as occasioens a dignidade do Trono de Portugal entre as mais da Europa e particularmente para com o de Hespanha". Informa que muito folgaria em receber as sábias instruções para a execução das ordens de Sua Majestade.
O autor, [Ministro plenipotenciário português em Madrid], [1.º conde de Vila Real em 1823], informa o destinatário da nomeação pelo governo espanhol do Brigadeiro de Marinha Salazar para se dirigir ao Rio de Janeiro a fim de tomar conhecimento dos "negócios no Rio da Prata" e depois determinar com o General Morillo, o ponto ideal para o desembarque das suas tropas e iniciar as operações. Mais informa que assegurou ao referido Brigadeiro que S.A.R. "nunca faltaria aos principios de honra".
O autor, tendo-se deslocado por três vezes à casa do destinatário e não o encontrando, solicita a indicação da hora em que poderá ir buscá-lo no dia seguinte.
Refere-se à sua carta de 20 de Agosto. Informa da entrada do Marquês de la Romasia, com o exército, em Sevilha; e que de Cádis saiam tropas para efetuar o desembarque; que o General Espanhol Blek tomou o comando do exército principiou a operar por Granada seguindo depois para Málaga. Fala das salvas e bailes públicos ocorridos em Málaga no dia da celebração de Napoleão. Junto remete carta impressa relativa à esquadra.
Refere-se à sua carta de 18 de Maio. Informa das notícias que recebeu de Argel e do Capitão de Mar e Guerra James Scarmichea, quando este chegou da comissão. Refere-se aos termos das trégas estabelecidas com Argel, aos motivos da retirada de esquadra [portuguesa] para Lisboa, cuja folha de serviços enviará em breve. Informa da transferência de barcos de guerra espanhóis da Baía de Cádis para o Porto de Mahon, por motivos de segurança. Fala do estado do exército de Massena. Envia, em anexo, uma crónica com mais notícias. Informa que tem escrito a D. Rodrigo de Sousa Coutinho a propósito do seu impedimento em substituir o atual cônsul em Cádis, Henrique Ribeiro Neves. Pede proteção para obter a nomeação para Oficial de secretaria.
Aproveita a saída do bergantim português para a Baía para enviar notícias de Portugal e Londres e remeter a crónica desta praça que versa sobre a reunião das tropas portuguesas ao exército inglês para combater o francês. Fala do governo provisional de Espanha e da entrada do General Marquês de la Romasia para a Junta Suprema espanhola. Informa da chegada do enviado da Inglaterra a Sevilha, o Marquês de Wellesley. Refere-se às novas hostilidades entre a Alemanha e a França; à saída do Arquiduque Carlos do comando do exército alemão; à retirada da França de solo espanhol. Informa que encontrou a circular diferentes cunhagens de moeda espanhola, uma de Fernando VII e outra de Napoleão. Em P.s. fala do embaraço sofrido quando se deslocou a Lisboa a propósito do seu despacho.
Acusa a receção dos duplicados das cartas de António de Araújo. Felcita-o pela mercê alcançada para o amigo Brito. Fala das cobranças e do novo arrendamento do Ofício. Pede proteção para resolver este problema e aguarda por novas informações para seu governo.
Agradece a carta de Setembro passado à qual não respondeu prontamente por se encontrar a tratar das partilhas de seu pai juntamente com o irmão Henrique José. Informa que tudo acabou em bem, tendo apenas a sua mãe reservado para si uma pequena pensão de alimentos vitalícia. Após longos meses de negociação, tudo ficou resolvido em finais de Fevereiro, e quando se dispunha a escrever eis que sucedeu a Revolução e Bonaparte desembarcou novamente em França, acontecimento inesperado que pôs o mundo político e comercial em sobressalto. Comenta o estado de saúde do destinatário; o estabelecimento da Quinta da Prova; o Tratado de Comércio com a Inglaterra que veio suplantar as manufacturas portuguesas e outras produções nacionais; a falta de matérias primas em Portugal que impossibilita os portugueses de concorrerem com os ingleses. Agradece o despacho de Cônsul e Agente de comércio em Paris de seu sobrinho e cunhado Bernardo Daupiás. Esera que os aliados consigam destruir o governo revolucionárioda França e reestabelecer as relações mercantis no mesmo péem que estavam com Luís XVIII. Pede protecção para o despacho de seu pai [Jácome Ratton], sem o qual não o voltará a ver porque o mesmo prefere não regressar a Portugal enquanto a sua reputação estiver manchada. Como odest. É Presidente do Tribunal da Junta do Comércio e conhecendo bem o fervoroso patriotismo de [Jácome Ratton], concorra para que os vinte anos de serviço como Deputado sejam remunerados, anulando assim a cruel demissão de que foi alvo.
