Afonso Lopes Vieira foi bacharel em direito e funcionário da Câmara dos Deputados (1906 -1916), dedicou-se depois exclusivamente à escrita. Como poeta, foi um dos expoentes do neogarrettismo, com ligações à Renascença Portuguesa. Colaborou em "A Águia", "Nação Portuguesa", "Contemporânea" e publicou dezenas de livros de poesia. Apesar de uma faceta “anarquizante” revelada em obras de juventude, foi monárquico, próximo dos integralistas e membro da Cruzada Nun’Álvares. Em 1921 o seu poema “Ao Soldado Desconhecido (Morto em França)”, publicado em folheto, foi apreendido pela polícia. Em 1923, com António Sérgio e outros, publicou a revista "Homens Livres", sob o lema “Livres da Finança & dos Partidos”, de que saíram só dois números. Nos anos 30, Afonso Lopes Vieira demarcou-se do salazarismo, com argumentos idênticos aos do Integralismo Lusitano.
In: Barreto, José. 2016. "Os destinatários dos panfletos pessoanos de 1923". Pessoa Plural, pp. 634-635