Nasceu e morreu (1886-1975) em Guimarães. E a cidade guardou-lhe a memória, deu o seu nome a uma rua e estima-o como um poeta de reconhecidos méritos. Jerónimo de Almeida nunca chegou a concluir os estudos liceais mas foi, também, um prolixo investigador das coisas da sua terra.
Cabe-lhe o inspirado recorde na elaboração dos pregões das festividades nicolinas: tradições vimaranenses - as grandes comemorações anuais dos seus estudantes, um longo poema exultante e satírico escolhido como bandeira de cada uma. E de todos os convidados a versejar tais pregões, Jerónimo de Almeida foi, sem dúvida, o mais solicitado - logo em 1911, ainda não se levantara dos bancos da escola, escreveu ele o seu primeiro. Num jornal republicano de Guimarães. Coincidência apenas, então? O poeta não sofreria, ao menos plenamente, os amargos de boca produzidos pela I República posto haver emigrado para Inglaterra, onde permaneceu longos anos.
No regresso foi também o eclodir da sua veia literária. Desde logo, mediante assídua colaboração na Imprensa local onde divulgava os resultados das suas pesquisas de carácter histórico e etnográfico. Por isso a Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento o incluiu no rol dos seus investigadores.
Mas são ainda da autoria de Jerónimo de Almeida diversas peças de teatro e muita poesia dispersa. Reunindo-a, finalmente, num primeiro livro intitulado Trenos, terá oferecido um exemplar a Afonso Lopes Vieira que promoveu o poeta vimaranense a «apóstolo da Beleza». Em 1938 deu à estampa o Roteiro da Cidade de Guimarães, uma obra hoje de interesse histórico acrescentado. E 1958 foi o ano de mais uma edição poética, a de Ainda há Rouxinóis.
In: https://jamachado.blogs.sapo.pt/descobrindo-jeronimo-de-almeida-poeta-623277