Informa que expediu uma carta em 11 de Maio desde Barroca d'Alva, onde passou todo o mês de Maio e príncipios de Junho com sua mulher e filhas. Felicita o amigo António de Araújo por ter sido nomeado Ministro da Marinha. Exprime os fervorosos desejos de conservação da saúde do destinatário e de regreeo de S.A.R.. Solicita a protecção do destinatário para alcançar o despacho de seu pai [Jácome Ratton], baseado nos serviços, para que possa regressar a casa com honra. Remete a minuta da informação de uma comenda que acaba de vagar para, se for possível, verificar-se a graça que seu pai implorado, sustentando que ela é de rendimento inferior ao ordenado de Deputado da Junta do Comércio que lhe foi retirado. Remete duas amostras de pano de sarja de algodão português, com o qual se pode fazer o fardamento de todas as tropas de linha e milícias dos estados do Brasil, Àfrica e Àsia. Comenta as características e vantagens do uso deste tecido. Deseja saber o parecer do dest. sobre este assunto. Recebeu notícias de Londres de seu pai em 6 do corrente. Recebeu notícias de Rodrigo Navarro que se encontra em Turim [como Encarregado de Negócios de Portugal]. Em P.s. participa que incumbiu Manuel Lopes Ferreira, seu correspondente no Rio de Janeiro, para seguir as directrizes do dest., e tomar todos os passos relacionados com o despacho de seu pai [Jácome Ratton].
Informa o primo [António de Araújo de Azevedo], que tem recebido notícias dele através da prima Clara que está em Vizela com António Fernando. Manifesta esperança em vê-lo "nas nossas Terras [...] visto q[ue] as coizas vão tomando hua melhor face e D[eu]s nos tem livrado entre agora de sermos Francezes". Acusa a receção de uma carta sua de há tempos e agradece a lembrança aquando da vinda dos franceses ao Porto. Informa que se deslocou para a quinta de Canelas; do falecimento do marido; da fuga das filhas; que o filho está coronel e fico herdeiro de "Figueirona". Fala nas flores e na retirada dos franceses da Península.
Fala na carta que enviou em mão de Joaquim Fernandes. Agradece a lembrança e o cuidado do destinatário aquando da chegada dos franceses ao Porto. Solicita notícias e envia recomendações a toda a família. Informa que estão mais sossegados pela derrota dos franceses na Rússia mas enquanto estiverem em Espanha "e o meu filho no Exercito sempre ando tremendo". Manifesta esperança no retorno do Príncipe a Lisboa. Informa que remeteu um caixão com as raízes e plantas solicitadas para a casa de Joaquim Fernandes.
Acusa a receção de uma carta do primo [António de Araújo]. Expressa o seu contentamento pela nomeação do destinatário para a Secretaria de Estado. Manifesta a sua esperança no retorno de "V.a Ex.a" e de S.A.R. e da Rainha "q[ue] espero inda torne a Portugal com vida e talvez mais saude do q[ue] tinha". Na dúvida em que ainda se encontre no Rio, o A. não envia plantas nem raízes, porque "q[uan]do chegar a Lis[bo]a [...] lá tornara V. Ex.a a fazer outro jardim". Envia cumprimentos da família e fala do estado de saúde do filho.
Informa que recebeu carta do primo [António de Araújo] pelo Navio Delfina. Espera que o mesmo se restabeleça rapidamente "porq[ue] as circonstancias as coisas permitem q[ue] V.a Ex.a esteja comanimo mais sosegado, visto q[ue] tornamos [...] a estar livres daquele monstro da Omanidade". Esperança no retorno de V.a Ex.a e de toda a famíla real. Refere-se à família e pede ao destinatário que não esqueça os "meus negocios q[ue] julgo são de Rezão". Fala sobre a "doida e ma creatura M[ari]a do Carmo Pinto" e sobre os primos de Viana. Em P.s. refere-se às plantas que envia sobre o Capitão do Navio Delfina para o destinatário.
E. H. Woodford, recorrendo à ocasião oferecida para escrever, apresenta os seus cumprimentos a António de Araújo e felicita-o pelo restabelecimento da saúde. Comunica a sua intenção em permanecer em Lisboa, talvez o regresso de S.AR. possa oferecer-lhe algumas esperanças. D. Miguel [Pereira] Forjaz ainda acede à recomendação que o destinatário fez em favor do autor, e a amizade de [Félix de Avelar] Brotero tem sido essencial para o memso. Comenta a chegada do novo Embaixador inglês; ao esplêndido baile oferecido pelo Marquês de Campo Maior, [o Marechal Beresford]. Refere-se a espécies botânicas.
