A história das crianças expostas em Portugal remonta à Idade Média, época que surgiram as primeiras instituições para a assistência à infância desvalida e abandonada, e prolonga-se até ao século XX. Estas crianças eram abandonadas, muitas vezes por razões de pobreza, ilegitimidade ou incapacidade dos pais de cuidar delas. No período moderno, as Ordenações Manuelinas determinaram que, nos concelhos que não existissem instituições de acolhimento aos expostos, estas fossem criadas pelas autoridades municipais. No século XVIII, a Ordem Circular do Intendente Pina Manique, de 24 de maio de 1783, ordenou a criação de Rodas em todas as vilas, tornando-se no instrumento nacional de abandono em Portugal até à década de 60/70 do século XIX. Com a extinção das Rodas, decreto de 21 de novembro de 1867, foi modificado o modelo assistencial existente até aqui, isto é, o sistema de abandono foi substituído pelo da concessão de subsídios de lactação a famílias pobres. O anonimato, principal característica do sistema anterior, a partir daqui torna-se proibido, uma vez que um ou ambos os pais das crianças tinham de se identificar. São criados os Hospícios em substituição das Rodas e é neste contexto que em 1871 o distrito estava dividido em quatro círculos, todos com hospícios, existindo um em Guimarães que abrangia também os concelhos da Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho. Apesar do esforço das autoridades em combater este flagelo os expostos continuaram a existir no sec. XX, embora em menor escala.