[E. H. Woodford], agradece a António de Araújo toda a bondade e proteção que lhe dispensou. Refere-se aos resultados da sua viagem e comunica que adoeceu depois da sua chegada, no dia 29 de Agosto, que ainda não pode desfrutar da sociedade de [D. Miguel Pereira] Forjaz, nem da companhia do amigo [Charles] Stuart. Refere-se às insolências e às calúnias de Lord Strangford. Participa o seu espanto ao saber que [os Estados Unidos da] América declarou guerra e que a Rússia, com uma política inteligente reduz o campo de manobra a Bonaparte, e a Suécia estão também em armas; que o Conde do Funchal declarou oficialmente que seria o sucessor do seu irmão [Conde de Linhares] e que o Príncipe estava prestes a regressar ao seu reino. Refere-se à publicação da Correspondência de Mr. Henry. Refere-se à conquista de Montevideo.
O autor, E. H. Woodford, apresenta os seus cumprimentos a António de Araújo e agradece a recomendação junto do Marquês de Alegrete. Lamenta as notícias que chegam sobre o estado de saúde do destinatário. Agradece a carta recebida e apresenta algumas observações botânicas e climatéricas que tem vindo a realizar. Na última página está anotado o endereço: "A Son Excellence/ Monsieur D'Araujo/ etc etc etc//".
E. H. Woodford recomenda a António de Araújo, [Min. da Marinha e do Ultramar no Brasil] o seu antigo criado que, depois de nove anos de excelentes serviços, está de partida. O destinatário conheceu-o aquando da estadia do autor no Rio [de Janeiro]. Ele será o portador de uma obra muito interessante e verídica sobre [Napoleão] Bonaparte.
E. H. Woodford agradece a recomendação de António de Araújo ao [Governador de São Paulo] o General [António José de França e] Horta. Comenta o estado da Capitania e as observações botânicias que tem realizado. Esta carta será entregue por Muller, homem de espírito e de grande instrução.
E. H. Wooford, recorre à oportunidade concedida pelo comandante Correia para assegurar a António de Araújo os sentimentos de amizade. Refere-se ao desejo de Lord Wellington de entrar no serviço espanhol. Soube que a Aústria está clara união com a Inglaterra e com a Rússia. Não tem qualquer notícia sobre o filho do usurpador. Refere-se a Bonaparte e ao seu exército de 70.000 homens.
Solicita o apoio do governo para a construção de uma estrada desde o Lago de Paranagoa até Coritiba, por forma a rentabilizar os terrenos circundantes que não estão cultivados.
Pede a proteção do destinatário para a petição que envia em anexo, cujo original está na posse do Barão de São Lourenço, [Francisco Bento mara targini], que se propôs a fazer-lhe algumas alterações. Informa que caso obtenha um despacho favorável, inspecionará a obra a que refere na petição partindo depois para Inglaterra de onde trará instrumentos agrícolas, máquinas para limpar o arroz, a farinha, etc. e mão-de-obra especializada.
Cálculo dos mecanismos necessários e seu custo para fiar Algodão de n.º 20 até n.º 24.
O autor participa ao destinatário o andamento dos trabalhos na fábrica que dirige: o desejo de S.A.R. em que a mesma deveria estar a trabalhar em princípios de Novembro; na existência de 30 escravos capazes de estabelecer a dita fábrica seguindo o modelo que o autor apresentou; 14 fiadeiras instruídas em Taboaghe em diferentes tamanhos de fio; 10 em Sapativa; e o ensino de jovens a trabalhar na pedra. Aguarda apenas por uma carta do destinatário para o Governador de Ilha Grande para poder estabelecer ali uma Casa de fiação, visto ter conhecimento que ali existem muitos desempregados. O algodão pode ser enviado dali uma vez por mês e o fio de Canoas, o que seria mais conveniente como fez na sua fábrica de fiação de Sesimbra. Pede ao destinatário para ordenar ao Major e a Manuel Joaquim que lhe ceda uma carroça e um condutor para poder efetuar as mudanças a fábrica de Santo Agostinho.
Acusa a receção, pelo Navio "Oceano", de uma carta muito antiga do amigo António de Araújo. Refere que só foi possível escrever-lhe no dia 14 de Junho devido aos trabalhos relacionados com o giro de sua casa, os balancetes de comércio, inventário dos prédios e propriedades, partilhas, etc. Conforme já havia comunicado não poderá entrar em nenhuma nova empresa devido aos negócios de sua casa. Contudo, oferece-se para construir alguns mecanismos que o destinatário pretenda. Remete os cálculos do custo de um surtimento necessário para a fiação de algodão, ficando a aguardar pelas ordens para então pôr em execução os oficiais peritos que tem à sua disposição. Informa que a sua mulher acaba de sair de um regimento de um feliz parto de um menino que não viveu senão algumas horas. Têm tido o cuidado de informar-se do estado de saúde do destinatário. O seu pai [Jácome Ratton], continua a gozar de boa saúde em Londres muito embora esteja desgostoso da situação em que vive, pouco merecida e nada condizente com os seus patrióticos trabalhos. Continua esperançado na justiça de S.A.R. que tanto tem demorado a chegar.
O autor tem a honra de informar a António de Araújo, Conselheiro e Ministro da Marinha e do Utramar no Rio de Janeiro, que o edifício de Santo Agostinho estará pronto a receber os trabalhadores, mais cedo do que esperava. A estrutura está quase pronta e as pessoas empregadas já estão designadas para os diferentes departamentos. Refere-se à necessidade de mandar vir pedra da ilha Francesa para facilitar os trabalhos, às encomendas de lã e à intenção de estabelecer uma filial de fabrico de tecidos de seda e lã. Na última página está o endereço do destinatário no Rio de Janeiro.
Cálculo dos mecanismos necessários e seu custo para fiar Algodão de n.º 20 até n.º 24.
Confirma que os naturalistas Jorge Freyreiss e Frederico Sellow "acham-se com Assentamento na Folha das Pensões do corr[en]te ano". Informa da necessidade de apresentar procuração para receber cada quartel e que o seu procurador é Lourenço Westin, o qual já recebeu os 200 mil réis do semestre. A procuração está na tesouraria.
Acusa a receção da carta de 24 de Janeiro passado onde certificou-se que o estado de saúde do amigo António de Araújo é consideravelmente melhor. Agradece as expressões relativas ao seu pai [Jácome Ratton]. Informa que poderá prosseguir no estabelecimento da Quinta da Prova se forem feitas as alterações ao Tratado com a Inglaterra, sendo por isso desnecessário ao destinatário falar com as pessoas que no Brasil podiam interssar-se por um estabelecimento de algodão. Felicita o destinatário por vê-lo a "occupar o mesmo lugar que antes V. Ex.ª tinha, pois que todos os motivos que V. Ex.ª a tinha para não querer aceitar, já não existem". Espera pelo regresso em breve de S.A.R. cuja presença em Lisboa é tão desejada quão necessária. Pelo Comandante António Joaquim de Avelar remete uma caixa de ameixas de Guimarães e outra com doze frascos de marrasquino recentemente chegado de Zara. Recomendações de sua esposa. Recebeu boas notícias do pai em 16 do mês passado.
O autor, em resposta à nota do dia anterior, participa ao conde da Barca que não possui a procuração para receber os ordenados [dos Naturalistas], [Jorge] Freyreiss e [Frederico] Sellow, mas apenas uma lembrança sobre este assunto numa carta particular datada de 13 de Março, expedida de Vila Vítori.
Descreve a viagem que empreendeu desde o Basil até à Rússia, onde chegou em Novembro de 1811. Refere-se ao comércio, aos seus navios; à isenção de pagamento dos direitos de entrada na Rússia, graça que obteve através da pronta intervenção de João Paulo Bezerra. Fala das cargas que os seus correspondentes em Londres venderam ao desbarato e do navio retido na Suécia devido ao inverno, tendo depois seguido para essa Corte, e pelo qual o autor oferecia a [António de Araújo] uma colecção das principais vistas de Moscovo. Em breve, enviará a encomenda de duas pipas de óleo de semente de linho, em vez da de linhaça. Pede ao destinatário, em virtude de ter sido nomeado Ministro e Secretário de Estado da Marinha, que mande examinar ao Arsenal da Marinha os preços pelos quais António da Cunha vendeu a fazendas. Informa das entradas e saídas de navios entre Portugal e este Império nos anos de 1813 e 1814; e do comércio de géneros como o vinho, o açucar, o café e o cacau. Remete um resumo da importação e exportação com Portugal e ilhas e o mapa geral da exportação deste Porto, juntamente com a lista geral dos artigos e suas observações. Pede ao destinatário Que se lembre do seu requerimnto em que pedia o cargo de Comissário da Real Marinha, como o detinha o falecido José Pedro [Celestino Velho, que faleceu em São Petersburgo em 1802].
Informa pelo seu secretário, o padre José Jorge de Gusmão, que ainda não se verificou a graça concedida por S.A.R. para a manutenção da Biblioteca. Requer um aumento do subsídio de três mil para quinhentos mil réis para fazer face à desordem e ao caos provocado pelos franceses. Informa do crescimento da livraria.
Informa ao chevalier d' Araújo e Mr. de Sousa que foi-lhe impossível encontrar Mr. Charpentier para pedir os bilhetes para a Assembeleia Nacional. Predispõe-se a encontrar dois ou três lugares para amanhã. Na última página está o endereço de Chevalier de Araújo no ?"Grand Hôtel ou Palais Royal"?. OBSERVAÇÃO Nas 2.ª e 4.ª pp. tem comentários autógrafos de António de Araújo sobre a cópia de um manuscrito de Francisco de Sá de Miranda existente na Biblioteca d'El-rei cujo título é "Obras de Fr[ancis]co de Sáa de Miranda dirigidas ao Príncipe Nosso Senhor que mandou pedir. 1564".
O autor, Arcebispo de Évora, [entre 1802 e 1814], recomenda o seu secretário, o Padre José Jorge de Gusmão. Informa que esteve preso durante dois meses [por ordem da Junta Suprema de Évora, liderada pelo Genral Loison], na enfermaria de Santo António de Beja. Fala do saque ocorrido na igreja, museu e cavalariças de Évora.
Agradece a carta de 30 de Abril de 1811 do amigo António de Araújo, de quem tem procurado notícias. Relata as suas diligências para retirar o seu pai [Jácome Ratton] do injusto degredo em que se encontra. Queixa-se das consequências do Tratado [de Comércio] nas suas fábricas e por ter confiado em demasia na protecção do governo. Informa que mandou encerrar a sua fábrica de fiação de algodão, devido ao Tratado [de 1810] que aniquilou todas as fábricas do Reino, tendo sido obrigado a despedir todos os oficiais encarregues da construção de mecanismos tal como os restantes empregados, resultando daqui uma perda de perto de 200.000 cruzados. O requerimento que Weelhouse interpôs contra si foi escusado. Consegui anular os intentos dos que quiserão retirar-lhe as ferramentas e utensílios vindos do Campo Pequeno, ficando responsável pelo pagamento do restante. Fechou, também, a fábrica de chapéus devido à admissão dos chapeleiros ingleses no Brasil, sendo a sua única preocupação a de escoar os 25 mil chapéus que tem em stock. Os 500 empregados que estavam empregues nas suas duas fábricas passam agora por grandes padecimentos. Apresenta os seus pêsames pela morte da mãe do destinatário e informa que procurou os irmãos de António de Araújo com o mesmo fim. Oferece um quarto de vinho tinto de Barroca d'Alva. Recebeu boas notícias de Londres, tanto de seu pai, como do irmão José [Luís] e da irmã Teresa.
O autor, James Walker, capitão de mar e guerra, em resposta à carta [de António de Araújo], elogia ps trabalhos e talento do destinatário os quais deveriam ser aproveitados pela Pátria. Agradece o convite para servir no Brasil. Entregará a carta ao Governador de Pernambuco e apresentará os cumprimentos a Sir Sidney Smith.
Acusa a receção, pelo Navio "Oceano", de uma carta muito antiga do amigo António de Araújo. Refere que só foi possível escrever-lhe no dia 14 de Junho devido aos trabalhos relacionados com o giro de sua casa, os balancetes de comércio, inventário dos prédios e propriedades, partilhas, etc. Conforme já havia comunicado não poderá entrar em nenhuma nova empresa devido aos negócios de sua casa. Contudo, oferece-se para construir alguns mecanismos que o destinatário pretenda. Remete os cálculos do custo de um surtimento necessário para a fiação de algodão, ficando a aguardar pelas ordens para então pôr em execução os oficiais peritos que tem à sua disposição. Informa que a sua mulher acaba de sair de um regimento de um feliz parto de um menino que não viveu senão algumas horas. Têm tido o cuidado de informar-se do estado de saúde do destinatário. O seu pai [Jácome Ratton], continua a gozar de boa saúde em Londres muito embora esteja desgostoso da situação em que vive, pouco merecida e nada condizente com os seus patrióticos trabalhos. Continua esperançado na justiça de S.A.R. que tanto tem demorado a chegar.
O autor, Le Baron de Waitz d' Eschen, agradece as cartas recebidas e informa que o Eleitor, seu mestre, apresenta os seus cumprimentos e manifesta o desejo de poder ter o conde na sua casa de campo em Wilhelmshohe. Participa todas as medidas que tomou para apoiar Mr. D' Eschwege, esperando que ele tenha motivos para estar encantado com o objeto da sua missão. Recomenda o dito Eschwege à proteção do destinatário e refere que ele pertence a uma família nobre e anciã de Hesse. Depois das instâncias do Chevalier de Correia, que estava encarregue de procurar os mineiros do Hesse para o serviço de Portugal, incitou Eschwege a aceitar o desafio. A Alemanha está em vésperas de uma guerra sangrenta em que é difícil de calcular todas as consequências.
Expressa o seu prazer quando soube que o Duque de Serra Capriola tinha recebida notícias de António de Araújo a "Perle des Commandeurs". Aproveito a oportunidade do Duque escrever, para se lembrar à memória do amigo e recordar, com saudade, as provas de amizade que em tempos recebeu. Pede notícias. Comenta a sua vida "vagabunda" pelo país, depois que o destinatário foi embora. Encontra-se em São Petersburgo há pouco mais de um ano, mas não sabe se será por muito tempo. Conservou o gosto pela música, pelo canto, e recorda a música que costumava ouvir em casa do destinatário.
Participa que o ano passado escreveu pelo Duque de Serra Capriola, mas aparentemente esta carta não chegou ao seu destino, ou, Mr. de Araújo não não terá desejado ocupar-se desta antiga amizade. Lamenta o silêncio obstinado da "Perle des Commandeurs", e manifesta a constância dos seus sentimentos. Madame de Saldanha encarrega-se de expedir esta carta, devendo-lhe um agradecimento infinito, mas se não receber resposta vetar-se-à ao silêncio. Refere-se ao convívio com a Princesa Dolgorouky. Como deseja ter o retrato do destinatário pediu a Madame Saldanha emprestado, mas lamenta que este não seja o Commandeur de outrora. Pede resposta.
Informa a António de Araújo, no Rio de Janeiro, que lhe escreveu no dia 2 de Novembro a participar que os seus filhos tinham sido notificados pelo conde da Redinha para despejarem as casas em que habitam, não obsante do contrato de arrendamento em vigor terminar só em 1820. Solicita ao destinatário que os proteja de algum golpe de autoridade que possa surgir. Leu a carta de 19 de Setembro que o destinatário enviou ao filho Diogo onde pôde constatar os seus incómodos de saúde. Leu as ideias sobre o maquinismo de fiação de algodão, matéria que Diogo não teve tempo de discorrer por andar ocupado em repulsar os ataques do conde da Redinha, feitos pelo primo Domingos Monteiro do Amaral, protegido do Principal Sousa que tem influência sobre os Juízes. Aprova o projecto do destinatário e cuida que Diogo não deixará de debater as suas ideias consigo. O Marques vive em casa do destinatário e está suficientemente instruído para reger um tal estabelecimento. Aconselha o destinatário a formar um plano de associação para depois remetê-lo para que a resolução de Diogo seja mais rápida e acertada. Aconselha a empregar pessoas hábeis na cardagem, que mande buscar os maquinismos já prontos a Lisboa para que depois o Marques dirija a sua colocação. Remete esta carta pelo amigo comum, João Paulo Bezerra. O mesmo leu a, ainda imperfeita, memória apologética do autor e aconselhou-o a conclui-la e a remeter cópia ao destinatário com um memorial para S.A.R.. Espera que S.M. o autorize a imprimir a sua defesa e que lhe permita regressar a casa justificado e condecorado. Comenta a intenção de seu filho em arrendar uma das casas que estão junto às fábricas que pertencem ao conde das Galveias. Esta vai incluída na de Bahon, pessoa que conheceu em cas do destinatário, e roga a protecção do dest. ara a súplica do mesmo.
Informa ao amigo António de Araújo que no dia 4 do passado mês escreveu-lhe por João Paulo Bezerra, a que se recomenda. Espera que seja ele que preencha o lugar vago, porque para isso tem qualidade. Recebeu a carta de 3 de Outubro por João Correia de Paiva, e constatou que o destinatário passava bem de saúde. Agradece o que lhe diz a respeito das justificações, porém pouco espera das promessas do dito agente que segundo consta recusou o ano passado a agi em favor de Vandelli não obstante de ter sido recomendado pelo marquês de Wellesley, na altura inistro dos Negócios Estrangeiros [inglês]. Bahon agradece as expressões a seu favor.Comunicou também a António de Almeida, a quem S.A.R. mandou gratificar pelo 1.º vol. de sua obra, para o animar a concluí-la.O 2.º vol. está no prelo e a sua justificaçãocontra as calúniasque lhe fez um médico do Hospital de São José, Médico este que elogiou o enfermeiro-mor D. Francisco de Almeida, que vai em breve para o Rio de Janeiro, esperando o autor que este em virtude do que presenciou e sabe aclarará na presença de S.A.R. muitas coisas em prol dos seportados. Este seu conhecido prometeu-lhe interssar-se por si e também pelo negócio do aforamentodas casas para que os seus filhos possam entregar o quanto antes as do conde da Redinha. Constatou com muito prazer no "Investigador [Português]" deste mês, n.º 19, fl. 245, o anúncio do Ouvidorde Porto Seguro da conclusão da estrada que vai daquela vila para Minas Novas. Louva esta obra que transformará Porto Seguro numa localidade importante. Aconselha a instalar o estabelecimento de fiação nas margens do Rio Giquitonha.
Recopila os pontos mais importantes e que foram debatidos na reunião que manteve ontem com António de Araújo sobre o estabelecimento da Quinta da Prova. Relembra a necessidade de remeter ao Abade de Lóbrigos com a maior brevidade uma cópia do Plano de associação para apreciação. Emendado, aprovado e assinado pelas duas casas encarregues da direcção, o mesmo plano será apresentado às pessoas de Lisboa e do Porto e mais terras que se entenda deverem ser contatadas para subscrição. Após a subscição proceder-se-à à impressão das condições, apólices e letras para depois se dar início à assinatura e encaixe de fundos pela caixa directorial.
Pede a [António de Araújo] para que dê ordem ao Administrador Geral da Alfândega para que seja descarregado, sem mais demoras, o Navio "Iphigenia", comandado pelo Capitão Jacinto José Peres, e que chegou ontem de São Petersburgo. O Navio encontra-se de quarentena de cinco dias por vir sem carta de saúde do Sunda. Sendo notório que por onde passou não existem epidemias, é urgente proceder a tal diligência, visto que em breve o Porto de Lisboa será visitado por uma poderosa esquadra inglesa sendo que a prudência exige que não lhes seja dada a tentação de apresarem o navio e a sua carga. A casa de comércio do autor tem 30 mil cruzados no navio.
Escreve esta carta com o único propósitode alcançar o bom sucesso do requerimento do neto Bernardo Daupiás. Refere-se também ao seu requerimento de Abril de 1810, que está em mãos do destinatário, no qual pedia a demissão do lugar da Real Junta [do Comércio], visto que as circunstâncias estão muito alteradas. O Portador da carta é o amigo José Balbino Barbosa Araújo, filho do Advogado de Lisboa, Barbosa Araújo, que depois de viúvo se fez clérigo e eleito Desembargador e Promotor da Relação Eclesiástica. O mesmo José balbino é favorecido pelo Embaixador de Londres e está encarregue de entregar os despachos ao governo. O mesmo pretende solicitar a nomeação para um consulado em França ou na Holanda. Informa que Daupiás não pode ausentar-se de Paris devido à Casa de Comércio bem acreditada que ali possui, e que com a parceria com seus tios de Londres e Lisboa muito mais poderá crescer. A Barbosa poderia ser útil o Consiulado de Rouen ou de Nantes, de Amsterdão ou de Hamburgo. Pede ao dest. que se informe do luto do autor junto de Barbosa. Pensa em dar à imprensa no próximo mês as "Recoradaçõens" de 64 anos de residência em Portugal, esperando que ninguém encontre motivos de ofensa nem das reflexões que sobre cada coisa diz com o sentido de ser útil à Pátria. Não existe intenção de agravar nem criticar, o único objecto é dar-se a conhecer. Remeterá ao destinatário vários exemplares. Como goza de boa saúde, espera iniciar em Julho a projectada jornada por esta ilha com o neto inácio ratton, que está a frequentar o curso de Química, e no regresso, no mês de Setembro, enviá-lo para o tio Diogo, enquanto o autor pensa em passar para o continente. Apesar da forte emigração que se fará sentir para o continente o seu filho não sairá de Londres. Não se atreve a fazer uma reflexão sobre as consequências na Europa, sobre o sucesso da França e da Espanha, onde considera não estar finda a revolução. Pergunta o que será do Brasil se a Corte regressar a Lisboa. Ouve dizer que no interior das nossas províncias há quem se ressinta da nova Constituição dos vizinhos. Defende que o monarca deve melhorar a sorte dos vassalos e não ser constrangido por eles. Assim, dever-se-iasuspender temporariamente a admiração dos noviços e ambos os sexos nos conventos; e mesmo de se dar ordens sacras para o Reino para se refazer de muita povoação que se perdeu e deois com facilidade de se extinguirem progressivamente os conventos, vender-lhe os bens a favor do Erário Régio. Basta que as paróquias estejam providas dos necessários ministros do altar. O Brasil não pode ser povoado sem sérias custas do Estado a não ser que se admitam por naturais famílias de qualquer país e de culto livre. Em breves anos cresceria aquele Estado. Como se escedeu nos comentários solicita ao destinatário que queime esta carta depois de a ler.
Agradece as cartas de 15 e 25 de Fevereiro onde tomou conhecimento da chegada do Bezerra, de quem gostaria de receber notícias. Agradece a António de Araújo por ter falado ao conde das Galveias e por lheter comunicado a resposta deste. Deu-lhe muito gosto a participação a respeito das Sesmarias do dest. sobre o rio que desemboca no Mar em Porto Seguro, que acredita, tal como o dest. ser a situação mais vantajosa do Brasil. Elogia o plano para ali se estabelecer o engenho de serrar. Elogia a aquisição do Capitão Feldner, o qual não conhece pessoalmente. Viu com gosto que Eschwege está empregado na minas de ferro que têm sido estabelecidas algumas fundições em diversas partes por particulares. Elogia o exemplo do destinatário em aforar os seus terrenos "em perpetuum" em porções módicas e preocupando-se logo em povoá-las. Sustenta que o vizinho do destinatário Frasier, ser-lhe-à muito útil, tanto pelo exemplocomo pelos conhecimentos que ele e os alemães hão-de difundir, a ele não será alheio o uso da charrua para poupar braços e cultivar mais em menos tempo. Sugere medidas para se levrar os terrenos com a criação de Gado Vacum, a inodução de métodos agrícolas, etc. Lembra a cultura do cânhamo devido à qualidade dos terrenos; aconselha a motivar a imiração de famílias alemães; Frasier podia chamar por família irlandesas católicas. Sustenta que um primeiro colonoindustrioso vale mais que mil braços. No que diz respeito ao objecto da fiação, disponibiliza-se para dar pareceres mas não a interessar-se devido à sua avançada idade e estado de saúde, razões pelas quais já legou os interesses de sua casa ao filho Diogo. Está sem esperança de poder regressar a Portugal, de onde foi expulsoinjustamente há três anos e que ainda não conseguiu apresentar a sua justificação. Mas, não será por isso que deixará de trabalhar em prol de S.A.R. Prossegue na sua memória, que mais não são que recordações, mas não apologética nem justificativa, deixando espaçao leitor para retirar as suas leituras. Tem um inimigo declarado no Principal que ultimamente atacou Julião, seu criado há trinta anos e que o acompn«anhou na deportação, retirando-lhe o cargo de Guarda da Alfândega de Belém. Pede ao destinatário que envie a Diogo a cópia da carta que enviou para que lhe seja possível resolver algo.
Informa da queda do Tirano e do restabeleciemnto dos Bourbons, na pessoa de Luís XVIII, liremente eleito e proclamado pela nação francesa, notícia que espera possa provocar o desejado efeitodo regresso de S.A.R. e da sua Corte. Gostaria de receber um despacho de S.A.R. em remuneração pelos vinte e três anos de serviço na Real Junta do Comércio e que anule as caluniosas e tenebrosas informações a seu respeito e que o impedem de aparecer perante os seus compatriotas e muito menos na Real Presença. Menos magoa lhe causou o haver sido envolvido no número de deportados "já reconhecidos como não culpados", e a respeito dos quais o Embaixador em Londres disse que em breve poderiam regressar a suas casas, graça que não aproveitará. Mandou o neto Bernardo Daupiás, cunhado de seu filho Diogo, para França onde os negócios políticos se seguirãoe obrigam a fixar-se e fundar uma casa de comércioem Paris a qual goza de melhor reputação e crédito. Ali fez um grande casamento com filha de pais ricos. Elogia a inteligência e felicidade do trabalho que este tem aplicado não obstante o escabrozo dos tempos decorridos. Tem auxiliado muitos dos nossos infelizes compatriotas. Por desejar ser útil no Serviço Real suplicou a S.A.R.o cargo de Cônsul Geral em Paris ou de Agente da Corte de Portugal seja para objectos comerciais ou correspondência com os demais cônsules dos portos de Mar, para os casos pendentesnos tribunais, dos Ministros ou do próprio Embaixado. Pede a protecção do destinatário para esta súplica e que lhe envie o referido diploma que o autor pagará as despesas. Disponibiliza-se para qualquer serviço que o destinatário queira ordenar-lhe, independemente do lugar onde se encontra.